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  • [Review] Shoujo☆Kageki Revue Starlight - A cruel beleza do teatro

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    Vocês estavam ansiosamente no aguardo por essa review sobre o anime como um todo, certo?
    Wakarimasu~

    Revue Starlight foi um anime muito incomum lançado em 2018, se tratando de temáticas poderia ser colocado entre um dos mais incomuns do ano. No entanto, devido a uma mentalidade absurdamente incoerente das pessoas acharem que teatro musical e idols são a mesma coisa (Ou melhor, por ter garotas e música, ser um anime de idols), a obra acabou não ficando tão popular quanto merecia. Até hoje lendo em algumas reviews em sites "super apropriados" como o MyAnimeList, você ainda pode achar pessoas falando coisas como "Esse é um anime de idol diferente do padrão".
    Essa review já começa declarando o seguinte: Ir assistir Starlight com a mentalidade de que vai assistir um anime de idol imediatamente mata a ideia principal do anime e você provavelmente não vai conseguir extrair muita coisa dele, resultando em um possível desgosto com a obra.

    Teatro musical é a pauta principal do anime, o tema do qual quase toda subjetividade e simbolismos almejam atingir. Não necessariamente o único tema abordado, mas sem dúvidas o principal.
    Revue Starlight é um anime repleto de simbolismos, e muito mais ele diz por trás da camada superficial do que ele diz na própria camada superficial. É inevitável que você tenha que usar bastante interpretação e atenção para entender bem o que o anime está querendo te dizer.
    A maior crítica do anime é sobre o sistema teatral japonês, principalmente se referindo diretamente ao Takarazuka Revue, mas que também funciona para vários sistemas teatrais pelo mundo. Justamente por isso olhar para o anime como um anime de idols mata o próprio propósito da obra, já que a industria de idols tem problemas absolutamente diferentes do teatro em si.

    Apesar de deixar a desejar em alguns episódios, o anime é muito bem produzido e bem dirigido, com diversas cenas de ação bem coreografadas e intensas.
    E sendo um anime sobre teatro musical, obviamente a trilha sonora também faz forte presença, com inúmeras insert songs que são em sua maioria muito boas e que investem bastante nas cenas chaves a nível emocional tanto para as personagens, quanto para o telespectador, o que já é algo muito relevante para o que o anime quer fazer.
    O anime se sai muito bem em abordar um tema interessante, mesmo o principal deles sendo um universo desconhecido para a grande maioria das pessoas que assistirem o anime, ele também se sai muito bem na animação e trilha sonora, e no geral esses três elementos juntos sem dúvidas podem ser o bastante para te entregar uma ótima experiência audiovisual e reflexiva. No entanto, quando se trata de personagens, resoluções e execução em algumas partes, o anime tropeça algumas vezes, principalmente por ter um número limitado de episódios, o que deixa muitas coisas um pouco corridas já que eles se dão ao trabalho de explorar bem quase todas as personagens.

    A ideia principal do anime é boa, porém, as duas protagonistas que empurram essa ideia para frente, Karen e Hikari, me saíram como personagens altamente desinteressantes. Elas ainda cumprem suas funções no roteiro muito bem, na maior parte do tempo, mas o aproveitamento da história inevitavelmente é afetado quando falta carisma para o(s) personagem principal(is). Isso por si só até seria algo que eu conseguiria relevar até certo ponto, porém, a sensação de que a ideia por trás das duas personagens prejudicou a execução da ideia principal do anime ficou martelando na minha cabeça durante toda a segunda metade do mesmo. As resoluções dos conflitos dessas personagens soaram forçadas em alguns momentos (Alguns exemplos mais à frente), e em certos momentos eu cheguei a me perguntar aonde o anime queria chegar com os rumos que tomava.
    Foram de fato problemas prejudiciais para meu aproveitamento da obra, mas longe de serem grandes o bastante para tornarem o anime ruim ou fraco. Na verdade, é um anime realmente muito bom e que sem dúvidas, conhecendo a mim mesmo, estaria entre os 5, talvez 10, melhores do ano caso eu tivesse assistido animes o bastante para fazer tops desse tipo. Infelizmente desse ano eu só assisti meia dúzia de animes, sendo um deles Hugtto! Precure, que faz bem melhor em termos de temas abordados, na minha opinião.
    Por isso, Revue Starlight sem dúvidas é um anime que eu recomendo muito dar uma chance, tem sim boas personagens, tem boa animação, boa trilha sonora, boa direção, um anime diferenciado que trás temas interessantes e coloca certas reflexões em jogo, é o tipo de anime que precisa ser feito mais vezes. E depois que assistir os 3 primeiros episódios, pode dar uma olhada nas minhas reviews deles aqui (Episódio 1) e aqui (Episódio 2 e 3).

    Dito isso, caso não tenha assistido ao anime ainda, a review acaba aqui. A partir desse ponto começarei a entrar em mais detalhes da história/personagens, então vai ter muitos spoilers, para não estragar sua experiência recomendo não ler nada a partir daqui.




    ~~~~~~~~~~~~~~~~Spoilers~~~~~~~~~~~~~~~~




    Tendo parado no episódio 3, logo após a grande derrota da Karen para a Maya, eu voltei para o anime com a ótima impressão que os 3 primeiros episódios haviam deixado, porém, havia um grande problema. O anime era óbvio demais sobre os rumos que iria tomar, o que por si só não é um problema, boa parte das obras dá para prever o final enquanto você ainda está no começo, só seria realmente um problema se a obra não quisesse ser previsível, o que não me pareceu ser o caso de Revue Starlight. O problema é que em cada episódio que se passava eu não via o anime conseguindo evitar tropeçar em si mesmo. Era óbvio que a Karen iria ter o seu desejo realizado até o fim do anime, tal como era óbvio que a Nana tinha muito mais por trás do que aparentava, como eu disse no final da minha review dos episódios 2 e 3 (Embora prever que teria "viagem no tempo" seria bem improvável, muito embora todas as pistas estivessem lá nos primeiros episódios, simplesmente por não associarmos viagem no tempo com anime de teatro musical). O problema é que as coisas começaram a se resolver em favor das protagonistas muito facilmente.

    A princípio eu havia ficado bem incomodado com a Nana perder para a Karen, mas era justificável. Tendo ela basicamente parado no tempo, parado de praticar e começado a trabalhar no script enquanto todas as outras praticavam arduamente, fazia sentido ela ter "enferrujado", e fazia sentido a Karen ser bastante talentosa, o anime nos diz isso indiretamente ao revelar que a Futaba passou em última colocada para entrar na escola, claro que a Karen ainda pode ter ficado em uma posição baixa, mas vale lembrar que no início da série ela não tinha nem a motivação para se tornar uma "top star" (Fora que para ser aprovado para aquela escola naturalmente você precisa ser bastante talentoso). Então existe uma boa justificativa dentro da narrativa que mostra aquele resultado ser possível em termos de talento, esforço e motivação. Ao longo do anime esses três aspectos se mostraram os aspectos que definiam os resultados das audições, o que faz todo sentido, estamos falando de teatro afinal. Então mesmo os duelos sendo apenas uma representação visual, havia um padrão lógico que se baseava no físico e psicológico das atrizes. Por exemplo, a Kaoruko mesmo não tendo o esforço, ainda tinha o talento e a motivação para "duelar" com a Futaba, que mesmo sem o talento, ainda tinha o esforço e a motivação para "duelar" com a Kaoruko. A Nana tinha talento de sobra, mas não tinha mais o esforço e questionavelmente nem a motivação, por isso perdeu duas vezes seguidas. Achei a resolução do drama dela muito corrida e fácil, mas em partes compreensível não só pela limitação de episódios, mas também pela motivação abalada dela que já vinha sendo trabalhada antes do twist do episódio 7.

    Mas aí que entra o grande problema, a luta contra a Maya e a Claudine. Diferente da Nana, a Maya que já era para ser a mais talentosa, também era uma das mais esforçadas e mais motivadas. Em termos técnicos de qualidade, ela não deveria perder para ninguém, mas como eu disse antes, o anime não tenta ser imprevisível realmente, então você já sabe como a luta vai terminar antes de começar. A Maya e a Claudine juntas são a perfeita representação do sistema teatral do Takarazuka Revue, e a Maya em particular de qualquer sistema teatral, então evidentemente dentro do que o anime quer dizer, a Karen e a Hikari, que são contra o sistema, precisariam vencer. Existe uma explicação muito implícita para essa vitória literalmente impossível, mas seria ela o suficiente para você relevar um problema desses? Para mim nem tanto.
    Acontece que a Karen e a Hikari são as representações da "pequena estrela" e da "grande estrela" na história de Starlight, onde uma representa uma pequena felicidade enquanto a outra representa um grande sucesso, e quando as duas se unem, um milagre pode ser realizado (Ou algo desse tipo). No "grand finale" do duelo, as duas "se tornam uma só" e assim conseguem vencer. Mas mesmo assim, ainda ficou um gosto amargo de que poderiam ter executado melhor essa luta, que também foi a mais fraca em termos de cenário.
    De bom veio a cena de desabafo da Claudine, que acabou sendo uma personagem que ficou em segundo plano. No entanto, é um defeito proposital, se ler um pouco sobre como funciona os papéis no Takarazuka Revue vai entender. A Claudine foi feita para ser uma personagem que fica em segundo plano, enquanto a Maya foi feita para fazer o papel principal, e as duas se completam assim. Por isso, mesmo a personagem ficando sem ser trabalhada melhor, isso ressoou positivamente comigo por ter sido uma ideia bem executada ao longo do anime.

    A reta final foi a parte mais fraca (Ou melhor dizendo, menos boa) do anime para mim. Todo o conflito final entre a Karen e a Hikari não foi lá muito interessante, o total desespero da Karen me soou forçado (Principalmente pelo time-skip), mas também existe uma justificativa dada no episódio 12 sobre o que uma representa para a outra, o duelo final foi bem bacana, no entanto. Isso é claro, tirando uma cena específica que achei simplesmente genial. Exato, é exatamente essa cena que está pensando. A girafa se revelar como sendo nós, os telespectadores, o público, foi sensacional. Tudo bem que metalinguagem é algo que eu costumo curtir bastante, mas foi realmente muito bem aplicado aqui. A reflexão que a cena em si trouxe foi super interessante também. O anime continua pois nós estamos lá para assistir, é aquilo que queremos ver, e nosso papel como público é assistir e decidir se gosta ou não.
    Toda obra é construída de uma certa forma, de acordo com a visão da staff, ou mesmo do autor, ainda que nesses casos tenha o dedo de outras pessoas por trás. Essas pessoas estão criando uma obra e oferecendo para nós, o público, essa é a função deles. A nossa função, como público, é apenas gostar ou desgostar, assistir. O que não é o que acontece hoje em dia, hoje em dia todo mundo (E com "todo mundo" eu me incluo também) quer dizer o que a obra tem ou não tem que ser, o que tem que mudar, que é isso e que é aquilo, mesmo sem ter quase nenhum conhecimento dos procedimentos não só da criação da obra, como também da mentalidade e das emoções por trás da concepção da mesma. Fora falar sobre nossa busca incessante pelo "imprevisível" (Coloco entre aspas, pois abre margem para diferentes interpretações). É algo que tem muito pano pra manga para explorar.

    Como é possível notar, exceto meu problema com as protagonistas e ser um pouco corrido, todos os outros problemas que citei são justificáveis, mesmo em partes. Então embora pareça que eu esteja fazendo muitas reclamações, se você quiser ser leniente com o anime, tem bons motivos para tal. O roteiro é muito bem trabalhado para que não seja falho em muitos dos momentos problemáticos.
    Em relação a abordagem ao sistema teatral me pareceu que o anime no fim não foi para lugar algum com aquilo, mas a nível pessoal ao menos a Karen e a Hikari conseguiram cumprir a promessa delas.
    Finalizando, Shoujo☆Kageki Revue Starlight é um anime único no que escolhe abordar, e bem exótico em como executa suas ideias, com várias boas personagens e uma produção notavelmente caprichada, que o faz ser uma experiência relativamente memorável. Alguns tropeços incomodaram, mas olhando como um todo definitivamente termina com um saldo super positivo. Infelizmente eu perdi a chance das análises semanais, muito podia ser dito sobre muitas coisas ao longo do anime que não cabem estender tanto uma review do anime inteiro, mas podemos dizer que já era esperado de mim. O importante é que como muito requisitado, aqui está minha visão sobre a obra. Embora eu provavelmente tenha esquecido de citar um bocado de coisas, já que fui escrevendo essa review aos poucos. Wakarim---digo, Saraba Da!
  • Shoujo☆Kageki Revue Starlight #02 e #03 - A escada para o sucesso

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    Após uma estreia surpreendente, Revue Starlight continua em um bom ritmo de acertos com o seu segundo e terceiro episódio. É possível dizer que nesses dois episódios vimos de perto dois lados opostos, vimos o fundo e o topo, mas que no fim das contas são dois lados da mesma moeda e a mensagem que fica é que não importa se você é esforçado ou talentoso, você terá que lutar para alcançar seus objetivos.

    O episódio 2, focado na Junna, foi deveras interessante e importante para a caracterização da personagem. Felizmente escolheram não descartá-la após a derrota no episódio 1, quando ainda tínhamos apenas alguns detalhes sutis que diziam algumas coisas sobre a personagem, ao invés disso tivemos um episódio focado nela e provavelmente seu papel na série ainda não chegou ao fim.
    Junna é uma garota muito esforçada, que fica facilmente irritada com pessoas que se dão por satisfeitas com muito pouco, ou mesmo satisfeitas com nada. Vimos no episódio 1 ela reagir agressivamente a Karen aceitando que não seria a protagonista da peça, e vimos no episódio 2 ela reagindo agressivamente as garotas que aceitam ser inferiores pela sua admiração a Maya. É algo de certa forma até realista de se pensar, a pessoa estar estudando, trabalhando duro por um objetivo e decidir ficar na zona de conforto porque tem alguém "muito melhor" que você ali e por isso você decide que não terá chances é uma mentalidade que eu não chamaria nem de irritante, mas sim de triste. A Junna viu a si mesma naquelas garotas, ao menos sua versão do passado, antes de encontrar o sonho que queria seguir.
    É o já muito visto caso de "trabalho duro vs talento", a Junna não era ninguém especial e ela queria sair desse status quo de qualquer forma. O anime novamente nos entrega informações importantes através de simbolismos, dessa vez os manequins que representam as massas, tal como aquelas garotas que admiravam a Maya. É ainda mais profundo se pensar que ela se sente assim desde os 8 anos de idade.

    Mas no fim, mesmo todo o trabalho duro não foi o bastante para abater a Karen, e está tudo bem. Mesmo falhando, ainda terá outra chance, e da próxima vez sem dúvidas irá caprichar ainda mais.
    No fim serviu como um bom desenvolvimento, com ela aceitando o jeito de fazer as coisa da Karen, e a luz do palco iluminando as duas como uma prova disso.
    Já no episódio 3, descobrimos mais sobre a Maya, que é a mais talentosa de todas, a que está no topo. Em partes eu não esperava que ela já fosse ser a oponente da Karen no terceiro episódio, porém por outro lado faz muito sentido se parar para pensar em alguns aspectos da narrativa.
    A Maya é "de outro mundo", seu talento e suas capacidades incomparáveis, alguém que está muito além de todas as outras personagens, sem dúvidas a pessoa que você encontraria te esperando ao finalmente alcançar o topo.
    Tamanha representação do "topo" ela é que os simbolismos novamente apontam diretamente para isso nesse episódio. Em determinado momento, é possível notar uma estátua no fundo do cenário, e em um close é possível claramente ver a Maya imitando a pose da estátua. A estátua em questão nada mais é que a famosa estátua grega Vênus de Milo, representação da deusa do amor e da beleza (Vênus ou Afrodite, no caso).
    A "Deusa" Maya obviamente não é só uma coincidência, o episódio gira em torno da "divindade" da Maya. As estruturas e escadarias gregas fazem ligação direta com a já mencionada deusa, tal como os diversos cisnes, animal que simboliza a deusa. Além disso a própria música cantada pela Maya coloca ela mesma nessa posição. E tendo dito tudo isso, vemos que o duelo diante do "Revue do Orgulho", nada mais era que uma lição.
    O cisne existe até na espada da Maya! 
    Apesar de todas as tentativas da Hikari, a Karen estava determinada a continuar indo nos testes de elenco e acreditava que iria continuar vencendo. O "Revue do Orgulho" foi um tapa da realidade na Karen, mostrando o quão desafiador tentar ser Top Star é, e que só ter o ideal bonitinho de chegar ao topo com a Hikari não é o suficiente para chegar lá. O maior simbolismo disso sem duvidas foram as escadarias, a Maya sempre no topo, derrubando a Karen toda vez que ela tentava subir, manipulando as escadas para que ela não conseguisse avançar, a Karen estava a mercê da Maya e ela foi completamente derrotada. Esse parece ser um destino premeditado, uma vez que o anime mostra isso com o aviãozinho de papel que voa o mais longe que pode, mas acaba batendo "coincidentemente" na estátua de Vênus e caindo no chão.
    Estou curioso para saber que rumo a Karen vai tomar após essa derrota, e também o que a Hikari tanto esconde dela sobre os testes que a faz ficar tão desesperada para não querer deixar a Karen participar.
    Vale ressaltar que a luta no episódio 3 estava espetacular, eles capricham tanto que espero que os tais problemas na produção terminem sendo uma preocupação desnecessária. O anime continua muito bom, muito bem pensado, mesmo coisas que parecem irrelevantes ou diálogos simples podem ser peças cruciais para entender a obra, então torço para que se mantenha assim até o fim.

    Antes de terminar o post, queria levantar alguns pontos curiosos para se pensar sobre.
    O primeiro é a transformação da Karen, a cada episódio parece que as máquinas que costuram o uniforme dela deterioram mais e mais, me pergunto o que isso significa e se tem alguma ligação com o motivo da Hikari querer tanto impedir a Karen.
    O segundo é algo curioso no ranking do final do episódio 3, não esperava que a Banana ficasse em terceira, logo abaixo da Maya e da Claudine. E com o foco nela nos últimos dois episódios e a sua escolha de ficar apenas com o script da peça, palpito que tem muito mais para a personagem do que aparenta.
    Por fim temos a luz da tiara que todas as garotas lutam para conseguir. Tal luz estranhamente aparece incontáveis vezes durante o episódio em lugares bastante aleatórios, o que fez eu me perguntar se há um motivo por trás disso ou não. Os prints que eu tirei foram só alguns, mas existem vários outros em várias cenas. Teria um significado ou eu me afundei tanto nos simbolismos da obra que estou começando a delirar? Fica a duvida. Saraba Da!

  • Shoujo☆Kageki Revue Starlight #01 - Teatro, música e... huh?

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    Nota: Quem procurar posts mais antigos verá que eu não sou alguém que realmente costuma levar reviews semanais de anime de temporada até o fim, e por eu assistir quase nada por temporada esse "quadro" praticamente morreu faz tempo. Mas estou temporariamente trazendo-o de volta depois de assistir a estreia desse anime a pedido de um amigo meu, já era algo que eu tinha interesse antes, mas como aparentemente o anime teria mais o que se comentar do que o esperado (Segundo esse mesmo amigo), e eu já estava vendo alguns comentários de pessoas confusas sobre a obra por aí, decidi que seria mais produtivo dar minhas opiniões aqui no blog.


    Shoujo☆Kageki Revue Starlight é um anime erroneamente denominado por muitos como "anime de idols", pois aparentemente se há garotas e música, há idols. O anime é, na verdade, sobre teatro e música, ou seja teatro musical, elementos esses que mais me chamaram atenção a princípio. Porém, há muito mais por trás da trama do que parecia para alguém que quase nunca lê sinopses como eu, e pode surpreender positivamente dependendo dos seus gostos e atenção.
    O anime na verdade é parte de uma franquia que, como esperado, começou como uma peça teatral, para então ganhar anime, 3 mangás e eventualmente um jogo. É o que é conhecido como "Media Mix". Dito isso, vamos falar sobre o episódio de estreia.
    Admito que no começo do episódio eu estava meio cético quanto ao anime, a primeira parte foi bem comum, basicamente uma introdução das personagens e do cenário da obra em si. É interessante notar que o anime vem com grande embasamento na parte teatral da mesma, usando até mesmo  maneirismos comuns do teatro, como anunciar seu nome na hora de entrar no palco para se apresentar, como um meio de introduzir todas as personagens.
    Mas esperar menos que isso seria estranho, na verdade isso não era "mais do que a obrigação" do anime. Por quê? Bom, para explicar teremos que dar uma olhada na história do teatro japonês em si, e tudo já começa com o nome do anime: Shoujo☆Kageki Revue Starlight.

    Para quem não sabe, o anime ou mesmo a escola onde a história se passa é uma direta referência ao influente e famoso teatro musical Takarazuka Revue. Em uma breve pesquisa já é possível conectar muitos pontos, como por exemplo, o fato do Takarazuka Revue ser um teatro apenas para garotas ou ser um teatro musical. Evidentemente, outros detalhes também estão espalhados por todo canto, o teatro Takarazuka Revue foi construído em 1913, 105 anos atrás, que se encaixa perfeitamente com a história da escola do anime em si. Ou então a vibe 'yuri' que a obra possui ser também um reflexo da influência desse teatro em si em relação a homossexualidade. Enfim, as conexões existem aos montes. Vale a pena ler mais sobre a história do teatro para quem tiver um interesse maior no anime.
    Em todo caso, ao longo dessa primeira parte, ficamos sabendo o que precisávamos saber. Havia alguns foreshadowings aqui e ali para nos manter interessados, mas nada além disso.

    Então entrava a segunda parte do episódio, e já começava bem previsível. A Hikari se transferir para a escola, ter a personalidade que tem e habilidades que tem, fora praticamente todas as ações dela e da protagonista, Karen, foram todas bastante previsíveis. Mas tinha sempre algo para manter minha atenção no episódio, seja as famosas engrenagens do destino trabalhando, o sonho misterioso, logo estranha dando uma atmosfera menos amigável por um momento, metáforas com a torre de Tóquio, comentários aleatórios que possivelmente não são tão aleatórios assim ou algumas personagens em especial agindo de maneira suspeita. A torre de Tóquio é um uso interessante de metáfora, seja pela sua antiga representação de um futuro otimista, seja pela sua atual representação de um Japão sem sonhos. Para quem sabe inglês eu recomendo a leitura desses dois artigos sobre a torre de Tóquio: Tokyo Tower goes from futuristic hope to symbol of the good old days // Tokyo Tower, the Fading Symbol of a Bygone Era
    Com isso já dá para fazer algumas suposições ligando isso à, por exemplo, o sonho da Karen sendo empurrada da torre de Tóquio pela Hikari.
    Chegando aos 2/3 do episódio, é onde finalmente o ponto de virada do mesmo chega. Se você leu até aqui mas ainda não assistiu o anime, recomendo parar a leitura e ir assistir agora (Caso esteja interessado, claro).

    Antes o anime ficava apenas no foreshadowing, simbolismos ou metáforas, no entanto, nos minutos finais rapidamente fomos apresentado ao surrealismo, fazendo a obra mudar completamente de atmosfera de uma hora para outra. As cenas muito bem animadas e dirigidas, somados a boa música letrada por trás, enquanto as personagens lutavam no palco sobre a ideia de estarem fazendo um teste de elenco e fazendo um musical, rapidamente te deixam em um auê, impressionado com as cenas. Durante toda a sequência acontece muita coisa rapidamente, e muitas coisas de difícil compreensão, o que pode no fim deixas as pessoas mais confusas do que encantadas.
    Sem duvidas o elemento surpresa de toda essa cena foi a girafa. Era como se quisessem colocar a coisa mais aleatória que conseguissem pensar ali para surpreender, e o mais longe de sugeriram foi uma girafa... Ou será que foi isso mesmo?
    A girafa carrega diversos simbolismos diferentes e, coincidentemente ou não, a maioria deles se conecta de uma forma ou de outra na narrativa da obra.
    A girafa é o animal mais alto do mundo, ela representa o ponto mais alto, assim como se destacar entre todos os outros. Buscar o topo, no contexto do anime, querer ser uma Top Star, é o pré-requesito mínimo para você conseguir se destacar entre os outros, como a própria girafa disse no episódio. Quem tem que fazer o esforço é você mesmo, caso contrário tudo que você poderá fazer é observar os outros brilharem das suas próprias maneiras. A protagonista, que até então tinha essa mentalidade de "está bom do jeito que tá", finalmente muda de atitude e dá um passo em direção a essa grande mudança.
    A girafa pode significar que mudanças estão à vista no horizonte, tal como elevar seus padrões, enxergar seus objetivos mais claramente ou obter uma visão melhor do que está acontecendo. Tem uma frase de um site que diz: "Quando uma girafa aparece, você pode estar em uma situação em que você já se envolveu demais". Todos elementos que aconteceram de fato no episódio. Fora também estar associada normalmente a clarividência, o que pode ou não ter ligação com o sonho que a Karen teve antes da Hikari chegar na sala de aula.
    E não para por aí, mas para não me estender demais em possibilidades vagas, recomendo uma rápida leitura nos seguintes sites:
    Giraffe Symbolism & Meaning
    Giraffe Symbolism & Meaning
    Giraffe Symbolism 
    Symbolic Meaning of the Giraffe

    Porém, isso não explica exatamente o que a girafa é, se ela apareceu apenas para a Karen, ou mesmo se vai continuar sendo uma girafa no próximo episódio. O que ela representa ou significa é discutível, mas o que ela realmente é provavelmente precisará de mais episódios para descobrir.
    Os momentos após o "renascimento" da Karen marcaram o real início da história, a busca pela tiara, e o papel principal da peça em busca de se tornar uma Top Star.
    Shoujo☆Kageki Revue Starlight foi uma estreia bem impressionante, com muita bagagem por trás, e bastante potencial para ser um anime surpreendente. Por ser bastante ambíguo em muitas partes, é possível também que acaba se perdendo no caminho, mas torceremos para que não aconteça, certo? Muitas partes do episódio são bem interpretativas, embora de fato criar suas interpretações com apenas o primeiro episódio seja bem complicado, espero que os links do post ajudem a ter uma ideia melhor do que pensar. Saraba Da!
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