• [Review] JK Haru wa Isekai de Shoufu ni Natta - Uma novel sobre sexo, em mais de um sentido.

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    Nome Original: JK Haru wa Isekai de Shoufu ni Natta / JKハルは異世界で娼婦になった
    Nome em Inglês: JK Haru is a Sex Worker in Another World
    Autora: Kou Hiratori
    Status: Finalizado (Volume Único)
    Tradução: Inglês (Lançado oficialmente pela J-Novel Club)
    Link para comprar o eBook: Amazon

    Aviso: Antes de mais nada, essa novel não é recomendada para menores de 18 anos, nem para pessoas de coração fraco. Há algumas cenas bem pesadas que podem te impactar bastante caso seja uma pessoa sensível.

    JK Haru foi uma experiência a princípio estranha, mas que depois se mostrou não só uma obra bem inteligente, como também muito ousada e autêntica. Pelo título você já consegue identificar que o livro se trata de um isekai, e em uma época onde o que não falta são pessoas para apedrejar o subgênero inteiro baseado em um conhecimento extremamente superficial de umas meia dúzia de adaptações em anime recentes, JK Haru aparece como uma obra que não é só majoritariamente única entre as obras do subgênero em si, mas provavelmente em todas as obras que um fã de anime comum já tenha consumido. A novel não necessariamente tenta quebrar paradigmas, mas sim quebrar tabus, e como tal definitivamente não é uma obra para qualquer um.
    Tudo obviamente começa com a sua premissa, tendo a protagonista, Haru, trabalhando como uma prostituta. Só esse primeiro passo já pode ser demais para muita gente, que provavelmente descartaria a leitura do livro de imediato, o que é uma pena, já que a premissa nada mais é que uma ideia, o que realmente acaba fazendo a diferença é como essa ideia é executada.
    E a execução da ideia em JK Haru é muito boa. Antes de mais nada, a obra é um isekai pois busca ser uma sátira a uma parte específica do subgênero, ao mesmo tempo que aborda temas como a liberdade da mulher e a misoginia. Ok, aqui entramos em um assunto delicado, então vamos por partes primeiro.

    A história basicamente começa com a protagonista, Haru, e um colega de classe dela, Chiba, ambos morrendo atropelados por um caminhão. Os dois são revividos em um mundo de fantasia por um "Deus", o rapaz, que recebeu habilidades superpoderosas, começa a viver como um aventureiro, já Haru, acaba tendo que se tornar uma prostituta para conseguir o seu ganha-pão. Haru não tinha muito para onde ir, pois a sociedade daquele mundo não permitia uma mulher se cadastrar como uma aventureira sozinha (Para conseguir, tinha que ser como acompanhante de um homem), para eles chegava a ser rude o fato de uma mulher sair sozinha na rua. Claramente não era um bom mundo para uma adolescente do mundo moderno cair.
    Com o básico da história explicado, é hora de falar um pouco mais a fundo sobre o que ela quer dizer e do seu conteúdo no geral.

    JK Haru não é uma obra muito fácil de digerir, principalmente pelo fato de seguirmos o ponto de vista de uma prostituta. Se não percebeu ainda, a novel descreve cenas de sexo explícito muitas vezes, além do linguajar ser igualmente explícito. As cenas de sexo e linguajar erótico possuem uma função narrativa importante, e talvez a única coisa no livro que realmente me impactou de verdade vem justamente da reflexão que essa função narrativa trás, mas depois toco nesse assunto.
    Um pontos interessante é que a existência do Chiba é uma representação do papel padrão de um protagonista homem de um isekai de aventura/ação (Exceto o fato que nessas obras normalmente o protagonista é uma pessoa ao menos decente), e em momento nenhum vemos o mundo pelo ponto de vista dele, é praticamente o tempo todo do ponto de vista da Haru, e a obra consegue fazer o mundo se tornar altamente desinteressante e limitado, pois a personagem não tem o direito de ver o mundo como um lugar divertido de se estar como é para o Chiba. Além de uma sátira a esse tipo de obra isekai, ainda toca nas restrições a liberdade que a própria sociedade impõe as pessoas de um gênero, o que é bem estúpido.

    A Haru ser uma personagem com bastante defeitos ajuda na abordagem tanto dos temas quanto das sátiras, a princípio ela não é lá a pessoa mais agradável de se lidar, fazendo constantes pré-julgamentos, sarcástica e com muitos comentários ácidos. Ao longo do livro ela tem um desenvolvimento bem legal e que também trás uma mensagem bacana que serve para todos nós, principalmente nos dias de hoje com o extremismo sempre muito presente. Falta empatia para todos os lados, e uma personagem se tornar mais empática ao mesmo tempo que aprende a mudar um pouco a forma que ela vê as coisas é um crescimento bem interessante de se ver. Às vezes temos problemas maiores que nós mesmos, conseguir lidar com isso sem descontar nos outros é um feito difícil, mas necessário para melhorar mesmo que um fragmento do mundo.
    JK Haru é muito isso, mostrando uma realidade absurda, que mesmo em menor escala ainda existe no nosso mundo, e como a Haru vive sua vida tendo que lidar com esse tipo de injustiça e buscando ser feliz com a vida que tem.

    Voltando as cenas de sexo, que são bem numerosas como eu disse, essa foi uma sacada muito arriscada, porém inteligente, da autora. Apesar de servir bem para mostrar que tipo de vida a Haru vive e os absurdos que ela tem que passar pela mentalidade da sociedade daquele mundo, um ponto chave que ficou subentendido e eu achei genial foi confrontar uma mentalidade que é muito presente mundialmente. Em um certo ponto do livro, a obra sutilmente faz a comparação entre violência e sexo, o peso que os dois tem. Nesse momento eu repensei no que eu tinha lido até então, e pensei sobre o grande público em si. É inegável que JK Haru seria mal visto por muita gente pelas cenas de sexo explícito, pois mesmo em 2018 muita gente trata o sexo como um bicho de sete cabeças. A novel trás essa realidade à tona e mostra a incoerência das pessoas, pois novamente em comparação com um isekai mais "padrão", as pessoas não veriam absolutamente nenhum problema em uma obra mais violenta, com sangue e mortes, muitos achariam isso até um grande ponto positivo e essas mesmas pessoas achariam "desnecessário", "ruim", "imoral" ou mesmo "incrível" a presença de cenas de sexo no seu entretenimento, quando não era para ser nada disso. Sexo consensual é algo absolutamente normal. Violência e mortes por outro lado é algo ruim. Mas as pessoas tem essa inversão de valores e acham um absurdo qualquer coisa com o menor teor erótico que seja, e já cogitam censurar, enquanto não dão a mínima para brutalidades. A obra inteligentemente reverte essa visão, tratando sexo como algo normal, e violência como algo ruim. Todas aquelas cenas de sexo servem para reforçar essa crítica, e mostrar que se por um lado você ficou incomodado em ter várias cenas de sexo, por outro é bem provável que se essas cenas fossem substituídas por cenas de ação mais violentas você ia achar a coisa mais normal do mundo.

    Por ser parcialmente episódica, a novel acaba tendo alguns capítulos mais fracos e alguns capítulos que agregam pouco ao desenvolvimento da história e da protagonista (Embora ainda funcione bem para a narrativa). Porém, os melhores capítulos entregam muito bem, com direito até a momentos bem dramáticos e momentos bem sombrios. Sendo volume único abordando alguns temas complexos e tendo de fato uma história por trás, os personagens acabam se destacando muito pouco. A protagonista, Haru, é uma boa personagem, nada de incrível, mas muito bem trabalhada e desenvolvida. No entanto, o resto do elenco acaba sendo bem esquecível, decentes na melhor das hipóteses. A obra acaba tendo um final inconclusivo, o que pode incomodar alguns, mas considerando a proposta e as ideias da mesma, diria que ela fez o que tinha que fazer apesar disso.
    A novel tem dois grandes plot twists na reta final, um deles bem previsível, o outro já é bem mais surpreendente. Um desses twists pode soar meio tirado do nada, e isso porque a escrita é bem sútil e inteligente como já dito anteriormente, pois se parar para reler do começo, perceberá que tem diversas pistas ao longo do livro que indicavam a vinda desse twist no final. Foreshadowings costumam me agradar bastante, ainda mais bem feitos como é o caso aqui, por isso caso leia e ache que foi "tirado do nada", entenda que você apenas não notou os foreshadowings que se misturam na escrita de maneira muito natural.
    Ah, a fim de curiosidade, a novel não possui ilustração alguma fora a capa em si.

    JK Haru trás algumas críticas e reflexões bem importantes e interessantes, é um livro que sabe pautar um tema delicado sem tentar empurrar ideologias goela abaixo. Fazendo uma sátira com um tipo específico de isekais, a obra também mostra o quão longe o conceito de isekai pode chegar, que você não deve jamais generalizar o subgênero se baseando em poucos títulos que te desagradaram, ao mesmo tempo em que critica a maneira com que muitos autores trabalham as personagens femininas em obras do tipo, normalmente servindo apenas para enaltecer o protagonista, sem a liberdade para ser uma personagem independente.
    No meio das importantes mensagens e temas para se pensar sobre, a obra ainda arruma espaço para criar uma história interessante com plot twists e momentos dramáticos, além de uma boa protagonista. Só o fato dela ser uma prostituta sem dúvidas vai espantar muita gente, mas espero que, caso seja uma delas e esteja lendo esse texto, eu tenha conseguido ao menos criar o interesse na leitura desse livro, pois apesar de não ser nenhuma obra-prima ou obra super inovadora, vale muito a pena ler. Saraba Da!
  • [Review] 86, Volume 1 - Guerra, Mechas e Racismo

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    Nome: 86
    Autor: Asato Asato
    Ilustrador: Shirabi
    Status: Em publicação
    Tradução: Inglês (Licenciado Pela Yen Press)

    Dia 5 de Abril de 2017, foi a data da última review de light novel que eu postei aqui. Como um auto-proclamado fã da mídia, certamente não tenho feito muito para ilustrar essa imagem. A review em questão foi a do primeiro volume de Gakusen Toshi Asterisk (Ou Asterisk War, como foi oficialmente traduzido), e até hoje curiosamente esse é o terceiro post com mais visualizações do blog. Mas finalmente é hora de voltar.
    Este post não conterá grandes spoilers sobre a obra, porém será discutido alguns aspectos que revelam algumas facetas da obra, então se quiser acompanhar a obra sem nenhum spoiler, recomendo parar de ler o post por aqui. Caso contrário, pode ler mesmo sem conhecê-la, aliás, deve!


    Sinopse de 86: 
    ”República de San Magnolia.
    Por muito tempo esse país foi atacado por seu vizinho, o Império, que desenvolveu uma série de veículos militares chamados de Legion, que não possui tripulantes. Em resposta à ameaça iminente, a República consegue desenvolver uma tecnologia semelhante e assim devolve o ataque inimigo, sem fatalidades. Mas essa é apenas a versão oficial. Na verdade houve sim vítimas. Além dos 85 distritos conhecidos da República, existe um outro. O “não existente distrito 86”. Ele estava lá durante os dias de ataque sem fim, e jovens, homens e mulheres do distrito 86 participam das batalhas.
    Shinn comanda as ações do esquadrão dos oitenta e seis enquanto estão no campo de batalha. E Lena comanda as coisas do lado de fora das batalhas, com a ajuda de comunicação especial.
    A história de despedida, cheia de lutas e tristezas desses dois começa!”

    A LN de 86 é bastante controversa. Acho importante começar o texto com essa frase. Incontáveis obras abordam incontáveis temas de níveis diferentes de relevância em diversas áreas diferentes. Mas abordar o racismo nos dias de hoje é bastante delicado, principalmente quando muitas pessoas querem ver apenas o que elas querem ver, e não o que realmente está sendo mostrado. 86 obviamente ainda é uma novel japonesa e trata seu tema principal (Ao menos do volume 1, que foi o que eu li) de uma maneira bem indireta, porém bastante intuitiva e até certo ponto interpretativa.

    Referências e mensagens que estão implícitas ao longo do livro são fáceis de perceber. Nós temos um país de pessoas com cabelos brancos, e as pessoas de cabelos de outras coras que são usadas como "unidades descartáveis" na guerra que está acontecendo na história. Essas pessoas não são consideradas pessoas por aquele país, e suas mortes não são contadas como fatalidades, na história eles são uma "raça inferior". Já as pessoas de cabelo branco daquele país, que finge que está tudo em paz enquanto o caos se instaura, se consideram como uma "supremacia branca".
    Nessa breve explicação já é possível se tirar muito do que a obra trata, e o motivo dela ser tão controversa.
    A obra fala de racismo constantemente, e no núcleo da história temos dois protagonistas. Lena, uma comandante da República, e Shinn, um dos soldados "descartáveis" por ter um cabelo de outra cor. Lena é uma personagem com forte senso de justiça e valores morais, que acha um absurdo a maneira que aquelas pessoas são tratadas e consideradas no país dela. Shinn e seu esquadrão, por outro lado, cumprem as ordens e não querem ter nenhum contato com as "pessoas de cabelo branco".

    Os paralelos são bem óbvios na história, muito no entanto, não existe apenas uma maneira de se ver as escolhas do autor para a maneira que ele escolheu abordar um tema tão delicado quanto o racismo.
    Uma das coisas mais incríveis, na minha opinião e na minha interpretação, é usar a diferença de cor de cabelo como uma "diferença racial" na história, e que é o motivo do racismo existente daquele país. Isso porque os paralelos com a vida real existem, e quando se é colocado dessa forma na novel, a ideia fica muito mais clara do que o normal. Tem um país que se acha uma raça superior pois eles tem cabelos de uma cor, enquanto os inferiores tem cabelos de outras cores. Parando para pensar um pouco, é uma ideia bem estúpida e sem sentido, certo? E é exatamente isso que a obra quer que você pense, pois o mesmo vale para a vida real. Racismo é estupidez. Seja a cor do cabelo ou a cor da pele, era para ser um motivo bem idiota para querer se achar superior de alguma forma, mas infelizmente a realidade é que tem pessoas idiotas o bastante para pensar assim. E é isso que a novel mostra, a República é um país estúpido, enquanto a guerra e a destruição vai se aproximando do país, eles continuam fingindo que nada está acontecendo e se recusam a fazer algo por achar que isso é o trabalho da "raça inferior".

    Ao longo do primeiro livro o tema racismo está sempre presente. Apesar de ainda ser uma obra de guerra com mechas, o tema em questão é até mais frequente do que a ação em si. A relação da Lena com o Shinn e o seu esquadrão foi uma surpresa agradável, apesar deles só se comunicarem a distância. Tem um momento muito inteligente na novel que aborda um racismo subconsciente da Lena, derivado da sua criação naquele país preconceituoso, e é um momento muito funcional que mostra que mesmo quando você tem boas intenções, ainda pode estar errando com a outra pessoa sem perceber, mas que também é um problema mais comum quando você e a outra pessoa não são realmente tão próximas.

    Dado a forma que o primeiro volume se encerrou, que foi em partes realmente bem fechado e quase como um bom encerramento, acredito que a pauta do racismo não vá estar presente nos próximos volumes. Talvez eu esteja enganado, e gostaria, pois apesar de ter uma história interessante e uns mistérios que realmente te deixam curioso, fora vários personagens bem caracterizados, a maneira como tratou o tema foi realmente muito boa.
    Embora a combinação em si, do drama em relação as questões raciais na história, com a tensão da guerra, o objetivo do Shinn e os conflitos da Lena, todos juntos tenham rendido um volume muito bom no geral, com algumas cenas bem bonitas e emocionantes.

    O mundo da novel é algo a se considerar, tem coisas muito interessantes na parte tecnológica e aparentemente também possui certo aspecto sobrenatural, as coisas se encaixam muito bem mesmo com as lacunas deixadas pelos mistérios ainda a serem explorados. As batalhas são muito bem descritas e o teor trágico da obra trás uma tensão a mais nos momentos mais intensos.
    Apesar do primeiro volume ter cerca de 350 páginas apenas, o autor foi talentoso o bastante para trabalhar bem quase tudo, sem desperdiçar muito texto com coisas menos relevantes. Ao terminá-lo a sensação que dá é a de ter terminado de assistir uma temporada de anime, por exemplo.

    No fim, nessa "breve" análise eu não tenho muito o que reclamar, o que eu poderia dizer são aspectos que não seria justo eu cobrar tendo lido apenas um único volume, ainda mais um tão rico em conteúdo como esse. A ideia original era comentar um pouco sobre como o racismo é abordado na obra, mas no fim das contas resolvi transformar isso numa review e fazer um post um pouco mais significativo, uma recomendação. Acho bem improvável que a adaptação em mangá e a possível adaptação em anime consigam transmitir as mensagens e trabalhar a obra com a mesma eficiência que a novel, por diversos motivos, mas o principal pelo autor realmente ter escrito o volume muito bem. Acredito que mesmo que no fim das contas a questão do racismo não seja mais abordada, ou fique menos frequente, ainda foi algo que não serviu apenas para passar uma mensagem importante para os leitores, mas também teve um propósito muito relevante não só na história, mas no conflito da Lena, que resultou em um bom desenvolvimento e a tornou uma personagem bem interessante no fim do livro. 86 é uma novel que definitivamente vale a pena não só pelo tema (Do volume 1?), mas por todo o conteúdo do volume em si. Saraba Da!
  • [Review] Shoujo☆Kageki Revue Starlight - A cruel beleza do teatro

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    Vocês estavam ansiosamente no aguardo por essa review sobre o anime como um todo, certo?
    Wakarimasu~

    Revue Starlight foi um anime muito incomum lançado em 2018, se tratando de temáticas poderia ser colocado entre um dos mais incomuns do ano. No entanto, devido a uma mentalidade absurdamente incoerente das pessoas acharem que teatro musical e idols são a mesma coisa (Ou melhor, por ter garotas e música, ser um anime de idols), a obra acabou não ficando tão popular quanto merecia. Até hoje lendo em algumas reviews em sites "super apropriados" como o MyAnimeList, você ainda pode achar pessoas falando coisas como "Esse é um anime de idol diferente do padrão".
    Essa review já começa declarando o seguinte: Ir assistir Starlight com a mentalidade de que vai assistir um anime de idol imediatamente mata a ideia principal do anime e você provavelmente não vai conseguir extrair muita coisa dele, resultando em um possível desgosto com a obra.

    Teatro musical é a pauta principal do anime, o tema do qual quase toda subjetividade e simbolismos almejam atingir. Não necessariamente o único tema abordado, mas sem dúvidas o principal.
    Revue Starlight é um anime repleto de simbolismos, e muito mais ele diz por trás da camada superficial do que ele diz na própria camada superficial. É inevitável que você tenha que usar bastante interpretação e atenção para entender bem o que o anime está querendo te dizer.
    A maior crítica do anime é sobre o sistema teatral japonês, principalmente se referindo diretamente ao Takarazuka Revue, mas que também funciona para vários sistemas teatrais pelo mundo. Justamente por isso olhar para o anime como um anime de idols mata o próprio propósito da obra, já que a industria de idols tem problemas absolutamente diferentes do teatro em si.

    Apesar de deixar a desejar em alguns episódios, o anime é muito bem produzido e bem dirigido, com diversas cenas de ação bem coreografadas e intensas.
    E sendo um anime sobre teatro musical, obviamente a trilha sonora também faz forte presença, com inúmeras insert songs que são em sua maioria muito boas e que investem bastante nas cenas chaves a nível emocional tanto para as personagens, quanto para o telespectador, o que já é algo muito relevante para o que o anime quer fazer.
    O anime se sai muito bem em abordar um tema interessante, mesmo o principal deles sendo um universo desconhecido para a grande maioria das pessoas que assistirem o anime, ele também se sai muito bem na animação e trilha sonora, e no geral esses três elementos juntos sem dúvidas podem ser o bastante para te entregar uma ótima experiência audiovisual e reflexiva. No entanto, quando se trata de personagens, resoluções e execução em algumas partes, o anime tropeça algumas vezes, principalmente por ter um número limitado de episódios, o que deixa muitas coisas um pouco corridas já que eles se dão ao trabalho de explorar bem quase todas as personagens.

    A ideia principal do anime é boa, porém, as duas protagonistas que empurram essa ideia para frente, Karen e Hikari, me saíram como personagens altamente desinteressantes. Elas ainda cumprem suas funções no roteiro muito bem, na maior parte do tempo, mas o aproveitamento da história inevitavelmente é afetado quando falta carisma para o(s) personagem principal(is). Isso por si só até seria algo que eu conseguiria relevar até certo ponto, porém, a sensação de que a ideia por trás das duas personagens prejudicou a execução da ideia principal do anime ficou martelando na minha cabeça durante toda a segunda metade do mesmo. As resoluções dos conflitos dessas personagens soaram forçadas em alguns momentos (Alguns exemplos mais à frente), e em certos momentos eu cheguei a me perguntar aonde o anime queria chegar com os rumos que tomava.
    Foram de fato problemas prejudiciais para meu aproveitamento da obra, mas longe de serem grandes o bastante para tornarem o anime ruim ou fraco. Na verdade, é um anime realmente muito bom e que sem dúvidas, conhecendo a mim mesmo, estaria entre os 5, talvez 10, melhores do ano caso eu tivesse assistido animes o bastante para fazer tops desse tipo. Infelizmente desse ano eu só assisti meia dúzia de animes, sendo um deles Hugtto! Precure, que faz bem melhor em termos de temas abordados, na minha opinião.
    Por isso, Revue Starlight sem dúvidas é um anime que eu recomendo muito dar uma chance, tem sim boas personagens, tem boa animação, boa trilha sonora, boa direção, um anime diferenciado que trás temas interessantes e coloca certas reflexões em jogo, é o tipo de anime que precisa ser feito mais vezes. E depois que assistir os 3 primeiros episódios, pode dar uma olhada nas minhas reviews deles aqui (Episódio 1) e aqui (Episódio 2 e 3).

    Dito isso, caso não tenha assistido ao anime ainda, a review acaba aqui. A partir desse ponto começarei a entrar em mais detalhes da história/personagens, então vai ter muitos spoilers, para não estragar sua experiência recomendo não ler nada a partir daqui.




    ~~~~~~~~~~~~~~~~Spoilers~~~~~~~~~~~~~~~~




    Tendo parado no episódio 3, logo após a grande derrota da Karen para a Maya, eu voltei para o anime com a ótima impressão que os 3 primeiros episódios haviam deixado, porém, havia um grande problema. O anime era óbvio demais sobre os rumos que iria tomar, o que por si só não é um problema, boa parte das obras dá para prever o final enquanto você ainda está no começo, só seria realmente um problema se a obra não quisesse ser previsível, o que não me pareceu ser o caso de Revue Starlight. O problema é que em cada episódio que se passava eu não via o anime conseguindo evitar tropeçar em si mesmo. Era óbvio que a Karen iria ter o seu desejo realizado até o fim do anime, tal como era óbvio que a Nana tinha muito mais por trás do que aparentava, como eu disse no final da minha review dos episódios 2 e 3 (Embora prever que teria "viagem no tempo" seria bem improvável, muito embora todas as pistas estivessem lá nos primeiros episódios, simplesmente por não associarmos viagem no tempo com anime de teatro musical). O problema é que as coisas começaram a se resolver em favor das protagonistas muito facilmente.

    A princípio eu havia ficado bem incomodado com a Nana perder para a Karen, mas era justificável. Tendo ela basicamente parado no tempo, parado de praticar e começado a trabalhar no script enquanto todas as outras praticavam arduamente, fazia sentido ela ter "enferrujado", e fazia sentido a Karen ser bastante talentosa, o anime nos diz isso indiretamente ao revelar que a Futaba passou em última colocada para entrar na escola, claro que a Karen ainda pode ter ficado em uma posição baixa, mas vale lembrar que no início da série ela não tinha nem a motivação para se tornar uma "top star" (Fora que para ser aprovado para aquela escola naturalmente você precisa ser bastante talentoso). Então existe uma boa justificativa dentro da narrativa que mostra aquele resultado ser possível em termos de talento, esforço e motivação. Ao longo do anime esses três aspectos se mostraram os aspectos que definiam os resultados das audições, o que faz todo sentido, estamos falando de teatro afinal. Então mesmo os duelos sendo apenas uma representação visual, havia um padrão lógico que se baseava no físico e psicológico das atrizes. Por exemplo, a Kaoruko mesmo não tendo o esforço, ainda tinha o talento e a motivação para "duelar" com a Futaba, que mesmo sem o talento, ainda tinha o esforço e a motivação para "duelar" com a Kaoruko. A Nana tinha talento de sobra, mas não tinha mais o esforço e questionavelmente nem a motivação, por isso perdeu duas vezes seguidas. Achei a resolução do drama dela muito corrida e fácil, mas em partes compreensível não só pela limitação de episódios, mas também pela motivação abalada dela que já vinha sendo trabalhada antes do twist do episódio 7.

    Mas aí que entra o grande problema, a luta contra a Maya e a Claudine. Diferente da Nana, a Maya que já era para ser a mais talentosa, também era uma das mais esforçadas e mais motivadas. Em termos técnicos de qualidade, ela não deveria perder para ninguém, mas como eu disse antes, o anime não tenta ser imprevisível realmente, então você já sabe como a luta vai terminar antes de começar. A Maya e a Claudine juntas são a perfeita representação do sistema teatral do Takarazuka Revue, e a Maya em particular de qualquer sistema teatral, então evidentemente dentro do que o anime quer dizer, a Karen e a Hikari, que são contra o sistema, precisariam vencer. Existe uma explicação muito implícita para essa vitória literalmente impossível, mas seria ela o suficiente para você relevar um problema desses? Para mim nem tanto.
    Acontece que a Karen e a Hikari são as representações da "pequena estrela" e da "grande estrela" na história de Starlight, onde uma representa uma pequena felicidade enquanto a outra representa um grande sucesso, e quando as duas se unem, um milagre pode ser realizado (Ou algo desse tipo). No "grand finale" do duelo, as duas "se tornam uma só" e assim conseguem vencer. Mas mesmo assim, ainda ficou um gosto amargo de que poderiam ter executado melhor essa luta, que também foi a mais fraca em termos de cenário.
    De bom veio a cena de desabafo da Claudine, que acabou sendo uma personagem que ficou em segundo plano. No entanto, é um defeito proposital, se ler um pouco sobre como funciona os papéis no Takarazuka Revue vai entender. A Claudine foi feita para ser uma personagem que fica em segundo plano, enquanto a Maya foi feita para fazer o papel principal, e as duas se completam assim. Por isso, mesmo a personagem ficando sem ser trabalhada melhor, isso ressoou positivamente comigo por ter sido uma ideia bem executada ao longo do anime.

    A reta final foi a parte mais fraca (Ou melhor dizendo, menos boa) do anime para mim. Todo o conflito final entre a Karen e a Hikari não foi lá muito interessante, o total desespero da Karen me soou forçado (Principalmente pelo time-skip), mas também existe uma justificativa dada no episódio 12 sobre o que uma representa para a outra, o duelo final foi bem bacana, no entanto. Isso é claro, tirando uma cena específica que achei simplesmente genial. Exato, é exatamente essa cena que está pensando. A girafa se revelar como sendo nós, os telespectadores, o público, foi sensacional. Tudo bem que metalinguagem é algo que eu costumo curtir bastante, mas foi realmente muito bem aplicado aqui. A reflexão que a cena em si trouxe foi super interessante também. O anime continua pois nós estamos lá para assistir, é aquilo que queremos ver, e nosso papel como público é assistir e decidir se gosta ou não.
    Toda obra é construída de uma certa forma, de acordo com a visão da staff, ou mesmo do autor, ainda que nesses casos tenha o dedo de outras pessoas por trás. Essas pessoas estão criando uma obra e oferecendo para nós, o público, essa é a função deles. A nossa função, como público, é apenas gostar ou desgostar, assistir. O que não é o que acontece hoje em dia, hoje em dia todo mundo (E com "todo mundo" eu me incluo também) quer dizer o que a obra tem ou não tem que ser, o que tem que mudar, que é isso e que é aquilo, mesmo sem ter quase nenhum conhecimento dos procedimentos não só da criação da obra, como também da mentalidade e das emoções por trás da concepção da mesma. Fora falar sobre nossa busca incessante pelo "imprevisível" (Coloco entre aspas, pois abre margem para diferentes interpretações). É algo que tem muito pano pra manga para explorar.

    Como é possível notar, exceto meu problema com as protagonistas e ser um pouco corrido, todos os outros problemas que citei são justificáveis, mesmo em partes. Então embora pareça que eu esteja fazendo muitas reclamações, se você quiser ser leniente com o anime, tem bons motivos para tal. O roteiro é muito bem trabalhado para que não seja falho em muitos dos momentos problemáticos.
    Em relação a abordagem ao sistema teatral me pareceu que o anime no fim não foi para lugar algum com aquilo, mas a nível pessoal ao menos a Karen e a Hikari conseguiram cumprir a promessa delas.
    Finalizando, Shoujo☆Kageki Revue Starlight é um anime único no que escolhe abordar, e bem exótico em como executa suas ideias, com várias boas personagens e uma produção notavelmente caprichada, que o faz ser uma experiência relativamente memorável. Alguns tropeços incomodaram, mas olhando como um todo definitivamente termina com um saldo super positivo. Infelizmente eu perdi a chance das análises semanais, muito podia ser dito sobre muitas coisas ao longo do anime que não cabem estender tanto uma review do anime inteiro, mas podemos dizer que já era esperado de mim. O importante é que como muito requisitado, aqui está minha visão sobre a obra. Embora eu provavelmente tenha esquecido de citar um bocado de coisas, já que fui escrevendo essa review aos poucos. Wakarim---digo, Saraba Da!
  • Sou Nan Da! #05 - Precure!

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    Pretty Cure, ou mais comumente conhecido apenas como Precure, é uma franquia de animes do gênero Mahou Shoujo voltado para o público infanto-juvenil, mais precisamente garotas, produzido pela Toei Animation. A franquia é extremamente popular no Japão, conseguindo constantemente estar no top 10 de audiência praticamente durante todas as semanas, sendo uma franquia altamente lucrativa.
    Aqui no ocidente, as coisas são altamente invertidas, a franquia possuindo uma popularidade imperceptível, embora tenha muitos fãs dedicados, e os maiores consumidores dos animes da franquia serem adultos, ao invés de crianças.

    A franquia está atualmente comemorando seu décimo-quinto aniversário, e para comemorar com eles, resolvi lançar esse post dando uma explicação geral sobre a franquia.
    Precure teve início em Fevereiro de 2004, com o seu primeiro anime, Futari wa Precure. A partir dali, todo ano um novo anime foi lançado para a franquia. O intervalo entre o lançamento de um anime e outro é minúsculo, ou seja, todo anime de Precure é lançado durante um período de um ano, o que significa que todos os animes da franquia tem entre 48 a 50 episódios (Exceto Futari wa Precure: Max Heart, que teve 47).
    A informação mais importante é que esses animes não tem realmente nenhuma conexão (Com exceção de dois deles, que são continuações), eles compartilham a mesma marca (Precure), certos elementos da franquia em si e alguns padrões, mas fora isso cada série funciona individualmente. Isso quer dizer que você pode começar por praticamente qualquer uma das temporadas, com exceção das duas anteriormente citadas.
    Para ter uma noção mais palpável dos animes da franquia, aqui vai a lista:

    1. Futari wa Precure (2004, 49 episódios) // Futari wa Precure: Max Heart (2005, 47 episódios)
    2. Futari wa Precure: Splash Star (2006, 49 episódios)
    3. Yes! Precure 5 (2007, 49 episódios) // Yes! Precure 5 GoGo! (2008, 48 episódios)
    4. Fresh Precure! (2009, 50 episódios)
    5. Heartcatch Precure! (2010, 49 episódios)
    6. Suite Precure♪ (2011, 48 episódios)
    7. Smile Precure! (2012, 48 episódios)
    8. Dokidoki! Precure (2013, 49 episódios)
    9. Happiness Charge Precure! (2014, 49 episódios)
    10. Go! Princess Precure (2015, 50 episódios)
    11. Mahoutsukai Precure! (2016, 50 episódios)
    12. Kirakira☆Precure A La Mode (2017, 49 episódios)
    13. Hug tto! Precure (2018, ainda em lançamento)
    14. Star Twinkle Precure (2019)

    Apesar de ser compreensível achar tantos animes de 50 episódios da mesma franquia intimidadores e confuso, não é tão difícil quanto parece se achar. Seguindo a lista acima, coloquei as duas temporadas que são, na verdade, continuações das anteriores, todas as outras estando separadas. A partir daí, você pode começar absolutamente de qual temporada quiser.

    Existe bons motivos para Precure funcionar com pessoas de todas as idades, que pode variar de temporada para temporada. Personagens, mensagens, temas, às vezes a própria história, narrativa entre outros aspectos podem muitas vezes ir além do que uma obra para o público adulto conseguiria ir, a diversão e o carisma muito contam também, claro. Porém, sem dúvidas um dos pontos importantes acaba sendo a ação, combinada com uma animação de alto nível e uma dedicação da Toei Animation para entregar todo ano um anime especial para a franquia. Muitos torcem o nariz quando veem a Toei Animation por achar que o estúdio se resume a Dragon Ball e One Piece, ignorando animações incríveis que conseguem produzir.



    A obra tem seus próprios padrões para seguir, como por exemplo o "monstro da semana", onde todo episódio as personagens precisam enfrentar e derrotar um monstro diferente. Mas apesar disso, todos seguem uma história com início, meio e fim, então existe uma linha de desenvolvimento tanto para a história, quanto para os personagens.
    Além dos animes exibidos na TV, a franquia conta com um filme lançado para cada uma das temporadas (Incluindo as continuações), que são exibidos sempre no final de Outubro. Os filmes são opcionais, mas tenham em mente que muitas vezes fazem referências a eventos do filme durante a série de TV (Quando o filme é lançado, a série ainda está em exibição), sendo que muitos deles agem como um complemento para a série principal, então considere assisti-los se estiver disposto.
    Há também os filmes crossovers, que funcionam mais como um fanservice para os fãs, sendo basicamente um especial que une todas as Precures na mesma história. Como todo ano saí uma temporada nova, desde 2009 um novo filme é lançado para incluir as novas personagens que não estavam nos filmes crossover anteriores. Todos os filmes crossovers possuem o nome "All Stars", então é fácil não se confundir.
    Talvez não tão fácil assim.
    Falando em conteúdo suplementar, é também comum lançarem um mangá ou uma novel (Ou os dois) simultaneamente com o anime, normalmente mangás/novels curtos, que servem como suplemento, conteúdo adicional e outras coisas bem legais que vale a pena ler. No entanto, quase nada foi traduzido até hoje, então fica como uma curiosidade inútil para a grande maioria.

    Apesar de todo o sucesso no Japão, nem sempre foi assim. Precure chegou muito perto de ser cancelado em 2008-2009, pela popularidade estar caindo rapidamente. Desacreditados, os produtores tentaram uma última chance, uma última temporada que caso não desse certo, iriam abandonar a franquia. Fresh Precure acabou sendo um sucesso e tanto revivendo o amor dos fãs, quanto conseguindo muitos novas pessoas para adorarem a franquia. ありがとうございますフレッシュプリキュア!

    Precure é uma franquia incrível de animes, sempre muito carregada de mensagens que podem ajudar a formar um excelente caráter nos jovens, assim como ensinar e nos fazer lembrar de muitas coisas importantes que deixamos para trás ao crescermos. Muito por um certo preconceito, ou mesmo por uma mente limitada, muitas pessoas simplesmente preferem ignorar a existência da franquia como algo irrelevante (Aprecio muito a boa vontade de quem tentou assistir e não gostou, até aí tudo certo!), em um ponto que é notável alguns sites que montam guias de temporada simplesmente excluírem o anime da franquia da lista. Mas Precure é gigantesco, pessoas de talentos inestimáveis trabalham ou já trabalharam em alguns dos animes da franquia e o Japão como um país reconhece a franquia como uma grande referência cultural, motivacional e em partes até educacional. O número de referências a franquia em animes, mangás, novels e todas as outras mídias é incalculável, mas acima de tudo, deixo essa bela curiosidade: As protagonistas da temporada de 2016, Mahoutsukai Precure!, fazem parte dos embaixadores oficiais da cultura japonesa nas Olimpíadas de 2020, ao lado de vários outros personagens mundialmente adorados, como Goku, Naruto e Luffy.


    A relevância da franquia é grande o bastante para se arriscarem a ponto de alterarem o roteiro da temporada de 2011, Suite Precure, e deixá-la uma obra menos sombria e mais positiva, devido ao terremoto e tsunami que aconteceu naquele ano, como uma forma de tentar encorajar quem assistia a pensar positivo.
    Em todo caso, a função do Sou Nan Da! sempre foi informar, explicar e ensinar. Como tal, considerem essas informações como uma explicação da importância da franquia no Japão.
    Acredito firmemente que vale a pena tentar assistir Precure, pois muitas vezes é uma franquia que transcende demografias, e pude presenciar de perto isso através de alguns amigos meus. Mas no caso de não funcionar com você, não tem problema, ao menos agora você pode ficar bem informado sobre o que exatamente Precure é (Espero). Saraba Da!
  • Hanashi #03 - Sozinho em uma casa cheia de pessoas

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    Querendo ou não, o que você gosta, o que você tem ou mesmo o que você pensa automaticamente te coloca em um grupo. Pessoas adoram agrupar tudo o que podem, tal como um computador velho, incapaz de processar cada pessoa como um individuo diferente... Oops, a história não era para ser tão séria assim.
    Em todo caso, a comunidade de animes é um resultado disso. Uma vez que você é alguém que aprecia a mídia e investe a si mesmo nela, você automaticamente se torna parte da comunidade. Pode não falar com ninguém, ou participar de fóruns e sites, mas ainda assim você existe ali. Mas claro, esses seriam casos bem a parte do padrão, pois nós tendemos a buscar por outras pessoas para conversar sobre coisas que gostamos. Mesmo quem não gosta de ir nos locais mais movimentados da internet, sem dúvidas tem seu próprio núcleo de amigos que conversam e compartilham opiniões todos os dias. Até eu me incluo nisso, mas...
    A história que quero contar hoje é sobre como mesmo tendo mais de um núcleo de amigos na internet, ainda existe uma certa barreira invisível que nos coloca em espaços diferentes.

    Imagine que em um certo local, várias pessoas (Seus amigos) se divertem juntas, compartilham experiências em comum que tiveram e até mesmo discutem, enquanto você os observa de longe enquanto se ocupa com algo que você gosta, mas que ninguém compartilha do mesmo interesse.
    Não existe a exclusão nem o sentimento de estar isolado, muito menos há desavenças ou preconceitos com o que você gosta, mas ainda assim é algo que te faz refletir. Sobre o quão interessante podem ser as conversas e discussões dos seus amigos, e sobre como todas as suas experiências, ideias e opiniões acabam tendo que ficar só para você mesmo, pois não tem ninguém para te ouvir.
    Isso é algo que vivencio constantemente dentro da comunidade de animes, dentro dos meus grupos de amigos. Houve um tempo que eu acompanhava vários animes de temporada e batia papo sobre eles com meus amigos em fóruns ou até grupo de WhatsApp, mas com o passar do tempo eu fui assistindo menos e menos animes por ano, até chegar em um ponto (Esse ano de 2018, no caso) onde em todo ano eu talvez não terminarei nem 5 animes de temporada, quem dirá 10, 20, 30 ou até mais que isso.
    Só posso observar de longe, amigos discutindo o assunto do momento ou falando sobre as repercussões disso ou daquilo.

    A comunidade de animes não é especificadamente sobre animes, é super comum falar sobre mangás, e mesmo alguém que só lê mangás ainda pode participar de várias conversas sem ser um "extra" no próprio espaço onde deveria estar incluído. Porém, no meu caso, minhas mídias favoritas e as que mais consumo são Light Novels e Visual Novels. Ambas são não só escolhas muito impopulares, mas também muito mais improváveis das pessoas consumi-las com frequência. Meu maior foco de conhecimento ser essas duas mídias significa que não tem com quem falar sobre, suas experiências, seus conhecimentos, suas opiniões, tudo acaba se tornando irrelevante diante de um grupo que provavelmente nem sequer quer ler/ouvir o que você tem a dizer sobre uma mídia que não os interessa, quem dirá dar importância. Logo, acaba sendo melhor você guardar para si e não falar nada.

    Em um grupo de WhatsApp que eu participava bastante, eu acabei ficando cada vez menos presente conforme fui focando mais no que eu realmente gostava (LN e VN), pois sabia que falar sobre o que eu achei de LN X ou VN Y para meus amigos seriam comentários ignorados, como se não existissem, que foi o que aconteceu nas minhas tentativas. Mas não é algo feito por maldade, é simplesmente natural você não dar bola para o que não te interessa. No entanto, isso acaba se tornando numa contradição, são seus amigos então obviamente te querem ali, participando, mas ao mesmo tempo não querem saber sobre o que você gosta, basicamente anulando quase tudo o que você teria para falar de interessante.
    A única solução para essa situação seria começar do zero, em um grupo de pessoas que partilham dos seus interesses, eventualmente deixando seus outros grupos de amigo de lado simplesmente por não ter muito o que falar sobre lá. Mas por enquanto não considero essa opção (Apesar do que falei do grupo do WhatsApp, então nunca se sabe).

    Eu gostaria de não sentir essa barreira invisível, porém, suas experiências na internet são mais limitadas, e em um grupo de pessoas que gostam de uma mesma coisa evidentemente terá essa coisa como foco na maioria das vezes, te forçando a esperar por uma oportunidade ideal para interagir.
    Lidar com isso me fez tentar dar mais atenção quando vejo alguém "falando sozinho" em um grupo fechado, mostrar que, mesmo que não seja o bastante, eu ao menos estou dando importância ao que a pessoa fala e levando em consideração. O mínimo que posso fazer é mostrar que a opinião da pessoa é relevante, mas muitas vezes mesmo sem nenhum embasamento para falar no assunto, eu ainda tento puxar conversa e deixar a pessoa falar à vontade sobre o que ela quer falar sobre. É um trabalho a mais que eu me permito ter, para que a pessoa não sinta essa barreira invisível, eu a incentivo a continuar fazendo o que ela quer fazer enquanto mostro apreço a isso.

    A lição que eu aprendi, e que gostaria que levassem em conta com essa história é: Tentem olhar um pouco mais para as pessoas ao seu redor, e um pouco menos para si mesmo. Como um grupo, talvez isso ajude a criar uma proximidade que normalmente não teria com outra pessoa, e quem sabe você não se abre um pouco para experienciar algo que você normalmente ignoraria? Amigos meus já fizeram isso ao darem atenção a comentários meus sobre coisas que normalmente todo mundo ignoraria, indo atrás de algo que talvez jamais iriam. Sou muito grato a eles por isso, e acredito ser o tipo de relação que vale a pena ter, pois certamente a sua ligação com tais amigos se tornará mais palpável dessa forma. Saraba Da!
  • Majo no Tabitabi - Durante a Jornada: O Conto do Homem Musculoso na Busca Por Sua Irmã (Volume 1 - Capítulo 3)

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    Capítulo 3 - Durante a Jornada: O Conto Do Homem Musculoso Na Busca Por Sua Irmã 

    Parte 1
    Tem um atalho por esse caminho.

    Havia uma placa que indicava isso colocada aqui, então eu humildemente segui o caminho. A estrada era estreita----Ou melhor ainda, não era algo que poderia ser chamado de estrada, mas mais algo como uma trilha de animais onde eu sequer conseguia usar a vassoura. Era impossível voar, então eu continuei avançando enquanto me curvava forçadamente.

    Nada poderia ser feito, então eu continuei caminhando enquanto empurrava a grama para fora do meu caminho na rua sem rastros que ão possuía nenhum pavimento.

    Da grama que estava molhada com o orvalho da manhã, as gotículas se espalharam ao entrarem em contato comigo. A borda da minha roupa já estava molhada e começava a ficar mais pesada.

    Esse é um atalho quando andando a pé, mas se eu pudesse usar minha vassoura, eu poderia facilmente pegar um desvio. Mas que droga.

    Falando nisso.

    Que tipo de país irá o próximo ser?

    Já que possui uma estrada tão incivilizada levando até ele, eu acho que provavelmente não deve ser muito popular com comércio.

    Em suma, pode acabar sendo um país tão incivilizado quanto essa floresta. Não, esse é apenas o meu palpite no fim das contas.

    ...........Hmm, de alguma forma, eu perdi a vontade de continuar adiante do nada.

    Deveria eu retornar? Bem, isso foi só uma piada.

    Com tais reclamações flutuando em minha mente como o vento, eu continuei caminhando por algum tempo. Após continuar indo pela floresta com um cenário imutável, finalmente uma mudança apareceu.

    "........Oh, uou."

    Uma árvore havia sido derrubada. Uma árvore gigante de centenas de anos de idade estava caída do lado dela.

    E, não só uma, mas incontáveis delas.

    Uhh. Muito problemático.

    Mas, não é como se eu não pudesse continuar a avançar. Eu escalei e subi na árvore caída.

    Eu caminhei com ambos os braços abertos como se estivesse andando em uma corda, então avistei alguma coisa preta rastejando nas sombras da floresta.

    Eh, urso?


    Parte 2
    Que pena. Era um humano.

    Pior ainda, era um gigante com músculos protuberantes. Muito assustador.

    "Todas as árvores dessa floresta foram derrubadas pelas minhas mãos. O que você acha, é maneiro, certo?"

    Humph - Ele tomou uma pose para mostrar seus músculos. Ele derrubou as árvores só com os seus músculos? Não estou interessada nisso, mas de qualquer forma, já deu desse assunto.

    "Seria você talvez do país adiante?"

    Enquanto ele posava sem nenhuma razão para tal, ele disse "Está certa. Eu sou um nativo daquele país. Como você sabia? Conseguiu descobrir através desses músculos?"

    "Eh? Não me diga que todos os caras do país são pessoas musculosas como você?"

    Eu dei um passo para trás.

    "Não. Não é bem assim. Pelo contrário, naquele país, há uma escassez de músculo."

    "O que você está querendo dizer com isso?"

    "Ao invés disso, esses músculos, o que você acha sobre eles?"

    Entendo, comunicação entre as duas partes não pode ser alcançada.

    Eu decidi ir na dele.

    "Ah---Eles são músculos incríveis~. Posso tocá-los?"

    "Vá em frente, vá em frente. Veja!"

    O homem gigante exibiu seu braço dobrado para mim.

    Eu não sabia qual seria a sensação então eu cutuquei ele com um dedo.

    "Uwaa, impressionante."

    Era rígido como uma pedra.

    ".........."

    "Umm, por que você está ficando vermelho?"

    "......Desculpe. É a primeira vez que uma garota me tocou com exceção da minha irmã mais nova......"

    Daquele diálogo, aparentemente está tudo bem ser tocado pela irmã mais nova? É isso? Qual é a desse raciocínio de merda. Apenas morra.

    Jogando fora meus pensamentos sombrios, eu disse.

    "A propósito, o que você está fazendo em um lugar como esse? Está trabalhando?

    "Não, eu estava no meio de um treinamento agora."

    Então, ele começou a falar.

    Sobre a sua irmã que foi raptada por pessoas estranhas no outro dia. Que, por ele estar ausente, ele foi incapaz de salvar ela.

    Sobre ouvir que os sequestradores da sua irmã eram um monte de musculosos de acordo com testemunhas. E a fim de derrotar essas pessoas musculosas, ele começou a treinar, em outras palavras, derrubar as árvores.

    ..........Ao mesmo tempo, trabalhando meio-período como um lenhador para ganhar dinheiro.

    ".......No fim das contas, não seria isso estar trabalhando?"

    "O que você está dizendo. Eu disse que não é apenas pelo dinheiro. Eu tenho que acumular muito mais músculos."

    Daquela atitude com uma casualidade áspera, eu tive um sentimento de leve desconforto.

    "E sobre o verdadeiro objetivo de salvar sua irmã mais nova?"

    "Isso é algo que eu farei algum dia. Meus músculos ainda não são o suficiente para derrotar os musculosos sequestradores da minha irmã."

    Não, você já transcendeu humanos, então por favor vá e salve sua irmã mais nova de uma vez.

    ......Se eu dissesse isso, eu acho que eu compartilharia o mesmo destino daquela árvore caída. Pensando nisso, eu assenti exageradamente.

    Então ele continuou:

    "Mas primeiro, eu preciso derrotar o urso---Um chefe dessa floresta. Esse é o primeiro objetivo."

    "Urso, você diz?........"

    "Sim. Aquele sujeito é terrível. E é capaz de capturar peixes de mãos vazias no rio. Eu não consigo fazer esse tipo de coisa."

    "Haa......."

    "Depois irá ser o duelo com aquele esquisitão no sertão da floresta que carrega um machado nos ombros. Aquele esquisito consegue derrotar o urso que é o chefe dessa floresta na luta livre. É uma pessoa temível."

    "Haa........"

    Se ele perde na luta livre, então aquele urso não iria mais ser o chefe dessa floresta, iria?

    "Então após isso----"

    Após aquilo, eu continuei ouvindo sobre os planos dele por uma hora, sem sequer uma única palavra sobre sua irmã mais nova. Me pergunto se ele realmente planeja em algum momento ir salvar a irmã mais nova dele?

    Me pergunto se o cérebro dele foi poluído por músculos de tanto treinar excessivamente a si mesmo? Ele parece ter esquecido sobre o seu objetivo real.

    Pior, ele coloca a prioridade do seu objetivo real baixa demais.

    Quando irá ele se lembrar sobre o seu verdadeiro objetivo e ir salvar sua irmã mais nova, eu me pergunto?

    Bem, essa história é algo que não tem nenhuma relação comigo.
  • Relatório de PdA #02 - Temporada de Verão/2018

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    Mais um Relatório de Produção de Animes saindo do forno, dessa vez da temporada passada, a temporada de verão de 2018. Caso não saiba o que é o Relatório de PdA, acesse esse post.

    Temporada de Verão de 2018

    Animes para a TV: 

    Baseado em Mangá: 25
    Baseado em Light Novel: 5
    Baseado em Novel: 3
    Baseado em Visual Novel: 1
    Baseado em Jogo: 7
    Animes Originais: 10

    Filmes:

    Baseado em Mangá: 6
    Baseado em Light Novel: 0
    Baseado em Novel: 4
    Baseado em Visual Novel: 0
    Baseado em Jogos: 1
    Animes Originais: 13

    OVAs/ONAs/Especiais:

    Baseado em Mangá: 21
    Baseado em Light Novel: 4
    Baseado em Novel: 3
    Baseado em Visual Novel: 2
    Baseado em Jogos: 5
    Animes Originais: 11


  • Chousen #03 - Batendo de frente com gêneros!

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    Finalmente voltando ao quadro de desafios, dessa vez vos trago um desafio mais simples, porém mais exigente ao mesmo tempo.
    O desafio da vez é: Encarar de frente uma obra de um gênero que você não está acostumado, ou melhor ainda, um gênero que você não gosta!

    Muitos são taxados de masoquistas ou de haters por acompanharem obras de gêneros que não gostam e existe uma certa lógica por trás desse pensamento já que muita gente realmente parece se encaixar em uma das duas categorias pelo seu jeito de pensar e agir, enquanto constantemente continua insistindo em obras de gêneros que não gosta. No entanto, isso não se encaixa em todo mundo, e existe uma razão muito mais nobre para você acompanhar uma obra de um gênero que te deixa desconfortável... Se chama abrir a mente, sair da bolha, expandir os horizontes, entre outros sinônimos.
    Quando você assiste/lê/joga algo de um gênero que você não gosta com a real intenção de dar uma chance para a obra tentar te surpreender, você está permitindo seu intelecto a ir além. Mas claro, isso só funciona de verdade quando você não vai atrás da obra com a intenção de apedrejá-la. Dito isso, vamos ao desafio!

    As regras são simples:

    • Ache uma obra, do gênero que você não curte, que consiga te despertar alguma curiosidade e dê uma chance para ela. 
    • A obra pode ser de qualquer mídia, já que o importante não é se ela é um anime ou não. 
    • Ela pode ter qualquer duração, pode ser um mangá curtinho, ou um anime de uma ou duas OVAs, tal como pode ser uma obra mais longa, fica a seu critério. 
    • Não se force a empurrar a obra com a barriga caso não esteja gostando! O importante é a boa intenção de dar uma chance e não terminá-la.
    • Por fim, conte suas experiências nos comentários abaixo!


    No meu caso, recentemente eu peguei duas obras para ler de gêneros que eu não sou muito fã, no caso Horror/Gore, e que eu não sou acostumado, Dementia (Nesse caso só uma das obras). Uma das obras era um mangá, que eu já terminei, já a outra é uma Visual Novel, que ainda estou jogando.

    Boku Mushi (1989-1966) foi o mangá que escolhi ler, com 16 capítulos, o mangá é uma coleção de 16 trabalhos do autor Nishioda Kyoudai. A princípio achei o mangá super bizarro, mas depois comecei a perceber que ele era bem mais do que parecia, apenas bastante ambíguo e abstrato... Embora continue super bizarro. É um bom mangá com ideias interessantes, e que te deixa sem saber o que pensar devido o estilo único do autor de se expressar através da arte. Foi uma experiência deveras interessante.

    Kara no Shoujo (2008) é uma visual novel de mistério investigativo policial onde é preciso solucionar um caso macabro de assassinatos grotescos que parecem conter algum tipo de mensagem ou enigma por trás da forma que os corpos são deixados. Algo parecido com Psycho-Pass. Kara no Shoujo é uma visual novel, logo, evidentemente sua liberdade (Leia este post caso não saiba do que estou falando) para fazer o que bem entende torna a obra bem pesada para alguém que não gosta de gore. Temos o ponto de vista detalhado do assassino, que com a atmosfera e escrita bem feitas conseguem te deixar desconfortável em alguns momentos. Eu definitivamente não curto obras grotescas, mas os demais aspectos da VN são bem interessantes e deixam a experiência muito menos desastrosa do que eu inicialmente esperava. Eu ainda não a terminei, então não posso realmente afirmar com certeza como vai ser até o fim.


    Uma das ideias desse desafio é tentar, mesmo que um pouco, mostrar para vocês que gênero é menos importante do que muitos acham que é. Gêneros são como um guia para certos tipos de obras, porém eles jamais dizem nada sobre a história, personagens, desenvolvimento, construção e todos os outros aspectos que podem estar ricos de qualidades, mesmo em um gênero que você não goste. Existem obras boas e ruins em todos os gêneros, mas o que as pessoas destacam nem sempre vai ser o que tem de bom, por isso é necessário sair da sua zona de conforto e procurar algo que pareça valer a pena dar uma chance e tentar. Ninguém aqui é vidente, só saberemos o que é ou não é quando dermos uma chance.
    Mas eu entendo quem não quer perder tempo apostando em uma possibilidade quando se pode ficar na sua certeza, e é justamente por isso que esse não é um post casual, mas sim um post de desafio! Então aqui está, desafio vocês a tentarem dar uma chance para uma obra de algum gênero que não goste e contar como foi a experiência! Se for ruim, paciência, mas não desista. Se for bom, ótimo, você provavelmente ficou um pouco mais leniente. Torcerei para que seja o segundo caso, boa sorte e Saraba Da!
  • Guia para Mahou Shoujo Lyrical Nanoha (Franquia) - Informações, dicas e curiosidades.

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    Nanoha é tanto a minha obra, quanto a minha franquia favorita, tanto que eu conheci minha segunda obra favorita sem saber que ela havia sido inspirada por Nanoha. Então refletindo sobre como vira e mexe alguém me pergunta sobre a franquia, eu pensei "Por que não fazer um post de "utilidade pública" para compartilhar sempre que alguém tiver dúvidas?". Eis que chegamos aqui.


    Introdução:
    Mahou Shoujo Lyrical Nanoha é um popular anime de garotas mágicas (No Japão, ao menos) que teve sua estreia em 2004, pelo estúdio Seven Arcs. A obra é um spin-off de uma Visual Novel chamada Triangle Heart 3, que teve uma adaptação em anime em 2003. A franquia continua a produzir conteúdos variados até hoje, seja em formato de anime, mangás e etc. Atualmente em animações a franquia conta com 5 séries de TV e 4 filmes. Existem diversos mangás, dois deles sendo parte da franquia principal, alguns deles sendo complemento para as temporadas de anime e outros sendo spin-offs. Há também uma LN que é uma adaptação da primeira temporada, diversos CD drama com um que também faz parte da trama principal, alguns jogos e outros materiais extras.

    Segue os títulos e ano de lançamento das animações de Nanoha:

    - Mahou Shoujo Lyrical Nanoha (2004)
    - Mahou Shoujo Lyrical Nanoha A's (2005)
    - Mahou Shoujo Lyrical Nanoha StrikerS (2007)
    - Mahou Shoujo Lyrical Nanoha ViVid (2015) 
    - ViVid Strike! (2016)

    Além disso, segue os filmes também:

    - Mahou Shoujo Lyrical Nanoha: The Movie 1st (2010)
    - Mahou Shoujo Lyrical Nanoha: The Movie 2nd (2012)
    - Mahou Shoujo Lyrical Nanoha Reflection (2017)
    - Mahou Shoujo Lyrical Nanoha Detonation (2018)

    Por onde começar?
    Pode parecer surpreendente, mas muitos não sabem muito bem por onde começar a franquia, e isso se dá a uma miríade de motivos. O primeiro deles é que tanto o StrikerS quanto o ViVid conseguem funcionar isoladamente, mesmo sendo continuações. Muitos começam por uma das duas e conseguem não ficar perdidos na história nem nada do tipo. No entanto, eu pessoalmente não recomendo fazer dessa forma, muitas referências e muito desenvolvimento acaba se perdendo, mesmo que a história seja compreensível, o ideal mesmo é começar do começo. O segundo deles é que ViVid Strike! foi divulgado como uma obra alheia a franquia de Nanoha (Por isso tiraram o 'Mahou Shoujo Lyrical Nanoha' do título), mesmo pertencendo ao mesmo universo, o que fez muitas pessoas começarem por ele só para descobrirem depois o tanto de conteúdo que já existia previamente. Por fim e não menos importante, temos os dois primeiros filmes, que são remakes das duas primeiras temporadas, o que levanta a clássica questão do "assistir o original ou assistir o remake?".
    Meu conselho pessoal é que você comece pelo real começo da franquia, seja o anime de 2004 ou o filme de 2010, mesmo que pareça trabalhoso tudo que você vai ter que assistir, para uma experiência mais completa essa é a melhor opção.

    Em que ordem assistir?
    Dito isso, agora é necessário entrar um pouco na cronologia do universo da obra.
    As séries de TV e os filmes olhando separadamente parecem seguir cada um uma cronologia diferente, por isso pode ser um pouco confuso quando assistir o quê quando se mistura tudo, mas é mais fácil ter uma ideia com as duas listas acima pois cronologicamente é exatamente do jeito que está ali.
    Porém, para ter uma noção melhor, é importante ter em mente que os filmes Reflection (2017) e Detonation (2018) se passam após o A's (2005/2012) e antes do StrikerS (2007). Não é nenhum escolha narrativa que os filmes mais recentes se passem antes de uma temporada que saiu há mais de 10 anos atrás, então se assim for sua vontade, pode assistir ambos os dois filmes após assistir o A's.
    O que me parece é que os produtores estão seguindo uma ordem cronológica especifica só para os filmes, então pode vir a ser que tenha um remake do StrikerS futuramente.

    As duas primeiras temporadas possuem remakes em filmes, então você assiste o que preferir, pode até assistir as duas versões se quiser, mas se me permite dar a minha visão pessoal como um grande fã da franquia, vejamos... Eu acho o primeiro filme melhor que a primeira temporada, na primeira temporada tinha muita coisa que não acrescentava muito na história, o que chamariam de "pseudo-filler", o primeiro filme não só resumiu muito bem a história sem deixar nada se perder, como acrescentou muito mais na construção de alguns personagens expandindo suas backstories e outras cenas a mais. Se fosse para escolher um dos dois, eu escolheria o filme.

    Em relação a segunda temporada e segundo remake, a situação ironicamente é o contrário, o anime de A's é bem mais completo, e com a adição de um novo grupo de personagens na história, a quantidade de episódios acabou sendo uma boa oportunidade para desenvolvê-los melhor. O filme remake, tendo metade da duração do anime, acaba sendo mais corrido e tendo que cortar muitas coisas relevantes que haviam na versão para TV. No entanto, o filme ainda consegue fazer seu melhor e ser ótimo por conta própria, os defeitos mencionados só são mais visíveis caso tenha visto as duas versões, caso contrário provavelmente você irá aproveitar muito bem o filme, e não acharia estranho preferirem o filme ao invés da versão em anime, pois ele de fato é muito bom.
    Desnecessário dizer, os dois filmes remakes são produções muito mais ambiciosas, por isso tem uma qualidade visual incrível e caso tenha problemas com animações mais antigas, eles serão mais do que um prato cheio.

    Apesar de ser uma sequel, Mahou Shoujo Lyrical Nanoha ViVid também pode ser considerada uma obra "side story" da obra principal, pois ela segue um caminho próprio em relação não só ao universo da obra, mas seus personagens também (Embora ainda esteja tudo lá, vale dizer). Então embora possa ser incluída na cronologia da franquia, ela não necessariamente precisa ser incluída na cronologia de "Nanoha". Basicamente o que quero dizer é que se a série de Nanoha fosse definida em uma linha que está constantemente avançando em cada temporada ou filme, a Nanoha ViVid seria uma linha paralela a essa, cujo seu início seria em meados do anime do StrikerS.
    O anime de Nanoha ViVid, diferente de todo o resto das animações, é uma adaptação de mangá. Como tal, o anime acaba por não adaptar o mangá completamente (Agora encerrado com 104 capítulos).
    O anime de ViVid Strike! se passa um ano após o final do mangá de Nanoha ViVid, por isso, a não ser que lancem uma segunda temporada dele ou adaptem o mangá de Nanoha Force (O que é quase impossível), essa será sempre a última parte dos animes da franquia cronologicamente.

    Com isso fora do caminho, podemos listar duas ordens distintas para as animações:
    Lançamento: Nanoha (Série de TV ou o filme) > Nanoha A's (Série de TV ou o filme) > Nanoha StrikerS > Nanoha ViVid > ViVid Strike! > Nanoha Reflection > Nanoha Detonation

    Cronológica: Nanoha (Série de TV ou o filme) > Nanoha A's (Série de TV ou o filme) > Nanoha Reflection > Nanoha Detonation > Nanoha StrikerS > Nanoha ViVid > ViVid Strike!

    Obras canônicas sem ser os animes
    Nanoha gerou diversos materiais em mídias diferentes, embora muitas não sejam relevantes acompanhar para ter uma noção mais ampla das coisas (É possível acompanhar só os animes sem muitas preocupações), ainda existem alguns materiais bem importantes e alguns extras bem legais para se ver. Aqui vou listá-los.

    Nanoha Sound Stage 02 - Drama CD que se passa 2 anos antes do início da obra, pode ser escutado após o primeiro anime ou após o quinto episódio do mesmo. Serve como um bom extra.

    Mahou Shoujo Lyrical Nanoha A's - Mangá que se passa antes, durante e depois da segunda temporada/filme da obra, pode ser lido após assistir o anime/filme. Serve como um bom extra.

    Mahou Shoujo Lyrical Nanoha StrikerS THE COMICS - Mangá que se passa antes, durante e depois da terceira temporada, pode ser lido após assisti-la. Serve como um bom extra.

    StrikerS Sound Stage X - Drama CD que se passa 3 anos após o StrikerS. É uma prequel muito importante para Nanoha ViVid e até para o universo da obra como um todo, como tal, é um material bem importante e se possível, recomendo ouvir o CD.

    Mahou Shoujo Lyrical Nanoha ViVid (Mangá) - Uma vez que o anime é uma adaptação incompleta (Adaptou aproximadamente 30 capítulos), eu recomendo bastante lerem o mangá, ele já está completo, e embora a tradução ainda não tenha chegado no fim da obra, eles estão bem próximos.

    Mahou Senki Lyrical Nanoha Force - Mangá que se passa 5-6 anos após o StrikerS. É uma continuação direta, no entanto, está em hiato desde 2013 sem previsão para voltar.

    ORIGINAL CHRONICLE Mahou Shoujo Lyrical Nanoha The 1st - Mangá que foi feito como um complemento especificadamente para o primeiro filme. Ainda não foi traduzido até o dia que esse post foi ao ar.

    Reflection Drama CD - Nome auto-explanatório. Prequel do filme Reflection focado no dia a dia das personagens. Opcional.

    Mahou Shoujo Lyrical Nanoha Reflection THE COMICS - Mangá suplementar do filme Reflection, ainda em publicação. Um extra até que relativamente importante para cobrir alguns pontos que o filme não teve tempo de cobrir.

    Fora os mencionados, a maioria dos Drama CDs (São muitos) trazem alguns extras, para fãs pode ser um prato cheio, mas também nada que você precise se preocupar caso apenas goste da série.

    Outros materiais
    Tirando tudo já mencionado, a franquia também conta com um bom número de obras extras, sendo elas:

    Mahou Shoujo Lyrical Nanoha (Novel) - Uma novel de volume único lançada em 2005 como uma versão suplementar da primeira temporada. Tudo segue basicamente da mesma forma que o anime de 2004, porém a novel oferece vários detalhes e informações extras.

    Mahou Shoujo Lyrical Nanoha INNOCENT - Jogo de celular que fechou os servidores no início desse ano. O jogo recebeu duas adaptações em mangá, sendo a primeira com o mesmo nome, e a segunda com um S no final, INNOCENTS. Além disso, também teve um mangá paródia chamado Mahou Shoujo Lyrical Nanoha Material Girls: INNOCENT. Mesmo sem o jogo, o mangá pode ser lido separadamente, é um mangá que se passa em um universo paralelo da obra e conta com grande parte dos personagens da franquia, logo, é recomendável ler ele apenas após assistir todas as temporadas (Com exceção do ViVid Strike!).

    Mahou Shoujo Lyrical Nanoha A's Portable - A franquia teve dois jogos de PSP, chamados de A's Portable. Como o nome indica, é um universo paralelo a segunda temporada do anime, ou o segundo filme. O primeiro jogo se chama The Battle of Aces e a sua continuação se chama The Gears of Destiny. Os jogos ganharam um mangá 4-koma de comédia intitulado Mahou Shoujo Lyrical Nanoha A's Portable: The Gears of Destiny: Material Girls.
    Apesar dos jogos contarem com personagens de praticamente todas as instâncias da franquia (Incluindo Nanoha ViVid e Nanoha Force), tecnicamente pode jogá-lo quando quiser.

    Mahou Shoujo Lyrical NANOHA MOVIE 1st THE COMICS - Um mangá que funciona como uma versão alternativa do primeiro filme, com algumas alterações na história e nos personagens. Basicamente só lê se quiser mesmo, já que é desnecessário.

    Além disso, a franquia também conta com alguns outros mangás curtos puramente focados no slice of life e/ou comédia, ou antologias.

    Curiosidades
    - A primeira temporada de Nanoha foi dirigida pelo famoso diretor atualmente da Shaft Akiyuki Shinbo (Monogatari, Madoka).

    - Nanoha oficialmente tem um curto mangá crossover de dois capítulos com Fate/Stay Night e Fate/Kaleid.

    - Além disso, existe um popular mangá doujinshi de ação entre Madoka e Nanoha que ainda está em andamento.

    - O criador de Nanoha, Masaki Tsuzuki, também é o escritor de Triangle Heart. Ele trabalhava no cenário de Visual Novels até o estouro de popularidade de Nanoha. A única outra obra que ele trabalhou fora Nanoha foi Dog Days.

    - Todas as obras citadas neste guia foram escritas por Masaki Tsuzuki. Tanto os animes quanto os mangás, jogos ou novel. Talvez por isso ele não trabalhe em praticamente nenhuma obra diferente.

    - Os filmes Reflection e Detonation usam as personagens que eram originalmente dos dois jogos de PSP, The Battle of Aces e The Gears of Destiny, embora a história dos filmes seja completamente diferente da dos jogos. Dessa forma, o autor tornou canônico tais personagens que antes só existiam nos jogos.

    - Falando nos filmes Reflection e Detonation, como é possível deduzir, eles formam um arco único. Sendo assim, Reflection e Detonation contam uma única história separada em dois filmes de 2 horas, o que daria mais ou menos um anime de 12 episódios.

    - Alguns dos novos designs das protagonistas nos filmes Reflection e Detonation usam um design bastante similar ao do mangá de Nanoha Force, atualmente em hiato.

    - O anime de Nanoha ViVid teve problemas de produção durante o seu lançamento, resultando em muitas falhas de animação, algumas bem graves. O BD do anime só saiu finalmente um ano e meio depois da sua exibição na TV. A animação nos BDs está muito melhor, muitos erros corrigidos, cenários melhorados e uma produção muito mais agradável de se assistir, por isso lembrem-se de assistir os Blu-Rays de Nanoha ViVid ao invés da versão para TV.

    - Nanoha é uma franquia que gosta de se reinventar. Então embora mantenha sua essência, não é incomum haver grandes mudanças no estilo, estrutura, ou mesmo nos gêneros da obra entre uma temporada e outra. Motivo pelo qual deixa muitos fãs insatisfeitos.

    - Os dois primeiros filmes, remakes das duas primeiras temporadas, são considerados por Masaki Tsuzuki como filmagens educacionais na timeline original de Nanoha, que são usadas com o propósito de treinamento para diversos magos. Sendo assim, ambas as versões são válidas dentro do mesmo universo de certa forma.

    - A franquia tem espaço de sobra para novas obras, independente da mídia, pois dentro do vasto universo que possuí, ainda existe muita coisa que é possível explorar seja no passado, presente ou futuro.

    - Nanoha completará 15 anos de existência em 2019. Como complemento da curiosidade anterior, é possível (Ao menos eu torço para que aconteça) que anunciem um novo projeto para a franquia, visto que com o lançamento dos dois filmes, Reflection e Detonation, o fim do mangá de ViVid e o hiato do Force, a franquia atualmente não tem nenhum título de peso em produção.



    Conclusão
    Apesar de todo o trabalho, montar esse guia para minha obra favorita foi bem satisfatório. Nanoha é um universo que eu acredito valer bastante a pena mergulhar. Uma franquia apreciada e que serviu de influência para muitos na industria, de mahou shoujos darks a industria já estava cheia desde antes de Nanoha, mas posso dizer com certeza que foi um dos grandes responsáveis a mostrar que mahou shoujos podem sim serem apreciados tanto por garotas quanto por garotos... Bom, ao menos na sua época, felizmente hoje em dia essa é uma visão cada vez menos popular.

    Como uma forma de mostrar meu apreço pelo que a franquia me proporcionou (E ainda proporciona), deixo aqui este guia para qualquer um que estiver com alguma dúvida ou quiser saber mais sobre a mesma (OBS: É possível que eu acrescente mais coisas caso lembre de algo ou coisas novas apareçam). Saraba Da!
  • Majo no Tabitabi - Ela que é amável como uma flor (Volume 1 - Capítulo 2)

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    Capítulo 2 - Ela Que É Amável Como Uma Flor

    Parte 1
    Estava no meio de uma estação que não podia ser chamado nem de primavera, nem de verão.

    Cortando através da atmosfera gelada e seca, eu estava voando dentro da floresta cujo as folhas eram largas e extensas. Essa floresta parece ser bem vasta, uma vez que eu não consigo ver o fim não importa quanto tempo passe.

    Para evitar as árvores que bloqueiam o caminho em uma rua muito estreita, eu desloco minha vassoura para ambas as direções enquanto ruidosamente fricciono contra os galhos.

    Após isso, eu vi o céu. Essa floresta era tão cheia de árvores que eu meramente vi algo deslumbrante do lado oposto da vegetação.

    ".....Oops."

    Enquanto olhava para cima, meu chapéu foi arremessado para longe por um galho de árvore.

    Depois de parar, retornar, e recuperá-lo, eu mais uma vez recomecei o meu avanço.

    Se é tão difícil de voar nessa floresta, teria sido melhor voar sobre ela----Mas infelizmente, agora é tarde demais.

    Eu já cheguei longe assim, e retornar me tomaria tempo demais. Se eu tentasse forçadamente voar por cima daqui, então eu tenho a sensação de que dessa vez, meu chapéu não será a única coisa que vai acabar danificada.

    Eu sinto como se eu estivesse em uma situação um pouco complicada.

    De quem é a culpa, você pergunta? Bem, é inteiramente minha culpa, e daí?

    Ao mesmo tempo em que tais reclamações direcionadas a ninguém em particular passavam pela minha mente, eu continuei voando.

    Eu não sei o quanto demorou até o caminho finalmente se abrir.

    "Uou......"

    Eu deixei minha admiração escapar sem nem pensar.

    O que eu vi lá era um jardim de flores.

    Eu estava voando acima do jardim.

    Haviam flores vermelhas, azuis e amarelas espalhadas ao longo da terra. Todas elas estavam vividamente esticadas, viradas para o sol. O vento gerado pelo movimento da vassoura atingia o meu rosto e me banhava com pétalas junto com uma fragrância revigorante.

    Boas fragrâncias que tocavam o fundo do meu coração subiram junto com as flores distintamente coloridas. Segurando meu chapéu para não ser roubado pelo vento, eu diminui a velocidade da minha vassoura.

    Lá, bem no meio da floresta, estava outro mundo.

    Eu estava completamente cativada por aquela vista.

    "........Oh."

    No meio das flores----Eu vi a silhueta de uma pessoa misturada nas cores brilhantes.

    Estaria essa pessoa cuidando deste jardim de flores? Eu apontei minha vassoura na direção dela.

    "Um, com licença."

    Ao que eu chamei de cima da vassoura, aquela pessoa virou a cabeça enquanto sentada. Era uma bonita garota que parecia ser mais ou menos da minha idade.

    "Ara, olá."

    "Olá, você está cuidando desse jardim de flores?"

    Ela balançou sua cabeça.

    "Não, eu não sou a zeladora desse jardim de flores. Eu estou aqui simplesmente porque amo flores."

    "Você não é a zeladora....? Então, todas essas flores floresceram aqui por conta própria?"

    "Sim. Foi isso que aconteceu."

    Então é assim? Eu pensei.

    Eu achava que algo como um jardim de flores só poderia ser feito através do esforço humano. Mas novamente, as flores estavam na Terra antes dos humanos, então não é como se elas não fossem existir sem interferência humana.

    Mas, como pode um cenário tão magnifico existir só pelo poder da natureza, sem assistência dos humanos?

    Impressionante.

    "Você é uma Bruxa?"

    Inclinando sua cabeça, ela perguntou enquanto olhava para o meu peito.

    "Sim. Eu estou viajando."

    "Isso é tão incrível---Ah, certo, nesse caso~ Eu tenho um favor para pedir."

    "Se for algo que está ao meu alcance."

    Com isso, ela arrancou algumas flores, enrolou elas com a sua jaqueta, e presenteou elas a mim.

    Era um buquê feito na hora.

    "Se não tiver problemas para você, eu gostaria que você entregasse essas flores para o país que está logo adiante daqui."

    "Está tudo bem dar elas para qualquer um?"

    Eu inclinei minha cabeça em perplexidade enquanto eu aceitava o buquê.

    "Qualquer um serve. Presentear elas para as pessoas é considerado um ato belo e é importante."

    Em outras palavras, ela quer espalhar a palavra sobre esse jardim de flores.

    Eu sinto como se eu pudesse entender os sentimentos dela de querer mostrar esse lindo cenário para todo mundo.

    "Então em outras palavras, você quer que eu seja a publicitária desse jardim de flores, eh?"

    "Você não quer?"

    "Não, sem problemas."

    Ao invés disso, o prazer seria todo meu----Ao mesmo tempo que respondi, ela pareceu aliviada do fundo do seu coração, e respondeu "Fico contente." enquanto mostrava um sorriso.

    Após aquilo, nós nos envolvemos em conversas leves por um curto período. Sobre países que eu havia visitado até agora, e sobre flores que ela mais gostava. Se eu não estiver enganada, nós conversamos sobre tópicos como esses.

    Então, depois nós gastamos muito tempo aproveitando o momento:

    "Pois bem, eu preciso me apressar agora---Eu irei entregar as flores para alguém no próximo país."

    "Por favor faça, viajante-san."

    Ela sorriu e acenou.

    ".........."

    Subitamente, eu tive um sentimento de desconforto. "Você não vai deixar este lugar?"

    "Exatamente. Não há nada de ruim em estar nesse jardim de flores. Em breve, o dia irá acabar apenas me divertindo com as flores. Eu fico feliz só de me banhar na luz do sol. Isso é nada mais que adorável, não acha?"

    Ela disso isso com uma voz convicta. Enquanto continuava sentada.


    Parte 2
    "Pare, garotinha. Ei, eu disse para você parar, não disse?"

    Após viajar por mais algumas horas na minha vassoura daquele jardim de flores, eu, que chegou ao portão de um certo país, fui cumprimentada por um guarda-san de roupas pretas com um tom de voz nervoso.

    Tendo uma atitude tão opressiva com um estranho, e pior ainda me chamando de garotinha. Embora não tenha tido nenhuma pessoa que me deu uma boa impressão até agora e isso deveria ser uma coisa natural para mim, contra ele minha raiva aumentou mesmo que só um pouco.

    Mas, eu não deixei isso a mostra. Eu sou uma adulta, afinal.

    "Viajante, você diz?"

    "Sim. Não consegue ver só olhando?"

    "O que é aquele buquê?"

    "Nada de importante."

    "........"

    "O que é?"

    "Me mostre aquilo por um instante."

    Ele se aproximou de mim de maneira rude e tomou o buquê das minhas mãos.

    "Ah, ei!" Como esperado, eu não posso fazer vista grossa para isso. Eu rapidamente desci da minha vassoura e tentei tomar o buquê de volta.

    Mas, ele tirou minha mão e encarou o buquê---Como se tentasse abrir um buraco nele. Como se minha resistência fosse insignificante para ele.

    Para ficar ainda pior, "Isso....Poderia isso possivelmente ser dela...." ele acabou murmurando alguma coisa enquanto sua expressão facial mudava. Eu não entendi.

    ........Esse guarda de portão.

    "Você aí, onde você conseguiu isso."

    "Por que isso importa? Me devolva-o."

    "Por um acaso, isso não foi coletado do jardim de flores?"

    "Isso não é da sua conta."

    Eu estou sendo completamente subestimada, huh. O que eu deveria fazer? Deveria eu transformá-lo em cinzas?-----Eu invoquei o meu cajado.

    "Ei, o que você está fazendo?"

    Foi no momento em que eu decidi derrubar ele com um vendaval e preparei meu cajado: uma voz ressoou de trás de mim. E a voz tinha outra atitude opressiva.

    O que exatamente é isso? Só há pessoas arrogantes nesse país? Haah? Ficando nervosa, eu me virei.

    "Isso pertence a viajante-san. Devolva de uma vez!"

    Havia um homem de meia idade----Vestido com as mesmas roupas pretas que o guarda de portão----Ele não estava me encarando, mas sim o jovem guarda.

    Ao mesmo tempo em que me virei, aquele jovem guarda estava segurando o buquê com uma cara estranha. "Mas, sensei, isso...... Isso é......"

    "Dá pra notar só de olhar. Eu cuidarei das coisas daqui em diante, então pode voltar."

    "Não é isso, isso é----"

    "Eu disse para você voltar. Você não me ouviu? Você deveria descansar um pouco."

    "......Tch." Com um estalar de língua, ele amargamente olhou para mim e se foi embora.

    "Ah, por favor devolva o buquê."

    ".........."

    Ele voltou com uma expressão fraca no seu rosto, e:

    ".......Aqui."

    Ele empurrou as flores em mim.

    "Obrigado."

    Ele não respondeu de volta. E agora sim, ele foi embora para algum lugar. Aquele guarda de portão se sentiu irritado até o último momento.

    Vamos deixar isso para trás agora.

    Após assistir até que ele desaparecesse, aquela pessoa que foi chamada de sensei fez uma cara de incomodado.

    "Desculpe, Bruxa-san. É porque a irmã mais nova dele desapareceu recentemente. Ele esteve dessa forma desde então. Por favor, perdoe-o."

    "Está tudo bem, não me importo."

    Apesar disso ser uma mentira.

    "A propósito, essas flores, me desculpe mas poderia descartá-las aqui? É proibido levar elas para dentro do país."

    "Proibido levá-las? Você quer dizer essas flores?"

    Eu não entendi o significado e a intenção.

    Eu inconscientemente abracei as flores com firmeza.

    "Existe um veneno nessas flores." Indiferente, ele disse isso ao invés de irracionalmente tomá-las a força. "Já que você é uma Bruxa elas não oferecem perigo a você, mas elas contém poder mágico que faz o coração das pessoas que não podem usar magia ir a insanidade----Eu também não entendo bem os detalhes, mas é algo parecido com isso."

    "......Veneno."

    Ele assentiu.

    "Encantados por essas flores, pessoas vão para o seu campo de origem e passam sua vida inteira acalentando elas. É por isso que trazê-la é proibido."

    "........."

    "Algum problema?"

    "....Não."

    Supondo que existe um veneno dentro das flores que estão na minha mão, então... Poderia ser, eu comecei a pensar.

    A garota que deu essas flores para mim. Por que ela não tentou se levantar nem uma única vez?----Por que ela estava sentada no jardim de flores? Eu continuei a ponderar sobre isso.

    Mas, era aquilo não tentar se levantar, ou ser incapaz de se levantar?

    Talvez a parte de baixo do corpo dela já não era mais dela?

    ............

    "Um, então a irmã mais nova daquele guarda de antes..."

    "Sim. Desde que foi ao jardim das ditas flores alguns dias atrás, ninguém sabe o paradeiro dela."

    Ele abaixou sua visão para o buquê de flores de antes.

    "Ei, ojou-chan, para quem você planeja dar elas? Poderia ser----"

    "Não."

    Eu interrompi o diálogo dele.

    "Eu colhi essas flores para mim mesma. A roupa que elas estão enroladas é a minha reserva."

    É por isso, eu não sei nada sobre a irmã mais nova dele. Eu descaradamente declarei.


    Parte 3
    Após isso, sem fazer nenhum passeio turístico notável, eu fui para um hotel e aluguei um quarto para uma única noite de estadia, então fui tomar um banho e me arrastei para cama como se estivesse tentando desaparecer.

    Eu comecei a pensar enquanto encarava as finas tábuas de madeira alinhadas no teto.

    Sobre o jardim de flores.

    E sobre a garota que estava sentada lá.

    Na novel "As Aventuras de Nike" que eu li tempos atrás, havia a menção de uma planta estranha.

    Se não me engano, as circunstâncias naquele conto eram que uma planta modificada obteve consciência própria, ou ego, por absorver o poder mágico que ela originalmente descarregava e começava a agir violentamente----Era algo parecido com isso.

    Em primeiro lugar, algo como poder mágico existe em todo lugar do mundo. Plantas como árvores e mato em particular, após serem banhados na luz do sol, elas radiam poder mágico. Mas, eu não entendo porque exatamente funciona dessa forma.

    Então, aqueles que entram em contato com esse poder mágico que não está originalmente dentro do corpo humano, e são capazes de manipular ele livremente são chamados de Magos.

    Logo, Magia pode ser usada na sua forma mais forte dentro de uma floresta que está transbordando com poder mágico. O lugar que eu treinei com a minha mestra a fim de me tornar uma Bruxa também era em uma floresta.

    Eu poderia dizer que nós Magos também somos existências modificadas igual a planta no "As Aventuras de Nike". Afinal, nós somos capazes de usar algo que humanos não são capazes de usar.

    ......Não, talvez aqueles que não conseguem usar Magia que são os anormais.

    Eu não entendo quem é quem. Eu tive tal discussão casual na minha mente, mas pensar sobre isso é inútil. Essa discussão é a mesma daquela sobre qual veio primeiro, a galinha ou o ovo, é absolutamente inútil pensar sobre isso afinal.

    "......Fuah."

    Eu bocejei e esfreguei meus olhos. Eu não posso dormir ainda. Está tudo bem. Não durma, não durma.

    ........O jardim de flores de antes.

    Eu temo que daquele tanto de poder mágico, o jardim de flores irá evoluir de uma maneira estranha. Similar as flores daquela novel que obtiveram consciência própria.

    Se eu pensar sobre isso, a floresta em que o jardim de flores estava era tão denso com árvores que você mal conseguia ver a luz do sol se você olhasse para cima de dentro dela. O poder mágico que foi criado combinava com ela.

    Debaixo de tanto poder mágico acumulado, não seria nada estranho mesmo aquele jardim de flores se transformar em algo diferente.

    E o jardim de flors que cuspia veneno com seu néctar que começava a seduzir pessoas----O que no mundo trouxe isso à tona?

    "........."

    O que se deu das pessoas que foram seduzidas por aquele jardim de flores?

    Aquele sentimento nebuloso constantemente se agarrou à minha mente sem querer ir embora.


    Parte 4
    "Oya, Bruxa-san, você já está partindo?"

    Na manhã seguinte.

    Quem estava protegendo o portão era o guarda de meia idade de ontem. Parecendo se lembrar de mim, ele me cumprimentou com um sorriso casual.

    Enquanto fazia o mesmo rosto sorridente:

    "Sim. Esse não era um país muito grande então só um dia foi o bastante para mim."

    "É um país entediante, não é?"

    "Não, não. Foi bastante proveitoso."

    "Hahaha. Essa foi uma piada engraçada."

    Teria sido eu descoberta?

    "A propósito, onde está o jovem guarda de ontem?"

    "Hn? Ele tirou o dia para repousar hoje. Ele saiu do país ontem a noite e ainda não voltou até agora. Por que? Você estava afim de vê-lo?"

    "Tão engraçado."

    Eu não quero me encontrar com ele, então escute.

    "Bem, ele disse que ele iria retornar à noite, então se você quiser encontrá-lo, então você deveria esperar."

    "Não, obrigado."

    "Hmm. Então, você está indo mesmo?"

    "Sim. Eu diria que não há porque ter pressa, mas a não ser que eu saia essa manhã, posso ter problemas para alcançar o próximo país antes do por do sol."

    Além disso, há um lugar que eu preciso ir.

    Mais que esse país, minha mente está naquele lugar.

    "É mesmo? Bem, tome cuidado."

    "Certo. Obrigada."

    Desta forma, eu saí do país.

    Então.

    Eu me dirigi para a floresta visível na distância----Em direção ao lugar de ontem, e voei com minha vassoura.

    Ao me aproximar das árvores que estavam brotando da floresta, tudo foi pintado pelo verde na minha frente.

    O vento violento estava soprando e se torcendo ao redor, esfriando a terra quente e vasta. As nuvens acumuladas no céu interrompiam os raios solares.

    O agora cinzento céu começava a pintar a cena com uma cor de chumbo.

    Imediatamente após isso, começou a chover.


    Parte 5
    Passando através das árvores que foram pressionadas juntas, eu me encontrei novamente com o espaço aberto.

    Lá está o jardim de flores.

    Similar ao céu, elas estavam bem enfadonhas comparado a vivacidade de ontem.

    ".........."

    Não apenas as cores, até mesmo a aparência estava emitindo um sentimento levemente desconfortável.

    Eu segui o mesmo caminho de ontem vindo da direção oposta, então esse não deveria ser outro lugar, e, esse sentimento desconfortável que não pode ser expurgado é uma prova disso.

    Descendo com minha vassoura, eu encontrei a fonte desse sentimento desconfortável. Kusha! -- Com um som que faltava elegância, as flores sob os pés sentiam como se estivessem mortas.

    O jardim de flores com uma fragrância agradável. Na frente dele estava a figura de uma pessoa.

    A verdadeira forma desse sentimento desconfortável era aquilo: aquela figura humana por si só era o que emitia essa angústia.

    ".........."

    A garota que me deu o buquê. E na frente daquela figura estava um único homem----Suas vestimentas eram diferentes de ontem, mas a pessoa cujo rosto eu claramente lembrava estava sentada no jardim de flores e olhando para a garota com uma face sorridente.

    Era o guarda de portão de ontem.

    "Olá."

    "Ah, você é aquela viajante de ontem? Saudações." Ele mostrou uma reação muito tranquila.

    "É essa a sua irmã mais nova?"

    Ele assentiu para a minha questão.

    "Sim. Eu finalmente achei ela. Quem pensaria que ela estaria em um lugar como este."

    Fazendo uma expressão gentil, ele segurou a mão dela.

    Quanto mais você olha, mais estranho parece. Por alguma razão, eu não consigo ver a garota cuja mão ele está segurando como um ser humano.

    Manchas verdes são visíveis na pele, e o cipó que está rastejando através do corpo dela. Ela estagnadamente olhava em direção ao céu com um olhar vazio sem piscar. Sua boca estava bem aberta e baba estava sendo derramada.

    A parte inferior do seu corpo era ainda mais estranha. Seu corpo abaixo da cintura estava envolto em pétalas vermelhas gigantes.

    Como se um humano estivesse nascendo de uma flor gigante. Como se um humano e uma flor fossem forçadamente conectados. Era uma aparência muito bizarra.

    Ele estava olhando com olhos fascinados em direção a tal garota.

    "Tão amável. Se tornar tão linda em um lugar deste."

    "........."

    "O que é?"

    Eu balancei minha cabeça.

    "Não, você parece surpreendentemente diferente de ontem, então eu fiquei surpresa."

    "Aah, ontem? Erro meu, ontem eu estava perplexo por não saber o paradeiro da minha irmã mais nova."

    Olhando um pouco mais abaixo, eu vi o cipó que estava amarrado ao redor da perna dele. Certamente ele não é capaz de se mover tal como a ela.

    Ao invés de incapaz de se mover, talvez seja mais como se ele não tivesse a intenção de se mover.

    "..........."

    Ele não estava dando a mínima para minha presença também. Se eu não o chamar, ele irá se virar para ela e continuar a falar com ela com olhos sem vida.

    "Francamente, estar monopolizando um lugar tão amável."

    "Ah, exato. Ei, vamos convidar todo mundo do país para vir aqui juntos. Se nós mostrarmos aqui para todo mundo, eles com certeza ficarão felizes."

    "Ei, estaria tudo bem nisso?"

    "Entendo. Obrigado."

    Possivelmente ele era capaz de ouvir palavras que eu era incapaz. Para mim parecia apenas como uma conversa unilateral, falando sobre alguma coisa com sua irmã mais nova, no entanto.

    A garota que eu conversei ontem não conseguia nem fazer expressões faciais mais. Nem poderia ela realmente expressar qualquer coisa.

    Parecia como se ambos emoções, corpo e tudo mais foram jogados fora em algum lugar pelo jardim de flores.

    Ela não consegue fazer nada que não seja ser admirada.

    Assim como uma flor.


    Parte 6
    Eu estava voando na minha vassoura acima da pastagem.

    Felizmente, não tem chovido desde que eu subi na vassoura. Eu quero alcançar o próximo país antes que comece a chover, mas o que eu deveria fazer?

    ".........Ara."

    Debaixo do céu cinzento, eu vi algo menear em minha direção.

    Ao me aproximar, eu vagamente entendi que a forma pertencia a um humano. Sem diminuir minha velocidade, eu passei lado a lado por aquela pessoa.

    "........."

    Eu não entendi realmente se aquilo era um homem ou uma mulher. Idade também era desconhecida. Eu apenas entendi que era um humano.

    Aquela pessoa estava caminhando em direção a algum lugar. Indo adiante, possivelmente para aquele país.

    Nessas coisas vagas, eu apenas entendi uma coisa com clareza. Havia apenas uma coisa que eu vi.

    Era a coisa de aparência importante que a pessoa estava carregando nas suas mãos.

    Um buquê de flores.
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