• Discussão #08 - Adaptação x Original (Sob a perspectiva do público)

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    Todo mundo que tenha explorado o suficiente outras mídias provavelmente já viu alguma obra que assistiu/leu/jogou recebendo uma adaptação ruim. Quando se trata de adaptações em animes, é inevitável que toda temporada tenha uma grande leva de adaptações ruins, o mesmo vale para adaptações em mangás. Porém, não são todas as obras que acabam sendo mal adaptadas, muitas conseguem surpreender positivamente. Existe, no entanto, uma certa divergência de opiniões quando a pauta é "O que faz uma adaptação ser uma boa adaptação?". Fãs do original costumam querer cada centímetro da obra presente na adaptação, mesmo se 99% da obra for adaptada, ainda podem reclamar do 1% que cortaram. Fazer alterações é impensável, para os fãs seria como um soco na cara. Obviamente, não preciso nem dizer que essa mentalidade é extremamente exagerada e sem sentido.
    Por outro lado, pessoas que normalmente nem sequer leram a obra original vivem fazendo comentários egoístas, como querer que façam final original e fechado, querer que façam uma adaptação corrida que enfia uma quantidade absurda de conteúdo em pouco material, entre outras coisas. Essa também é uma mentalidade bastante desagradável, principalmente por vir de pessoas que seriam as primeiras a jogar pedras em uma adaptação ruim de uma obra que gostam.
    Então, afinal, o que faz uma adaptação ser boa? Até onde cortar e alterar a obra original é aceitável? É isso que iremos discutir no post de hoje.

    Curiosamente é bem comum envolverem a obra original em uma discussão sobre a adaptação, sendo que em muitos casos uma das partes, ou ambas as partes, às vezes nem sequer leram o original para estarem falando. De fato, muito do que vou falar aqui hoje acaba vindo de argumentos comuns vindos de pessoas que questionam como uma adaptação deve ser sem ter lido a mesma.
    Querer falar qualquer coisa que seja sobre o original sem ter lido o mesmo é errado, não importa as circunstâncias, pois estará falando sobre algo que não leu. Ter ciência disso já ajudaria a evitar muitas discussões sem embasamento algum. Não existe Modus Operandi quando se trata de adaptações. Cada obra precisa ser analisada isoladamente para chegar a um consenso de como seria a adaptação ideal e é justamente por isso que sai tanta adaptação ruim hoje em dia, pois estão usando um Modus Operandi, ou melhor, estão meio que no automático. Fazem animes ou mangás que servem como propaganda para a obra original e sempre tentam colocar a mesma quantidade de conteúdo na mesma quantidade de episódios/capítulos. Por isso que normalmente as obras que costumam chamar atenção são as que saem desse padrão.

    Existem muitas pessoas que são fãs da obra original, mas que ficam cegas pela mesma. Pessoas que nunca vão estar satisfeitas com a adaptação porque... Bem, porque elas querem a obra original. Uma cópia perfeita, algo que é impossível para início de conversa, já que é outra mídia completamente diferente. Inclusive há muitas pessoas que simplesmente não querem que sua obra favorita seja adaptada por puro egoismo (Isso não inclui pessoas que sabem que são altas, para não dizer certas, as chances da obra original ser mal adaptada, aí já é outra discussão que talvez eu aborde um dia).
    Quanto mais mídias você explora, mais você tem que saber lidar com o fato de que muita gente não tem o tempo/paciência/interesse/facilidade/etc para investir em uma mídia diferente da qual a pessoa está acostumada. Mas isso não é muito relevante para a discussão de hoje. O ponto é: Temos duas vertentes nesse cenário, que são os fãs (Ou simplesmente pessoas que gostam do original) da obra e as pessoas que assistem/leem as adaptações. É importante entender que você obrigatoriamente estará em um desses dois lados.
    Nesse post de discussão eu não vou só levantar minha tese sobre o que faz uma adaptação ser boa (E aí você pode deixar a sua também), mas vou martelar um pouco sobre os maiores problemas desses dois lados antes mencionados para que vocês possam evitá-los.

    O fã da obra original
    O lado do "fã da obra original" é o que eu mais me encontro presente, muitas vezes me pego descobrindo uma obra interessante através de comentários sobre a adaptação, mas opto por ir atrás do original ao invés disso.
    Os maiores problemas dos fãs do original é que nada nunca é bom o bastante para fazer jus a sua obra favorita. O nível astronômico de exigência para a adaptação faz com que essas pessoas se tornem muito chatas com tudo e com todos. A coisa principal que vocês, como fãs do original, precisam entender é que são mídias diferentes, logo inevitavelmente a forma de apresentar a obra precisa ser outra. Certos elementos só são funcionais em certas mídias, uma obra dependente demais de aspectos visuais seria muito prejudicada em uma adaptação para livro, por exemplo. A exagerada expressão "O original é sempre melhor" existe porque, de fato, a maioria das adaptações não é tão boa quanto o original. Porém, não ser tão boa quanto e ser ruim são coisas absolutamente diferentes. Uma adaptação pode ser ótima sem necessariamente ser do mesmo nível do original.
    Cortes e alterações no roteiro são coisas que deixam praticamente qualquer fã do original furioso. No entanto, isso não é algo inerentemente ruim. Às vezes mudanças ou cortes são bastante beneficiais para a adaptação. Isso é algo que precisa ser analisado da maneira mais neutra possível, mas creio que se as mudanças/cortes alcançarem o mesmo resultado ou algo até melhor, aí sim terá sido uma boa escolha.

    Conhecer o original não te faz superior a quem só assiste/lê a adaptação, a não ser que a pessoa esteja claramente falando bobagens, não tem porque você tentar desmerecer a opinião da pessoa só porque o original supostamente é melhor. Se a outra pessoa estiver apenas dando seu ponto de vista sobre o que ela viu da adaptação, não tem porque achar "ofensivo" de alguma forma para o original, o que nos leva ao próximo ponto.
    Original e adaptação são essencialmente duas obras diferentes. Comparações são válidas, sim, porém ainda tem que se ter em mente que são duas obras diferentes. É onde o paradoxo do navio de Teseu entra em prática.
    Eu sempre tento separar original de adaptação o máximo possível, mas uma vez que você conheça o original, é impossível sua visão sobre a adaptação não ser tendenciosa, principalmente quando a adaptação está fazendo tudo errado. É justo, mas também é necessário ter a mente aberta para caso a adaptação esteja boa mesmo sendo bem diferente.
    Um verdadeiro fã do original saberia onde estão os problemas da obra e o que poderia ser alterado/cortado. Não use seu gosto pela obra como pretexto para fingir que ela é perfeita e lembre-se que independente da adaptação, o original continuará intacto. No máximo vai ganhar umas pedras no sapato com pessoas falando sobre o que não sabem por causa da adaptação, mas aí é inevitável.

    Quem assiste/lê a adaptação
    Eu em todo momento usei o verbo ler junto do assistir sempre que falei das adaptações. O motivo disso é que existem dois problemas frequentes com gente que só assiste/lê adaptações que precisa acabar. Um deles é a preguiça de buscar informação. Pessoas que leem mangás que são adaptações de novels achando que o original é o mangá é um exemplo óbvio. Pessoas que se recusam a entender que a adaptação em mangá normalmente não é relevante, você ter lido a adaptação em mangá não significa que você sabe como o original é, e uma adaptação em anime vai seguir o original que você não conhece nada sobre.
    Não conhecer nada sobre é o segundo problema frequente. Pessoas que viram/leram a adaptação, falem da adaptação à vontade, estarão no seu direito, mas não envolvam o original no meio se não o leram. Vocês não sabem nada da obra original para estar querendo opinar sobre ela, se atenham a falar apenas sobre o que sabem.Imagina uma pessoa assistir Bohemian Rhapsody sem saber nada sobre Freddie Mercury e passar a querer opinar sobre a vida do mesmo baseado no filme? E esse é um exemplo simples, o que não faltam são casos extremos por aí.

    Ótimos animes sairão de ótimas obras que são bem adaptadas (Ou boas obras que são bem melhoradas na adaptação), então parem com isso de querer final original ou que enfiem uma quantidade enorme de conteúdo em poucos episódios, é contra-produtivo e nenhum pouco inteligente.
    Não, se você não leu o original, você não sabe como ficaria melhor adaptado. Ponto. Algo que vejo bastante, até de amigos meus, é gente que nunca leu uma novel na vida falando que tem que adaptar X volumes por temporada.
    Não é porque você detestou a adaptação que é impossível achar o original bom, entenda. Comigo já teve obra que de 8.5 de nota para o original, caiu para 4 na adaptação, infelizmente acontece.
    Nem todo fã do original tem os problemas citados mais acima, aprenda a saber separar quem é quem. Muitos fãs do original não gostam da adaptação que você gosta por motivos bastante válidos.

    A minha tese
    Chegamos então a parte mais importante: "O que faz uma adaptação uma boa adaptação?"
    É difícil, para não dizer impossível, chegar a uma resposta concreta. Eu pensei e penso bastante sobre isso, meu veredito final é que não existe um meio fixo para fazer uma boa adaptação, tudo depende da obra original.
    O melhor que consegui pensar é que a única coisa que jamais pode se perder é o que faz a obra ser o que ela é. Tem obras que se sustentam em uma ideia, se essa ideia se perder mesmo que o resto seja fiel não vai ser uma boa adaptação. Tem obras que se sustentam nos personagens, se eles ficarem mal feitos, mesmo que o resto seja fiel ainda vai ser uma adaptação ruim. Por outro lado, mesmo uma adaptação muito alterada pode representar bem o original se manter o que faz a obra o que ela é. É o que acredito.
    Temos muitos exemplos em mãos. Violet Evergarden, por exemplo, foi uma adaptação que se perdeu quando o diretor mostrou que não sabia exatamente o que fazia a novel ser uma obra premiada. A base da novel de Violet era a ideia por trás, seguido da jornada da protagonista. O anime colocou a jornada da protagonista como o principal, lado a lado com um melodrama que não existe no original, enquanto deixava a ideia de lado.
    Outro exemplo seria Mahouka, o diretor do anime parece não ter entendido o personagem principal, e errou completamente na construção do mesmo em relação ao original. Tal erro prejudicou muitas coisas no anime e em uma possível continuação. Então mesmo seguindo a história direitinho, embora meio corrido em algumas partes, o anime acabou não sendo uma boa adaptação.

    O problema é que a maioria não sabe o que está fazendo quando vai adaptar uma obra. Fazer mudanças bem maiores em uma adaptação esperando o próximo Devilman Crybaby é loucura, é necessário uma sensibilidade maior com a obra e ter um bom conhecimento da mesma. O que normalmente parece é que eles nem sequer leem o original antes de fazer a adaptação.
    Como fãs o ideal é dar uma chance para a adaptação ser o que ela quer ser, enquanto respeitar o que o original representa pode vir a sair algo muito bom mesmo que mudem coisas no roteiro.
    Resumindo, ser igual ao original ou ser bem diferente do original não são fatores que definem uma boa adaptação. Uma boa adaptação pode ser qualquer um dos dois. Seguir o original passo a passo não é algo ruim, se for o que o original pede, então ser assim é só o esperado. Mudar a obra na adaptação não é algo ruim, se for algo que o original permite, então é possível fazer algo bom com isso.

    E vocês, o que pensam ser a melhor forma de adaptar uma obra? Nada como começar o ano (..."começar" o ano já depois da metade de Janeiro) com um tema meio chato de falar sobre. Compartilhem seus pontos de vista. Saraba Da!

    OBS: Não sejam esses tipos de pessoas que descrevi mais acima, dá sempre para se corrigir e melhorar, para melhorar a convivência da comunidade e diminuir a toxicidade.
  • [Review] Futari wa Precure: Splash Star - A beleza da natureza e o auto-aprendizado.

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    Já pararam para pensar que tudo que existe e virá a existir, um dia irá acabar?
    O fim, ou a morte, é inevitável independente da sua forma. Esses animes que vocês acompanham a todo momento um dia irão acabar, esse blog meu um dia irá acabar, esse post logo logo irá acabar. Tudo que tem um início, sempre terá um fim. É por isso que é importante você preservar o que é especial, e aproveitar a vida enquanto você a tem. Jamais deixe a ideia de que a vida não tem sentido e que o fim vir mais cedo ou mais tarde é só uma questão de estender seu sofrimento te consumir, é possível aproveitar a vida, principalmente se você tiver uma pessoa importante para você por perto.
    Esse é um dos principais temas abordados em Futari wa Precure: Splash Star (Me referirei apenas como “Splash Star” a partir daqui). Não só como uma mensagem que o anime quer passar, mas também como um aspecto importante tanto na narrativa quanto no universo do anime.

    Há muito o que se dizer sobre certos aspectos, temas e mensagens de todas as temporadas de Precure lançadas até então, porém, nenhuma misturou tais conceitos tão profundamente na narrativa da obra quanto Splash Star. Por isso, surpreendentemente, muitas coisas do anime são bastante subjetivas e ambíguas, coisas que não dão a resposta para o telespectador diretamente e faz-se depender da sua capacidade interpretativa e atenção para captar elementos muito bem enraizados no universo da obra. Como tal, no caso de você não conseguir pegar esses aspectos implícitos, tem grandes chances de você achar o anime mais simples do que ele realmente é, ou na pior das hipóteses, acreditar que deixaram alguns furos de roteiro onde na realidade é algo bastante subjetivo que só se explicaria com um pouco de reflexão.
    É claro, falando assim até parece que é um Serial Experiments Lain da vida, mas não é nenhum bicho de sete cabeças, ainda é um “anime para crianças”, afinal. Em todo caso essa review vai facilitar um pouco a sua vida. Espero.

    Splash Star é o terceiro anime da franquia de Precure, lançado em 2006. Também foi o primeiro anime de Precure a não envolver a timeline principal, de Futari wa Precure, e suas personagens. Além disso, a série serviu como protótipo de conceitos e padrões que foram oficializados em Yes! Precure 5 e posteriormente se tornaram uma das bases da franquia. Para minha surpresa Splash Star criou (Dentro da franquia) coisas que eu achei que eram novidades em temporadas recentes como Mahoutsukai Precure, de 2016.
    No entanto, Splash Star não vingou. A série foi bem fraca em audiência comparada com seu predecessor, não vendeu muito em termos de brinquedos e figures e o filme da mesma foi o que menos lucrou. Muito disso provavelmente se deu ao fato de terem tentado não se distanciar muito da primeira série em relação as protagonistas, Saki e Mai. As duas são bastante similares em aparência as protagonistas de Futari wa Precure, Nagisa e Honoka. Além disso, as personalidades delas também são similares, muito superficialmente, ao menos.

    E talvez o maior problema da série seja não ser mais explícita nos seus desenvolvimentos, conceitos, ideias e mensagens. Não que isso em si seja um problema, mas pelo tipo de anime que é, muitos inevitavelmente acabam ficando de guarda baixa e não presta muita atenção nesse tipo de coisa. Embora por outro lado isso seja algo presente na maioria das temporadas, em menor escala, então existe esses dois pontos de vista.
    As duas protagonistas possuem 3 ou 4 características primárias (Que são muito mais explícitas) iguais as das protagonistas de Futari wa Precure, mas, junto com o design, as similaridades acabam aí. As protagonistas de Splash Star, Saki e Mai, possuem um desenvolvimento muito sútil e natural, elas poucas vezes passam por um grande drama onde no fim mostra que elas mudaram e coisas do tipo que animes normalmente fazem. Pelo contrário, as mudanças delas são mais realistas e, de certa forma, profundas. Digo realista por ser algo muito mais ligado ao convívio e as experiências, é muito normal nós mudarmos nossa forma de ver algumas coisas, nossa forma de agir ou mesmo de pensar sem necessariamente passar por um grande conflito, mas sim só por estar convivendo com as “pessoas certas”. Eu mesmo vi isso acontecendo múltiplas vezes com amigos meus, e é uma sensação fascinante você de repente olhar para um amigo e perceber que ele agora age de uma maneira diferente do que era tempos atrás apenas por estar convivendo com você ou outra pessoa por muito tempo. Apesar de ser realmente sútil, foi algo que me marcou na série.

    Muito do que falei sobre o desenvolvimento das protagonistas se dá a um fator essencial em Splash Star: As relações entre os personagens. Splash Star foi um anime que realmente tornou tais relações muito orgânicas e palpáveis, não só entre as protagonistas, mas todos os personagens no geral.
    Existem diversos momentos em que você vê uma real naturalidade no comportamento dos personagens, é tudo bastante crível e isso é algo que admirei bastante na série. A Saki e a Mai são protagonistas bem incomuns na franquia, embora não individualmente, mas sim em tudo que envolve a caracterização e relação das duas. Elas possuem uma relação muito harmônica, e realmente parecem serem amigas de verdade, além de serem bastante carismáticas. O anime mostra muitos exemplos disso ao longo dos quase 50 episódios. Um exemplo super simples, porém eficaz, é que as duas visitam a casa uma da outra com certa frequência e logo, em um certo ponto até as famílias das duas passam a se conhecer. Isso é o tipo de coisa que também é real na relação com os demais personagens, o que os torna secundários na maioria das vezes bem agradáveis.

    Devido ao foco em como cada personagem se relaciona um com o outro, mesmo os vilões acabam sendo bem distintos em termos de personalidade. Alguns deles tem até muitas interações interessantes com as protagonistas. Infelizmente, devido a eles não ficarem normalmente no mesmo local, como normalmente acontece, não se tem muitas interações entre eles.
    Mesmo assim, é possível se tirar bastante da caracterização dos vilões baseado nas suas interações com qualquer outro personagem ao longo do anime, o que os torna mais interessantes e legais. O roteiro chega a dar passos arriscados, mostrando traços fortes da personalidade de alguns vilões através de momentos inusitados ou mesmo cômicos, e embora talvez em alguns casos acabe não dando tão certo, em outros acaba saindo algo realmente surpreendente.
    Porém, curiosamente, o inverso também pode ser considerado. Você consegue extrair certas características das protagonistas pelas suas interações com os vilões. Normalmente são em casos específicos e algumas vezes chega a ser difícil de notar de tão implícito que fica, mas o anime consegue mostrar fortes sinais de pensamento rápido, atenção aos arredores, ou até um pouco de sagacidade ocasionalmente. É o tipo de informação não exposta diretamente para quem está assistindo que adiciona camadas extras na caracterização das personagens.

    Splash Star não é um primor de animação, direção, design e etc. Claro, não há inconsistências graves e os picos de animação e coreografia são fantásticos, o que para um anime semanal de 50 episódios de uma franquia que estava ainda começando a dar seus primeiros passos é um grande feito. Porém, mesmo que limitados e o anime não sendo o sucesso que se esperava, deu para ver todo o cuidado que foi colocado em toda a parte visual do anime.
    O anime conseguiu deixar os aspectos visuais em sincronia tanto com o enredo quanto com a ambientação. Em um nível onde temos, por exemplo, foreshadowings deixados em momentos que não parece ter nada demais para ser visto, mas que depois de revelado quando você volta para ver tais cenas, nota a genialidade da equipe por trás do anime. Nós temos, por exemplo, um anime que fala muito sobre a natureza, pois a mesma é bem relevante para a história, e se passa em uma cidade de beira de praia, conseguimos sentir toda a ambientação do local através de cenários muito bem feitos e pensados com precisão. Nós temos, por exemplo, uma boa exploração do espaço nas lutas, onde algumas vezes as lutas começam em um lugar e terminam em outro.
    Graças a tudo isso combinado, você consegue visualizar mentalmente como a cidade é, o que tem nela e o seu tamanho no geral. Mesmo já tendo terminado de assistir há um tempo, eu ainda consigo lembrar de cabeça de vários locais da cidade, acho realmente muito bem feito nesse aspecto.
    Por ser uma cidade pacata cercada pela natureza, os elementos místicos do universo de Splash Star se misturam muito bem, e apenas um lugar assim representaria bem alguns aspectos importantes da narrativa, por isso digo que toda a equipe por trás do anime deve ter trabalhado em conjunto realmente, para conseguir chegar a este ponto.

    O roteiro de Splash Star é muito bem escrito, se aproveitando de muitos pequenos detalhes para criar algo grandioso, conseguindo fazer uma construção de mundo excelente e respeitando as leis daquele universo afinco até o fim. Há um dito (Do pai da Nagisa) que diz que existe vida em todas as coisas, inclusive objetos. Isso é algo bastante importante no anime, além de passar uma mensagem importante sobre você dar valor as coisas preciosas, cuidar delas sempre e realmente tratar com o respeito que merece as coisas que você preza. Muitos possuem coisas que consideram preciosas e ficariam realmente abalados caso as perdessem, há vida nesses objetos que zelamos simplesmente por eles existirem nas nossas memórias mais valiosas. Por isso a importância de ser uma cidade pacata ao invés de uma cidade grande. E é claro, como estamos falando de preservação, isso também se estende a própria natureza em si. Proteger o meio ambiente também é uma das mensagens por trás de Splash Star, e é quase sempre feito da melhor maneira possível: Não dizendo diretamente a mensagem que quer passar. Tem sim alguns casos onde isso fica mais explícito, mas normalmente o anime para e mostra a beleza da natureza de diversas maneiras diferentes, pois isso está diretamente ligado a vida em si.

    Em Splash Star existem dois mundos que possuem uma conexão, toda essa parte sobre a natureza é muito forte tanto em um quanto no outro. O nosso mundo se é referido como “Terra da Vegetação”, por exemplo. O outro mundo, mundo dos espíritos, é chamado de “Terra das Fontes”. O objetivo das protagonistas é recuperar as fontes sagradas que foram tomadas pelos vilões. A representação das fontes destruídas é basicamente de seca e a morte da vegetação, algo bastante simples, mas para o que a obra estava querendo fazer era funcional. Quando recuperadas, o anime oferece alguns cenários realmente muito bonitos, além de alguns detalhes extras que não posso entrar em detalhes para não dar spoilers.

    Mas sem entregar muita coisa, há algo que você precisa realmente ter conhecimento para entender mais profundamente a beleza de Splash Star. É um provérbio chamado 花鳥風月 (Kachou Fuugetsu).
    Kachou Fuugetsu traduzido literalmente é: Flores, Pássaros, Vento, Lua. Mas seu real significado é: Experimente as belezas da natureza e, ao fazê-lo, aprenda sobre si mesmo.
    Quatro palavras separadas que evocam os sentidos do olfato, audição, tato e visão, respectivamente. Justapostos desta maneira, eles sugerem a beleza do mundo natural como é experimentado diretamente, além da linguagem. As quatro palavras também aludem às quatro estações como aquelas convencionalmente simbolizadas na poesia japonesa.
    (Trecho em negrito tirado e traduzido daqui: http://zeninink.com/works/flowers-birds-wind-moon/)
    É isso, uma informação que fará bastante diferença na sua visão da obra e das personagens principais.

    Não é só sobre a natureza que o anime trata, mas também sobre a vida e a morte. Principalmente fala sobre viver. É um anime voltado para o público infantil, por isso certas coisas muito dificilmente, para não dizer jamais, serão colocadas em prática. Mas isso não impede de ensinar um pouco sobre a vida em si, em precisar cair em tons sombrios ou em melodrama. Como um anime que fala sobre a vida em si, mesmo sendo algo positivista, ele ainda precisa ter o pé no chão e ser realista quando necessário, por isso, algo que acho realmente excelente é que as protagonistas não estão imunes a falhas, a coisas ruins ou a simplesmente terem uma visão limitada sobre a vida em si.
    Em contrapartida, a morte, ou o fim, possui uma forma física dentro do universo de Splash Star. Isso não é algo realmente dito no anime, mas sim uma interpretação minha, porém tenho bastante convicção nessa interpretação. Tal morte é mostrada através do grande vilão da história, Akudaikaan, que é basicamente um gigante todo preto que pouco age no anime.

    É um pouco difícil falar sobre ele sem dar maiores spoilers, mas eu posso dizer que como um personagem, Akudaikaan é bastante simplório e basicamente sem personalidade, ele não é um vilão interessante per si. No entanto, seus defeitos, na minha visão, são propositais. Ele é a representação da morte, e a morte não é charmosa, cheia de personalidade e objetivos, mas sim algo seco que simplesmente vem para dar o fim na existência de algo ou alguém. Pode soar meio conveniente, mas existe um grande twist no final que faz o que eu disse ter total sentido, e vai muito além de ser apenas isso.
    É também muitas vezes levantada a questão de que tudo tem um fim, queira você ou não.
    Nós temos um núcleo de cinco vilões que antagonizam as protagonistas cada um em um arco, e cada um deles é baseado no Wu Xing, que são os cinco elementos chineses.

    Cada um dos vilões tem personalidades bem distintas e por cada um representar um elemento, os “monstros da semana” deles são temáticos baseado no elemento de cada um. Graças a ter um vilão diferente a cada 6 ou 7 episódios, a narrativa se torna mais dinâmica, e o ar de novidade se torna mais presente.
    Nenhum dos 5 vilões que representam os elementos chineses são realmente personagens complexos, mas eles são perfeitamente funcionais dentro da narrativa. 
    Por fim, temos Michiru e Kaoru, que são as personagens com o maior e melhor desenvolvimento do anime, carregam um bom nível de profundidade e a base do conceito visual das personagens trás uma interpretação genial e que pode vir a ser essencial para entender certos eventos supostamente inexplicáveis do anime.

    A segunda metade do anime de fato tem alguns pontos que “não tem” explicação lógica por trás, mas é compreensível se você entender certas coisas como metáforas para algo muito maior.

    Por ter o público alvo que tem, o anime pode frustrar um pouco em alguns casos especiais. Além disso, ele possui alguns episódios que não possuem muita utilidade e pode parecer um pouco filler, embora sejam raros os episódios assim, uma vez que estão sempre tentando aproveitar até os episódios menos relevantes para mostrar algo importante na narrativa.
    A trilha sonora é boa, porém pouco memorável e não muito impactante, salvo pelas versões instrumentais da abertura com violino ou piano, que são realmente muito bonitas.

    O anime constrói seu muito de maneira exemplar, fazendo não só com que as personagens, os poderes e os conceitos possam existir todos em harmonia lá dentro, mas também de maneira que permita que a própria narrativa funcione dentro do mundo em si, ao invés do contrário que seria o normal. Por isso, o anime é bem fechado, sem deixar brechas para coisas inexplicadas ou mal exploradas. Isso é, exceto todas as partes subjetivas que pesam mais para o lado metafórico do que o lado lógico.

    O roteiro ser muito bem escrito ajuda muito também, ainda que muito minucioso e repleto de nuances que algumas vezes necessita de coisas além da sua própria atenção e capacidade interpretativas, é um anime que é possível se aproveitar bastante. No entanto, saindo um pouco da caixa e refletindo sobre a obra em si, seus personagens e acontecimentos, é onde encontrará o quão incrivelmente bem-feita e profunda ela é. Admito que mesmo eu não enxerguei alguns dos foreshadowings muito bem colocados, acabei descobrindo por um acaso enquanto olhava outras reviews, e pessoas diferentes notavam pequenos detalhes extremamente inteligentes diferentes, então é bem provável que reassistir Splash Star vá me trazer uma percepção mais ampla do quão bem trabalhado cada detalhe foi.
    Infelizmente embora tenha dito que ajudaria, eu não poderia simplesmente dar grandes spoilers em uma análise, então muita informação e interpretação eu simplesmente optei por omitir. Mas é sempre bom frisar que nem todo defeito ou furo é realmente um defeito ou furo, vale pensar duas, três, até quatro vezes antes de decidir.

    Splash Star foi um anime brilhante, e sem dúvidas um dos meus favoritos de todos os tempos. Embora tenha alguns problemas bem óbvios e outros bem questionáveis, o carinho que tiveram nessa história para criar algo fascinante e muito bem construído acaba sendo maior que seus defeitos.
    E claro, se você chegou até aqui, vale lembrar que ainda é um anime voltado para o público infantil, mais especificadamente meninas, e como sempre pode ou não ter alguns elementos que incomodem. Não foi o meu caso, Splash Star foi só alegria e definitivamente merecedor de estar no meu top 3 animes. 
    Além dos spoilers omitidos, eu também provavelmente resumi muito ou deixei de falar sobre muita coisa, então talvez não tenha se tornado uma análise tão completa quanto eu gostaria, mas o importante é colocar a alma no que está fazendo, certo? Pois aqui está, espero que tenha sido uma leitura interessante. Saraba Da!
  • Kono Light Novel ga Sugoi! 2019 + Opiniões e Informações Extras

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    Hoje vamos comentar um pouco sobre o ranking do Kono Light Novel ga Sugoi! 2019. Os rankings já foram lançados fazem alguns dias, e eu até cheguei a cogitar deixar ele passar (Tal como fiz com o ranking do ano passado). Mas cá estamos nós para tecer alguns comentários talvez não muito relevantes, leia até o final do post para algumas informações úteis. Primeiro vamos aos rankings.

    Rank Bunkobon (Formato livro de bolso):

    Rank Tankobon (Formato de livro maior):
    (Se você notou a ausência das bolinhas numeradas nas capas, saiba que tem um motivo: Preguiça)

    Personagens Femininas:
    1. Mikoto Misaka (Toaru Majutsu no Index)
    2. Vladilena Mirizé (86)
    3. Asuna Yuuki (Sword Art Online)
    4. Ginko Sora (Ryuuou no Oshigoto!)
    5. Maine (Honzuki no Gekokujou: Shisho ni Naru Tame ni wa Shudan wo Erandeiraremasen)
    6. Minami Nanami (Jaku-Chara Tomozaki-kun)
    7. Mai Sakurajima (Seishun Buta Yarou Series)
    8. Kei Karuizawa (Youkoso Jitsuryoku Shijou Shugi no Kyoushitsu e)
    9. Ai Yashajin (Ryuuou no Oshigoto!)
    10. Elaina (Majo no Tabitabi)

    Personagens Masculinos:
    1. Touma Kamijou (Toaru Majutsu no Index)
    2. Hachiman Hikigaya (Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru.)
    3. Kazuto Kirigaya (Sword Art Online)
    4. Kiyotaka Ayanokouji (Youkoso Jitsuryoku Shijou Shugi no Kyoushitsu e)
    5. Shinei Nouzen (86)
    6. Accelerator (Toaru Majutsu no Index)
    7. Rio (Seirei Gensouki)
    8. Bisco Akaboshi (Sabikui Bisco)
    9. Kazuma Satou (Kono Subarashii Sekai ni Shukufuku wo!)
    10. Bell Cranel (Dungeon ni Deai wo Motomeru no wa Machigatteiru Darou ka)

    Ilustradores:
    1. Shirabi (Ryuuou no Oshigoto!, 86)
    2. Kiyotaka Haimura (Toaru Majutsu no Index, DanMachi: Sword Oratoria)
    3. Fly (Jaku-Chara Tomozaki-kun)
    4. Kantoku (Imouto sae Ireba Ii.)
    5. Kurone Mishima (Kono Subarashii Sekai ni Shukufuku wo!)
    6. Keiji Mizoguchi (Seishun Buta Yarou Series)
    7. abec (Sword Art Online)
    8. Saki Ukai (Isekai Goumon-hime)
    9. Riv (Seirei Gensouki)
    10. Shunsaku Tomose (Youkoso Jitsuryoku Shijou Shugi no Kyoushitsu e)


    Agora algumas considerações que eu gostaria de deixar:
    Diferente de outros tops de revistas e sites que saem por aí, o Kono Light Novel ga Sugoi! é bem importante, ele pode ser um abridor de portas. Normalmente o que pesa nos rankings são os votos da crítica, de profissionais da industria e, em menor escala, dos fãs. Por isso muitas vezes uma novel que não é um grande sucesso de vendas ou popularidade, mas que possui qualidade pode ganhar seu merecido destaque com esses rankings, como foi o caso de Rokka no Yuusha, por exemplo.
    Kono Light Novel ga Sugoi! é um guia que é lançado anualmente e ele não trás só os rankings, mas também várias outras informações relevantes sobre a industria de light novel, dados e tudo mais.
    É pelo que o guia representa que ver algumas novels que eu leio conseguirem chegar lá me deixa bem contente, diferente de rankings comuns que eu costumo ignorar.

    Dito isso, vamos a alguns comentários!
    O ranking de novels bunkobon, que muito previsivelmente é metade composto por novels da Dengeki Bunko, veio com algumas surpresas. Sabikui Bisco sendo a maior delas, principalmente por vim com uma proposta e arte bem diferenciadas. A obra teve anuncio de adaptação em mangá recentemente.
    Toaru Majutsu no Index está dando as caras novamente também! Não é novidade para ninguém a queda tanto em vendas quanto em popularidade que a novel vem encarando nos últimos anos, a terceira temporada veio para dar uma revitalizada apesar de terem optado por fazer a temporada mais corrida de todas até agora (9 volumes em 26 episódios), o que provavelmente vai afetar bastante o aproveitamento de quem está assistindo.
    Bom também ver 86 na lista. Fiz uma review do primeiro volume semana passada, pode ir ler caso tenha curiosidade. A obra já havia recebido um prêmio da Dengeki Bunko, agora com essa boa colocação, somado as colocações dos dois protagonistas nos rankings de personagens e as ótimas vendas mostram que 86 está com força total mesmo sem adaptação em anime (Que vai ser anunciado em breve).

    Já o ranking de novels tankobon está ótimo. Admito que só pela presença de Majo no Tabitabi, novel que eu estou atualmente traduzindo, eu já diria que está ótimo, mas realmente tem muita coisa que eu leio e quase todas eu conheço bem (A exceção seria a segunda colocada, que agora ficarei de olho nela). Eu já havia lido cerca de 200 capítulos da Web Novel de Slime Taoshite 300-nen, e ontem mesmo a versão impressa do volume 1 da Light Novel traduzida pela Yen Press chegou aqui em casa. É uma novel que eu gosto bastante e sua colocação é mais do que merecida.
    A grande surpresa desse ranking sem dúvidas foi JK Haru, que eu também fiz review semana passada, que conseguiu a sétima colocação.

    Curiosidades interessantes:
    - Se por um lado o ranking de novels tankobon conta com 4 LNs Tensei (Honzuki no Gekokujou, Tensei shitara Slime, Mushoku Tensei e Kumo desu ga) e 3 LNs Isekai (Overlord, JK Haru e Slime Taoshite), por outro lado o ranking de novels bunkobon só tem 1 LN muito questionavelmente Isekai, que é Sword Art Online. Embora as novels Tensei e Isekai do rank tankobon sejam altamente diferentes umas das outras.
    - Somando os dois rankings, das 20 novels, só 8 possuem adaptação em anime, sendo que uma dessas 8 ainda nem exibida foi.
    - Só três das 20 novels não tem adaptação em mangá.
    - Das 20 novels, 13 delas já foram licenciadas oficialmente para lançar em inglês.

    Agora vamos a algumas informações em relação a adaptações (Sejam elas em mangá ou em anime). A legenda é simples: Nomes em vermelho são LNs que tem adaptação em mangá. Nomes em azul são LNs que tem adaptação tanto em mangá quanto em anime. Nomes em verde são LNs que tem apenas adaptação em anime. Nome normal, preto, são LNs sem nenhum tipo de adaptação. Vale dizer que algumas adaptações em mangá começaram a publicar faz pouquíssimo tempo.

    Estou passando essa informação para quem realmente não tem costume de ler muito, prefere algo mais visual do que um livro ou para LNs que não foram traduzidas, mas a adaptação em mangá sim. Porém, entendam, por favor, que vocês jamais em hipótese alguma devem considerar o que leem em uma adaptação em mangá ou uma adaptação em anime, uma representação direta do conteúdo e qualidade das obras originais, as LNs. Se você não leu a LN, não opine sobre ela só porque você leu ou assistiu uma adaptação. Não posso forçar ninguém a ler a obra original, então conto com o bom senso de vocês de se aterem a julgar a adaptação somente, caso tenha sido a única coisa que leu/assistiu.

    1. Sabikui Bisco (Anunciada adaptação de mangá ainda não lançada até a data desse post)
    2. Ryuuou no Oshigoto!*
    3. Jaku-Chara Tomozaki-kun*
    4. Hige wo Soru. Soshite Joshikousei wo Hirou. 
    5. 86*
    6. Youkoso Jitsuryoku Shijou Shugi no Kyoushitsu e*
    7. Bokutachi no Remake
    8. Sankaku no Kyori wa Kagiri Nai Zero
    9. Toaru Majutsu no Index*
    10. Sword Art Online*

    1. Honzuki no Gekokujou: Shisho ni Naru Tame ni wa Shudan wo Erandeiraremasen
    2. Umibe no Byouin de Kanojo to Hanashita Ikutsuka no Koto
    3. Monogatari Series*
    4. Overlord*
    5. Tensei shitara Slime Datta Ken*
    6. Majo no Tabitabi (Adaptação em mangá começa a publicação dia 29 de Novembro)
    7. JK Haru wa Isekai de Shoufu ni Natta*
    8. Mushoku Tensei: Isekai Ittara Honki Dasu*
    9. Slime Taoshite 300-nen, Shiranai Uchi ni Level Max ni Nattemashita*
    10. Kumo desu ga, Nani ka?*

    *= LNs que foram oficialmente licenciadas, que estão ou ainda vão começar a serem publicadas (Praticamente todas em inglês, com exceção de Overlord que foi licenciada pela JBC esse ano). Então se você sabe inglês, 13 das 20 novels dos rankings estão ou estarão disponíveis para comprar.

    Bom, é isso. Pensei em me aprofundar mais título por título, falar dos personagens e dos ilustradores, mas preferi não tornar esse post maior do que já está, pois já me deu mais trabalho do que eu originalmente queria. Visto que esses rankings já rodaram tudo quanto é site, espero que tenha conseguido trazer alguma informação diferente que não havia nos outros. Saraba Da!
  • Majo no Tabitabi - Arrecadação (Volume 1 - Capítulo 4)

    0
    Capítulo 4 - Arrecadação

    Parte 1
    ".....É, isso é bem ruim."

    É um país pequeno sem nenhuma particularidade. A razão pela qual eu suspirei não era por causa da paisagem urbana obsoleta. Era por causa do conteúdo desastroso da minha carteira.

    Após pagar três moedas de prata para entrar no país, lá havia um encontro solitário de apenas três moedas de cobre e uma de prata.


    Além disso, infelizmente, depois de vários anos guardadas lá, você teria problemas para distinguir as moedas de prata das de cobre. Também era difícil dizer se eu conseguiria usá-las ou não.

    O valor de uma moeda de cobre, geralmente, era o suficiente para conseguir comprar um pão.

    Uma moeda de prata conseguiria te arrumar estadia por uma noite em uma pousada barata, mas se fosse uma moeda de ouro, você poderia conseguir um quarto de primeira classe com decorações.

    Falando sobre minhas atuais possibilidades, teria que ser entrar em uma pousada de aparência barata com uma porta barulhenta, comer só pão, e dormir enrolada em um lençol fino enquanto resisto a fome.

    Resumindo de maneira simples, eu irei morrer em breve.

    ".....O que eu devo fazer."

    Eu estou tendo problemas em relação ao dinheiro, mas eu preciso gastá-lo. Eu continuei caminhando enquanto segurando meu estômago que roncava.

    Das barracas de alimentos alinhadas na rua, as frutas e vegetais estavam brilhando como joias a fim de influenciar a eu esfomeada.

    Aah, eu quero comer.....

    Eu quero comer---

    "Com licença, um pão por favor."

    Sem perceber, eu acabei de pé na frente de uma barraca que tinha um rico aroma de trigo flutuando ao redor dela. Os preços não estavam escritos lá.

    Uma vovó animada, sentada do lado oposto dos pães olhou para mim e sorriu.

    "São três cobres."

    Oops, isso foi indelicado. Eu estava errada.

    Era uma velha suja que estava extorquindo dinheiro de uma pessoa pobre.

    "Eh? Com licença. Parece que eu não ouvi muito bem. Pode repetir mais uma vez por favor?"

    "São três cobres."

    "Entendo, então três cobres por três pães certo?"

    "É por um pão. Você está meio adormecida ou o que?"

    Não é você que está meio adormecida ou o que você está falando? Você é idiota? Como você pode cobrar três moedas de cobre por esses pães duros que parecem estarem jogados do lado de fora por algum tempo.

    No fim, eu sai daquele lugar sem falar nada e completamente exausta.

    Engolindo ar e saliva tudo junto, eu deixei a barraca maligna que me seduziu para trás.

    Enquanto eu avançava na rua principal, eu acabei em uma praça.

    Um chafariz gigante se esticava em direção ao céu. Era uma visão totalmente comum que você pode ver em qualquer lugar. E no banco do lado do chafariz, havia um casal conversando alegremente não se importando com os olhares ao redor, era realmente uma cena comum.

    ............

    Por alguma razão, eu fiquei irritada e pensei em queimá-los até virarem cinzas, mas descartando esses pensamentos, eu comecei a caminhar em direção ao chafariz.

    Então, eu trouxe a água que circulava com ambas as mãos e comecei a beber. Água gelada desceu pela minha garganta e preencheu meu corpo com a umidade que ele já não tinha mais.

    "Ei olhe, darling! Aquela Bruxa está bebendo a água do chafariz."

    "É verdade, que aparência decadente! Hahahahaha!"

    "..........."

    Eu carreguei magia na minha mão e silenciosamente balancei o cajado que eu invoquei.

    Um momento depois.

    Junto com um som plano, o banco foi partido ao meio.

    "Kyaa! O que aconteceu com o banco?!"

    "Provavelmente ficou com muita inveja do nosso amor ardente! Hahahahaha!"

    "..........."

    De alguma forma minha raiva também desapareceu por completo.

    Meu sentimento de fome sumiu um pouco, então eu guardei meu cajado e comecei a caminhar.

    Afinal, eu precisava achar a pousada para ficar a noite.


    Parte 2
    "Custo da pousada? É três pratas."

    "Por três noites? Desculpa, mas eu planejo ficar por uma noite só."

    "Não, são três pratas por uma noite."

    "..........."

    Esse já era o sexto lugar. Eu estava andando por aí na esperança de encontrar um hotel satisfatório, mas por que isso aconteceu? Não importava qual pousada era, o preço era três vezes maior do que o preço padrão do mercado.

    Nessa pousada caindo aos pedaços com um buraco na parede e sem banho, o estalajadeiro pediu três pratas por uma noite. Você só pode estar brincando comigo.

    Eu inclinei minha cabeça para baixo.

    "Não dá para fazer nada sobre isso? Eu só tenho uma prata e três cobres comigo....."

    "Não há somente quatro cobres aqui?"

    "Ah, essa é uma moeda de prata."

    ".........É verdade. Está suja demais."

    "Não dá para fazer nada sobre isso?"

    "Não há nada que possa ser feito." - O tio estalajadeiro suspirou.

    "Por favor entenda, Ojou-chan. Isso também é negócio."

    "Extorquir dinheiro de uma pessoa pobre é negócio?"

    "Negócio normalmente é esse tipo de coisa."

    "Funununu......"

    Não posso negar.

    De certa forma, sinto que é irracional pedir por abrigo nessa pousada.

    Eu dirigi minha atenção ao estalajadeiro enquanto coletava minhas moedas uma por uma.

    "Eu tenho uma pergunta se você não se importar."

    "O que é?"

    "Não estão os preços desse país um pouco altos demais? O cenário da cidade também não é nada extraordinário, e não parece ter coisas que façam valer a pena o aumento dos preços."

    "Ah......"

    "Já que você é uma viajante, você não sabe, huh, Ojou-chan?" - Disse tais palavras o estalajadeiro.

    Pelo visto existem circunstâncias no fim das contas.

    O estalajadeiro parecia estar preocupado com os arredores, então eu abaixei minha voz.

    "O rei insensato que foi coroado recentemente, começou a fabricar grandes quantidades de moedas."

    "Fabricar? Você quer dizer fazer moedas falsas circularem no mercado?"

    O estalajadeiro assentiu.

    "Sim. E com a aparição do dinheiro no mercado, o valor das moedas caiu. Para você que é uma viajante, os preços parecem estar um pouco altos, mas para as pessoas vivendo aqui, os preços são válidos."

    "Válido você diz...... Mas, vocês estão usando moedas falsas, certo? As pessoas não seriam punidas por estarem usando elas?"

    "Quem circulou o dinheiro falso foi o próprio rei. Sem chances de que nós receberíamos punições."

    Entendo.

    Acho que eu vi as verdadeiras cores desse país. Eu não sei quais os verdadeiros objetivos do rei eram, mas se ele circulou o dinheiro falso para dar vida ao país, então isso seria digno de um idiota.

    Mas não há ninguém que iria se opor ao uso do dinheiro falso no país, huh?

    "Para nós, não é realmente importante se as moedas que nós usamos são genuínas ou falsas. Se o dinheiro dentro do país crescer, então estará tudo bem mesmo que os preços subam, e independente se for falso ou não, os cidadãos não irão ter problemas com isso. Os únicos prejudicados serão vocês viajantes."

    "........Realmente. Eu acho que as pessoas vindas de fora terão seus corações partidos com esses preços tão altos."

    Tal como eu.

    O estalajadeiro olhou atrás de mim.

    Olhando para trás, havia um outro cliente de pé atrás de mim segurando três moedas de prata nas suas mãos----Parece que ele planeja parar para passar a noite aqui.

    Os preços que são três vezes maiores do que o normal, certamente parecem como se fossem preços válidos para as pessoas desse país.

    "Nós deveríamos terminar por aqui, Ojou-chan."

     "Sim. Muito obrigada pela importante história."

    Eu me curvei e saí da pousada.


    Parte 3
    Eu decidi trabalhar a fim de conseguir renda para os custos da pousada.

    Eu voltei todo o caminho até a rua onde eu não consegui comprar o pão. Então eu sentei na calçada por um tempinho. Olhando para as pessoas passando por ali, eles pareciam estar fazendo compras com rostos completamente despreocupados.

    A falta de vergonha na cara deles não tinha limites mesmo eles sabendo do dinheiro falso.

    "........."

    Uma vez que eu sou uma viajante, minha renda irá atingir o fundo do poço cedo ou tarde. Não era trabalho com o objetivo de me estabelecer aqui, mas sim uma coisa essencial a se fazer.

    Dito isso, eu já tive problemas com arrecadação muitas vezes até agora. Se o dinheiro acabar, eu não vou ser nem capaz de entrar em um país no fim das contas.

    Normalmente, eu salvaria uma pessoa das fraudes de um mercador e ganharia algumas moedas com isso.

    Mas, eu comecei a pensar.

    Mas, já que para esse país, está tudo bem independente se são moedas verdadeiras ou falsas, então não há nenhuma desvantagem.

    Quando eu penso que irei receber três vezes mais também, então assim como as pessoas desse país, eu também não me sentiria nem um pouco mal em usar moedas falsas.

    "Ei, você."

    Eu chamei o jovem caminhando pela rua com uma expressão azeda.

    Seus ombros recuaram e ele olhou para mim, "Eh, eu?"

    Eu assenti e acenei para ele.

    "Você parece estar com problemas, estou certa?"

    "Umm, quem é você?"

    "Ah, eu fui tão rude. Eu esqueci de me apresentar. Eu sou uma vidente viajante."

    Enquanto eu declarava isso na maior cara de pau, eu levantei meu chapéu e olhei para o jovem de expressão rabugenta.

    Ele respondeu sem apagar sua expressão duvidosa.

    "Com problemas, você diz... Eu realmente pareço estar tanto assim com problemas?"

    "Sim. Para mim, você parece estar atolado de problemas."

    "É mesmo....."

    "Sim."

    Eu assenti exageradamente.

    Falando por experiência própria, hesitar no meio da negociação leva a falha. No momento em que eu hesitar----No momento em que eu abaixar a guarda, eles começarão a criar suspeitas sobre mim.

    Eu comecei.

    "Você mesmo não consegue compreender completamente o que está te causando problemas. ----Por exemplo, poderia ser porque você não tem confiança na sua aparência, ou talvez algo não foi bem no trabalho, ou quem sabe você se sente apreensivo por ser incapaz de conhecer sua pessoa destinada não importa quanto tempo passe----"

    ".........!"

    O rosto dele se contorceu por um mero instante, mas eu não deixei isso passar.

    Entendo, então ele está preocupado sobre não ter uma namorada, huh? Entendo.

    "Você se sente apreensivo sobre não ter uma namorada-----Estou errada?"

    "........Bem. Quem sabe."

    Ele disse aquilo para mim enquanto desviava o olhar.

    "Eu irei oferecer-lhe uma adivinhação---Sobre o dia que sua pessoa destinada irá aparecer diante dos seus olhos."

    Eu invoquei meu cajado e carreguei poder mágico nele.

    Poh - Com um som agradável, fogo foi produzido.

    ".......Aah"

    E imediatamente após nascer, ele foi varrido pelo vento e apagou.

    Aparentemente o poder mágico era fraco demais.

    Infelizmente, eu levantei o cajado que estava soltando fumaça alto demais. Falando sinceramente, eu queria um desenvolvimento onde eu predizia o futuro enquanto olhava para as chamas, mas isso já é impossível.

    Após tirar toda a fumaça do cajado com meu sopro, eu o guardei.

    "Entendo, consigo ver."

    "Eh? Só com isso?"

    "Sim. A adivinhação da fumaça de agora é um método de adivinhação onde você olha o formato da fumaça e prevê o futuro."

    Embora isso seja uma mentira.

    "Nunca ouvi falar."

    "Mesmo assim, é assim que funciona. Até porque, essa adivinhação é uma arte secreta que foi passada adiante pela minha família por gerações. Não é possível outras pessoas terem conhecimento dela."

    Eu forçadamente encerrei a conversa a fim de impedir que a mentira fosse descoberta, "A propósito, sobre sua pessoa destinada."

    "S-Sim. O quê? Quando eu vou encontrar ela?"

    "Aparentemente, hoje."

    "Eh, hoje? Em outras palavras, isso significa que você é----"

    "Hoje a noite, sua pessoa destinada irá aparecer diante dos seus olhos."

    Eu sinto como se ele estivesse tentando dizer algo ambíguo, mas é melhor descartar isso como nada mais nada menos que algum absurdo.

    Antes que ele terminasse dizendo alguma outra besteira, eu abri minha boca.

    "Há uma praça com um chafariz mais a frente, certo? Deveria haver um banco quebrado ali do lado."

    Eu peguei algo da minha carteira e comecei a falar enquanto entregava para ele.

    "Se você tiver isso em suas mãos e permanecer próximo ao banco, sua pessoa destinada irá aparecer diante de você sem falhas."

    Após pegar isso da minha mão, ele ficou confuso.

    "......Isso é? Tudo que eu vejo é uma linha normal."

    "Isso é tudo menos uma linha normal. Isso é uma linha mágica carregada com meu poder mágico. Ela carrega o poder de atrair o destino."

    Obviamente, eu não fiz algo como colocar poder mágico na linha, e para início de conversa, mesmo se eu fizesse, a linha não ganharia o poder de atrair o destino.

    Falando nisso, se eu não estiver enganada, essa é a linha que eu peguei perto das barracas.

    "Se eu tiver essa linha..... Então, a pessoa destinada....."

    "Exatamente. Você com certeza encontrará ela. Pois bem, seria o suficiente se você esperasse até a noite com uma boa aparência. Para assim você não desapontar a pessoa destinada."

    De alguma forma, o jovem que estava hesitando começou a segurar a linha com firmeza após algum tempo.

    "Eu entendo. Eu esperarei próximo ao banco enquanto uso isso."

    Ele tentou partir com um sorriso renovado. Mas, eu apressadamente parei ele.

    "Cliente, o preço combinado da linha e da predição é de uma moeda de ouro."

    Eu comecei a dizer as palavras mágicas para o jovem carrancudo. "Não se preocupe. Se por um acaso você não conseguir encontrar a pessoa destinada, eu devolverei o dinheiro."

    Foi mais ou menos uma hora após o jovem de expressão azeda ir embora.

    Uma mulher passou diante dos meus olhos.

    Ela era uma mulher comum, com aparência e características comuns. Sua idade era aproximadamente a mesma que a minha. Suas características básicas não eram ruins, mas seus pontos positivos pareciam serem assassinados por seu cabelo despenteado e suas vestimentas que pareciam como se tivessem apenas sido juntadas aleatoriamente do seu guarda-roupas.

    Tal como aquela moeda de prata escurecida.

    Em todo caso, eu decidi que essa garota será minha próxima cliente.

    "Ei, você..... Você está preocupada sobre ser incapaz de encontrar um namorado, certo?"

    Eu chamei por ela que estava caminhando pela rua de cabeça baixa.

    Os ombros dela recuaram e ela olhou para mim.

    "...... E-Eu?"

    "Sim. Você."

    "Umm, quem é você?"

    "Ah, eu fui tão rude. Eu esqueci de me apresentar. Eu sou uma vidente viajante."

    Enquanto eu declarava isso na maior cara de pau, eu levantei meu chapéu e olhei para ela.

    Enquanto tremia como um herbívoro sob o olhar de um predador, ela me perguntou timidamente.

    "C-Como você sabia?"

    "Eu compreendi. Eu sou uma vidente, afinal----Eu vi tudo sobre você começando dos seus problemas até sua pessoa destinada."

    "A-Até minha pessoa destinada? Isso é verdade?!"

    "Sim. Eu vi claramente com esses olhos."

    Obviamente, isso é uma mentira.

    "Então, quando minha pessoa destinada irá aparecer?"

    "Aparentemente, hoje."

    "Ho-Hoje?"

    Ela que latejava com a palavra "pessoa destinada" também estava muito chocada com um desenvolvimento tão repentino. Mas eu não entrei em pânico. Porque até esse ponto, tudo estava indo de acordo com os meus planos.

    "Há uma praça com um chafariz mais a frente, certo? Deveria haver um banco quebrado ali do lado."

    Então, com um tom de voz extremamente calmo, eu adicionei.

    "Hoje a noite, uma pessoa com uma linha no braço deverá aparecer lá. Ele será sua pessoa destinada."


    Parte 4
    E então. Bem dessa forma.

    Enquanto dizia "Para a melhoria da predição", eu dei a eles uma pedra eu eu peguei aqui perto e combinei o encontro predestinado.

    E o resultado de continuar com tal esplêndido negócio por alguns dias: minha carteira agora está lotada com várias moedas de ouro. Se é esse tanto, então eu posso viver os próximos meses com conforto.

    Oh não-não, eu preciso agradecer o rei que fabricou as moedas primeiro.

    Graças ao fato dos preços do país serem altos, o consumo de dinheiro só para hospedagem é alto, no entanto por outro lado, há recompensas incomumente altas nos negócios então todo mundo está feliz fazendo isso.

    De qualquer forma, o valor do dinheiro nesse país é menor do que nos outros países.

    "-----Sim, então, em outras palavras, se você decorar sua loja com essa placa de Metade do Preço』 que está carregada com meu poder mágico, o pão vai começar a vender aos montes."

    "Sério? Farei isso imediatamente!"

    "É mesmo? Ah, o custo da placa e da consulta é 3 moedas de ouro."

    "Esse preço por três placas?"

    "É por uma placa. Você está meio adormecida ou o que?"

    Moedas na minha carteira aumentaram mais uma vez.

    Eu forcei uma placa na velha senhora da doceria que veio após ouvir os rumores, e com isso, meu trabalho por hoje está feito.

    Alegres sons de estalos foram ouvidos da carteira que ficou completamente cheia.

    Muito bem, hora de voltar para aquela pousada velha. Eu levantei e me estiquei levemente, então comecei a coletar minha bagagem.

    "Espere, você."

    Aconteceu subitamente.

    Alguém agarrou o meu ombro por trás----Eu fiquei surpresa e virei minha cabeça.

    Havia um soldado de pé ali.

    Não, aparentemente soldados.

    Aproximadamente dez soldados de aparência similar lentamente se espalharam e me cercaram. Eles possuíam lanças nas mãos e armas nas costas. Era uma situação um pouco fora do comum.

    "Você é uma vidente viajante, certo?"

    O homem que estava de pé diante dos meus olhos abriu sua boca.

    "Não, você está me confundindo com alguém."

    "Não adianta mentir. Nós estávamos assistindo suas negociações com os clientes por trás das cenas."

    "......."

    Suor começou a escorrer pelas minhas bochechas.

    Isso é ruim. Isso é ruim, isso é ruim, isso é muito ruim.

    O que eu devo fazer. Parece que alguém reclamou do meu charlatanismo----Mas, ainda assim, eu não trapaceei nem nada do tipo. Mas, aah, o que fazer....... Estou cercada então não posso escapar. Eu provavelmente poderia escapar se eu usasse magia, mas eu quero evitar fazer do país inteiro um inimigo.

    "Por favor, venha conosco" O homem na minha frente declarou isso indiferentemente, "O rei deseja conhecer você"

    Não preciso nem dizer que eu não acreditei no que minhas orelhas ouviram.


    Após eu caminhar através de uma rua sem nenhuma característica de destaque cercada por cavaleiros, eu cheguei ao palácio que não tinha nada de especial.

    Tirando os preços altos, não havia nada de peculiar nesse país.

    Na maior sala do palácio real, um único jovem homem sentava em um trono.

    O jovem rei sentado acima das escadas olhei para baixo na minha direção e pronunciou:

    "É você a vidente viajante? Você parece ser muito jovem."

    "Rei-sama também é muito jovem. Eu pensava que o rei-sama seria mais velho."

    Os soldados enviaram olhares frios para minhas palavras. Não, eu realmente não disse aquilo de forma sarcástica. Juro.

    O rei olhou para os soldados e disse "É o bastante, vocês todos. Podem se retirar" e mandou eles irem embora com um movimento de mão.

    Após os soldados saírem da vasta sala e só nós dois permanecendo nela, o rei começou mais uma vez.

    "Há um rumor que suas predições são bem precisas, isso é verdade?"

    "Sim, bem----Aqueles que disseram que elas são precisas estão provavelmente certas."

    "Essas predições são efetivas só com humanos?"

    "? O que você quer dizer?"

    "Eu quero saber se elas são efetivas em coisas no geral."

    Ele declarou aquilo em um tom completamente calmo---Eu não entendo mesmo o que ele está pensando. Ele acredita nas minhas habilidades? Ou ele tem suspeitas sobre elas? Ou será que ele já conseguiu ver através da minha mentira?

    Eu respondi de forma enviesada.

    "Que objeto você deseja saber o futuro?"

    "O futuro desse país" - O rei respondeu imediatamente.

    "Futuro do país....você diz?"

    Exatamente - Ele assentiu com uma expressão humilde, naquele ponto eu comecei a pensar.

    Prever o futuro desse país não precisa de algo como adivinhação. É uma coisa simples.

    Não, para início de conversa, eu não tenho nenhum poder para adivinhação.

    "Antes que eu responda essa questão, existe algo que eu desejo pedir para você, rei-sama."

    "? O que é?"

    Eu comecei dizendo "Por favor, me diga a razão para espalhar moedas falsas nesse país."

    Após ouvir aquilo, ele franziu a testa e soltou um suspiro "Isso é um disparate."

    "Eh, seriam elas moedas genuínas?"

    Eu olhei para as moedas que preenchiam minha carteira.

    Se todas essas são moedas reais, então eu sou uma pessoa absurdamente rica agora. Yaay.

    "......De fato. O que eu espalhei foram genuínas, verdadeiras moedas-----Não, na verdade não fui eu quem espalhou elas."

    "Foi uma atitude feita por instrução de alguém?"

    O jovem rei assentiu.

    "Foi algo feito pelo homem que é braço-direito do rei anterior. Eu fui coroado recentemente, então eu deixei todas as políticas econômicas para ele. Foi ideia daquela pessoa espalhar as recém-feitas moedas dentro do país para estimular a economia. Bem, no fim das contas não aconteceu como era planejado."

    "........"

    Eu tenho a sensação de que isso dar certo está fora de questão, no entanto....

    "Por causa do dinheiro dentro do país aumentar subitamente, os boatos sobre fabricação de dinheiro falso começou a se espalhar, mas isso é um completo absurdo."

    ".....Não existe a possibilidade de que esse conselheiro tenha mentido para você?"

    "Impossível. Eu secretamente invoquei um especialista para o palácio sem que ele percebesse e fiz o especialista investigar, mas todas as recém-produzidas moedas eram genuínas sem sombra de dúvidas."

    É por isso, os rumores dizendo que eu espalhei moedas falsas dentro do país é um disparate---O rei se levantou enquanto dizia isso.

    Ele lentamente desceu as escadas e se aproximou de mim.

    "Aquele conselheiro verdadeiramente fez bem. Para falar a verdade, eu até acho que ele deveria ter se tornado rei ao invés de mim. -----No entanto, isso não aconteceu por causa do sistema hereditário. Antes de avançar as medidas políticas, ele sempre vinha para o meu lado com conselhos para dar. Se não fosse por ele, eu teria sido tirado do assento do rei há muito tempo."

    "......."

    Ele ficou de pé diante de mim e fez uma expressão desagradável.

    "Mas, eu simplesmente não o entendo mais recentemente-----Eu não acho que as coisas que ele me fez fazer estão conectadas com um futuro próspero. Eu não quero duvidar dele, mas olhando para a situação atual, o estado econômico desse país está grave demais. Embora os rumores sobre moedas falsas aparecendo no mercado não sejam verdadeiros, os viajantes estão cada vez mais distantes por causa dos preços altos. A diplomacia também foi perdida."

    Ouvindo seus problemas, havia apenas uma coisa que vinha na minha mente.

    Esse jovem rei quer ter paz de espírito.

    Olhando o futuro do país, ele quer obter paz de espírito. Se o futuro do país for pacífico. Se o conselheiro não tiver mentido, é claro.

    Que pessoa honesta---Não, descrever ele com simples honestidade talvez não seja correto.

    "É por isso, eu quero que você me mostre o futuro desse país. Você consegue fazer isso?" Ele declarou.

    Minha resposta já estava decidida.

    "É possível."

    Ele assentiu com brilho nos olhos "É verdade?!"

    Após ele forçadamente segurar minha mão, eu recuei minha mão enquanto dava um passo para trás e disse.

    "Sim. Eu não digo mentiras."

    Isso certamente é algo que alguém que conta mentiras à rodo diria.

    "Mas antes de dizer o futuro do país, eu tenho condições."

    "O que é."

    Eu levantei o dedo indicador.

    "Primeiro. Por favor, me permita ficar aqui por um dia. Prever o futuro do país é um trabalho muito difícil. Primeiro é necessário alcançar o país inteiro do palácio real que fica localizado no centro dele."

    "Sim. Eu entendo. Eu irei imediatamente fazer as preparações."

    O jovem rei fez um grande aceno. Eu levantei o dedo do meio ao lado do indicador.

    Passar uma noite é só uma coisa adicional. Pois a coisa que eu irei fazer após isso não precisa de preparações para funcionar direito mesmo que eu tenha acabado de dizer isso para ele.

    O que é realmente importante é a outra condição.

    "E a segunda----"


    Parte 5
    Após aquilo, enquanto pensava sobre minha estratégia, eu estive deitada na cama por um tempo em um quarto que o rei-sama me deu. Esperando o momento quando eu precisarei por meu plano em prática.

    Quando o sol finalmente desceu abaixo da altura da janela e o lado de fora foi pintado pela escuridão, eu finalmente abri meus olhos.

    Parece que a hora chegou.

    Eu invoquei meu cajado e atingi minha cabeça com a ponta dele.

    "Eii!"

    Com um barulho bobo acontecendo, eu me transformei em um pequeno rato.

    Eu temporariamente mudei minha forma por aplicar magia em mim mesma. É uma coisa cansativa e eu não queria fazer isso, mas não havia outra escolha.

    Assumindo uma forma que é fácil de se mover, eu relembrei a planta do palácio real que o jovem rei me mostrou e avancei em direção ao local desejado.

    Se eu for através do corredor, eu posso acabar sendo assassinada por pessoas passando por ali, então eu decidi me mover pelo sótão. Eu avancei bruscamente no sótão que estava tão empoeirado que não podia ser comparado com o interior brilhante do castelo.

    E, eu cheguei justamente acima do quarto do conselheiro.

    No que eu olhei abaixo pela brecha, eu vi o conselheiro com seus cotovelos apoiados na escrivaninha. Do lado oposto dele estava um único soldado. Ele possuía uma aparência similar aos soldados que me cercaram hoje.

    Eu assumi pela atmosfera que eles não estavam tendo um papo amigável.

    "Então, como as coisas estão indo, pai?" - Disse o jovem homem.

    "Como, você pergunta?" O conselheiro respondeu enquanto coçava sua cabeça "Está certamente indo bem. Logo logo o rei irá cair."

    "Logo logo você diz, e quando será isso? Não é o que você vem dizendo já há algum tempo?"

    O jovem homem levantou um tom de voz agitado.

    Aquela última voz parecia estar perguntando sobre alguma coisa----Mas pensando sobre isso com essa cabeça pequena, só uma pessoa que parece com aquilo me vem em mente.

    Talvez, o jovem homem que está tendo uma conversa com o conselheiro é o soldado que agarrou meu ombro durante o dia. Pode ser um mal entendido meu, mas...

    "O rei convocou a vidente viajante para o castelo. Certamente, é para prever o futuro do país. Nosso plano pode acabar revelado para o rei."

    O conselheiro riu.

    "É impossível que o jovem que me adora faria algo assim, certo? Provavelmente ele quer ouvir sobre seu destino no futuro próximo."

    "........."

    "Mais ainda, as predições contadas por aquela viajante também são suspeitas. Ela pode ser uma pequena canalha que faz dinheiro enganando pessoas."

    Kuuh!

    ".....A vidente é só uma garotinha."

    "Eu quero ver a pessoa eu mesmo."

    Está certo. Tudo é exatamente dessa forma. Mas eu não sou uma garotinha. Eu sou uma Bruxa, sabia? Uma Bruxa.

    Talvez ele estivesse cansado para responder de volta, o jovem homem só suspirou e respondeu "Mantenha a promessa."

    "Sim, eu a manterei. É por isso que você deveria também fazer seu trabalho direito. Afinal, suas ações são essenciais no meu plano."

    ".....Eu entendo."

    Dizendo isso, o jovem homem decidiu sair do quarto.

    O teto quebrou com um alto e violento som, e a Bruxa de cabelos cinzentos segurando o cajado desceu de lá.

    Quem no mundo seria aquela pessoa? Isso mesmo, sou eu.

    "....Haa, haa, fuuh...."

    Aah, que aparência estranha.

    A magia acabou no meio do caminho. Essa situação me é familiar.

    Parece que o teto de onde eu estava espiando era muito estreito para o meu corpo caber. Ele quebrou no momento em que eu voltei para a minha forma original.

    Ou talvez estava podre por causa da longa idade?

    De qualquer forma, sem dúvidas não foi por eu ser pesada.
    ......Provavelmente.

    "Q-Quem é você!"

    Enquanto eu me levantava e limpava a poeira agarrada no meu corpo, o conselheiro estava em alerta com um rifle na mão. Ele provavelmente estava escondendo isso de baixo da escrivaninha.

    Completamente preparado.

    "Prazer em conhecê-lo."

    Eu balancei meu cajado.

    Em um momento, flores nasceram da arma.

    E olha que elas até que eram flores bem adoráveis.

    "Você----! I-Isso!"

    Por causa das flores que eu criei terem acabado sendo tão bonitas, eu esqueci completamente sobre a outra pessoa atrás de mim.

    Mas já que me virar era muito trabalhoso----Eu toquei o chão com o cajado e dei vida aos fragmentos de madeira que estavam espalhados.

    Os fragmentos se tornaram cipós.

    E os cipós rapidamente foram em direção a eles.

    E capturou os dois.

    "Você é o conselheiro do rei-sama, certo?"

    O homem de meia idade cujo os membros estavam restringidos pelo cipó olhou para mim. Ele direcionou olhos cheios de ódio e perplexidade na minha direção.

    "Quem é você!"

    "Pai, essa é a vidente viajante!" o jovem homem respondeu por trás.

    Eu assenti francamente "É assim que é. Eu sou a vidente viajante."

    O conselheiro se contorceu como uma minhoca enquanto era incapaz de se mover.

    "....O que você quer comigo."

    "Oh, você deveria saber a resposta você mesmo, certo?"

    "........."

    Silêncio.

    Eu me virei. O homem que me trouxe até aqui durante o dia estava me encarando.

    "O que você pretende fazer!"

    Eu respondi

    "Eu pretendo prever um futuro pacífico para esse país."


    Parte 6
    Após aquilo, aqueles dois foram capturados pelos guardas que vieram após ouvirem o barulho, e foram forçados a revelar tudo na frente do rei.

    Pelo que parece pai e filho planejavam tomar posse do país.

    E as moedas que foram espalhadas dentro do país acabaram por serem falsas no fim das contas. Aparentemente o tal especialista que disse ao rei que as moedas eram genuínas era um impostor sujo que foi subornado pelo conselheiro.

    A fim de distorcer o sistema hereditário, ele propositalmente fez o país cair em crise. Ele confessou ter colocado toda a culpa no jovem rei e planejava derrubar ele. Provavelmente após o conselheiro-san se tornar o rei, ele planejava fazer seu filho suceder ele.

    Mas, tudo acabou falhando.

    Atualmente, eles estão trancados na prisão, mas eu não sei o que irá acontecer com eles daqui em diante. Não é uma questão que eu deveria me importar.

    Então, após o questionamento deles chegar ao fim, eu fui convocada para o trono e recebi a coisa prometida.

    "Muito obrigado."

    Eu assenti enquanto confirmava o conteúdo. Grande quantidade de moedas de ouro velhas foram para dentro da minha carteira.

    Como uma segunda condição para prever o futuro do país, todas as moedas de ouro obtidas foram trocadas pelas moedas velhas. As falsas foram completamente removidas.

    "Colete todas as moedas falsas que apareceram dentro do país" O rei desmotivadamente ordenou "As moedas dentro da sua carteira provavelmente são falsas também."

    "Como eu pensava."

    A promessa de prever o futuro do país ainda não havia sido cumprida. O problema do qual o jovem rei estava preocupado sobre já desapareceu, logo não havia mais necessidade de prever o futuro. Eu me senti aliviada que eu pude parar de contar mentiras.

    Embora o futuro do país estivesse pesando na minha mente um pouco, eu sou uma viajante então eu tenho que partir daqui imediatamente.

    Que tipo de caminho esse país irá seguir daqui em diante? Essa questão não é algo que alguém conseguiria responder ou prever o seu futuro. O mesmo vale para mim.

    "Mas, é lamentável. Em pensar que ele continuava a mentir para mim."

    Eu respondi para o depressivo jovem rei "Um mentiroso é alguém que parece despreocupado o tempo todo."
  • [Review] JK Haru wa Isekai de Shoufu ni Natta - Uma novel sobre sexo, em mais de um sentido.

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    Nome Original: JK Haru wa Isekai de Shoufu ni Natta / JKハルは異世界で娼婦になった
    Nome em Inglês: JK Haru is a Sex Worker in Another World
    Autora: Kou Hiratori
    Status: Finalizado (Volume Único)
    Tradução: Inglês (Lançado oficialmente pela J-Novel Club)
    Link para comprar o eBook: Amazon

    Aviso: Antes de mais nada, essa novel não é recomendada para menores de 18 anos, nem para pessoas de coração fraco. Há algumas cenas bem pesadas que podem te impactar bastante caso seja uma pessoa sensível.

    JK Haru foi uma experiência a princípio estranha, mas que depois se mostrou não só uma obra bem inteligente, como também muito ousada e autêntica. Pelo título você já consegue identificar que o livro se trata de um isekai, e em uma época onde o que não falta são pessoas para apedrejar o subgênero inteiro baseado em um conhecimento extremamente superficial de umas meia dúzia de adaptações em anime recentes, JK Haru aparece como uma obra que não é só majoritariamente única entre as obras do subgênero em si, mas provavelmente em todas as obras que um fã de anime comum já tenha consumido. A novel não necessariamente tenta quebrar paradigmas, mas sim quebrar tabus, e como tal definitivamente não é uma obra para qualquer um.
    Tudo obviamente começa com a sua premissa, tendo a protagonista, Haru, trabalhando como uma prostituta. Só esse primeiro passo já pode ser demais para muita gente, que provavelmente descartaria a leitura do livro de imediato, o que é uma pena, já que a premissa nada mais é que uma ideia, o que realmente acaba fazendo a diferença é como essa ideia é executada.
    E a execução da ideia em JK Haru é muito boa. Antes de mais nada, a obra é um isekai pois busca ser uma sátira a uma parte específica do subgênero, ao mesmo tempo que aborda temas como a liberdade da mulher e a misoginia. Ok, aqui entramos em um assunto delicado, então vamos por partes primeiro.

    A história basicamente começa com a protagonista, Haru, e um colega de classe dela, Chiba, ambos morrendo atropelados por um caminhão. Os dois são revividos em um mundo de fantasia por um "Deus", o rapaz, que recebeu habilidades superpoderosas, começa a viver como um aventureiro, já Haru, acaba tendo que se tornar uma prostituta para conseguir o seu ganha-pão. Haru não tinha muito para onde ir, pois a sociedade daquele mundo não permitia uma mulher se cadastrar como uma aventureira sozinha (Para conseguir, tinha que ser como acompanhante de um homem), para eles chegava a ser rude o fato de uma mulher sair sozinha na rua. Claramente não era um bom mundo para uma adolescente do mundo moderno cair.
    Com o básico da história explicado, é hora de falar um pouco mais a fundo sobre o que ela quer dizer e do seu conteúdo no geral.

    JK Haru não é uma obra muito fácil de digerir, principalmente pelo fato de seguirmos o ponto de vista de uma prostituta. Se não percebeu ainda, a novel descreve cenas de sexo explícito muitas vezes, além do linguajar ser igualmente explícito. As cenas de sexo e linguajar erótico possuem uma função narrativa importante, e talvez a única coisa no livro que realmente me impactou de verdade vem justamente da reflexão que essa função narrativa trás, mas depois toco nesse assunto.
    Um pontos interessante é que a existência do Chiba é uma representação do papel padrão de um protagonista homem de um isekai de aventura/ação (Exceto o fato que nessas obras normalmente o protagonista é uma pessoa ao menos decente), e em momento nenhum vemos o mundo pelo ponto de vista dele, é praticamente o tempo todo do ponto de vista da Haru, e a obra consegue fazer o mundo se tornar altamente desinteressante e limitado, pois a personagem não tem o direito de ver o mundo como um lugar divertido de se estar como é para o Chiba. Além de uma sátira a esse tipo de obra isekai, ainda toca nas restrições a liberdade que a própria sociedade impõe as pessoas de um gênero, o que é bem estúpido.

    A Haru ser uma personagem com bastante defeitos ajuda na abordagem tanto dos temas quanto das sátiras, a princípio ela não é lá a pessoa mais agradável de se lidar, fazendo constantes pré-julgamentos, sarcástica e com muitos comentários ácidos. Ao longo do livro ela tem um desenvolvimento bem legal e que também trás uma mensagem bacana que serve para todos nós, principalmente nos dias de hoje com o extremismo sempre muito presente. Falta empatia para todos os lados, e uma personagem se tornar mais empática ao mesmo tempo que aprende a mudar um pouco a forma que ela vê as coisas é um crescimento bem interessante de se ver. Às vezes temos problemas maiores que nós mesmos, conseguir lidar com isso sem descontar nos outros é um feito difícil, mas necessário para melhorar mesmo que um fragmento do mundo.
    JK Haru é muito isso, mostrando uma realidade absurda, que mesmo em menor escala ainda existe no nosso mundo, e como a Haru vive sua vida tendo que lidar com esse tipo de injustiça e buscando ser feliz com a vida que tem.

    Voltando as cenas de sexo, que são bem numerosas como eu disse, essa foi uma sacada muito arriscada, porém inteligente, da autora. Apesar de servir bem para mostrar que tipo de vida a Haru vive e os absurdos que ela tem que passar pela mentalidade da sociedade daquele mundo, um ponto chave que ficou subentendido e eu achei genial foi confrontar uma mentalidade que é muito presente mundialmente. Em um certo ponto do livro, a obra sutilmente faz a comparação entre violência e sexo, o peso que os dois tem. Nesse momento eu repensei no que eu tinha lido até então, e pensei sobre o grande público em si. É inegável que JK Haru seria mal visto por muita gente pelas cenas de sexo explícito, pois mesmo em 2018 muita gente trata o sexo como um bicho de sete cabeças. A novel trás essa realidade à tona e mostra a incoerência das pessoas, pois novamente em comparação com um isekai mais "padrão", as pessoas não veriam absolutamente nenhum problema em uma obra mais violenta, com sangue e mortes, muitos achariam isso até um grande ponto positivo e essas mesmas pessoas achariam "desnecessário", "ruim", "imoral" ou mesmo "incrível" a presença de cenas de sexo no seu entretenimento, quando não era para ser nada disso. Sexo consensual é algo absolutamente normal. Violência e mortes por outro lado é algo ruim. Mas as pessoas tem essa inversão de valores e acham um absurdo qualquer coisa com o menor teor erótico que seja, e já cogitam censurar, enquanto não dão a mínima para brutalidades. A obra inteligentemente reverte essa visão, tratando sexo como algo normal, e violência como algo ruim. Todas aquelas cenas de sexo servem para reforçar essa crítica, e mostrar que se por um lado você ficou incomodado em ter várias cenas de sexo, por outro é bem provável que se essas cenas fossem substituídas por cenas de ação mais violentas você ia achar a coisa mais normal do mundo.

    Por ser parcialmente episódica, a novel acaba tendo alguns capítulos mais fracos e alguns capítulos que agregam pouco ao desenvolvimento da história e da protagonista (Embora ainda funcione bem para a narrativa). Porém, os melhores capítulos entregam muito bem, com direito até a momentos bem dramáticos e momentos bem sombrios. Sendo volume único abordando alguns temas complexos e tendo de fato uma história por trás, os personagens acabam se destacando muito pouco. A protagonista, Haru, é uma boa personagem, nada de incrível, mas muito bem trabalhada e desenvolvida. No entanto, o resto do elenco acaba sendo bem esquecível, decentes na melhor das hipóteses. A obra acaba tendo um final inconclusivo, o que pode incomodar alguns, mas considerando a proposta e as ideias da mesma, diria que ela fez o que tinha que fazer apesar disso.
    A novel tem dois grandes plot twists na reta final, um deles bem previsível, o outro já é bem mais surpreendente. Um desses twists pode soar meio tirado do nada, e isso porque a escrita é bem sútil e inteligente como já dito anteriormente, pois se parar para reler do começo, perceberá que tem diversas pistas ao longo do livro que indicavam a vinda desse twist no final. Foreshadowings costumam me agradar bastante, ainda mais bem feitos como é o caso aqui, por isso caso leia e ache que foi "tirado do nada", entenda que você apenas não notou os foreshadowings que se misturam na escrita de maneira muito natural.
    Ah, a fim de curiosidade, a novel não possui ilustração alguma fora a capa em si.

    JK Haru trás algumas críticas e reflexões bem importantes e interessantes, é um livro que sabe pautar um tema delicado sem tentar empurrar ideologias goela abaixo. Fazendo uma sátira com um tipo específico de isekais, a obra também mostra o quão longe o conceito de isekai pode chegar, que você não deve jamais generalizar o subgênero se baseando em poucos títulos que te desagradaram, ao mesmo tempo em que critica a maneira com que muitos autores trabalham as personagens femininas em obras do tipo, normalmente servindo apenas para enaltecer o protagonista, sem a liberdade para ser uma personagem independente.
    No meio das importantes mensagens e temas para se pensar sobre, a obra ainda arruma espaço para criar uma história interessante com plot twists e momentos dramáticos, além de uma boa protagonista. Só o fato dela ser uma prostituta sem dúvidas vai espantar muita gente, mas espero que, caso seja uma delas e esteja lendo esse texto, eu tenha conseguido ao menos criar o interesse na leitura desse livro, pois apesar de não ser nenhuma obra-prima ou obra super inovadora, vale muito a pena ler. Saraba Da!
  • [Review] 86, Volume 1 - Guerra, Mechas e Racismo

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    Nome: 86
    Autor: Asato Asato
    Ilustrador: Shirabi
    Status: Em publicação
    Tradução: Inglês (Licenciado Pela Yen Press)

    Dia 5 de Abril de 2017, foi a data da última review de light novel que eu postei aqui. Como um auto-proclamado fã da mídia, certamente não tenho feito muito para ilustrar essa imagem. A review em questão foi a do primeiro volume de Gakusen Toshi Asterisk (Ou Asterisk War, como foi oficialmente traduzido), e até hoje curiosamente esse é o terceiro post com mais visualizações do blog. Mas finalmente é hora de voltar.
    Este post não conterá grandes spoilers sobre a obra, porém será discutido alguns aspectos que revelam algumas facetas da obra, então se quiser acompanhar a obra sem nenhum spoiler, recomendo parar de ler o post por aqui. Caso contrário, pode ler mesmo sem conhecê-la, aliás, deve!


    Sinopse de 86: 
    ”República de San Magnolia.
    Por muito tempo esse país foi atacado por seu vizinho, o Império, que desenvolveu uma série de veículos militares chamados de Legion, que não possui tripulantes. Em resposta à ameaça iminente, a República consegue desenvolver uma tecnologia semelhante e assim devolve o ataque inimigo, sem fatalidades. Mas essa é apenas a versão oficial. Na verdade houve sim vítimas. Além dos 85 distritos conhecidos da República, existe um outro. O “não existente distrito 86”. Ele estava lá durante os dias de ataque sem fim, e jovens, homens e mulheres do distrito 86 participam das batalhas.
    Shinn comanda as ações do esquadrão dos oitenta e seis enquanto estão no campo de batalha. E Lena comanda as coisas do lado de fora das batalhas, com a ajuda de comunicação especial.
    A história de despedida, cheia de lutas e tristezas desses dois começa!”

    A LN de 86 é bastante controversa. Acho importante começar o texto com essa frase. Incontáveis obras abordam incontáveis temas de níveis diferentes de relevância em diversas áreas diferentes. Mas abordar o racismo nos dias de hoje é bastante delicado, principalmente quando muitas pessoas querem ver apenas o que elas querem ver, e não o que realmente está sendo mostrado. 86 obviamente ainda é uma novel japonesa e trata seu tema principal (Ao menos do volume 1, que foi o que eu li) de uma maneira bem indireta, porém bastante intuitiva e até certo ponto interpretativa.

    Referências e mensagens que estão implícitas ao longo do livro são fáceis de perceber. Nós temos um país de pessoas com cabelos brancos, e as pessoas de cabelos de outras coras que são usadas como "unidades descartáveis" na guerra que está acontecendo na história. Essas pessoas não são consideradas pessoas por aquele país, e suas mortes não são contadas como fatalidades, na história eles são uma "raça inferior". Já as pessoas de cabelo branco daquele país, que finge que está tudo em paz enquanto o caos se instaura, se consideram como uma "supremacia branca".
    Nessa breve explicação já é possível se tirar muito do que a obra trata, e o motivo dela ser tão controversa.
    A obra fala de racismo constantemente, e no núcleo da história temos dois protagonistas. Lena, uma comandante da República, e Shinn, um dos soldados "descartáveis" por ter um cabelo de outra cor. Lena é uma personagem com forte senso de justiça e valores morais, que acha um absurdo a maneira que aquelas pessoas são tratadas e consideradas no país dela. Shinn e seu esquadrão, por outro lado, cumprem as ordens e não querem ter nenhum contato com as "pessoas de cabelo branco".

    Os paralelos são bem óbvios na história, muito no entanto, não existe apenas uma maneira de se ver as escolhas do autor para a maneira que ele escolheu abordar um tema tão delicado quanto o racismo.
    Uma das coisas mais incríveis, na minha opinião e na minha interpretação, é usar a diferença de cor de cabelo como uma "diferença racial" na história, e que é o motivo do racismo existente daquele país. Isso porque os paralelos com a vida real existem, e quando se é colocado dessa forma na novel, a ideia fica muito mais clara do que o normal. Tem um país que se acha uma raça superior pois eles tem cabelos de uma cor, enquanto os inferiores tem cabelos de outras cores. Parando para pensar um pouco, é uma ideia bem estúpida e sem sentido, certo? E é exatamente isso que a obra quer que você pense, pois o mesmo vale para a vida real. Racismo é estupidez. Seja a cor do cabelo ou a cor da pele, era para ser um motivo bem idiota para querer se achar superior de alguma forma, mas infelizmente a realidade é que tem pessoas idiotas o bastante para pensar assim. E é isso que a novel mostra, a República é um país estúpido, enquanto a guerra e a destruição vai se aproximando do país, eles continuam fingindo que nada está acontecendo e se recusam a fazer algo por achar que isso é o trabalho da "raça inferior".

    Ao longo do primeiro livro o tema racismo está sempre presente. Apesar de ainda ser uma obra de guerra com mechas, o tema em questão é até mais frequente do que a ação em si. A relação da Lena com o Shinn e o seu esquadrão foi uma surpresa agradável, apesar deles só se comunicarem a distância. Tem um momento muito inteligente na novel que aborda um racismo subconsciente da Lena, derivado da sua criação naquele país preconceituoso, e é um momento muito funcional que mostra que mesmo quando você tem boas intenções, ainda pode estar errando com a outra pessoa sem perceber, mas que também é um problema mais comum quando você e a outra pessoa não são realmente tão próximas.

    Dado a forma que o primeiro volume se encerrou, que foi em partes realmente bem fechado e quase como um bom encerramento, acredito que a pauta do racismo não vá estar presente nos próximos volumes. Talvez eu esteja enganado, e gostaria, pois apesar de ter uma história interessante e uns mistérios que realmente te deixam curioso, fora vários personagens bem caracterizados, a maneira como tratou o tema foi realmente muito boa.
    Embora a combinação em si, do drama em relação as questões raciais na história, com a tensão da guerra, o objetivo do Shinn e os conflitos da Lena, todos juntos tenham rendido um volume muito bom no geral, com algumas cenas bem bonitas e emocionantes.

    O mundo da novel é algo a se considerar, tem coisas muito interessantes na parte tecnológica e aparentemente também possui certo aspecto sobrenatural, as coisas se encaixam muito bem mesmo com as lacunas deixadas pelos mistérios ainda a serem explorados. As batalhas são muito bem descritas e o teor trágico da obra trás uma tensão a mais nos momentos mais intensos.
    Apesar do primeiro volume ter cerca de 350 páginas apenas, o autor foi talentoso o bastante para trabalhar bem quase tudo, sem desperdiçar muito texto com coisas menos relevantes. Ao terminá-lo a sensação que dá é a de ter terminado de assistir uma temporada de anime, por exemplo.

    No fim, nessa "breve" análise eu não tenho muito o que reclamar, o que eu poderia dizer são aspectos que não seria justo eu cobrar tendo lido apenas um único volume, ainda mais um tão rico em conteúdo como esse. A ideia original era comentar um pouco sobre como o racismo é abordado na obra, mas no fim das contas resolvi transformar isso numa review e fazer um post um pouco mais significativo, uma recomendação. Acho bem improvável que a adaptação em mangá e a possível adaptação em anime consigam transmitir as mensagens e trabalhar a obra com a mesma eficiência que a novel, por diversos motivos, mas o principal pelo autor realmente ter escrito o volume muito bem. Acredito que mesmo que no fim das contas a questão do racismo não seja mais abordada, ou fique menos frequente, ainda foi algo que não serviu apenas para passar uma mensagem importante para os leitores, mas também teve um propósito muito relevante não só na história, mas no conflito da Lena, que resultou em um bom desenvolvimento e a tornou uma personagem bem interessante no fim do livro. 86 é uma novel que definitivamente vale a pena não só pelo tema (Do volume 1?), mas por todo o conteúdo do volume em si. Saraba Da!
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