• Sou Nan Da! #06 - Novel, Light Novel e Web Novel

    0

    Quem já me conhece há algum tempo ou me acompanha no Twitter, sabe que eu sou um ávido leitor de novels. Acho que aqui mesmo no blog eu já manifestei meu gosto pela mídia, sendo ela minha segunda favorita, só atrás de Visual Novels. Eu já leio novels há 6 anos, e já dediquei bastante tempo estudando a mídia, mesmo assim, não acho que meus conhecimentos sejam tão vastos ainda. Porém, entre animes e mangás, que são super-populares, e Visual Novels, que são nada-populares, Light Novels ocupam um espaço desfavorável na visão ocidental sobre o universo nipônico, onde a maioria sabe que existe, mas poucos parecem realmente entender a mídia em si. Graças a isso--E a constantemente ver gente falando besteira--decidi desmistificar as Light Novels. Digo, duvido muito que esse post vá chegar muito longe, mas se ao menos algumas pessoas tirarem suas dúvidas com ele, já ficarei feliz. Esse não será um post tradicional e formal falando sobre "o que é Light Novel?" como muitos fazem (E fazem mal, muitas vezes). Tem diversos posts do tipo, então vou situar vocês sobre o que é a mídia, de forma bem resumida, para então falar melhor dela como um consumidor, ou melhor, como um explorador.

    Vamos a uma pequena lista de elementos que compõem a mídia, para resumir a parte chata:

    • Light Novels (LN, para abreviar) originalmente eram histórias curtas lançadas em revistas pulp ou jornais nos anos 70, que com o crescer da popularidade começaram a serem publicadas por editoras, se tornando livros. 
    • LNs são livros com algumas ilustrações no começo e entre as páginas, muita gente tenta fazer muito malabarismo para evitar colocar tudo na mesma caixa, o que não faz sentido, mas essa é a definição da mídia. 
    • São poucas ilustrações, aliás. Cerca de 10 a 15, sendo que cada livro tem mais de 200 páginas. Dá para se traçar uma média, mas não existe realmente limitações de quantas páginas podem ter em um volume, algumas tem 250, outras tem 1000 (Leia-se: Kyoukai Senjou no Horizon). 
    • Light Novels normalmente são livros de bolso, livros pequenos que você pode carregar no bolso para ler fora de casa com maior facilidade. 
    • Contrário a crenças populares, o "light" de LNs se refere ao formato físico do livro e a certos outros aspectos narrativos menos relevantes, pois o conteúdo em si pode ser tanto leve quanto pesado, tanto relaxante quanto desconfortável. Não há exigências quanto a isso também. 
    • É bem normal as LNs serem séries de livros, ou seja, terem múltiplos volumes para a mesma história. Isso pode ir de uma obra com 5 volumes para uma com 25. 
    • Light Novels não são mangás, como tal, não são categorizados demograficamente. Não existe "light novel shounen" ou "light novel seinen", existe "light novel" e "light novel". 
    • "One-shot", em termos de LNs, se refere a obras de volume único. 
    • Não existe tempo fixo de lançamento de um volume para o outro, alguns autores lançam um livro a cada 3-4 meses, outros 1 em cada ano.

    E acredito que isso cubra quase tudo que você precise saber sobre como as coisas funcionam.

    Agora, vamos ao que interessa. Como alguém que adora essa área da literatura japonesa, que é pouco popular aqui no ocidente, é realmente incômodo ver o tanto de gente que nunca leu uma obra sequer e está sempre lá falando mal da mídia, como se fosse retentor da verdade. Mas, não há muito que eu possa fazer a não ser passar conhecimento adiante, que é o propósito desse quadro.
    Como toda mídia que se preze, existe todo tipo de obra para todo tipo de público nas LNs. Um dos grandes problemas da mídia, no entanto, é que, diferente de animes e mangás, não tem lá tantos títulos assim traduzidos. Para muitos, obras não traduzidas nem sequer existem, então até alguns anos atrás, não havia uma variedade tão grande de títulos assim. Digo "alguns anos atrás" porque, ganhando alguma popularidade, a mídia vem crescendo em variedade e quantidade de títulos traduzidos. Infelizmente, a essa altura já se espalharam muitas falsas verdades sobre a mídia.

    A J-Novel Club, que foi fundada no final de 2016 e era, a princípio, conhecida pelas várias LNs Isekai que traduziam, talvez seja uma das principais contribuintes hoje para a variedade de títulos. Embora isso possa ser tudo uma grande coincidência, o crescimento da J-Novel Club parece ter servido de incentivo para editoras maiores, como a Yen Press, começarem a ir atrás de mais obras fora do eixo. Apesar de que, se tratando da Yen Press, é sempre bom ter um pé atrás, uma vez que já se tornou comum obras aparentemente aleatórias que foram licenciadas por eles ganharem adaptação em anime em algum momento. Outras editoras ou surgiram, ou começaram a investir mais em LNs de 2016 para cá também, como a Seven Seas Entertainment. Dá para se ter otimismo, visto que já existe até mesmo uma editora que é quase totalmente focada em LNs voltadas para o público feminino, a Cross Infinite World. Eu diria que estamos no meio do caminho para chegarmos em uma era onde poderemos dizer que novels japonesas finalmente é uma mídia popular. Mais e mais obras diferentes são traduzidas para o inglês, deixando mais fácil o trabalho de quem quer atrair mais público para ela, como é o meu caso. Infelizmente o mesmo não se pode ser dito para novels traduzidas para o português, que ainda estamos dando os primeiros passos e são passos bem inseguros, com um futuro bem incerto.

    Quando falamos de Light Novels, eventualmente chegamos nas duas variações da mídia que conseguem confundir muitas pessoas, as Novels e as Web Novels. O mais curioso desses três tipos de novels, é que as pessoas normalmente misturam o que deveriam separar, e separam o que deveriam misturar. Para explicar sobre cada um dos dois separadamente:

    Novels - São mais como livros comuns, no quesito formato. De tamanho normal, sem as ilustrações ao longo do livro, e com maior liberdade para a capa ser qualquer coisa. Ou seja, é menos padronizado, além de normalmente terminar sempre com poucos volumes, ao invés de longas séries de 15~25 volumes. Isso tudo ao menos no papel, pois, na realidade, hoje em dia não existe mais tanta diferença de um para outro. Mesmo Light Novels atualmente podem ser lançadas em tamanho normal, e existem até mesmo exemplos de LNs que não possuem ilustrações preto-e-branca como o de praxe. Conforme LNs ganharam mais popularidade, elas foram ganhando mais liberdade em relação ao formato e conteúdo, então, na atualidade, existe uma linha tênue entre LNs e Novels que faz com que separá-los seja apenas uma perda de tempo. Tomem cuidado para falsas informações que muitos passam adiante, principalmente de gente que não gosta de LNs (Ou, melhor dizendo, suas adaptações), pois qualquer um que leia de tudo vai te dizer que não tem mais muita diferença entre as duas.

    Web Novels - são como fanfics, obras postadas diretamente na internet, geralmente em capítulos curtos e descompromissados. Com o novo costume das editoras de pegarem Web Novels (WN, para abreviar) e publicá-las como Light Novels, muita desinformação acabou se espalhando aqui no ocidente. Acredito que o maior problema aqui, seja que a maioria dos fãs que traduzem novels, normalmente traduzam a Web Novel, ao invés da versão oficial, a Light Novel. Isso acontece porque o texto está ao alcance do tradutor, que geralmente não tem muita experiência e conhecimento do japonês, e precisa de um dicionário (Foi o meu caso, há quase 2 anos) para traduzir. As LNs são difíceis de encontrar para baixar, e comprar poucas vezes é uma opção, além disso, quando encontram uma raw, são páginas escaneadas, o que impossibilita copiar as palavras para colocá-las em um dicionário. Sendo assim, o que chega ao público ocidental quase sempre é a Web Novel, o que inevitavelmente faz muitos acharem que tudo é a mesma coisa. Mas não são. Web Novel é como um rascunho do original, um esboço. Para ser publicada oficialmente, é necessário que o editor refine a obra para que ela fique em um nível aceitável para ser publicada. O quanto a WN vai sofrer alterações na transição para LN vai depender bastante do talento do escritor e do quão bem pensado foi a estrutura narrativa. Por exemplo, tem WN que precisou pegar o clímax de um volume futuro e colocá-lo no primeiro volume da LN, porque na WN o autor escreveu o primeiro arco sem um clímax, mas como é de praxe das LNs sempre tentarem ter um clímax por volume, essa mudança foi necessária. Tem WNs que ganham conteúdo extra quando transformadas em LNs, ou que tem conteúdo removido, arcos ou personagens novos, ou mesmo a LN ser maior que a WN, como foi o caso de Sword Art Online.
    O erro que mais me incomoda, é que quando uma LN que veio de uma WN que tem tradução ganha uma adaptação em anime, as pessoas vão comentar se baseando no que leram da WN. Mas a Light Novel é o material oficial, no qual as adaptações vão se basear. Então não é tão diferente de julgar pela adaptação em mangá, outro erro comum. Devido às circunstâncias, não tem como eu simplesmente dizer para não lerem as Web Novels, mas evitem levá-las como o produto final, pois elas não são.

    Tendo tirado isso do caminho, podemos voltar às Light Novels.
    Embora não esteja em uma situação tão precária como Visual Novels, é raro uma adaptação em anime de Light Novel dar certo. É uma luta constante para tentar fazer as pessoas entenderem que o anime raramente é um bom representativo da obra original, e isso se dá a uma prática muito prejudicial: O número de livros adaptados a cada 12-13 episódios.
    Falando por experiência e estudo, dá para afirmar com tranquilidade que a grande maioria absoluta das LNs tem, por livro, mais ou menos, material para cerca de 6~10 episódios de anime. Pode até ser mais do que isso, ou menos, dependendo do ritmo da obra. Ou seja, a norma deveria ser adaptar 1 ou 2 volumes a cada 12-13 episódios, mas o que temos é uma média de 3-4 volumes a cada 12-13 episódios, com algumas obras chegando ao extremo de 5~6 volumes. O resultado é óbvio, poucas obras que deram certo nesse modelo, enquanto poucas deram errado adaptando 1-2 volumes por 1-cour. O que acontece é que, em termos de marketing, adaptar pouco material não parece atrativo o bastante, devido as histórias da LNs serem bem extensas, muitas vezes. Temos então um conflito entre fazer um bom anime, ou fazer uma boa propaganda, e a segunda opção parece ganhar com folga. Mesmo que tenha um bom anime adaptando múltiplos volumes, a experiência de lê-los pode providenciar uma profundidade extra bem significativa. Existe uma dificuldade das adaptações de recriarem a construção de mundo da obra e reproduzir os monólogos dos personagens, falta criatividade na hora de transformar livro em animação.

    Pessoalmente falando, para você que provavelmente não é um leitor de LNs, mas quer começar, a melhor pedida seria escolher algumas obras curtas, principalmente one-shots, para ler. Não necessariamente só por serem curtas, mas também por serem histórias completas (Caso não tenha sido cancelado) e ter uma maior variedade de estilo narrativo em relação as séries longas. É até por isso que, assim como fiz com as Visual Novels, pretendo escrever um guia de Light Novels para quem quer começar a ler. Um dia vem!
    Em contrapartida, é necessário um pouco mais de paciência para séries longas, de mais de 10 volumes. É bem normal ter um começo menos cativante, e preparar o terreno para começar a desabrochar uma história e/ou personagens mais marcantes. Claro, você precisa saber interpretar o que eu disse, não é porque não engata de imediato que significa que o começo é ruim--Caso seja, aí é melhor nem insistir. É até por isso que adaptações em anime preferem atropelar a obra original e enfiar o máximo de material no menor tempo possível. Isso, e a incerteza de um sucesso financeiro que permita uma segunda temporada. É uma metodologia péssima.
    Obras longas são muito suscetíveis a altos e baixos, quanto mais longa, mais suscetível ela é. Mas vale frisar que o primeiro volume de toda novel é sempre algo à parte, exceto talvez, em novels derivadas de Web Novels. Isso é algo que todo autor precisa ter em mente, pois o primeiro volume é o mais importante na hora de definir o destino da sua obra, caso não convença, pode vir a ser cancelada pouco tempo depois, mas se convencer, dá para se sentir mais seguro em como conduzir a história. Nem sempre termina dessas formas, claro, mas é fato que o livro inicial acaba tendo um capricho a mais.

    A industria de LNs parece estar em ascensão. Ainda dá para contar nos dedos os títulos que conseguem vender mais de 100.000 unidades por volume, o que mostra que está longe de ser uma mídia financeiramente segura. Temos, em média, 15 a 20 adaptações em anime de LNs por ano, às vezes até menos, o que é um número pífio, se considerarmos que saem cerca de 200 animes por ano, e que LN é, talvez, a mídia mais adaptada depois de mangás. Mesmo assim, ainda que a mídia seja pouco valorizada, o que prejudica principalmente obras fora do eixo, nos últimos anos muitas das adaptações populares são originadas de LNs, ainda que possam ser de qualidade questionável, é algo essencial para o crescimento da mídia. Como o próprio fundador da J-Novel Club já revelou, ele só pôde apostar em obras desconhecidas porque existiam os Isekais, que tanto eram desprezados, para dar segurança financeira para a empresa fazer essas apostas. Light Novels existem há mais de 30 anos, e sua trajetória até aqui sempre foi até que bem discreta, mas todas essas décadas geraram um universo que merece esse reconhecimento, pois só com isso as coisas chegarão aqui no ocidente.

    E, com isso, acho que cobri todos os pontos importantes que vocês precisavam saber. Ou será que não? Ainda ficou alguma dúvida? Algum interesse não abordado? Comente aí para que eu saiba se faltou algo. Saraba Da!
  • Majo no Tabitabi - Felicidade Em Um Jarro (Volume 1: Capítulo 6)

    0
    Capítulo 6 - Felicidade Em Um Jarro

    Parte 1
    Planícies calmas. O vento soprava ao longo das pastagens que pareciam pintadas em uma fraca cor verde. As flores brilhavam ao receber os raios solares, e balançavam com o vento tal como a superfície da água.

    Olhando para cima, uma nuvem tão pequena que parecia que poderia ser tocada com a mão estava casualmente nadando através dos céus.

    Junto com tal cenário de prender a respiração, uma Bruxa voava em cima de uma vassoura.

    Sua idade era próxima a duas dezenas. Ela estava vestida em um manto preto e um chapéu de três pontas preto, em seu peito havia um broche em formato de estrela. Não há necessidade de dizer quem era ela, certo? ---Isso mesmo, sou eu.

    Enquanto eu estava aproveitando o cenário agradável com uma visão que parecia limpar meu coração, eu vi a figura de uma pessoa de pé, sozinha no meio das pastagens. Quando aquela pessoa me viu, ela começou a acenar com a mão.

    Não havia sinais de hostilidade. Eu também acenei de volta. Com a maior elegância.

    "Eei! Eeeei!"

    A pessoa estava saltando e balançando as mãos para fazer sua existência ser notada... Venha, é isso que ela quer dizer?

    Eu levemente virei minha vassoura e me dirigi à sua direção.

    "Ohhh! Você veio!"

    A pessoa de pé ali era um simples garoto. Ele estava segurando um jarro em uma das mãos.

    "Olá."

    Eu desci da minha vassoura e o cumprimentei.

    "Olá. Moça, então você é uma Bruxa. Isso é incrível."

    O garoto olhou para o broche no meu peito e deu um grande sorriso.

    "O que você está fazendo aqui?"

    "Eu estou procurando por felicidade."

    "O que isso deveria significar?"

    "Procurar por felicidade é exatamente isso que parece ser," disse o garoto. "A propósito, moça, você tem algum tempo livre?"

    Ele está me chamando para um encontro? Nãonão, sem chance que é isso.

    "Se você está perguntando se eu tenho tempo livre, eu até tenho, mas se você perguntar se eu estou ocupada, eu estou."

    "Ah, então você tem tempo livre!"

    ...

    "Por sinal, não tem nenhuma vila ou cidade por aqui?" Se não tiver nenhum lugar onde eu possa ficar, eu terei que dormir nas pastagens.

    Não posso dizer se essa opção iria melhorar meu humor.

    "Se estiver procurando por uma vila, é logo ali."

    No lugar para onde ele estava apontando... Certamente parecia haver algo como uma vila ali.

    "Houhou"

    "Inclusive, aquela é a minha vila."

    "Então você é o líder da vila? Prazer em conhecê-lo. Eu me chamo Elaina. Uma viajante."

    "Ah, prazer te conhecer, eu sou Emil---Não é isso! Quero dizer, aquela é a vila onde eu vivo," Emil-san disse com as bochechas inchadas.

    "Eu sei. Estava brincando."

    Eu sorri.

    O mal-humorado Emil-san segurou o jarro com ambas as mãos e ficou em silêncio.

    Ao descer minha linha de visão para o jarro, eu vi algo se mover dentro dele. Focando meus olhos para olhar mais de perto, era uma neblina branca. Neblina branca parecia estar flutuando dentro do jarro como um ser vivo.

    "O que é isso?" Eu apontei para o jarro.

    Talvez ele quisesse que eu perguntasse isso. Emil-san respondeu com orgulho.

    "Esse é um jarro que coleta felicidade! Quando pessoas ou animais experienciam felicidade, ela se transforma em poder mágico e se reúne dentro do jarro."

    "Oh?..."

    Com magia, uma pessoa pode mover coisas, criar fogo ou gelo... E manipulá-la para todo tipo de coisa, então é possível reproduzir a coisa na minha frente. Usá-la para voar com a vassoura, mudar o vento, ou mudar sua aparência para de um rato é chamado de Magia.

    Coletar felicidade quando ela é experienciada, o que isso significa é que emoções são convertidas em poder mágico, huh?

    Parece ser um pouco interessante.

    "Posso abrir e dar uma olhada?"

    "Ó-Óbvio que você não pode!"

    Ao estender minha mão, Emil-san segurou firmemente o jarro com ambas as mãos e se afastou.

    Ele declarou com olhos claramente hostis.

    "Isso é algo feito para a pessoa que eu amo, então você não pode tocar nisso, moça!"

    "Houhou."

    "Vo-você está com raiva?"

    "Não, só fiquei impressionada."

    Eu lembrei de um livro que eu li há muito tempo.

    Era um conto sobre um marido, que pelo bem da esposa que não podia sair de casa por conta de uma doença, vagou mundo a fora, e voltou para casa para mostrar sua esposa os belos cenários que ele viu, recriando eles com Magia. Como aquela história acabou mesmo? É uma história de muito tempo atrás, pelo visto eu esqueci.

    "Quem é a garota que você gosta?"

    "Hm? É uma serva chamada Nino, que trabalha na minha casa. Seu rosto sempre parece melancólico, então eu quero trazer felicidade para ela."

    "É por isso que estou coletando felicidade em um jarro." -- Dizendo isso, ele levantou o jarro e o mostrou.

    Sua expressão olhando para o jarro como um amante era a própria felicidade encarnada. Em um nível que se suas emoções fossem reproduzidas com magia, seria capaz de facilmente encher o jarro de felicidade.

    Após isso, nós subimos na vassoura e nos dirigimos para a vila. Eu falei sobre como poder mágico funcionava agora há pouco, então nunca pude perguntar, mas ele era um Mago.

    Isso me lembra.

    O que exatamente Emil-san estava fazendo no meio das pastagens?

    "Eu estava testando se eu poderia extrair felicidade das plantas também."

    "E como foi?" Eu perguntei ao Emil-san que voava atrás de mim.

    "É complicado. Eu consegui reproduzir algo como as emoções das plantas, mas por alguma razão, sua coloração ficou impura, então eu deixei para lá."

    "Que pena."

    Bem, elas eram plantas afinal, huh. Se você perguntasse se plantas tinham emoções distintas, eu só iria inclinar minha cabeça, me perguntando. Se por um acaso eu descobrisse que elas tinham emoções, haveria uma chance de que eu não iria comer salada daquele momento em diante, então eu prefiro evitar me certificar disso o máximo possível.

    "Ah, é ali."

    Ele apontou para a vila que apareceu na nossa frente.

    Era uma vila minúscula. Tanto que se você caminhasse ao redor das cercas cheias de defeitos que estavam alinhadas ali ao invés de muros, você retornaria ao mesmo lugar em menos de uma hora.

    A quantidade de casas era mais ou menos várias dúzias. Casas de aparência similar estavam espalhadas, e como se para fechar as brechas, pequenos campos e poços estavam colocados entre elas.

    Bem, é assim que é.

    "É uma vila tranquila."

    "Não é?"

    Descendo da vassoura, nós passamos através de duas árvores que estavam ali, ao invés de um portão, e entramos da na vila.

    No fim da rua reta, havia uma bela mansão que era claramente maior se comparada com as outras casas. Eu disse maior, mas era no máximo do tamanho dos hotéis dos outros países.

    "Aquela é a casa do líder da vila?"

    Quando eu apontei para a mansão, ele assentiu.

    "Exato. E também é a minha casa."

    "Oh?"

    Então dizer que essa vila era do Emil-san não estava necessariamente errado.

    "...A reação foi bem fraca, moça."

    "Seria melhor se eu estivesse surpresa? Uau, incrível! Você é tão rico!"

    "É... tanto faz, deixa quieto..." Emil-san ficou para baixo, como se tivesse recebido um balde de água fria.

    "A propósito, Emil-san, quando você dará o jarro para ela?"

    Instantaneamente, seu rosto recuperou a animação. Ele é um menino interessante com saltos extremos de emoções.

    "Agora! Eu vou dar ele para ela após a refeição de hoje ao meio-dia. Ah, certo, moça, você também deveria vir comer. A comida feita pela Nino-chan é absolutamente deliciosa!"

    "Fico agradecida, mas eu já comi faz pouco tempo."

    "Então, ao menos experimente um pouco da comida da Nino-chan! Ah, você tem alguma comida que você não gosta? Vou pedi-la para evitar, caso tenha."

    Pelo visto terei de comer de qualquer jeito.

    No entanto, não tenho motivos para recusar, certo?

    "Não tem nada que eu desgoste, mas eu realmente comi agora há pouco, então só um pouco, ok?"

    "Deixa comigo! Eu vou te dar uma comida que é absolutamente deliciosa!"

    Não, quem vai fazer a comida não é você, mas a Nino-chan, certo?

    Parte 2
    E assim, eu acabei visitando a casa do líder da vila.

    Comparado a sua aparência externa que era bem grande, a parte interna era bem comum.

    Na sala de jantar para onde o Emil-san me guiou, havia móveis antigos alinhados. Assim como a situação modesta da vila, o líder da vila não parecia viver em prosperidade. Ou melhor dizendo, a impressão é que eles não conseguiam dar conta de um lugar tão grande.

    "Pois bem, vamos nos sentar."

    Emil-san puxou uma cadeira e insistiu que eu sentasse, então eu sentei.

    "Obrigada--A propósito, onde está a serva?"

    "Vai saber? Ela provavelmente virá logo."

    "E o líder da vila?"

    "Virá logo, eu acho?"

    "Qual é a da expressão despreocupada?"

    Era em um momento em que Emil-san e eu trocávamos tais palavras.

    Eu senti uma presença atrás de mim--Não, para ser precisa, eu só ouvi os sons vindo de trás.

    Em todo caso, eu me virei.

    "...Ah."

    Havia uma garota de pé ali. Assim que nossos olhos se encontraram, seus ombros saltaram, então eu a dei um pequeno aceno com a cabeça, como se ela estivesse com medo de alguma coisa. Era uma atitude bem inocente.

    A julgar pelas vestimentas, ela era uma serva. Ela vestia um vestido de avental um pouco grande demais (Roupa de empregada, em outras palavras) para sua estrutura física pequena.

    "Olá--Você por um acaso é uma pessoa com origens orientais?"

    Ela tinha um charmoso, listo cabelo negro e olhos marrom-escuros. Ela tinha uma aparência similar a aquela Aprendiz de Bruxa-san de origem oriental que eu conheci em algum país uma vez. O cabelo daquela Aprendiz de Bruxa-san era um pouco mais curto, no entanto.

    "Ehh? E-Err..."

    Perguntar sobre as origens de alguém era falta de educação, no fim das contas, huh---Como se estivesse pedindo por socorro, seu olhar se direcionou para o Emil-san.

    "Exatamente. Meu pai pegou a Nino-chan de um país oriental."

    "E então a fez trabalhar nessa casa como uma serva."

    A garota chamada Nino-chan acenou levemente com a cabeça. "Si-sim... Eu recebi uma grande quantidade de gentileza do líder da vila-sama."

    A resposta era tão mecânica que parecia que ela estava lendo um roteiro já preparado.

    "Onde está esse líder da vila-sama agora?"

    "Ah, erm... Agora, ele está no escritório, trabalhando..." Ela disse enquanto agarrava as bordas do seu vestido. "Uhm, você gostaria de pedir alguma coisa?"

    "Nada em especial" eu balancei minha cabeça.

    Em todo caso, parecia que eu iria encontrá-lo no jantar, e não havia necessidade de me apressar para encontrá-lo, também.

    Após ela terminar de falar comigo, ela olhou para baixo como se tentasse evitar me olhar nos olhos. Pelo visto falar com outras pessoas não é um dos seus pontos fortes.

    Entretanto, o garoto apaixonado não estava nem um pouco preocupado com isso. Caminhando como se estivesse saltitante, Emil-san correu para o lado dela e entrou na sua linha de visão.

    "Ei, ei, Nino-chan, o que temos para o almoço hoje?"

    Suas costas estavam viradas para mim, então eu não podia ver sua expressão, mas provavelmente não era nada tão diferente de um grande sorriso.

    "Ah, ho-hoje... Nós temos peixe grelhado como foi exigido do líder da vila-sama."

    "Ohh! Ei, se estiver tudo bem, você poderia preparar uma porção para ela também?"

    Emil-san apontou para mim, e Nino-san rapidamente olhou na minha direção e acenou de leve com a cabeça.

    "Que tal, moça?"

    "Sem problemas. Muito obrigada. Mas, eu não estou realmente com fome, então só um pouco será o suficiente."

    "...Si-sim."

    Tal como Emil-san disse, a expressão da Nino-san era realmente melancólica. A julgar pela sua expressão, era como se nós estivéssemos debochando dela.

    "Ah, verdade. Nino-chan, eu tenho um presente para você após essa refeição."

    "Eh, pa-para mim...?"

    "Sim. Pode esperar ansiosamente."

    "Nã-não... Não precisa. Se você der um presente para uma serva como eu... o líder da vila-sama ficará com raiva..."

    Sua expressão mudou a um nível que foi além de humildade.

    "Relaxaaa, eu vou explicar direitinho para meu pai."

    "Mas..."

    Se cansando da indecisão da Nino-chan, Emil-san tomou uma ação forçada. "Então, essa é uma ordem minha. Que tal?"

    "..."

    Seus sentimentos honestos devem ter alcançado ela, sem dúvidas. Nino-chan lentamente acenou com a cabeça dizendo, "Se for uma ordem..." e sorriu levemente.

    Olhando para ela, eu senti que ele também sorriu.

    Após isso, eu fiquei muito entediada.

    Emil-san foi dar uma mãozinha para a Nino-san e me deixou, a convidada, sozinha na sala de jantar. Eu também me dirigi para a cozinha para ajudar, mas ele recusou com um rosto sorridente dizendo "Moça, só espere sentada! Nós dois vamos fazer a comida!"

    Não havia ninguém para conversar, nem nada para fazer, só o tempo que passava e passava. Ou seja, foi extremamente improdutivo. Eu não consegui melhorar meu humor. Eu queria ao menos ler um livro. Mas eu não estava carregando nenhum, então nem isso pude fazer.

    No fim, eu só fiquei sentada na cadeira e passei o tempo na ociosidade.

    Eu esperei vários minutos.

    "É incomum termos visitas."

    Dizendo isso, um homem gordo sentou do lado oposto de mim. Não dava para chamá-lo de velho, mas também não era novo, e sua idade parecia estar entre os 35 e 40 e poucos. Provavelmente. Talvez.

    "Olá. Você por um acaso seria o líder da vila?" Eu perguntei enquanto carregava a certeza de que sim.

    "Sou eu mesmo."

    Como eu pensei.

    "Eu sou amiga do seu filho, Elaina. Uma viajante. Prazer em conhecê-lo."

    "Você é bem educada. Eu sou pai do Emil."

    Eu sei.

    No entanto, ele apareceu em um ótimo momento. Eu tenho tempo livre demais, afinal.

    "Há quanto tempo você tem atuado como líder dessa vila?"

    "Eu sou líder da vila desde que essa vila foi construída."

    "É mesmo?"

    "Sim."

    "É uma vila amável."

    "Sim."

    "A propósito, existe alguma coisa de especial nessa vila?"

    "Não, nada."

    "Nadinha?"

    "Nada."

    "...É mesmo?"

    Eu acho que continuei o papo inútil com o líder da vila após isso, mas, honestamente, eu não lembro de nada do que nós falamos.

    Em suma, foi mais ou menos uma conversa legal.

    Então, após pouco tempo, Nino-san e Emil-san voltaram carregando a refeição.

    Enquanto os dois estavam colocando a mesa, junto com um leve senso de fome, eu me senti inquieta por aquilo que não podia ser visto.

    "..."

    Eu acho que eu pedi por uma pequena porção de comida, mas...

    Parte 3
    "Eh? Você mediu direito minha porção pequena?" Para a minha questão, Emil-san respondeu confuso. "Veja, é um pequeno peixe, e a salada é pouca também."

    Bem, agora que ele falou, realmente parece ser pouco. Mas eu já ficaria satisfeita se fosse metade disso.

    "Uhm... Po-por um acaso eu coloquei demais...? Se você não puder comer tudo, está tudo bem deixar sobras..."

    "..."

    Eu fui silenciada. Próximo da Nino-san, Emil-san estava com os olhos cerrados como se tentando dizer "não deixe sobrar nada!"

    Então, no fim.

    Eu comi. Comi tudo sem deixar nenhuma sobra.

    Certamente foi uma comida deliciosa, mas eu só aproveitei no começo. E acabei empurrando todo resto no meu estomago. Tinha demais.

    "Obrigado pela comida! Estava uma delícia, Nino-chan."

    "Mu-muito...obrigada," Nino-san se curvou envergonhada. "Eu vou lavar a louça..."

    Então ela se levantou e coletou os pratos e copos. Emil-san também ajudou como se fosse o normal a se fazer.

    Nesse caso, eu também vou ajudar---Pensando nisso, eu me levantei, mas fui novamente parada por ele, com um sorriso, dizendo,"Moça, está tudo bem."

    Enquanto os dois foram para a cozinha, eu perguntei para o líder da vila "Onde você encontrou a Nino-san?"

    Após entornar o resto do copo de água na boca, o líder da vila, "No oriente, eu comprei ela," disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.

    Comprou ela. Ou seja, isso significa: "Ela é uma escrava?"

    "Sim. Foi uma questão de alguns anos atrás. Era uma época que minha esposa havia saído de casa, e eu estava com problemas com as tarefas domésticas."

    "..."

    Havia coisas que eu gostaria de dizer, mas me segurei. Ficando em silêncio, eu o induzi a continuar.

    "Naquela época, eu estava a negócios em um país oriental e a encontrei lá. Ela foi um pouco cara, mas ela sabia fazer mais ou menos as tarefas domésticas, e mais ainda, ela tinha um rosto que demonstrava potencial para se tornar uma beldade no futuro. Por isso eu a comprei sem hesitar. Tal como antecipei, ela se tornou uma boa serva."

    O líder da vila riu indecentemente.

    "Emil-san tem noção disso?"

    "Eu deveria ter contado a ele, mas ele não parece que vai se importar muito com ela ser uma escrava."

    Emil-san disse que o líder da vila a encontrou, então há a probabilidade de que ele não tem noção dela ser uma escrava.

    Mesmo que a Nino-san tenha sido uma garota comprada como uma escrava, eu sinto que se for ele que não é duas caras, ele não iria mudar mesmo com isso.

    Nino-san, que voltou da cozinha silenciosamente enquanto nossa conversa estava parada, confirmou que nossos copos estavam vazios e coletou eles um por um. O fato de que ela estava constantemente olhando para baixo enquanto fazia isso significava que ela havia ouvido nossa conversa.

    "Nino-chan, onde nós deveríamos colocar o prato grande mesmo?"

    "Hii...!"

    Ela fez um som ensurdecedor.

    Emil-san, que subitamente saiu da cozinha, e Nino-san, colidiram diretamente um com o outro, e os copos que ela segurava caíram.

    Fragmentos de vários tamanhos se espalharam debaixo dos seus pés.

    "O que você está fazendo?!"

    Uma voz raivosa veio do meu lado oposto. O líder da vila rapidamente se levantou e agarrou a gola da Nino-san, ainda perplexa.

    "Limpe isso de uma vez! Você não consegue nem isso?! Quando você vai conseguir terminar algum trabalho com perfeição?!"

    "E-Eu sinto muito, sinto muito, sinto muito, sinto muito, sinto muito..."

    "Pare com isso, pai! Foi minha culpa, não?! Pare de culpar só a Nino-chan!"

    "Você fique quieto!"

    Recuando seus ombros, Emil-san abaixou a cabeça.

    Talvez ele estivesse cansado de gritar, ele soltou ela e apontou o seu queixo enquanto dizia, "Limpe isso!". Com lágrimas nos olhos, Nino-chan acenou com a cabeça repetidas vezes e se curvou para eles e para mim de novo e de novo, "Sinto muito, sinto muito, sinto muito..." enquanto repetia isso como um encantamento.

    Para ser honesta, eu não conseguia assistir.

    Era extremamente desagradável. Era revoltante.

    Eu puxei minha cadeira, me abaixei próxima aos pedaços de vidro, e peguei o meu cajado.

    "Se eu consertar os pedaços, não será necessário limpar."

    Magia de reversão temporal é conveniente para coisas como curar ferimentos ou reparar coisas. Algo branco como uma névoa tocou nos fragmentos gentilmente e retrocedeu o tempo deles para sua forma original.

    Eu dei o copo que havia se tornado o que era antes para a Nino-san. "Tome cuidado para não derrubá-lo daqui em diante, ok?"

    A garota em questão tinha uma expressão que dizia que ela não havia entendido o que havia acabado de acontecer.

    "Não, minha culpa. Eu acabei te mostrando algo vergonhoso e você até consertou o copo," se metendo na conversa, o líder da vila disse em um tom de voz calmo.

    "Ei, você agradeça ela apropriadamente também."

    Não, agradecer não é algo para se fazer forçadamente.

    "...Desculpa."

    Além disso, Nino-san, que havia sido interrompida, silenciosamente disse algo completamente diferente. Não está certo.

    "Não é 'Desculpa', é "Obrigado', Nino-san," Eu disse a ela.

    Então, Nino-san levantou seu rosto que parecia prestes a se debulhar em lágrimas em qualquer momento e forçou a voz para fora, "Muito, obrigada."

    Parte 4
    "Eu também consigo usar esse nível de Magia."

    Após o líder da vila ir para a sala de leitura, e Nino-san voltar a lavar a louça, o rosto de Emil-san ficou sombrio.

    Mesmo que estivesse tudo bem se ele parasse de fingir dureza forçadamente.

    "Ah, céus. Desculpa. Fiz algo desnecessário?"

    "Não, eu não fui capaz de fazer nada, afinal. Obrigado, moça."

    "Disponha."

    "Mas, mesmo eu conseguiria fazer isso."

    "..."

    Era provavelmente humilhante mostrar uma visão tão vergonhoso para a garota que ele ama.

    "Você não deveria se preocupar com isso," eu atingi os ombros dele com ambas as mãos. "Por sinal, Nino-san está para baixo agora, certo? Não é o melhor momento para dar a ela o presente?"

    "! Moça, seria você genial...?"

    "Fufufu. Você pode me elogiar mais um pouco."

    Emil-san, que encontrou esperança, teve seu humor facilmente elevado. Que criança simples. É bom ser assim.

    Emil-san, segurando o jarro por trás das costas, estava esperando a Nino-san terminar seu trabalho.

    "..."

    Nino-san, que saiu da cozinha com um rosto sombrio, se assustou com a súbita aparição do Emil-san. Foi uma reação parecida com a de um animal pequeno. Ela sem dúvidas se lembrou do momento que eles colidiram.

    Emil-san parou a um passo de distância.

    "Nino-chan. Eu disse que eu tinha um presente para você após a refeição, certo?"

    "...Si-sim."

    Nino-san respondeu hesitantemente.

    "Aqui. Esse é o presente."

    Emil-san pegou o jarro que ele escondia e o carregou para diante dos olhos dela. Não tendo ideia do que era aquilo, Nino-san encarou a neblina branca se movendo dentro dele com confusão no rosto.

    "Esse jarro está preenchido com felicidade."

    Emil-san tocou a tampa do jarro.

    "Dentro, está lotado de felicidade de várias pessoas que eu encontrei em vários lugares."

    "...Felicidade, das pessoas?"

    Nino-san inclinou sua cabeça e Emil-san sorriu.

    "Você não vai conseguir ver só com um olhar, então olhe atentamente."

    Com um som agradável, a tampa saiu.

    Do jarro que havia perdido a tampa, neblina branca saltou para fora e alcançou o teto. Então, ao cobrir o teto em branco como uma nuvem, começou a lentamente chover pequenas gotas.

    As gotas que pareciam vidro refletiam a luz solar e brilhavam, criando uma ilusão. Esses eram fragmentos da felicidade das pessoas. Os grãos de luz refletiam a felicidade que ele reuniu.

    A felicidade de dar a luz. A felicidade de ver uma linda cena. A felicidade de namorados caminhando juntos. A leve felicidade de descobrir flores bonitas. A felicidade que lembra o prazer sentido ao superar as dificuldades. A gentil felicidade sentida quando caindo no sono enquanto lia um livro no dia de folga, enquanto se banhava na luz solar.

    "Veja, o mundo lá fora é cheio de tais felicidades,"

    Emil-san disse enquanto segurava a mão da Nino-san.

    "Por isso, tire esse rosto melancólico. Porque eu vou te fazer feliz."

    Nino-san...

    Olhando para os grãos de luz com pura admiração, e logo em seguida começando a chorar em silêncio. Ela derramou lágrimas enquanto cobria a boca com a mão para que sua voz não escapasse.

    Emil-san, que ria como se não soubesse o que fazer, silenciosamente abraçou ela.

    As lágrimas fluindo...

    Saltaram e brilharam tal como os fragmentos de felicidade.

    Parte 5
    "Não teria problema se você quisesse ficar mais algum tempo."

    Um par de árvores alinhadas, ao invés de um portão. Emil-san, que apressadamente me escoltou para a saída da vila, se sentiu desolado como um cachorrinho abandonado.

    Próximo a ele estava a serva, Nino-san. Já que sua expressão não era boa desde o início, eu não conseguia ver se ela estava triste ou não em ter que se despedir de mim.

    Eu balancei minha cabeça.

    "Desculpa. Mas, eu não posso ficar muito tempo."

    Dizendo isso, eu peguei a vassoura.

    "...Venha e fique novamente, ok? Da próxima vez, Nino-chan e eu iremos servir refeições ainda mais deliciosas. Certo?"

    "Si-sim... Nós estaremos esperando."

    Nino-san se curvou.

    "Certo. Eu voltarei--Eu certamente irei, algum dia."

    Talvez quando eu terminar a jornada.

    Eles balançaram suas mãos enquanto eu me afastava. Emil-san balançava suas mãos em alto astral. Nino-san silenciosamente balançava só a parte acima do cotovelo.

    "...?"

    Subitamente, meus olhos se encontraram com os da Nino-san.

    Eles eram olhos de escuridão profunda. No entanto, não era só a cor escura, mas o tipo de escuro que parecia que essencialmente carregava a escuridão.

    Como se estivesse lotado com algum tipo de desespero. Tal como uma pessoa morta.

    Eles pareciam diferentes da primeira vez que eu os vi na residência do líder da vila.

    ...Como era mesmo?

    Enquanto me lembrava daquilo, a próxima vila se tornava visível.

    Era o fim do livro que eu li tempos trás.

    O conto do marido que pelo bem da esposa, que não podia sair de casa devido a uma doença, viajou mundo a fora, e voltou para casa para mostrá-la os belos cenários que ele viu, os reproduzindo com Magia.

    Mesmo tendo deixado um memórias ruins após a leitura, por que eu havia esquecido até então?

    A esposa, que desejava profundamente os cenários tão sonhados, irresponsavelmente moveu seu corpo que originalmente não poderia ser movido, e morreu muito mais cedo do que ela ainda tinha de tempo de vida---Esse foi o desfecho daquele conto. No fim, "Acreditar que você está fazendo algo por alguém, nem sempre significa que estará fazendo o certo," - Era uma história que tinha uma mensagem do tipo nas entrelinhas.

    Quando Nino-san viu o conteúdo do jarro, me pergunto o que ela sentiu.

    O que ela decidiu?

    Talvez...

    "..."

    Não, não pode ser. Não tem como, certo?

    Me virando, o vento soprava ao longo das pastagens que pareciam pintadas em uma fraca cor verde. As flores brilhavam ao receber os raios solares, e balançavam com o vento tal como a superfície da água.

    Era realmente um belo cenário.

    Mas eu nunca mais irei visitá-lo.

    Afinal, eu iria provavelmente só terminar sentindo nada além de tristeza, mesmo se eu voltar.
  • [Review] Slime Taoshite 300-nen (I've Been Killing Slimes For 300 Years)

    0

    Nome Original: Slime Taoshite 300-nen, Shiranai Uchi ni Level Max ni Nattemashita
    Nome em Inglês: I've Been Killing Slimes for 300 Years and Maxed Out My Level
    Autor: Kisetsu Morita
    Ilustrador: Benio
    Status: Em lançamento
    Tradução: Inglês (Yen Press)
    Link para comprar: Amazon

    Com uma adaptação em anime anunciada, decidi adiantar essa review que estava planejada para um futuro distante, para tentar dar uma boa noção do que a obra se trata.
    Slime Taoshite 300-nen é uma obra que tem pouco a dizer, mas muito a dizer ao mesmo tempo. O que isso significa? Bom, significa que um slice of life relaxante vai render, espero eu, uma boa análise nesse post.
    Nós acompanhamos a história de Azusa Aizawa, mulher de 27 anos que, após morrer de exaustão por trabalho excessivo, ganha uma segunda chance, dada por um anjo, ao renascer em um mundo de fantasia no corpo de uma bruxa imortal. Na sua nova vida, seu objetivo principal é viver em paz, em uma casinha isolada no topo de um morro.
    A novel é, como eu disse, um slice of life. Dos vários tipos de slice of lifes que existem, Slime Taoshite 300-nen é do tipo mais leve e agradável, daqueles cujo drama ou comédia não destoa com a leveza da obra. Acompanhamos o dia-a-dia da Azusa enquanto o número de habitantes da sua casa cresce aos poucos. Com isso, conseguimos traçar uma linha que vai ser definitiva para o seu interesse com a obra, isso é: O quanto você gosta ou desgosta de slice of life. Isso porque, como normalmente é de se esperar de slice of life, não existe uma grande história por trás da obra que vá se desenvolver ao longo do tempo, ela é puramente sustentada por suas personagens, como de praxe. Quando eu digo "o quanto você gosta ou desgosta de slice of life" ao invés de "Se você gosta ou não de slice of life", não é à toa, a obra possui diversos elementos que podem vir a ser do seu agrado, mesmo não sendo muito fã do gênero. Não é o meu caso, longe disso, mas tenho amigos onde é exatamente esse o caso.

    A novel já começa com um desses elementos. Ainda no prólogo, a história começa descrevendo bem brevemente o que era a vida da Azusa antes da sua inevitável morte. Talvez não tenha tanta força para nós, que não vivemos aquele contexto social, mas o fato da Azusa morrer pelo chamado "karoshi" (Termo japonês (Sim, eles tem até um termo para isso) que significa "morte por excesso de trabalho) é algo muito importante para a obra, para a Azusa e para a principal mensagem que a obra passa, no contexto que os japoneses vivem.
    Uma personagem que viveu pelo trabalho, e apenas pelo trabalho, deixando sua vida pessoal e saúde totalmente de lado, quando de repente, estava morta. Um tema pesado, mas como disse acima, a obra sabe como manter sua leveza sem destoá-la com o tema. Ao mesmo tempo, ela não faz pouco caso do mesmo, muito pelo contrário, Slime Taoshite, como um todo, aplica bem as contra medidas para esse problema que é, infelizmente, comum lá no Japão. Apesar de ser uma novel relaxante, ela é também uma novel que deixa nas entrelinhas tudo que você precisa absorver. Um exemplo sútil é que a Azusa agora pode viver uma vida pacífica, sem precisar se preocupar com nada, só na sua casinha até o fim dos tempos, no entanto, ela opta por criar uma rotina diária onde ela saia de casa, faça exercícios e tenha alguma interação social (Na vila que fica próxima ao morro). Sem precisar desenhar para que possamos entender, a novel nos mostra que é vital que você evite o ócio, mesmo com o mal que o trabalho possa ter te feito. Ao optar corretamente por evitar ficar trancafiada dentro de casa pela eternidade, sua vida eventualmente tomou rumo, ela encontrou algo que gostava de fazer e começou a criar laços com as pessoas.

    Esse último ponto já nos leva a segunda principal mensagem da obra, dessa vez uma mais clichê, que é a de você dar mais valor a sua família. As personagens que vão aos poucos integrando o cast, em boa parte, são consideradas família para a Azusa, que as trata como tal. Aos poucos vamos vendo a Azusa sendo mais proativa, não por se envolver em situações diversas, mas sim pelos seus familiares que acabam nessas situações. É uma situação muito interessante de se pensar, principalmente pela Azusa realmente estar sempre querendo preservar o bem estar das pessoas próximas a ela.
    Graças a isso, a obra consegue manter uma dinâmica entre o slice of life, ter coisas acontecendo e manter seus temas centrais vivos, sem cair na repetição, na contradição ou mesmo "perder as raízes". E é provavelmente isso, além das personagens em si, que consegue cativar até quem não é tão fã do gênero. Claro, se você realmente desgostar do gênero, não vai conseguir gostar da obra, que muito raramente tem algum momento realmente sério (Para não dizer nunca). Isso e também algumas cenas de ação que podem dar as caras de vez em nunca. Não é algo que vocês devam esperar da obra, pois vão se desapontar caso o façam, mas tem, pelo menos, uma cena de ação em quase todo livro. E mesmo quando tem, elas costumam ser bem breves.

    Pelo cast principal de Slime Taoshite ser, basicamente, uma grande família, é tudo bem agradável de se acompanhar. As personagens são bem carismáticas, divertidas e bem escritas o suficiente para fazerem a diferença nas cenas. Com exceção da Azusa e de uma outra, as personagens não são algo de outro mundo, que vai fazer você mudar o seu top personagens, mas são personagens que "estão boas do jeito que são". É fácil gostar delas e difícil achar problemas, pois nesse tipo de caso, a construção de personagem consegue substituir bem a falta de desenvolvimento delas.
    No fim, todas elas cumprem uma função essencial, que é manter viva sua vontade de continuar acompanhando e se divertindo com essa história.
    Slime Taoshite 300-nen é uma ótima novel, consegue cumprir sua proposta com bastante sucesso, de quebra entregando uma temática importante e bonita, coberta por suas características de um relaxante slice of life, que consegue manter o bom nível ao longo dos livros. Não vai estar te causando grandes catarses enquanto mostra um drama épico com um desfecho de outro mundo, mas sem dúvidas vai te lembrar que é importante viver pelo seu próprio bem estar, pelos seus lazeres, pelas pessoas queridas para você. Um passo de cada vez, pois o melhor trabalho é aquele que te permite viver melhor, não o contrário. Saraba Da!
  • Majo no Tabitabi - Durante a Jornada: O Conto de Dois Homens Com Uma Disputa Indecidida (Volume 1: Capítulo 5)

    0
    Capítulo 5 - Durante a Jornada: O Conto de Dois Homens Com Uma Disputa Indecidida


    Parte 1
    Enquanto eu voava por cima das pastagens gentis com minha vassoura, os sons do vento gentilmente acariciando as flores alcançaram meus ouvidos. A luz solar moderadamente morna e o vento fresco era uma combinação agradável, tanto que eu queria continuar voando nesse lugar.

    Vuuuu, vuuuu, o som do vento podia ser ouvido quando eu controlava a vassoura, seguindo o vento, esquerda e direita -- Eu comecei a me divertir só um pouco.

    Mas, aproveitar momentos assim sempre os fazem ser facilmente interrompidos. Dessa vez não era exceção, e eu parei após captar algumas vozes no vento.

    "Hãaa? Como é que é? Fala mais uma vez seu irmão mais velho de merda."

    "Hãaa? Como eu disse, eu sou o melhor, seu irmão mais novo de merda."

    Esse precioso e refrescante humor foi arruinado.

    Conforme eu virei minha cabeça para confirmar a origem das vozes, eu vi a figura de dois homens que estavam discutindo sobre alguma coisa.

    Os dois vestiam roupas coloridas, e pela conversa anterior deles, eles são irmãos.

    "Errado, eu sou melhor que você. Eu sou absolutamente melhor."

    "Errado, está decidido que eu sou melhor. Porque não existe um irmão mais novo que consiga superar seu irmão mais velho."

    "Hahaa! Essa lógica é velha demais. É uma maneira antiquada de se pensar. Com o passar dos anos, apareceram irmãos mais novos que cresceram enquanto testemunharam as dificuldades dos seus irmãos mais velhos. Irmãos mais novos que conseguem evitar dificuldades de antemão são os mais fortes."

    "Hahaa! Que tolice. Isso não é papo para os irmãos mais velhos inúteis? Mas eu já sou um ser humano perfeito. Se eu tivesse falhas, só hipoteticamente falando, essas falhas seriam algo de alto nível demais para você conseguir suceder!"

    Aqueles dois xingavam por alguma razão e continuavam se encarando enquanto grunhiam coisas como "Aah?" e "Quer tentar a sorte?" um para o outro.

    A propósito, o que exatamente é a maneira antiquada de se pensar, eu me pergunto? Ou o que são as falhas de alto nível?

    Enquanto eu estava confusa sobre isso, meus olhos se encontraram com os de um dos irmãos (Que era provavelmente o mais velho).

    Ele imediatamente declarou em alto tom.

    "Nesse caso, nós deveríamos deixar aquela garota julgar qual de nós é o superior!"

    O irmão (Provavelmente mais novo) acenou em concordância. "Sem problemas para mim. Bem, quem vai ganhar no fim será eu, de qualquer forma."

    Eu tenho um pressentimento muito ruim sobre isso.

    "Então, o que vocês dois estão discutindo sobre?"

    Eu perguntei aos dois enquanto sentava na pastagem.

    Os dois tinham características faciais e cabelos parecidos. A única diferença enter eles era a cor das roupas. O mais velho vestia vermelho, enquanto o mais novo vestia azul.

    E então, os irmãos vermelho e azul disseram ao mesmo tempo.

    "Truques de mágica!"

    "Haa, truques de mágica, é?"

    "Truques de mágica!"

    "Eu já entendi, então não precisa dizer duas vezes."

    "Truq---"

    "Ei, você não ouviu o que ela disse? É por isso que pirralhos são..."

    "Hãaa? Não fique convencido só porque você nasceu meros três anos antes de mim, irmão de merda."
    "Exatamente por você não saber a diferença que três anos fazem que te tornam um pirralho, seu pirralho."
    "Mesmo que tenha três anos de diferença, você não consegue nem usar truques de mágica no mesmo nível que eu. E aí?"

    "Vocês dois não poderiam ficarem quietos por um momento?"

    "Sim"

    "Ok"

    Eu os fiz calarem a boca. Eles ficaram em silêncio. Ótimo, finalmente ficou silêncio.
    No entanto, truques de mágica, hein... Uma vez que eu sou uma Bruxa, eu não tenho nenhuma familiaridade com truques de mágica.

    Isso é problemático. Umumu...

    Falar com os dois ao mesmo tempo vai ser problemático, então vou falar com um de cada vez. Eu comecei falando com o irmão mais novo.

    "Por que truques de mágica?"

    "No nosso país, não tenho nenhum mago. Também tem o fato de que é um país pequeno, mas, por alguma razão religiosa, existe toda uma história de banir magia."

    "Mhmm"

    Eu tenho a sensação de que um conversa séria está para começar.

    O irmão mais velho continuou de onde seu irmão mais novo havia parado. "Mas há um instinto que atrai as pessoas para as coisas proibidas, certo? Existem muita gente jovem como nós que admira os magos."

    "Então nós dois começamos a pensar. [Eh? Se nós fingirmos ser magos, daria para fazer uma grana, hein?], nós pensamos."

    "Após isso, nós atuamos como os 'Ilusionistas que são muito próximos dos magos' no caminho."

    Ah, era realmente uma história séria, huh?

    Eu cortei a história que os dois estavam orgulhosamente contando juntos.

    "E, não apareceu ninguém com raiva?"

    Quem respondeu foi o que estava de azul -- Em outras palavras, o irmão mais novo.

    "Eles ficaram com raiva, e nós fomos pegos. Mas, não é como se nós usássemos magia. Eles são truques de mágica. Então, não importa quantas vezes nós éramos pegos, nós imediatamente éramos soltos.

    "Entendo..."

    Isso é como o tratamento de um herói.

    E também, eles adicionaram "O governo do nosso país é inútil! Eles são incompetentes!" no fim...

    "Mas, isso não faria os truques de mágica acabarem sendo banidos por culpa de vocês?"

    Era só uma simples pergunta.

    "Ah. Isso aconteceu."

    "E, nós fomos exilados. Completamente quebrados."

    "Eh? Vocês foram exilados, huh?"

    Ambos acenaram com a cabeça. Eles realmente agem igual.

    "A decisão de nos exilar foi tomada um mês atrás."

    "Após isso, para conseguir ganhar dinheiro, nós acabamos nos tornando artistas viajantes."

    "Entendo, entendo."

    "Entretanto, antes de nos tornar artistas viajantes, um problema surgiu."

    "Nosso time não tinha um nome."

    "Nome do time, é?"

    "Nós decidimos usar nossos nomes para o nome do time, mas veja, começamos a discutir sobre qual dos nossos nomes deveria vir primeiro."

    "Então, nós decidimos que quem fosse o melhor com truques de mágica iria ter o nome usado primeiro."

    Entendo, então essa era a história.

    "A propósito, qual foi o resultado?"

    Onii-san foi o primeiro a responder.

    "Atualmente está 0 vitórias, 0 derrotas e 15 empates."

    "O resultado não chegou nem perto de ser decidido..."

    "É por isso que nós queremos que você decida o vencedor entre nós."

    "Eu quero que meus empates terminem hoje."

    Os dois se encararam enquanto gritavam coisas como "Tá olhando o que?" e "Haah?"

    Oh? Poderia ser que eu tenha uma séria responsabilidade?"


    Parte 2
    Os truques de mágica desses dois era realmente uma performance maravilhosa.

    Eles fizeram coisas como fazer um pássaro surgir do nada, teletransportar moedas, encontrar a carta que eu tirei e por aí vai. Eu fiquei surpresa e empolgada várias e várias vezes.

    Truques de mágica são incríveis.

    Mas, o problema era que as habilidades desses dois eram tão boas que não dava para diferenciá-los. Claramente, agora entendo o porquê do vencedor não poder ser decidido nesse desafio.

    "Como foi? Eu fui ótimo, certo?" - Disse o irmão mais novo, se gabando.

    "Não, meus truques de mágica foram bem melhores, certo? É assim sem sombra de dúvidas" - O irmão mais velho também falou exageradamente.

    Eu olhei para os dois que continuavam a se encarar ao mesmo tempo, e declarei.

    "Parece que temos um empate~"

    Só isso.

    As habilidades de ambos eram incríveis, então não tinha como eu dizer quem era melhor---É o meu posicionamento nesse caso.

    Para ser sincera, seria simplesmente trabalhoso demais elaborar minha opinião.

    Vou deixar que alguma outra pessoa defina isso.

    Eu estava pronta para o caso deles se enfurecerem com a minha resposta, mas como era de se esperar, por eles já terem tido 15 empates, eles ficaram bem calmos.

    "...É mesmo. Bem, fazer o quê. Decidir o nome do time pode ficar para depois."

    "Beeeem, meu nome vai ser o que ficará em primeiro, de qualquer forma."

    "Como é que é?"

    "Como é que é o quê?"

    "Dá para parar vocês dois, por favor."

    "Ok"

    "Certo"

    Enquanto eles entravam em silêncio, eu tomei distância.

    "Pois bem. Meu papel acaba aqui."

    Eu sou uma viajante, afinal. Então eu preciso alcançar o próximo país logo--Dizendo isso, eu fiz um sorriso forçado e comecei a partir.

    Mas naquele momento.

    "Ah, ei. Espere um minuto."

    "Você não vai pagar?"

    Eu fui parada por eles.

    Eh? Preço?

    "Os truques de mágica que nós acabamos de fazer tem um preço, certo?"

    Ao me virar, ambos deram de ombro.

    "Deve ser um preço bem alto, certo?"

    "Ver nossas mágicas de graça não é uma coisa boa, certo? Certo?"

    "Certo?"

    Para onde foram os dois que estavam discutindo agora há pouco? Agora eles parecem estar em bastante sincronia um com o outro.

    Eu tenho um mal pressentimento.

    "Espere, ninguém disse nada sobre custar dinheiro..."

    "Eu não lembro de ter dito ser de graça, também" o irmão mais novo começou a agir como uma criança.

    "Espere um segundo. Vamos confirmar a situação. Vocês me pediram para assistir sua disputa de truques de mágica--Então eu agi como uma juíza dessa disputa. Tudo certo até aqui?"

    "Sim. Foi o que aconteceu."

    O irmão mais velho acenou com a cabeça. Então, eu continuei.

    "Certo? Está certo, né? Nesse caso, esses truques de mágica não eram por negócio, mas sim para decidir sua disputa, não? Deveria mesmo ter a necessidade de pagar?"

    "Não diga coisas tão bestas. Nossos truques de mágica são sempre nossas disputas. Certo?"

    "Certo?"

    ...Esses dois.

    Eles me enganaram. Eu tinha a sensação de estar sendo enganada desde o começo.

    Eles atraem viajantes com suas discussões, então os faz assistirem suas mágicas e pede por dinheiro... Provavelmente eles repetiram esse tipo de teatrinho nas outras 15 vezes também.

    Que dupla de sem vergonhas.

    "...A propósito, qual é o preço?"

    Só estou me certificando. Sem chances que eu foi concordar com as reclamações deles.

    "São 4 pratas."

    "São 8 pratas no total."

    "Ehh. Muito caro."

    Uma moeda de prata é o necessário para ficar uma noite em um hotel, em outras palavras, eles estão me pedindo para pagar o dinheiro equivalente a oito dias para eles.

    Até parece.

    "Você viu os truques de mágica dos melhores artistas viajantes, afinal. Ou melhor, está saindo até barato, não acha?" O irmão mais velho declarou.

    Bem, não dá para negar que as habilidades deles com truques de mágica eram bem altas.

    "..."

    Eu só não quero, mas certamente, as reclamações não estão necessariamente erradas.

    Eu, que não concordei, estaria errada, mas é só isso.

    ...

    Eu não quero pagar. Eu não quero pagar dinheiro para uma coisa tão inútil---

    Etc...

    Eu continuei a pensar sobre tais coisas de novo e de novo.

    "Espere um segundo!"

    Eu ouvi uma voz, que parecia que estava perguntando sobre alguma coisa.

    Quando olhei adiante, havia um gigante de algum tempo atrás de pé ali, como um salvador.

    Ohh, que coincidência.

    "Ah, olá."

    Acenando com a cabeça bruscamente, ele começou a ficar envergonhado.

    "Já faz algum tempo, senhorita Bruxa."

    "Faz algum tempo, sim, homem musculoso."

    Era o cara com músculos legais que eu encontrei alguns dias atrás. O homem musculoso.

    Já que eu nunca ouvi o nome dele quando o encontrei da última vez, eu reflexivamente chamei ele de homem musculoso, mas aparentemente ele começou a se empolgar quando ouviu a palavra músculo:

    "Fufun, isso mesmo. Eu sou o homem musculoso."

    Ele estufou o peito.

    Uwaa, ele está parecendo um idiota.

    Com a súbita aparição desse misterioso homem musculoso, os dois trambiqueiros estavam claramente tremendo de medo.

    "E-Ei... Quem é esse cara"

    "O quê? Poderia ele ser o namorado dela?"

    "Errado."

    Eu declarei firmemente.

    Um cara cujo músculos alcançavam seu cérebro é um pouco demais.

    Ele, sem entender o significado por trás do meu comportamento--Ou talvez nem sequer ouvindo o que eu disse--se virou para os dois e disse em claro e alto tom.

    "A propósito, vocês dois! Fazer coisas como enganar pessoas para ganhar dinheiro, mesmo se Deus permitir, eu com certeza não irei. Se preparem."

    Aquilo se tornou algo que era demais para mim em todos os sentidos da palavra, então eu virei o rosto.

    "... Por que você se virou?"

    Minhas ações foram notadas.

    "Não, não é nada," eu respondi.

    "A propósito, por que homem musculoso está aqui?"

    "Ah. Eu estava no caminho para derrotar o dragão lendário, como o país mais a frente o chama. Então, eu vi sua figura enquanto competia com o vento em uma disputa de corrida---"

    "E a sua irmãzinha?"

    "Irmãzinha?"

    Após um curto silêncio, "Ah, irmãzinha... Irmãzinha, certo. Eu estava pensando em ir procurar por ela após derrotar o dragão lendário. Hahahaha!" - Ele começou a rir de maneira super forçada.

    Ele esqueceu completamente dela, huh?

    Aparentemente a cabeça dele está lotada apenas de músculos.

    "... Como eu deveria dizer, esse cara não tem nada a ver com nosso negócio com ela, não?"

    "Sim. Com certeza. D-Deveríamos nós mandarmos o intruso embora?"

    Os dois estavam claramente assustados. Bem, se alguém com músculos pulsantes como esse ser aparecesse do nada, seria completamente normal para o corpo sentir medo.

    "Calados!"

    O homem musculoso afirmou sem rodeios.

    Hii - Os dois soltaram uma baixa voz, e eu não intencionalmente caí na gargalhada com tanta diversão.

    "Extorquir dinheiro de uma garota tão adorável, não é algo bom a se fazer! Eu vou agora mesmo moldar o caráter de vocês na marra! Venham!"

    Dizendo isso, o homem musculoso segurou ambos pela gola e começou a correr.

    "Eh, Que...isso, eu não quero isso! Pare!"

    "Tudo menos músculos! Tudo menos músculos!"

    "Eu vou ensiná-los as maravilhas do mundo dos músculos! Fuhahahahaha!"

    "Não! Solta! Me soltaaa!"

    "Uwaaaah! Desculpa! Eu nunca mais vou enganar ninguém!"

    "Fuhahahahahahaha! Hahahahahahaha!"

    ...

    Eu, que fui deixada para trás, continuei balançando minha mão para as figuras gritantes deles.

    Mesmo após suas formas se tornarem tão pequenas quanto um grão de arroz, as vozes da agonia daqueles dois continuaram ressoando e ressoando através das vastas pastagens.

    E eles todos viveram felizes para sempre.

    O que irá acontecer com os dois e o homem musculoso daqui em diante?

    No fim, essa é uma história que não tem nada a ver comigo.
  • Os Anúncios de Anime Para Majo no Tabitabi e Slime Taoshite 300-nen

    0

    Hoje foi anunciado, ou melhor dizendo, vazado, as futuras adaptações em animes das novels de Majo no Tabitabi e Slime Taoshite 300-nen, que aparentemente serão anunciadas no evento da GA Bunko. Eu normalmente não posto notícia aqui no blog, porque... Bem, talvez eu só seja tolo, mas em todo caso, as que eu posto, vem sempre acompanhadas de opiniões minhas como foco principal. Aqui não será diferente.
    Essa foi a primeira coisa que vi ao entrar na internet, principalmente com vários amigos meus imediatamente lembrarem de mim. Isso porque são duas obras que eu adoro, que eu já leio faz tempo, e que sempre faço questão de elogiá-las quando possível. Tão adoro que até comecei a traduzir a novel de Majo no Tabitabi para português (Com esse anúncio, podem esperar a volta das traduções em breve).

    Mas afinal, o que se pode esperar dessas duas obras?
    Majo no Tabitabi é uma novel que vai precisar de um carinho extra na hora de fazer o anime, é uma obra episódica com diversos histórias diferentes, algumas longas, algumas curtas, algumas tristes, algumas engraçadas e por aí vai. Claro, só isso não faria a obra ser especial, muito disso vem da forma que as coisas são executadas e das histórias que são contadas, mas, acima de tudo, a protagonista, Elaina, faz uma diferença enorme. Ela não é uma personagem comum, ou melhor, ela não é protagonista o suficiente. É uma obra que funciona justamente por ser tudo feito na dose certa, ou seja, se errarem um pouco na mão, pode prejudicar bastante a experiência. Obviamente, uma obra com múltiplas jornadas para os mais diferentes lugares exige uma boa staff, para reproduzir aquele mundo de maneira convincente. Em todo caso, é um pouco difícil prever o que está por vir, como eles decidirão transformar os livros em animação, mas estou na torcida máxima para que seja da melhor maneira possível.

    Slime Taoshite 300-nen, por outro lado, é relativamente simples de adaptar. Não tem muito onde errar em termos de adaptação, a maior preocupação fica mesmo em relação a animação e como conduzirão as personagens. Bem, tem a questão de tentarem adaptar volumes demais em tempo de menos, mas isso já é algo básico que deve ser levado em conta em qualquer adaptação de novel. A obra é quase totalmente um slice of life, com toneladas de carisma, em especial da protagonista, Azusa, e algumas cenas de ação bem esporádicas. É uma obra leve e divertida, com algumas mensagens muito bonitas e relevantes. É realmente uma novel que carrega a essência do slice of life, então para quem é fã do gênero, como eu, é um prato cheio. Mas para quem não é, ainda há bastante elementos extras que fazem a obra valer a pena. Pela key visual vazada do anime, eu fico bastante esperançoso de que vai ser algo feito com muito amor, do jeito que uma obra desse tipo precisa ser feito. Mas aguardemos, na torcida de se tornar uma experiência relaxante e memorável.
    A bela Key Visual vazada do anime

    Essas duas bruxas, que são muito especiais na minha história como leitor de light novels, sem dúvidas merecem a melhor das atenções. As duas novels cumprem suas propostas com maestria, e eu quero muito acreditar que os seus respectivos animes seguirão os mesmos passos, afinal, nem todo mundo tem paciência para ler livros, então seria uma felicidade a mais ver amigos meus apreciando essas obras do jeito que elas merecem. Saraba Da!
  • [Review] Final Fantasy VII

    0

    Jogos sempre foram um forte concorrente contra os animes na minha infância, você pode até dizer que essa mídia teve maior prioridade para mim até o final da década passada. Graças a isso, eu colecionei um repertório de centenas de jogos jogados ao longo dos meus primeiros 18 anos de vida. Mesmo assim, embora conhecesse devido a sua enorme fama, eu nunca realmente cheguei a jogar o tão conhecido Final Fantasy VII até recentemente. Mas isso mudou, e por mais oportuno que seja o momento, decidi dedicar uma review ao jogo. Mais uma, dentre as milhares que já existem.
    Eu nunca fui um fã da série de Final Fantasy, dá para contar nos dedos de uma das mãos quantos jogos da franquia eu joguei. Estou certo de que tanto o fato de eu não ser um fã da franquia quanto o fato de eu estar começando a jogá-los na atualidade afeta bastante minha perspectiva sobre essas obras, seja para o "bem", seja para o "mal". Mas poder ser mais neutro nas análises supostamente é algo bom, certo? Então vamos lá.


    Eu comecei a jogar FFVII em 2018, mas a princípio não me engajei tanto com a história ou os personagens, o que resultou em eu parar de jogar após algumas longas horas de jogo. Há algum tempo, no entanto, eu decidi voltar a jogar e para minha surpresa as coisas foram ficando bem mais interessantes, o que me animou a terminar o jogo em duas semanas, em um total de 35 horas de jogo.
    Apesar de ter começado com o pé esquerdo, FFVII começa em um cenário bastante chamativo para quem está acostumado com os clássicos mundos de fantasia que os RPGs costumam ter. Abrindo o jogo em um universo cyberpunk, nas favelas de Midgar, o game mostra ambição, principalmente na abordagem de temas, coisa que falarei sobre mais à frente. A princípio o jogo é bem convincente em mostrar lugares realmente pobres e/ou abandonados, não a toa Midgar é pra mim o lugar mais interessante e melhor pensado de FFVII.
    A história começa com um conflito entre um grupo terrorista chamado AVALANCHE do qual o protagonista, Cloud, foi contratado como um mercenário para ajudar na missão de combater a super poderosa corporação Shinra. Toda a primeira parte do jogo, que soma um total de 5 ou 6 horas de duração, gira em torno desse conflito. Apesar dos cenários muito interessantes, a história e os personagens não conseguem acompanhar o mesmo nível de interesse, o que resultou no que falei no início desse parágrafo. Com o remake vindo aí na promessa de transformar essas 5~6 horas em 30~40, me pareceu que a Square Enix também se sentiu de forma similar. O que eu achei a parte mais fraca do jogo pode vir a ser um grande ótimo arco em 2020.


    Mas o jogo se torna muito mais interessante após essa primeira parte, e ainda consegue reter os temas já apresentados nela. A história e o universo de FFVII se expandem bastante após a fase inicial, além de chegar no mundo aberto, que embora não seja uma exigência minha, é algo que muitos fãs de RPG acham essencial em seus jogos. Com um gameplay dinâmico e divertido, é fácil passar horas jogando. As mecânicas de FFVII são bem legais, o sistema de Materias foi algo que achei bastante criativo, além de ser relevante na trama. Poder equipar as magias/técnicas/invocações que você quiser nos personagens que você quiser torna o jogo bem mais controlável e agradável do que a clássica divisão por classes/raças. É interessante que você pode treinar seus personagens da maneira que achar melhor, como você só pode usar 3 personagens por vez e existe um total de 9 para pegar no jogo (2 opcionais), pra mim é sempre gratificante poder jogar com os que eu mais gosto, ao invés dos mais "úteis", e ainda assim conseguir zerar o jogo sem problemas. O dinamismo das batalhas, onde se você não agir rápido, o inimigo pode continuar te atacando, incentiva bastante o pensamento rápido, o que considero um ponto positivo até. Apesar da câmera do jogo atrapalhar às vezes dependendo do ângulo. Ainda assim, foram poucos casos onde isso ocorreu ao longo de incontáveis batalhas travadas.
    Graças a um sistema de batalha bem divertido, eu me vi quase nunca fugindo de batalhas durante o jogo inteiro, o que certamente me ajudou bastante a longo prazo.


    Nem toda a parte do gameplay foi agradável, no entanto. Ao longo da história, há várias instâncias onde você terá que passar por diferentes mini-games para prosseguir, e na grande maioria das vezes esses mini-games são mais irritantes do que divertidos. Como aconteceu com alguma frequência e era obrigatório, foi algo que me incomodou. Mas tirando essa exceção, não tenho mais o que reclamar do gameplay em si, FFVII cumpre seu papel não só como um jogo bom para gastar suas horas vagas até chegar ao fim da história, como também certamente é um jogo que qualquer fã conseguiria ficar rejogando sem realmente enjoar. Após 35 horas de jogo e tendo finalizado, embora a sensação de ter concluído uma história tenha me feito parar de jogar por aí, eu em nenhum momento cansei de jogar FFVII. Tanto que, como eu disse antes, eu não fugia das batalhas em nenhum momento, era sempre divertido, além do jogo se manter atualizado até o último instante, permitindo você continuar evoluindo suas Materias, melhorando seus equipamentos ou simplesmente mudando as bases e focos dos seus personagens.
    Eu não sei o quanto a dificuldade é relevante para você em um jogo, principalmente RPG, mas eu achei FFVII relativamente fácil, poucos desafios reais. Como eu particularmente não ligo muito para isso, não me incomodou. Dificuldade pode variar de pessoa para pessoa, no entanto, e eu não sou nenhum mestre dos RPGs, então você pode achar mais fácil ou mais difícil que eu. Talvez não ter fugido das batalhas tenha sido uma das principais causas para facilitar minha vida também.


    Voltando a história, ela não é algo surpreendente ou impressionante, nem nada do tipo. Porém, é muito bem executado e soube inserir a maior parte dos seus personagens na trama de maneira convincente, o que é bem importante. Não é tão bacana quando o jogo só coloca personagens sem relevância só por colocar, e é muito mais difícil torná-los memoráveis dessa forma. No decorrer da história, você verá pelo menos um mini-arco envolvendo cada um deles, com sua devida caracterização, criando um grupo de personagens consistentes e bem construídos. Infelizmente a maioria peca em desenvolvimento e/ou profundidade, com exceção do protagonista, Cloud, que tem uma das sequências mais legais do jogo, ocasionando não só em uma boa profundidade, como também um bom desenvolvimento. A Tifa, por estar diretamente envolvida, felizmente também leva um pouco disso. Mesmo assim, a base dos personagens é muito bem feita, a ponto que eu posso dizer que eu gostei bastante do cast de personagens, Vincent que é dos meus favoritos do jogo é um ótimo exemplo. Você descobre sobre a história dele, mas é só isso, não vai muito além (Ao menos não no FFVII), porém a caracterização fez dele um personagem memorável como alguns outros também são, como a Aerith.


    Eu consegui, de alguma forma, vir jogar FFVII quase às cegas. Sabia muito pouco, e embora a história não tenha surpreendido, uma das principais temáticas abordadas sim, foi algo que não esperava e foi algo consistente do início ao fim do jogo.
    O que me refiro, no caso, é sobre a preservação do meio ambiente, algo recorrente no jogo. A AVANLANCHE luta para preservar o planeta, afinal. Constantemente você vê referências ao estado do planeta através de diálogos com NPCs e no próprio desenrolar da história, como em uma cidade você ficar sabendo sobre a poluição das águas, ou em outro local receber um pedido de ajuda para defender uma ave com um ovo que está sendo alvo da corporação Shinra. Esse que é um tema tão interessante, é devidamente abordado no jogo, sendo um dos principais pontos da história no geral, que muito fala da tecnologia estar destruindo a natureza.
    Mas, apesar dessa temática ser consistente ao longo da narrativa, alguns outros pontos importantes não são. Pior ainda, alguns são até deixados de lado. As ações da AVALANCHE, por exemplo, são relembradas em um momento só do jogo, como o fardo que precisam carregar, e depois é esquecido de vez. Os vilões deixam a desejar, o mais icônicos deles, Sephiroth, não sendo exceção a isso. Eu pessoalmente gostei muito dele, por sua existência ser um fator tão crucial em todo o jogo, mas por outro lado, achei que ele teve pouca presença de fato. Do jeito que as coisas foram feitas, acredito que era possível explorá-lo melhor.


    Muito dos problemas de FFVII são consequências da época que o jogo foi lançado, tendo jogado outros RPGs dos anos 90, eles compartilham de problemas similares. Que na verdade são problemas hoje em dia, mas na época eram das coisas mais incríveis. Eu acho importante levar a época em consideração, a questão é que, como dito bem lá em cima, FFVII é um jogo ambicioso. Logo, muitos dos problemas citados acabam afetando a experiência. Claro, não vai ser igual para todo mundo, mas para mim, por exemplo, o jogo não impactou emocionalmente em nenhum momento, mesmo tentando em vários deles. Não ter conseguido me atingir emocionalmente não foi algo que eu considerasse um defeito per se, mas impediu a obra de ser mais do que ela já era.
    Eu acho que a melhor forma de definir Final Fantasy VII, é a de um jogo que consegue executar bem a maioria das suas características, um jogo que é bom em todas as áreas, mas que não se sobressai em nenhuma delas. É um jogo muito bom, que não conseguiu ser mais que isso pelos problemas que vieram acorrentados em todas as suas qualidades. Foi a sensação que eu tive quando terminei, a de que faltou um passo a mais para chegar lá, mas que nunca foi dado. Mesmo a trilha sonora, composta pelo mestre Nobuo Uematsu, consegue ser muito boa, mas poucas faixas realmente chegaram a me marcar. Isso porque muitos dos jogos dessa época tiveram trilhas sonoras incríveis que eu lembrarei eternamente, então a expectativa era que o mesmo ocorresse aqui.
    Se eu recomendo Final Fantasy VII? Com certeza. É um jogo muito bom. Bom gameplay, boa história, bons personagens, boa trilha sonora, mesmo os gráficos eu não achei ruins considerando a época. E no caso das minhas ressalvas não te incomodarem ou não concordar com elas, terá uma ótima experiência lhe aguardando. Então sim, caso ainda não tenha jogado FFVII, faça-o. Vale a pena. Saraba Da!

    Nota Final: 8.0 / 10
  • As muitas faces ignoradas da realidade

    0

    Realismo - Um termo que começou a aparecer com maior frequência na última década, e que assim como muitos e muitos outros, começou a ter seu sentido despedaçado pelo mal uso das pessoas. Essas mesmas pessoas normalmente são aquelas que se consideram "realistas". Porém, até onde isso é verdade?
    O uso do argumento da obra ser ou não realista se tornou bem comum, e embora eu tenha dito que ele está perdendo o sentido pelo mal uso poucas linhas acima, na verdade não funciona bem assim. Antes de mais nada, me parece que essa é uma noção que eu carrego comigo, mas que a maioria das outras pessoas ainda não se deram conta. Não se deram conta não só de que o argumento está fragilizado, mas também de que ele raramente é usado da forma correta.

    Quando se fala de obras realistas, que tipo de obra lhe vem à mente? Acho que podemos começar daí. Existem grandes chances de que o tipo de obra que vem à sua mente quando pensa nisso seja o motivo desse post estar sendo escrito. No que você pensa quando se trata de realismo? Sofrimento? Tragédia? Grandes conflitos (Tanto externo quanto interno)? O que me deu a ideia de escrever o post foi um tópico criado em um fórum de Visual Novel cujo título era: "Você prefere finais felizes ou finais mais realistas/agridoces?"
    Isso me incomodou em um nível que não dava para simplesmente ficar quieto sem pautar esse assunto, pois a mentalidade que acha normal pensar que tem os finais felizes e os finais realistas está se proliferando em alta velocidade. Esse post vai longe, então vamos com calma.
    Primeiro, eu quero afirmar que isso não existe. Não existe só uma realidade (A trágica), o que não falta no mundo são pessoas que vivem a maior parte da vida felizes e morrem felizes. Mas também não existe só a realidade feliz e a realidade triste, muito pelo contrário, são raríssimos os casos de vidas inteiramente felizes ou inteiramente tristes, a grande maioria absoluta é uma mistura dos dois que pode variar em quantidade de momentos felizes/tristes.
    Estamos em uma época onde se tornou legal sofrer, o que, desnecessário dizer, não é nada legal. Essa romantização do sofrimento já chegou em um nível que se tornou normal sofrer e incomum ser feliz. É até difícil falar disso pois desviaria totalmente do tópico em questão, que é sobre obras fictícias, e viraria todo um texto sobre um dos problemas da sociedade moderna. A questão é que obras mais positivas começam a serem olhadas com desdém, não por serem bem feitas ou mal feitas, nem por preferências pessoais, mas por não serem "realistas" segundo muitas pessoas.

    Mas isso é estranho, vocês não acham? Afinal, se você tem a possibilidade de estar aqui lendo esse post, é muito provável que você viva uma vida comum, talvez feliz, talvez entediante, mas comum. Não é regra, claro, talvez você tenha problemas de saúde, como depressão ou algum problema físico. Talvez você tenha problemas familiares complicados, ou então problemas no trabalho. Talvez você tenha passado por experiências traumáticas no passado, ou até no presente. Mas é importante entender que não existe só uma realidade, cada um vive sua própria realidade. Existem duas vertentes nesse tópico. Pessoas que vivem vidas comuns e rotineiras, quiça felizes, mas acham que tragédia é realismo, o que é contraditório já que seria como dizer que sua própria vida não é "realista". A outra vertente são as pessoas que, de fato, passam ou passaram por grandes dificuldades, mas acham que sua realidade é realismo, o que é uma forma bastante fechada de ver as coisas já que não é difícil encontrar pessoas que vivem realidades completamente opostas. Esse segundo exemplo eu trarei à tona mais pra frente, antes falarei do primeiro exemplo.
    Muitas pessoas associam realismo não ao que vivem/viveram, mas sim a sua visão de mundo, o que é um erro absoluto, na minha opinião. Se for para falar algo assim, que ao menos seja baseado nas suas próprias experiências. Ou então tenha certos tipos de obras como uma preferência, e não como certo ou errado. Esse é o tipo de caso mais complexo e totalmente fora de alcance para alguém como eu poder fazer algo à respeito, mas é bem óbvio que já se tornou uma bola de neve, uma visão de mundo moldada artificialmente. Além da romantização do sofrimento, as notícias se focam quase que completamente em tragédias, alimentando a ideia de que só há tragédia no mundo, afinal, coisas boas jamais dariam tanta audiência ou visualizações, certo? Se torna um ciclo que se mantém eternamente nisso, pessoas só recebem tragédias, pessoas só consomem tragédias. E é nesse ciclo trágico que pensamentos como o de que ser constantemente feliz é falso nasce, afinal, não tem como uma pessoa ser bem feliz, certo? Deve estar escondendo as suas tragédias.

    Voltando ao segundo exemplo. Quando se trata de pessoas que experienciaram dificuldades grandes o bastante para poderem dizer que tiveram uma vida complicada, é um caso mais complexo, bem mais. As experiências são válidas, tanto quanto a realidade que a pessoa vive. Existem inúmeras diferentes realidades, uma para cada pessoa, e todas são, de fato, válidas. Mas é importante entender que da mesma forma que você pode ter uma vida conturbada, outra pessoa pode ter uma vida pacata, e que ambos são igualmente reais.
    Uma questão interessante que vi uma vez, voltando a ficção, é sobre se os romances dos animes são realistas ou não? Como é de se imaginar, 80% das pessoas disseram que não, não eram nem um pouco realistas. E creio que muitos de vocês que estão lendo esse post concordam com esses 80%, tal como imagino que pelo andar do texto até aqui, e o teor do meu comentário sobre essa questão em específico, vocês já devem suspeitar disso, mas eu obviamente faço parte dos poucos que disseram que sim, são realistas, por que não? Eu provavelmente deveria ir cursar advocacia no inferno, de tanto que faço papel de advogado do diabo em tudo quanto é canto.
    A questão aqui é que quem acha que não é simplesmente pela visão de que existe a realidade verdadeira e a realidade falsa, e que a "realidade verdadeira" é sempre a mais negativa. Um casal adolescente em um romance bonitinho claramente não existe, iriam brigar e se separar em três meses, afinal, não é assim com todo mundo? Bem... Não. Grande parte dos romances das obras nipônicas são retratadas através de ideais, não inexistentes ou utópicos, mas sim que são mais e mais desprezados pela sociedade moderna. Por mais irônico que isso possa parecer, o padrão dos animes é fora dos padrões da sociedade, e por isso não é muito bem aceito. Sim, porque o que acontece nos animes de romance, também acontecem na vida real, e eu cansei de ver exemplos por aí não só na minha realidade, mas de relatos de outras pessoas em redes sociais como o Twitter, por exemplo. Não é porque seu primeiro namoro não deu certo, ou que você passou a adolescência sozinho, que isso vai acontecer com todo o mundo. Casais felizes, vivendo o romance ideal deles, sem dúvidas é algo que incomoda muita gente cuja visão de mundo é o que falei mais acima, e como um ritual continuam perpetuando a ideia de que eventualmente vai dar tudo errado para eles e eles vão se separar, porque aparentemente ser feliz já está quase sendo visto como algo errado. Mas novamente, daqui para um longo post sobre os problemas da sociedade moderna é um passo, então paremos por aqui.

    Mas o que exatamente é o argumento do “realismo”, no fim das contas? Se cada pessoa tem sua própria realidade, teoricamente tudo seria realista, certo? Claro que não. É aí que entra contexto, cenário e execução. Por exemplo, uma guerra onde o lado do protagonista vence sem ninguém morrer definitivamente não é realista. Por exemplo, uma pessoa desenvolver um “amor verdadeiro” por outra em um dia de convivência não é realista. Por exemplo, uma pessoa correndo em linha reta não ser atingida por múltiplas armas de fogo atirando na sua direção não é realista.
    Realismo não é só sobre a realidade em que vivemos, mas também sobre o quão crível são as ações dos personagens e acontecimentos da obra, quando é sobre a realidade em que vivemos, é relativo demais para ser argumentado. Um final realista não é um final trágico, nem um final feliz, pode ser qualquer um dos dois e é preciso analisar sob esse ponto de vista, ao invés de achar que ser realista equivale a ser trágico. Acho que esse é o segundo grande ponto desse texto, o primeiro sendo lembrar que cada um vive a vida da sua própria forma, que não existe só uma realidade. Obras fantasiosas podem ser realistas, assim como obras mais “pé no chão” podem não ser nada realistas. Quando eu abri o texto falando do argumento do realismo estar perdendo sentido, era nesse ponto que eu queria chegar, começaram a usar esse argumento para falar de realidade, ao invés de falar do que é real. Talvez seja pedir demais para que as pessoas comecem a analisar contexto, cenário e execução ao invés de só falar o que ela acha que é, mas não custa tentar ao menos trazer à tona essa reflexão, que espero ter acrescentado algo para você. Saraba Da!

  • Isekai e a natureza do que é definição

    0

    Isekai é o 'boom' do momento, quando as pessoas já estavam achando "saturado" sair 3-4 animes isekai a cada 200 animes, o número subitamente subiu para 3-4 a cada 50. Basicamente cerca de 2% dos animes que saem anualmente eram isekais há 3~4 anos atrás, hoje esse número subiu para cerca de 7 ou 8%. Se já havia muitas pessoas que deliberadamente se incomodavam com meia dúzia de isekais por ano, imagina quase esse número chega a uma dúzia ou mais?
    Claro, esse não é um processo novo. Aconteceu o mesmo com slice of life moe muitos anos atrás, todo anime novo do tipo era duramente atacado simplesmente por existir, mas eventualmente as pessoas se aquietaram e ninguém mais fala nada mesmo quando sai cinco deles na mesma temporada.

    Porém, existe um grande problema, principalmente nos dias de hoje, em casos como esse, que é o motivo desse post para início de conversa. Nos últimos tempos há algo que eu venho observando com alguma frequência, e que me chamou ainda mais atenção nas duas últimas semanas ao ver um youtuber (Estrangeiro) de anime com mais de um milhão de inscritos e um artigo da ANN cometerem o mesmo erro. Isso é: Rotular como isekai algo que não é isekai.
    O artigo da ANN, intitulado "Os 6 grupos de Isekai mais atraentes do Verão/2019", já começa com o pé esquerdo uma vez que para ter "os 6 mais atraentes", precisaria ter um número maior que 6 para listá-los, o que não é o caso, o que trás à tona a velha necessidade de ser caça-cliques, por isso o título. No entanto, a pseudo-polêmica aconteceu mesmo quando a redatora erroneamente listou DanMachi nessa lista, o que fez muita gente reclamar disso. A redatora em questão já admitiu o erro e se desculpou (OBS: Na abertura do post a própria redatora "explica" a premissa de Isekai, premissa essa que DanMachi não se enquadra, então foi um erro bem esquisito), mas esse caso é só mais um de algo que vem ocorrendo recentemente, mas logo logo chego lá.
    Esse erro rendeu uma grande discussão nos posts desse artigo, o que pode explicar não haver alterações no artigo em si já que ter mais movimentação é bom para eles, de pessoas criticando o erro da redatora e pessoas criticando quem estava criticando o erro da redatora, tudo em cima da discussão do que é ou não é isekai, e o que é ou não aceitável chamar de isekai.

    Muitos se referem a isekai como um gênero, o que para mim não é uma boa ideia, por isso quase sempre me refiro a isekai como apenas um sub-gênero, mas talvez mesmo eu não esteja muito certo em usar esse termo. O fato mesmo é que isekai é um conceito, cuja definição em obras de ficção é "protagonista é transportado para outro mundo" e só. No meu Sou Nan Da! #03 eu falo mais a fundo sobre Isekai, caso queira uma abordagem mais extensa.
    A questão é que, por definição, para ser um Isekai antes de mais nada a obra precisa que o(a) protagonista seja transportado(a) para outro mundo. É isso, não tem muito segredo e é bem fácil de entender, certo? Bem, pelo visto não.

    "Definição é uma explicação clara e concisa de alguma coisa, é o significado.
    Definição é um substantivo feminino. Do latim “definitione” que significa uma exposição com precisão."
    "Explicação do sentido de uma palavra, vocábulo, expressão, pensamento, conceito"
    Às vezes o que me parece é que falta para as pessoas pararem e procurarem saber o que é ter uma definição, como mostrado acima. Mas na realidade o buraco é mais em baixo.
    Como eu disse antes, o post da ANN rendeu muita discussão sobre o que é ou não é Isekai, que é algo que não deveria acontecer, ou ao menos muito raramente em casos muito ambíguos. Isso porque você raramente vê as pessoas discutirem se uma obra é ou não é de gênero X ou Y, salvo uma ou duas exceções. O que me leva a refletir sobre o porquê disso acontecer nesse caso? Mas não precisa pensar muito para chegar lá... Mal-intencionado ou não, no fim isso é claramente causado por um desgosto ao conceito em si, o que é um problema que vai muito além de subgêneros de ficção. As pessoas estão criando o hábito de manipular definições para incluir/excluir o que lhes agrada/desagrada, é uma ação totalmente tendenciosa que só serve para espalhar desinformação.
    Existem pessoas que por gostar de certas obras, ao ver essas obras serem enquadradas como algo que detestam (Leia-se Isekai), se recusam a querer "misturar essa boa obra a essas coisas ruins", e também existem pessoas que acham "é parecido, logo, é a mesma coisa" quando, além de estar errado, muitas vezes nem parecido é.
    E sabe a quem isso ajuda? Exato, ninguém. Quem odeia Isekai vai deixar de ver obras que não fazem parte do subgênero porque pessoas ficam estupidamente rotulando obras aleatoriamente, e pessoas que gostam de Isekai vão assistir certos animes esperando ver o que gostam e vão ter as expectativas quebradas. Gêneros e subgêneros existem para guiar as pessoas para o que gostam ou permiti-las evitar o que não gostam, não para ficar manipulando e inventando suas próprias definições.

    Vale ressaltar: Isso só acontece com tipos de obras que muitos não gostam, não é algo normal, e é, muitas vezes, até desonesto. Existem casos discutíveis, as obras que se passam em realidades virtuais, por exemplo, são ou não são Isekais? Segundo o autor de Sword Art Online, sua obra não é um Isekai porque em nenhum momento os personagens saem do mundo em que estão. Ainda assim, existe a ideia do protagonista ser transportado para um outro mundo sendo instigada em obras do tipo. Esse tipo de caso é possível se ter uma discussão, e até aí é saudável. O que não pode é pegar uma obra onde é simplesmente uma obra de fantasia normal e rotulá-la como Isekai porque sim. Muitos cometem o maior erro que é querer dizer que algo faz ou não parte do subgênero baseado em clichês e afins, coisas que definitivamente não são parte do que definem o conceito. Clichês não definem nada, são apenas artifícios utilizados na narrativa de algumas obras, algo opcional para o autor. Por fim, não é porque muita gente compara Code Geass com Death Note que Death Note agora é um anime de mecha. Sei que é pedir demais para uma geração com tanto extremista na internet, mas meia dúzia de similaridades não torna uma obra igual a outra.

    O pedido que fica é que vocês se atenham as definições reais de cada gênero ou subgênero. Tem gente que até hoje acha que Isekai são obras de fantasia. Muita gente simplesmente não tem conhecimento sobre essas coisas, e podem ser vulneráveis a pessoas espalhando sua visão distorcida e tendenciosa sobre as coisas para desinformar os outros. Essas pessoas já conseguiram fazer isso com outro gênero, e com incontáveis obras, então não é algo impossível de acontecer. Tentar comprar briga contra desinformação pode ser um esforço inútil, mas não dá para dizer que não tentei. Saraba Da!
  • Copyright © - Canal Testarossa

    Canal Testarossa - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan