• Majo no Tabitabi - Antes da Competição Começar (Volume 1: Capítulo 7)

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    Capítulo 7 - Antes da Competição Começar


    Parte 1

    De manhã cedo, eu cheguei em um certo país. Era um país que eu encontrei por um acaso, enquanto voava na vassoura, então eu não tinha a menor ideia sobre que tipo de país era.

    Era desnecessário para uma vila tão pequena que não tinha nem portão, mas normalmente quando você entra em um país que tem posse da terra, quase sempre há uma inspeção feita pelos guardas do portão.

    Dito isso, exceto em casos especiais, eles apenas perguntam questões gerais básicas.

    "Quem é você?"

    "Elaina."

    "País de origem?"

    "É conhecido como o pacífico país de Robetta."

    "Razões para entrar?"

    "Turismo."

    "Duração da estadia?"

    "Provavelmente em torno de três dias."

    Normalmente, as questões acabariam aí, se fosse um país que exigisse pedágio, você pagaria o dinheiro e o guarda do portão saíria do caminho dizendo "Nesse caso, por favor, fique à vontade."

    "Para o café da manhã, você está na facção do pão? Ou na facção do arroz?"

    Parecia que o questionamento ainda estava em progresso. E era uma questão bem vaga.

    "...Oi?" Eu franzi a testa e peguntei novamente.

    O guarda do portão respondeu sem mudar sua expressão nem um pouco, "De novo, para o café da manhã, você está na facção do pão? Ou na facção do arroz? É uma informação necessária quando se entra no país, então por favor, responda honestamente."

    Existem competições de comida acontecendo nesse país?

    Mas, se é uma necessidade, responderei honestamente. Embora eu ache que é uma pergunta um pouco imprópria para os procedimentos formais padrões.

    "Eu não estou em nenhuma das facções. Eu sou uma viajante, logo, eu mudo a facção para estar de acordo com a cultura do país."

    Eu não consigo comer nada além de pão! -- Você não pode falar isso em um país com uma cultura voltada para o arroz, certo? O mesmo vale para o inverso. Então, eu decidi manter uma postura neutra.

    "Entendo... Isso é incomum," O guarda do portão alisou o queixo e disse.

    "Hmm, entendido. Então, vamos colocar em ambas as facções como sua decisão."

    Após isso, o guarda do portão saiu do caminho e disse:

    "Fique à vontade, Bruxa-sama."

    Eu me curvei para o guarda e passei pelo portão.


    Parte 2

    Eu imediatamente entendi a razão daquela pergunta estranha.

    Pelo que parece esse era um país onde duas culturas estavam misturadas.

    Havia um canal gigante perto do portão de entrada. E aos lados desse canal, haviam casas orientais alinhadas no lado esquerdo do canal e ocidentais alinhadas no lado direito.

    Mais ainda, havia duas ruas diante do portão. Na direita, "Distrito Oriental: Pessoas da facção do arroz, por aqui!" e no lado oposto, "Distrito Ocidental: Pessoas da facção do pão, por aqui!" estava escrito.

    Parece que o país está dividido entre as facções do arroz e do pão internamente.

    "...Hmm."

    Eu hesitei. Eu realmente não tenho preferências.

    Mas, pensando sobre isso, não seria essa a primeira vez caminhando em uma paisagem urbana oriental? É sempre no estilo ocidental.

    Então, eu decidi.

    Eu me virei para a direita.

    A rua ali era composta de pedras retangulares bem organizadas. Olhando de perto, havia casas de madeira formais alinhadas em uma fileira. O Palácio Real era visível mais à frente. Parecia estar bem no centro do canal, então eu presumi que era o centro do país dividido.

    A rua levando ao Palácio Real tinha uma ponte construída mais ou menos no meio do caminho. A ponte nova parecia deslocada comparada com a paisagem urbana histórica. Abaixo do arco da ponte, era possível ver o reflexo de um pequeno barco passando por ali.

    "...?"

    Eu acabei ficando confusa graças a estranha aparência da pessoa em cima da ponte.

    Era um garoto comendo café da manhã enquanto sentado no corrimão. Era óbvio que ele era uma pessoa do distrito oriental pelo fato dele estar vestindo um quimono, mas não importa como você olhava para aquilo, o que ele tinha na boca era pão. Uma pessoa da facção do arroz estava comendo pão.

    Próximo a ele, estava a figura de uma mulher que estava esfomeadamente estufando suas bochechas com um onigiri. Parecia que ela era da facção do arroz. Apesar de vestir um vestido.

    Eu fiquei curiosa. De alguma forma, era uma visão bem incomum.

    "Um, com licença."

    Eu chamei os dois.

    Os dois trocaram olhares, então o garoto me respondeu "Tem algo de errado?" Pão nas suas mãos. Mas vestindo um quimono. Como esperado, é estranho.

    Eu perguntei após me apresentar brevemente, "Que tipo de país esse?"

    "Que tipo de país, você pergunta...hmm." após cruzar os braços, ele perguntou para a mulher ao seu lado, "Ei, que tipo de país é esse?"

    "É um país amável, não?"

    "É, realmente. É um país amável. Sim, Viajante-san, é um país amável."

    O que eu quero saber não é isso, mas sim...

    "A paisagem urbana é amável, mas você é amável também."

    "Ah, para, você é ainda mais amável."

    "Ufufu."

    "Ahaha."

    ...

    Parece que eu sou só um incômodo aqui. Melhor eu sair de uma vez.

    Sim, eu senti que não conseguiria nenhuma informação útil deles, não é como se eu quisesse terminar isso rapidamente ou coisa do tipo, sabe? Não, sério.

    De qualquer forma, eu rapidamente os agradeci e saí.

    Eu caminhei pelos distritos leste e oeste, enquanto falava com as pessoas para obter as informações que eu procurava.

    No entanto, quanto mais em caminhava por aí, mais estranha eu me sentia. Eu não percebi mais cedo de manhã já que havia poucas pessoas nas ruas, mas uma vez que o número de pessoas subiu próximo ao meio-dia, começou a ficar difícil diferenciar os dois distritos, já que as pessoas se misturavam livremente entre leste e oeste usando a ponte.

    O que era mais estranho, era que os feirantes cuja as barracas tinham letreiros dizendo "Nós não vendemos para pessoas da facção do arroz", apesar disso, estavam passando as mercadorias para pessoas vestidas em quimonos.

    Não era só as barracas. Parecia ter algum regulamento oficial em rigor, já que todas as lojas, independente se eram lojas de utensílios ou sacolões, tinham tabuletas dizendo que clientes do lado oposto não seriam servidos.

    Mas não havia uma única pessoa se importando com isso. Era como se as tabuletas fossem insignificantes.

    Após eu voltar do lado ocidental para o lado oriental, eu passei debaixo do letreiro da vendedora de bolinhos de massa.

    "Bem-vinda. O que você gostaria de comer?"

    Enquanto sentei na cadeira, a Onee-san vestindo roupas japonesas se inclinou na minha frente. De cara para o letreiro de "Nós não vendemos para as pessoas da facção do pão" que estava lá fora,

    "Eu estou na facção do pão."

    Eu disse.

    "Que tipo de piada é essa?"

    Após cobrir sua boca com uma mão, a Onee-san começou a soltar risadinhas. Era um gesto refinado.

    "O que você quer dizer com piada?"

    Me encarando com olhos afiados, a Onee-san disse, "Não tem ninguém que se importe com esses decorativos, tem?"

    Certamente, se você olhar a situação nas ruas, eu posso dizer com certeza que não há ninguém que ligue para os letreiros. Mas se é esse o caso, então qual é o propósito dos letreiros?

    "Então, o que você vai pedir?"

    "Ah, três mitarashi dango, por favor."

    "É para já!"


    Parte 3

    Ainda me sentindo inquieta, eu cacei uma pousada no lado Ocidental da cidade.

    Existem alojamentos no lado Oriental também, mas eu não posso ficar do lado de lá. Não consigo dormir a não ser que eu esteja em uma cama decente. Ou talvez eu só tenha mais dificuldade em me adaptar a quartos de estilo Oriental. Certamente não sou a maior fã de andar descalça em tapetes de palha.

    Eu andei para lá e para cá pela cidade, então entrei na pousada que parecia mais barata. Ela tinha uma letreiro frontal que dizia 'Nós recusamos hospedar membros da facção do arroz.'

    Bem, vamos apenas ignorar isso.

    "Noite." Quando eu entrei, o estalajadeiro aparentemente indiferente estava descansando seu queixo nas suas mãos acima do balcão.

    "Quarto para uma noite, por favor," eu disse, pegando uma moeda de prata.

    "Agradecido. Vá em frente e preencha o formulário."

    "Claro."

    Já estava acostumada com esses formulários. Eu terminei de preenchê-lo com uma série de rápidos golpes de caneta. Enquanto eu entregava o formulário preenchido para o estalajadeiro, eu o perguntei, "Se não se importar, poderia me contar um pouco sobre esse lugar?"

    "... Nunca te vi por aqui antes, senhorita. Viajante, você?"

    "Sim. E essas terras são tão estranhas que eu mal consigo processar direito o que vejo."

    O estalajadeiro ficou quieto por um momento, então disse, "Quê cê quer saber?"

    Oh, ele sacou. Como o esperado de uma pessoa que constantemente faz negócios com viajantes.

    "Certo, me diga o motivo para a Cidade do Ocidente e a Cidade do Oriente serem tão diferentes uma da outra."

    O estalajadeiro finalmente me deu as informações que eu tanto cravava.

    "Antigamente, essa terra era composta por dois países vizinhos separados pelo canal. O país do lado oriental herdou uma cultura Oriental, enquanto que o país do lado ocidental herdou a Ocidental. Cada país tinha seu próprio rei. Os dois reis se davam bem, e havia uma ótima relação entre os países---Bem, não era tão diferente em comparação aos dias de hoje."

    "Mm-hmm." Bem simples.

    "Um dia, os dois reis começaram a trocar ideia. Eles disseram, "Por que não transformamos os dois países em um só?" Ninguém tinha nada contra isso já que ambos o Ocidente e o Oriente queriam a mesma coisa. Na real, parecia até que essa decisão havia demorado para acontecer."

    "Foi aí que as pontes entre as duas cidades foram construídas?"

    O estalajadeiro balançou a cabeça. "Pois é. Os reis construíram elas para comemorar a junção."

    "Entendo." Deve ser por isso que elas são tão novas e destoantes.

    "Um pouco depois, os dois reis ambos tiveram seus filhos. O rei do lado Ocidental teve uma filha, e o rei do lado Oriental teve um filho. As crianças se davam bem igual seus pais, e eventualmente se casaram. Eles imediatamente construíram um palácio no canal---exatamente no meio do país unido---e começaram a viver lá. Agora os dois se tornaram um símbolo do nosso país. E isso é tudo que eu sei," o estalajadeiro disse, colocando a chave para o meu quarto no balcão.

    Eu a peguei e disse, "Muito obrigada. A propósito, senhor, posso te perguntar mais uma coisa?"

    "O que é?"

    Eu o contei sobre a estranha pergunta que me foi feita quando eu entrei no país, e sobre as tabuletas estranhas no portão e na frente das lojas, também sobre o casal que eu encontrei na ponte. "A princípio, pensei que o país estivesse dividido internamente, mas olhando ao meu redor, me parece que as pessoas não dão a mínima para as tabuletas. Eles cruzam as pontes e se misturam sem problemas. Então qual é o propósito de ter essas tabuletas, no fim das contas?"

    O estalajadeiro ouviu em silêncio enquanto eu falava e balançou a cabeça quando eu terminei. "Mm. As tabuletas são um preparativo para a grande disputa."

    Ele falou com tanta tranquilidade que eu me perguntei se eu havia ouvido errado. "Grande disputa? O que céus isso deveria significar?"

    "Ouvi dizer que querem unificar o país sob ou a cultura Ocidental, ou a Oriental. Bem, é por isso que os guardas do portão estão perguntando coisas estranhas de qualquer forma, tal como é a razão para as tabuletas."

    Talvez após o país ter sido fusionado sob os bons presságios dos reis da geração anterior, há agora um movimento para dividi-los novamente. 

    Mas por quê?

    "Aqueles dois não sabem o significado da palavra acordo," o estalajadeiro disse com uma risada.

    Por sinal, ele me cobrou uma "taxa de informação" após o fato.


    Parte 4

    Após passar vários dias aqui, eu comecei a me preparar para partir novamente. Essa mistura de culturas Ocidentais e Orientais era até bem fascinante, é claro, mas se me permite ser sincera, era a única coisa que tinha de interessante.

    Sentia que já havia visto o suficiente.

    Terminantemente, eu estava indo embora sem entender uma parte essencial desse lugar, mas fazer o quê...né? Não me importava o suficiente para realmente buscar à fundo por respostas. Embora eu estaria disposta a escutar caso alguém se prestasse a explicar o porque das tabuletas estarem postas.

    Bom, não tem problema. Tentando convencer a mim mesma de que eu não ligava, eu atravessei o portão---

    "Ah, espere um minuto por favor, senhorita Bruxa."

    ---E fui parada. O guarda estendia sua lança na sua frente, bloqueando meu caminho.

    "... Um, o que foi?" Tenho certeza de que eu parecia bem confusa.

    "Se for possível, você não nos daria um pouco mais do seu tempo?"

    "...? Por que eu faria isso?"

    Dependendo do tempo, da situação e do motivo, eu não era contra ouvir o que ele tinha a dizer. Se for algo bobo, eu irei dizer não e sair, entretanto.

    "Você foi convocada pelo lorde e pela dama."

    ".......Quê?"

    Pelo visto o motivo não era algo bobo, no fim das contas.


    Nós prosseguimos por todo o caminho até o canal, onde me mostraram o castelo que observava ambas as culturas. Eles me encaminharam através do estonteante interior da fortaleza, uma mistura de estilos Orientais e Ocidentais, e finalmente nós chegamos até um gigantesco salão de recepção.

    O salão parecia como se um quarto de estilo Ocidental e um quarto de estilo Oriental tivessem sido cortados ao meio, e a metade de cada um deles tivesse sido coladas uma na outra.

    Isso não combina nem um pouco...

    Eu ouvi alguém fechando a porta atrás de mim enquanto andava pelo local, e eu podia ver dois tronos um pouco mais adiante. O homem e a mulher sentados lá pareciam estar no meio de uma discussão. Eles não pareciam notar minha presença.

    "Estou lhe dizendo, a disputa tem que ser uma partida de shogi! Não há alternativa melhor!"

    "Só diz isso porque você é melhor no shogi! Quantas vezes eu tenho que dizer que nós temos que jogar xadrez!"

    "E quantas vezes eu tenho que te dizer, você é melhor no xadrez!"

    "Grrr..."

    "Rrrr..."

    A atmosfera volátil dava a sensação de que uma erupção de violência poderia ocorrer a qualquer minuto ao que os dois se encaravam dos seus respectivos tronos.

    Eu limpei a minha garganta para deixá-los saber que eu estava ali. Não era a coisa mais educada a se fazer na presença da realeza, mas isso foi efetivo em fazê-los notarem minha presença.

    "Huh? Você deve ser..."

    "A viajante, não é? Ora, ora..."

    Eu me curvei. "Me foi contado que Vossas Altezas tinham algo a tratar comigo, então eu vim assim que fui chamada. Como posso ser de útil?"

    "Mm. A verdade é---"

    O rei abriu a boca para falar, mas a rainha o interrompeu.

    "Eu vou contar para a bruxa, então você pode parar por aí."

    "Como é---? Eu vou explicar..."

    "Não, eu vou."

    Alguém poderia simplesmente se apressar e me dizer logo o que está acontecendo? Não me importo com quem seja... Olá...?

    Eventualmente, após argumentarem em círculos, o rei tomou as rédeas e me contou tudo.

    "O fato é: Essa terra está nas vésperas de uma guerra. Como pode ver, essa mulher e eu não nos damos bem. Nós concordamos em resolver as coisas com uma competição, mas agora nós não conseguimos decidir o que essa competição deveria ser. Ouvi dizer que você é neutra, não associada com nenhuma das duas facções, então nós queremos que você decida como devemos proceder."

    "... Vocês não conseguem decidir qual será a competição?" Não, antes disso... "Primeiro de tudo, poderia me dizer porque vocês querem fazer essa competição, para começar?"

    O rei levantou sua voz, "Porque ela insultou as pessoas do lado Ocidental! Ela disse, 'Pessoas que não comem arroz no café da manhã não são humanas'!"

    Imediatamente, a rainha interrompeu ele com uma objeção. "Não, foi porque você disse, 'Pessoas que não comem pão no café da manhã são inferiores a cachorros'!"

    "Ok, chega. Fiquem quietos vocês dois por um momento, por favor."

    "....." "....."

    Isso estava ficando exasperante, então eu calei ele e tomei controle da situação eu mesma. Eu retomei o diálogo com o rei.

    "Sua Alteza, quando entrei nesse país, a primeira coisa que eu vi foi uma estranha tabuleta. Era um letreiro desconcertante, cujo propósito era dividir a facção do arroz e a facção do pão, mas conte-me---exatamente para qual propósito isso serve?"

    "Facilita para ver em qual lado há mais pessoas."

    "Nós colocamos eles lá para descobrirmos qual deles era o mais influente."

    Por que a rainha está respondendo também...? Bem, tanto faz. Chamar a atenção dela sobre isso seria trabalhoso demais.

    "E qual foi o resultado?" Eu perguntei.

    O rei respondeu, "Tem mais pessoas do lado Ocidental."

    "Tem mais pessoas de influência no lado Oriental," a rainha adicionou.

    "É por isso que eu disse que nós devíamos decidir baseado no maior número de pessoas."

    "Não. Nós deveríamos decidir o vencedor baseado no poder financeiro. Obviamente."

    "Você não entende nada, nunca entendeu."

    "Posso dizer o mesmo de ti."

    "....."

    "....."

    Enquanto os dois encaravam um ao outro novamente, eu subitamente lembrei de algo. Sobre o que eles estavam gritando assim que eu entrei no salão de recepção? Era xadrez e shogi, não era?

    Se o argumento é sobre decidir através de uma regra de maioria ou através de poder financeiro, então por que eles estavam falando sobre jogos de tabuleiro?

    Sem sequer esperar pela minha resposta, os dois obstinadamente retomaram sua discussão. "Então nós não podemos decidir, afinal. Nesse caso, eu quero escolher o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método de realizar a partida com um jogo de xadrez."

    "Não. Shogi."

    "....."

    "Você não entende. Se nós jogarmos shogi, você terá a vantagem por ser melhor nisso!"

    "Você não entende, você sempre ganha no xadrez!"

    "...."

    Sinto como se eu tivesse acabado de dar uma espiada por trás das cortinas. Só para ter certeza, eu perguntei para o rei e para a rainha, "A propósito, quando essa discussão começou?"

    Ambos se viraram para mim e responderam simultaneamente, "Dois anos atrás."

    "Ah, entendo. Pois bem, acho que vocês deveriam desistir, porque vocês nunca irão resolver isso," eu disse, e deixei o palácio. Os dois continuaram gritando e não fizeram nenhuma tentativa de me impedir.


    Parte 5

    Agora eu entendi o motivo dos moradores de ambas as cidades ignorarem completamente as tabuletas. Já fazem dois anos desde que o rei e a rainha disseram que iriam realizar uma competição e unificar o país sob uma cultura ou a outra. O tempo passou sem nada realmente acontecer, e provavelmente nenhum dos cidadãos se importava sobre um monte de tabuleta colocadas lá em prol de uma desavença.

    Os letreiros já se tornaram nada mais do que meras decorações.

    Olhando por outro ângulo, era um sinal de que a autoridade da coroa havia se tornado obsoleta. Atualmente, ninguém em todo esse país dava a mínima para o que a realeza dizia.

    "Ah, senhorita Bruxa. O que achou do nosso país?"

    O guarda veio me cumprimentar quando eu voltei do palácio para o portão. Eu passei por ele, e só me virei quando havia colocado meus pés no mundo exterior.

    Olhando para a curiosa colisão de culturas, eu disse, "É um bom e pacífico lugar." Embora eu não possa prever o futuro dele.

    Talvez o rei e a rainha irão perceber que eles estiveram perdendo o tempo deles e irão voltar a atenção deles em governar. Talvez eles irão continuar estendendo isso, e todo o lugar irá ficar mais e mais estranho. Ou talvez tudo irá continuar como está.

    Independente do que acabar acontecendo, não é da minha conta.

    "Sim, sim, é um lugar bacana, não é?"

    O guarda do portão concordou com satisfação.
  • [Review] Shin Shirayuki-hime Densetsu Prétear

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    Quando se trata de mahou shoujo, ou melhor, dos fãs do gênero, existe um apreço pelo estilo narrativo clássico. É claro que ver algo diferente é interessante, muitas vezes podendo ser realmente memorável, mas existe um contexto que torna esse "diferente" não tão antagônico quando se compara ao tradicional. Mahou shoujo começou a ganhar forma nos anos 60, mas já nos anos 70 estavam buscando uma visão única sobre o gênero. Ao longo das décadas, houve uma coexistência entre diferentes estilos de mahou shoujos, de diferentes vertentes narrativas, e que preencheram uma boa parte dos lançamentos que ocorreram do início dos anos 90 até meados dos anos 2000.
    Prétear, escrito por Junichi Sato, uma figura proeminente dentro do gênero, transita entre o tradicional e o diferente. Para quem já é acostumado com o gênero, se sentirá confortável ao assisti-lo, mas ao mesmo tempo, há elementos surpreendentes o suficiente que tornam a obra algo novo também.


    Quando Junichi Sato decidiu criar Prétear, ele buscava o público feminino e queria criar algo baseado em algum conto de fadas. Como pode ver pelo título da obra, o conto de fadas escolhido foi "A Branca de Neve". Lançado bem no início do século 21, para Junichi Sato, histórias com uma protagonista que precisa ser salva pelo "príncipe encantado" já não tinha muito a ver com a sociedade daquela época, e por isso decidiu que Himeno, a protagonista da obra, seria uma garota forte e assertiva. No entanto, isso não significa torná-la menos humana, ou sem emoções, e ele acertou muito bem na caracterização da personagem ao longo da trama.
    Na história, a Himeno é filha de um escritor, sua mãe já falecida, e seu pai já em um novo casamento com uma mulher que também era viúva. De família pobre, ela se vê em um mundo completamente novo quando tem que se mudar para a casa da sua madrasta, que é extremamente rica, com domínio de muito do mercado da cidade onde vivem. A estranheza, porém, não parte só da Himeno, como também das filhas da sua madrasta que agora veem tudo, inclusive elas mesmas, serem chamadas pelo sobrenome do pai da Himeno, ao invés do falecido pai delas. Diferente do conto original, a madrasta da Himeno é uma boa pessoa que realmente quer o bem dela. O mesmo não pode ser dito sobre as novas irmãs da Himeno.
    Sua vida muda completamente ao encontrar os sete Cavaleiros Leafe, rapazes que vieram de um mundo mágico para proteger a Terra de uma grande ameaça, e para isso precisam que a Himeno se torne uma Prétear, uma garota mágica que ganha seus poderes se fundindo com algum dos sete cavaleiros.


    Prétear é bem mahou shoujo, em especial no início, com uma ótima jornada de amadurecimento da Himeno, modelo um pouco episódico na primeira metade do anime, monstro da semana, transformações variadas (Cada fusão com cada Cavaleiro Leafe dá vestimentas e habilidades diferentes para a Himeno) e até mesmo o romance, que era algo bem frequente nos mahou shoujos antigos. Mas ele também é surpreendentemente sombrio quando quer, além de abordar temas bem interessantes. Logo de imediato temos a protagonista tendo que lidar com toda a mudança que veio com o novo casamento do seu pai, desde a situação desagradável na sua nova casa, até a forma que as pessoas de fora olhavam para ela. Apesar de otimista, ela aos poucos vai sentindo que seu lugar no mundo está desaparecendo, seu pai e sua madrasta passam o tempo todo um com o outro ou ocupados, ela não consegue fazer mais do que uma amizade no colégio devido a toda fofoca que fazem dela, nem seu próprio lar é amigável com ela, existe um limite até onde o otimismo pode ir. A solidão é algo muitas vezes pesado até para um adulto, quem dirá para uma adolescente, e qualquer cantinho que traga um conforto para o coração da pessoa pode se tornar algo especial. Quando a Himeno encontra os Cavaleiros Leafe, que pedem a ajuda dela para salvar o mundo, ela vê ali não só uma grande responsabilidade, mas também, e principalmente, pessoas que realmente precisam dela, onde ela é necessária, onde ela é importante para alguém. É algo que eu gostei bastante de ver, a protagonista ter um real motivo emocional para abraçar uma missão, ao invés de ter apenas o motivo moral.


    Mas claro, tudo que falei até agora se refere ao primeiro episódio do anime, e acaba que o buraco é muito mais em baixo. A trama tem algumas reviravoltas impressionantes, outras até previsíveis (Mas não necessariamente ruins), que levam as emoções e o psicológico da Himeno ao extremo. Em certo ponto da obra, a protagonista se vê cara a cara com a grande vilã da história e é diretamente ameaçada de morte. Esse foi o fator determinante que fez a personagem mudar sua perspectiva sobre a situação em que ela estava, quando finalmente entendeu que ela corria risco de vida. O baque emocional é também o que alavanca o desenvolvimento da Himeno, que começa a buscar a verdade sobre ser uma Prétear e toda a história que já havia ocorrido antes dela ser escolhida. Uma das suas novas irmãs, a Mawata, também acaba chamando sua atenção quando ela descobre mais sobre os sentimentos dela e de como ela e a Mawata são similares. Infelizmente, a vida não é tão simples quanto um "sentimos o mesmo, queremos o mesmo, então nos daremos bem", uma vez que a Mawata lidou com a solidão de forma completamente diferente da Himeno e, logo, estabelecer essa conexão se tornou algo difícil. Essas duas personagens, a Himeno e a Mawata, eventualmente se tornam o núcleo do anime, tendo uma forte caracterização e uma profundidade psicológica decente. Às vezes acaba sendo bastante um drama adolescente, algo que você provavelmente se envolveria mais estando na faixa etária das personagens, mas nem por isso deixa de ser algo bem feito.


    Infelizmente, no entanto, todo esse grande trabalho em cima dessas duas personagens acabaram custando caro para o resto do cast, que em sua maioria terminam sub-desenvolvidos ou até mesmo obsoletos na história. Personagens que eram para ter uma relevância maior, como a maioria dos Cavaleiros Leafe, por exemplo, acabam sendo muito desperdiçados. Inevitavelmente isso acaba prejudicando algumas relações que o anime tenta construir, além de alguns desenvolvimentos que ele tenta fazer na sua segunda metade. Já não sendo muito fã de romance, a parte relacionada ao gênero em Prétear me apeteceu muito pouco, e sendo bem presente na obra, acabou dando um impacto negativo notável na minha experiência. Isso, em especial, se reflete no gran finale da obra, que fez de forma bem questionável um encerramento clássico de mahou shoujo ao mesmo tempo que dependia bastante do elemento romance, nem que fosse só como forma de impactar o público. A impressão que ficou, acima de tudo, é que faltou tempo para a obra conseguir se moldar com total sucesso. Talvez se fossem 24 episódios, poderiam ter tornado o projeto algo muito mais memorável. tanto para nós, quanto para o gênero.


    Digo isso porque, previsível ou não, Prétear trouxe consigo uma série de características que muita gente acha que só começou a surgir no gênero recentemente. Quando descobrimos toda a verdade sobre Leafe, os cavaleiros e o que é ser uma Prétear, é notável que essa história é mais ambiciosa do que inicialmente aparenta ser. Claro, você pode argumentar que isso já era um pouco visível uma vez que a obra aborda temáticas como a solidão, a dificuldade de se adaptar a novos ambientes ou o quão complicada pode ser para um filho que ainda não superou a morte do pai/mãe, enquanto seu(ua) pai/mãe já superaram e seguiram a vida. O que realmente faz a diferença é que, a princípio, acompanhamos a história sob a ótica otimista da Himeno, então quando a trama chega no ponto onde esse otimismo desaparece, a atmosfera de Prétear rapidamente se torna mais dramática, sombria e melancólica. De certa forma, a atmosfera acompanha o estado emocional da Himeno, que por sua vez guia a narrativa do anime e por isso que Prétear consegue funcionar muito bem, apesar dos seus defeitos não serem pequenos. Outro ponto importante é que a obra nunca mergulha de cabeça no drama, tendo alguns personagens que servem como bons alívios cômicos presentes ali para equilibrar o tom da narrativa. Dessa forma, o anime não passa do ponto em que deseja estar, tampouco diminui a força do drama que as personagens passam, o que provavelmente vem muito do mérito de alguém que já trabalhou em ambos os tipos de mahou shoujos, tanto os mais cômicos, quanto os mais dramáticos.


    Prétear foi uma experiência com altos e baixos, mas mais altos do que baixos, felizmente. Eu gostei bastante do anime, mas fiquei com aquele sentimento de que poderia ter ido muito além. É visível que o Junichi Sato leva jeito com o gênero, seja para fazer o padrão, seja para fazer algo incomum.
    Toda a produção do anime é bem competente, da animação até a trilha sonora, mas por outro lado, não se destaca o bastante para ser algo memorável, que é basicamente um ótimo resumo do anime como um todo. Vale a pena assisti-lo, sobretudo pelos temas e os plot twists, só não espere algo que vá realmente ser marcante. Ainda assim, não subestime o anime, pois ele tem uma narrativa até que bem elaborada, incluindo foreshadowings que contextualizam muito bem cenas que podem parecer que vieram do nada. Ter não só atenção, mas a compreensão do que está nas entrelinhas é tão vital aqui quanto em qualquer boa obra que use dos mesmos recursos. Se você está em busca especificadamente de um mahou shoujo, eu certamente recomendo Shin Shirayuki-hime Densetsu Prétear. Saraba Da!
  • [Review] Chikyuu Shoujo Arjuna

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    Temáticas ou abordagens de assuntos diretamente relacionados ao mundo em que vivemos são aspectos muito discutidos quando se trata da arte. Isso porque esse tipo de coisa normalmente faz parte de uma obra, que pode ter diferentes formas dependendo da forma que é trabalhado, mas principalmente porque cada pessoa tem uma mentalidade, tem suas próprias experiencias de vida e vive a sua própria realidade, o que afeta como esse aspecto será absorvido por cada um. Mas, antes de mais nada, a força da presença da temática ou mensagem de uma obra vai ditar como esse encontro da pessoa com as ideias passadas adiante vai ou não acontecer. Existem obras que só estão ali para entreter, geralmente slice of lifes e comédias. Existem obras que abordam suas temáticas de forma sútil e as deixa como plano de fundo na maior parte do tempo. Existem obras cuja as temáticas são o centro da narrativa e um fator absolutamente crucial para o entendimento da mesma. E, por fim, existem obras como Chikyuu Shoujo Arjuna, ou Earth Maiden Arjuna, que receberá a review da vez aqui no blog.


    Toda essa introdução é para dizer: A temática de Arjuna é a própria representação da obra. Diferente da maioria dos animes lançados até então, tudo no anime é criado em prol do tema. Ao invés de uma obra que aborda um tema, eu diria que é um tema apresentado através de um roteiro. Esse tema é: O meio-ambiente.
    Na trama, Juna é uma adolescente que vive em uma cidade grande e sonha em ver o mar. Ela pratica arco e flecha no colégio, mas não parece ser muito boa nisso, mesmo tendo em mente os passos necessários para alcançar a concentração ideal. Seu amigo mais próximo, Tokio, desde o início já demonstra gostar dela e, para agradá-la, a convence a irem visitar o mar, viajando na moto dele. Entretanto, no percurso eles acabam sofrendo um estranho acidente, onde a Juna infelizmente vêm a óbito. Juna recobra a consciência e nota poder observar seu corpo em um quarto de hospital, percebe ser uma forma de espírito e entende que veio a falecer. Ver a reação de Tokio e, posteriormente, da sua própria mãe, ela entra em desespero, tentando entrar em contato com eles, até que é arrastada para fora do planeta. Lá, ela vê um monstro gigantesco circundando o globo é contatada por Chris, que diz que ela poderá voltar à vida se se tornar a Avatar do Tempo e combater aquelas criaturas, conhecidas como Raajas. Ela obviamente aceita e ganha o poder de se transformar em uma mahou shoujo que é uma representação do herói Arjuna da mitologia hindu, que é uma forte influência na obra. E, a partir daí, a história da obra começa de fato.


    No ponto em que a trama começa, nós já começamos a notar qual rumo o anime seguirá. Em especial, no primeiro contato direto da Juna com um Raaja, onde são mostradas diversas cenas fortes da destruição do planeta, causada por nós, rapidamente. Ali também temos uma pequena amostra de um dos pontos fortes do anime, que é a sua direção. Ainda no primeiro episódio, você já tem uma clara visão de que o anime será bastante ambientalista, principalmente quando você para e nota que, nas imagens linkadas acima, que mostram algumas das coisas que mais assolam nosso planeta, está uma simples imagem de uma cidade. Pensando nisso, é válido o alerta: Arjuna não veio para te passar uma mensagem, mas sim para apontar dedos. Sua abordagem agressiva sob as pautas que defende acaba tornando o anime inconsistente, por vezes estará mostrando coisas que realmente são dignas de se refletir sobre, outras vezes simplesmente estará flertando com uma mentalidade anti-ciência, o que pode incomodar bastante.
    Arjuna é uma obra com um propósito louvável, no entanto, o alvo das suas críticas somos todos nós, sem exceções. É importante pensar bem se está pronto ou não para tomar porrada durante 13 episódios, vale o aviso. Mas é importante também frisar que, o anime, lançado em 2001, é totalmente fruto da sua época. Algumas coisas envelheceram mal (Tipo o CGI), mas ele nunca se propôs a ser algo que você tenha que concordar totalmente, afinal, quem concorda totalmente com o que o anime diz, sequer iria assisti-lo.

    Eu nunca vi um hambúrguer ser tão vilanizado como ele é em Arjuna.

    A protagonista, Juna, desempenha perfeitamente o seu papel na obra. Ela é uma adolescente que subitamente se vê não só como alguém que precisa salvar o mundo, mas vai aos poucos criando uma conexão com o planeta que vai rapidamente mudando sua forma de ver o mundo. Os seres humanos possuem um desejo quase que instintivo de sempre manter o status quo, então se uma pessoa opta por sair desse sistema criado pela sociedade, não só ela será recebida com forte rejeição, como também acabará se vendo isolada do mundo. O anime não peca em nenhum momento em demonstrar isso, ainda que suas mensagens ou ideias possam soar exageradas ou até errôneas, e mostra como os laços que a Juna possuía aos poucos vão sofrendo uma metamorfose que deixavam aquelas relações estranhas. Em certo ponto, por exemplo, vemos a mãe da Juna reclamando de precisar fazer dois pratos de refeições diferentes para suas duas filhas, ou a irmã mais velha da Juna taxando ela de estranha. A garota também passa por poucas e boas, uma vez que é treinada para ser a melhor Avatar do Tempo possível, sendo sujeita a situações muitas vezes extremas. Tal como muitos mahou shoujos por aí, Arjuna conta uma história de amadurecimento da protagonista, além de também mostrar toda uma transformação da personagem. A Juna consegue transparecer com perfeição os conflitos internos gerados por ela ter "tomado a pílula vermelha", por assim dizer, começar a enxergar a sociedade moderna com outros olhos, e, por fazer parte dela, muitas vezes reagir mal a muitas situações.
    A pessoa mais próxima dela, o Tokio, que também é alguém por quem ela nutre sentimentos, funciona muito bem como uma antítese para ela, sendo a figura que vai, na maioria das vezes, colocar a visão, ou a lógica, da sociedade moderna contra a dela, o que obviamente se torna um grande empecilho no relacionamento dos dois. Posteriormente na trama, nós ganhamos uma nova perspectiva sobre o personagem que o torna muito mais interessante, entendendo não só a história dele, mas também como a vida dele é um reflexo da vida de incontáveis outras pessoas da atualidade, e como a solidão e a tecnologia moderna se atraem. Ainda assim, ele também passa por um ótimo crescimento como personagem e sendo ele e a Juna quem mais tem tempo de tela de sobra, torna o anime mais palatável mesmo quando você esteja com dificuldades de aceitar muito do que a obra fala.


    A história, por outro lado, pode deixar a desejar. Digo isso principalmente porque ela não é muito importante, prova disso é que o anime possui um final muito inconclusivo em termos de narrativa, embora definitivamente tenha trabalhado o seu tema até sua completude. Outro ponto que mostra bem isso é o fato do anime às vezes soar meio episódico, muitas vezes parecendo até que tem um ou outro episódio filler ali no meio. Mas isso é só uma impressão que provavelmente você só sentirá se realmente quiser ver um progresso na trama, pois como eu disse lá em cima, o que realmente importa para o anime é a temática, e nisso todos os episódios se conectam sem falhas. É por isso que, para mim, a história ser só uma desculpa para tratar de outro assunto não é um defeito, nem algo que me incomodou em algum momento. Eu, de fato, não tenho muito o que reclamar quando se trata do básico. Não posso dizer o mesmo quando se fala de toda a abordagem que a obra tem com os seus temas, tópico que comentarei agora.

    Essa cena é irritantemente real.

    Antes, eu disse que Arjuna é inconsistente quando se trata da sua temática. Isso significa que há momentos que me fizeram balançar a cabeça, incrédulo. Mas também significa que há momentos que me fizeram ficar impressionado com a qualidade da escrita e a potência das ideias ali tratadas. O fato é que a inconsistência não vem de pontos qualitativos, mas sim de como o que está sendo dito ali conflita com a sua forma de entender o mundo. Meu episódio favorito, por exemplo, é um que dá os holofotes para um professor, infeliz, recém-divorciado, que na verdade tem um amor pela matéria que ensina, mas não pode ensiná-la, de fato, porque as escolas obrigam os professores a ensinarem seus alunos seguindo um determinado padrão específico. O episódio fala não só sobre como o sistema trata os humanos, mas como os humanos aceitam serem tratados pelo sistema desde que torne as coisas mais fáceis. É uma passagem muito forte sobre como nós aceitamos de bom grado tudo que facilite nossas vidas, sem pensar em como isso nos prejudica como individuo.
    Por outro lado, temos todo um episódio dedicado a falar de gravidez e de como os bebês sofrem de terem que nascer "antes da hora natural", sobre como as mulheres grávidas não ouvem a voz dos bebês por causa do barulho da sociedade moderna e de como os hospitais são "ruins, mas salva muita gente né? fazer o quê". No exemplo de "como fazer certo", supostamente não existe dor por parte da mulher, nem choro por parte do bebê. O lado bom é que momentos assim são raros.
    Então, basicamente, temos uma obra extremamente ambientalista, que vai estar sempre ao lado da natureza, não importa o que está sendo discutido. O grande diferencial de Arjuna para outras obras que abordam mal temas complexos é que existe um grande estudo por trás de Arjuna. Há exageros, algumas coisas já datadas ou até um pouco de uma visão puramente pessoal do que é certo e do que é errado, mas, no geral, quem escreveu o roteiro tinha embasamento para falar do assunto. O que eu posso dizer é que, talvez, tenham ido com sede demais ao pote.


    Vendo por um prisma positivo, esse embasamento ajudou bastante na construção dos personagens, e isso reflete diretamente em quem está assistindo ao anime. O Chris, que é a figura mentora da Juna, por exemplo, segue uma filosofia rígida de que as palavras mais atrapalham do que ajudam. Nos dias de hoje esse discurso é muito mais real do que era há quase 20 anos atrás, graças as redes sociais e a facilidade que as pessoas tem de interpretarem muito mal a maioria das coisas que são ditas, mas mesmo assim, muita gente vai se ver frustrada com um personagem que prefere deixar que a Juna entenda as coisas naturalmente, ao invés dele explicar passo a passo como em um tutorial do youtube. Dois episódios abordaram esse assunto, e os dois foram muito interessantes de se refletir sobre. O segundo deles, em especial, abordou com excelência como uma discussão acalorada costuma funcionar. Duas pessoas batendo boca uma com a outra, mas, ao mesmo tempo, nenhuma das duas ouve uma a outra, apenas a si mesma, e isso é uma grande verdade. Episódios como esses também funcionam muito bem graças a direção semi-experimental do anime, que consegue ilustrar a maioria das situações de forma muito funcional e criativa. Acho que para animes desse naipe, ter uma direção nesse estilo é muito favorável, pois permite muitas cenas externarem sua essência de maneira única, como fizeram em um certo ponto, mostrando que a Juna via seu rosto na comida que ela iria comer como forma de visualizar a ideia de que "você é o que você come".

    Nunca imaginei que em algum momento da minha vida eu seria chamado de gado.

    Falando na parte técnica, a animação possui mais altos do que baixos. Na maior parte do tempo costuma ser bem animado, mas o CGI do anime envelheceu muito mal, definitivamente sendo algo que se destaca negativamente toda vez que é usado. Por outro lado, algo que notei de interessante é como os personagens são vivos, em termos de animação, principalmente se você levar em consideração a época em que o anime foi lançado.
    A trilha sonora, em poucas palavras, é fantástica. A incrível Yoko Kanno compôs a trilha sonora do anime e não poupou esforços em fazer um trabalho fascinante e imersivo. A música se encaixa perfeitamente com o anime, além de se conectar muito bem com a mitologia hindu, que é uma referência muito forte no anime, inclusive no nome do mesmo. Existe toda uma atmosfera e um impacto que não existiriam se não tivessem o auxílio da trilha sonora.


    Arjuna foi uma obra que me deixou confuso ao terminá-la. A abordagem incisiva da obra muitas vezes era agressiva com quem assistia, mas sem realmente te dar alternativas que não fossem muito extremas. De certa forma a obra chegou ao maniqueísmo na forma em que colocava a natureza e a sociedade moderna, o que nunca é tão preto e branco assim. Isso empurra a obra muito para uma situação onde ou você abraça totalmente ela ou você a rejeita por completo. Acredito que eu tenha conseguido achar um meio termo, mas ainda assim fico com aquela sensação de que ou eu deveria considerá-la incrível, ou deveria considerá-la fraca. Admito que tendo mais a estar voltado para a primeira opção, pois bem ou mal, os pontos ruins da obra são pontuais, enquanto os bons existem aos montes. Arjuna foi uma experiência bem diferente, e eu não sei dizer realmente se eu recomendo ou não o anime, mas se de alguma forma esse texto servir de auxílio para sua decisão, então para mim já é o bastante. Saraba Da!
  • [Review] Shakugan no Shana - Livro 1 - O que nos define como o que somos

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    Autor: Yashichiro Takahashi
    Ilustradora: Noizi Ito
    Ano de Lançamento: 2002
    Idioma: Português, pela NewPop
    Onde comprar: Amazon

    Shakugan no Shana é um dos grandes nomes da cultura pop japonesa dos anos 2000, sendo o anime um sucesso tão grande à ponto de fazer sua obra original ser uma das primeiras Light Novels licenciadas nos Estados Unidos (Infelizmente, foi cancelada junto às outras que foram trazidas para o ocidente junto à ela). Ela é um raro caso de Light Novel que é, tecnicamente falando, totalmente adaptada, com sua adaptação em anime tendo início, meio e fim. É uma obra muito querida para quem começou a assistir anime na segunda metade dos anos 2000, ou no início dos anos 2010, e eu me incluo nisso. Logo, evidentemente era do meu grande interesse conhecer a obra que originou aquele anime clássico. Mas, como eu disse, a tradução em inglês disponível foi cancelada, então só restava conseguir os livros originais e aprender japonês. Apesar de anos mais tarde de quando assisti o anime eu fosse, de fato, começar a estudar japonês, vejam só, veio a calhar de eu nem precisar me preocupar em ir atrás da versão original, pois a NewPop se prontificou a traduzir a obra quando a licenciou. Isso, claro, foi uma forte alegria para mim, e para todos os fãs brasileiros da obra, mas só os fãs não são o bastante para alavancar o sucesso de um lançamento nessas circunstâncias e, por isso, cá estou eu escrevendo essa review. Foi um parágrafo talvez desnecessariamente longo, então vamos por as mãos na massa!

    O primeiro livro da série me surpreendeu bastante, positivamente, mesmo quando eu ainda lembrava mais ou menos bem do que acontecia devido ao anime. O anime usou seus 6 primeiros episódios para adaptar esse livro, além de terem dedicado um filme inteiro a ele para fazer uma readaptação, e não foi à toa, é um livro que consegue fazer muito em apenas 340 páginas.
    A história já se inicia de forma marcante: O protagonista, Yuji, acaba em um incidente sobrenatural, onde ele vê pessoas paradas no tempo sendo devoradas por criaturas bizarras, e o mesmo iria acontecer com ele, quando ele é salvo pela outra protagonista e personagem que dá título a obra, Shana. No entanto, ele descobre que, na verdade, ele morreu naquele incidente e que agora ele existe como um "objeto substituto" cujo propósito é evitar desestabilizar o equilíbrio da realidade onde ele teria sido morto por monstros.
    Uma das grandes sacadas do livro é trazer essa reflexão e conflito do protagonista para com a sua própria existência. "Se o Yuji Sakai morreu no incidente, o que exatamente eu sou?"
    A obra aborda toda a questão do que te define como "você" através do Yuji, e consegue trabalhar com competência o peso de estar em uma situação onde exista uma outra realidade que só você pode ver, mas que ofereça perigo para aqueles próximos a ti.

    Acima disso, ainda há ótimos paralelos, como colocar o Yuji, um humano normal, tendo que lidar com circunstâncias sobrenaturais, ao mesmo tempo que coloca a Shana, uma garota que vive nessa outra realidade, tendo que aprender a conviver como uma humana normal. Em certo ponto, começamos a ver ambos descobrindo o valor da vida e a importância do cotidiano. Um dos bons acertos da novel, para mim, é a presença da mãe do Yuji, Chigusa, que oferece algumas nuances a mais nas emoções dos dois protagonistas. Ao longo do livro, vemos o Yuji e a Shana se aproximarem gradualmente, tal como vemos os dois se adaptarem aos ambientes que foram inseridos repentinamente. Mais importante, o volume consegue mostrar ao leitor, direta e indiretamente, nossa capacidade de se adaptar a novos ambientes. Há uma passagem que, parafraseando aqui, diz: "Os humanos são animais com grande capacidade de adaptação". Logo, existe uma grande verossimilhança na adaptação dos dois, seja por serem seres humanos, pela escrita ou pelos traços de personalidades que nos são entregues anteriormente.

    O 'que' de filosofia que a obra trás é bem aproveitado, em especial por todas as reflexões que o Yuji trás serem pertinentes para a sua situação, e isso é carregado até a última palavra do livro. Apesar do teor melancólico tanto dos questionamentos, como das circunstâncias em si, a obra tenta amenizar com cenas cômicas esporádicas ao longo do livro. Muitas são até bem clichês, mas nada que me incomodasse muito, geralmente são até bem-vindas por serem bem alocadas e trazerem um equilíbrio emocional maior para a narrativa. De maior ponto negativo, para mim, foi a personagem Kazumi Yoshida, que é inserida de forma forçada como personagem relevante na narrativa. Mas, falando em outros personagens, o grande vilão do livro, Friagne (Um Soberano, que é uma das existências mais fortes da outra realidade), serviu um propósito narrativo muito interessante. Por ter uma forte afeição pela Marianne, uma boneca que é uma Flama (Basicamente falando, os tais "monstros" que devoram pessoas), os dois fazem um paralelo inteligente com a Shana (Flame Haze, que é aqueles que buscam manter o equilíbrio) e o Yuji (Tocha, um objeto substituto de um humano morto pelos seres da outra realidade). Isso trás uma complexidade extra que faz essa relação ser ainda mais proveitosa.

    Por fim, vale elogiar o universo da obra que, em um único livro, já se mostrou vasto, complexo e muito bem pensado. A apresentação de vários termos e explicações que acontecem nas primeiras 30-40 páginas podem ser informação demais de uma só vez para algumas pessoas, mas com o decorrer do livro, você vai aprendendo na prática, evitando situações chatas onde você fica perdido sem lembrar o que algum termo deveria significar. Ainda assim, é um universo repleto de coisas importantes que precisaremos sempre ter em mente nos volumes futuros, então espero que tenha um guia de terminologias nos próximos livros, afinal, são 26 no total.
    O primeiro volume de Shakugan no Shana foi uma grata surpresa para alguém que gostou bastante do anime quando eu o assisti, muitos anos atrás. Mas acredito ser uma obra forte o bastante para que consiga novos fãs somente através da leitura, pois este livro é realmente bom. Está devidamente recomendado! Saraba Da!
  • Guia de Light Novels para Iniciantes

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    Light Novel é uma mídia que, aqui no ocidente, já adquiriu uma popularidade razoável entre os fãs de anime. Muitos já tem alguma noção do que é uma Light Novel, embora muitos ainda não façam ideia de como a mídia realmente funciona, caso seja uma dessas pessoas, recomendo dar uma lida neste post antes de prosseguir aqui. Dentre as pessoas que já tem algum conhecimento sobre a mídia, há vários que tem o interesse em começar a ler, mas não sabe bem por onde começar. Quando você procura por guias para quem quer começar na mídia, é possível encontrar vários posts ou vídeos, no entanto, pelo que pude perceber, há um grande problema na maioria deles: A ideia de recomendar as novels mais populares.
    Isso acontece também com Visual Novels e o problema é o mesmo, as Light Novels mais populares quase sempre são muito longas, e para quem não é acostumado a ler, ser direcionada para uma série com 15, 20 livros ou mais pode ser desanimador. Por isso tive a vontade de fazer este guia, com o desafio de trazer apenas obras que tenham, no máximo, 2 volumes. Então, o que virá a seguir é uma longa lista de obras com 1 ou 2 volumes que vocês (só) poderão ler em inglês!
    OBS: Devido a quantidade de obras, estarei simplificando os comentários sobre cada uma, mas deixarei os gêneros para ajudá-los.
    OBS²: Estarei deixando minhas opiniões pessoais de lado, já que a ideia do post é oferecer o máximo de variação possível. Tem obras para quase todos os públicos.


    1. Satsujinki Tantei no Netsuzou Bigaku


    Nome em inglês: The Serial Killer Detective / Masquerade and the Nameless Women
    Volumes: 1
    Autor(a): Eiji Mikage
    Gêneros: Investigação, Drama, Mistério, Suspense
    Comentários: Eiji Mikage é o escritor de "Utsuro no Hako to Zero no Maria", uma das light novels mais populares e aclamadas aqui no ocidente, então se essa informação for relevante para você, tenha ela em mente nas três primeiras novels dessa lista. The Serial Killer Detective trás um estilo de obra de investigação policial que tem estado popular nos animes ultimamente, mas com personagens e narrativa bem únicos. Se é o tipo de obra que você tem interesse, vale a pena dar uma chance.


    2. Kamisu Reina Series


    Volumes: 2
    Autor(a): Eiji Mikage
    Gêneros: Mistério, Psicológico, Sobrenatural, Tragédia
    Comentários: Indo mais à fundo no mistério e sobrenatural, Kamisu Reina se assemelha mais a grande obra de Eiji Mikage, é mais intensa, muito mais pesada e com uma narrativa não-linear. É emocionalmente carregada, apesar de ser episódica, e contém conteúdos realmente fortes, então, se você for alguém sensível, não é recomendável.


    3. Bokura wa Dokonimo Hirakanai


    Nome em inglês: We Don't Open Anywhere
    Volumes: 1
    Autor(a): Eiji Mikage
    Gêneros: Drama, Psicológico, Romance, Vida Escolar
    Comentários: Se eu não estiver enganado, essa é a primeira novel do Eiji Mikage (Ela lançou em 2005, mas foi reescrita em 2016, e é essa nova versão que vocês encontrarão para ler). É um pouco mais "simples" que as outras, mais focada nos personagens e nas suas emoções. Ainda assim, carrega características típicas do autor, como temáticas fortes e muitas das mais fortes emoções negativas que podemos sentir.


    4. Mikkakan no Koufuku


    Nome em inglês: Three Days of Happiness
    Volumes: 1
    Autor(a): Sugaru Miaki (Fafoo)
    Gêneros: Drama, Psicológico, Romance, Slice of Life, Sobrenatural, Tragédia
    Comentários: Mikkakan no Koufuku, tal como costuma ser as obras do Sugaru Miaki, é uma novel com um teor demasiado depressivo e com encontros predestinados. O romance também é sempre um fator presente, além de abordar temáticas bem profundas sobre o valor da vida.


    5. Kimi ga Denwa wo Kaketeita Basho


    Nome em inglês: The Place You Called From
    Volumes: 2
    Autor(a): Sugaru Miaki (Fafoo)
    Gêneros: Romance, Sobrenatural, Drama
    Comentários: Muito do que disse acima se aplica aqui também, embora caso você não goste muito do aspecto depressivo, Kimi ga Denwa wo Kaketeita Basho pode ser uma opção mais agradável. É uma novel que encontra um maior equilíbrio emocional, o que o torna mais verossímil e, consequentemente, mais fácil para você se apegar aos personagens.


    6. Koisuru Kiseijuu


    Nome em inglês: Parasite in Love
    Volumes: 1
    Autor(a): Sugaru Miaki (Fafoo)
    Gêneros: Drama, Psicológico, Romance
    Comentários: Koisuru Kiseijuu é a minha favorita das três obras do Sugaru Miaki dessa lista, isso porque a novel consegue criar uma conexão mais palpável entre os personagens, ao mesmo tempo que explora e aborda áreas bem exóticas, coisa que dá uma profundidade diferenciada aos protagonistas. Recomendável para quem realmente gosta de ir à fundo no psicológico dos persoangens.

    7. Koori no Kuni no Amaryllis


    Nome em inglês: Amaryllis in the Ice Country
    Volumes: 1
    Autor(a): Takeshi Matsuyama
    Gêneros: Drama, Romance, Sci-fi, Slice of Life, Tragédia
    Comentários: Uma novel com uma premissa bem diferenciada, embora de resto seja relativamente simples. É uma história bem fechadinha do tipo ideal para quem quer ler algo leve, porém, fora do eixo.


    8. Ame no Hi no Iris


    Nome em inglês: Iris on Rainy Days
    Volumes: 1
    Autor(a): Takeshi Matsuyama
    Gêneros: Drama, Psicológico, Romance, Sci-fi, Slice of Life, Tragédia
    Comentários: Do mesmo autor de "Koori no Kuni no Amaryllis", então os comentários acima são parcialmente replicáveis aqui. A exceção é que existe um trabalho maior na profundidade da narrativa do livro e de seus personagens.


    9. Murasakiiro no Qualia


    Nome em inglês: Qualia the Purple
    Volumes: 1
    Autor(a): Ueo Hisamitsu
    Gêneros: Drama, Mistério, Psicológico, Vida Escolar, Sci-fi, Yuri
    Comentários: Pessoalmente, é uma das minhas novels favoritas. De incrível profundidade e complexidade narrativa, é um livro que adentra muito um aspecto científico e filosófico, geralmente os dois ao mesmo tempo, com diversos momentos memoráveis.


    10. Otogi no Mori no Youjo Hime


    Nome em inglês: Little Princess in Fairy Forest
    Volumes: 1
    Autor(a): Tsubaki Tokino
    Gêneros: Ação, Aventura, Drama, Fantasia
    Comentários: Uma novel que trás um estilo levemente similar ao de um conto de fadas, com a exceção de ser relativamente pesado. Um pouco "cru" em algumas partes, mas compensa em outras. Acredito que a ambientação seja um fator agradável também para quem curte uma atmosfera levemente sombria.


    11. Sugar Dark


    Volumes: 1
    Autor(a): Arai Enji
    Gêneros: Drama, Fantasia, Horror, Mistério, Romance, Sobrenatural
    Comentários: É uma novel que se passa em um cemitério, com um mistério legal por trás. É uma história bem incomum e interessante, apesar de usar de certos artifícios de roteiros que vocês provavelmente já viram algumas vezes. De qualquer forma, vale a pena a leitura.


    12. Shinigami wo Tabeta Shoujo


    Nome em inglês: The Girl Who Ate a Death God
    Volumes: 2
    Autor(a): Nanasawa Matari
    Gêneros: Ação, Fantasia, Artes Marciais
    Comentários: Outra novel bem incomum, com uma protagonista anti-herói em um universo sinistro. Se parecer o tipo de obra que você gosta, definitivamente vale a pena ler, pois é muito bem escrita. Não é aquele tipo de obra feita para tentar agradar à todos, mas gosto da forma que o autor constrói esse universo, que inclusive é conectado com outras das suas novels (Que não estão aqui por terem mais de 2 volumes, ou não terem tradução).


    13. Gekkou


    Nome em inglês: Moonlight
    Volumes: 1
    Autor(a): Mamiya Natsuki
    Gêneros: Mistério, Psicológico, Romance, Vida Escolar
    Comentários: Mais um mistério (Tem muitos nessa lista, por algum motivo...), mas esse é especialmente recomendado para quem gosta do gênero, mas não quer se aventurar nas partes mais sombrias do gênero. Uma obra leve, ótima de ler, bem escrita e com o aspecto do mistério muito bem trabalhado. Vale a pena!
    Extra: Tradução para o português feita pelo Shussan (Twitter: @Zetsubou_Ito) neste link


    14. Kimi no Suizou wo Tabetai


    Nome em inglês: I Want to Eat Your Pancreas
    Volumes: 1
    Autor(a): Yoru Sumino
    Gêneros: Drama, Romance, Vida Escolar, Slice of Life, Tragédia
    Comentários: Não acho que eu precise me alongar muito aqui, tendo recebido adaptação em anime e mangá, essa novel recebeu premiações e é muito elogiada pelo público. Não é a coisa mais incrível do mundo, mas definitivamente não é tempo jogado fora. É um drama muito bom.


    15. Boku to Kimi Dake ni Seiya wa Konai


    Nome em inglês: Christmas Comes Not For Us
    Volumes: 1
    Autor(a): Fujimiya Kazuki
    Gêneros: Drama, Romance, Vida Escolar, Sci-fi, Sobrenatural, Tragédia
    Comentários: Obras dramáticas envolvendo time loops certamente estão longe de serem novidade, mas é o tipo de drama que chama a atenção das pessoas, seja pela curiosidade de saber que solução a obra apresentará para esse tipo de circunstância ou o quão longe o(a) autor(a) vai levar o impacto psicológico nos personagens. Independente do caso, se for do seu interesse, valerá a pena ler.


    16. Hello, Hello and Hello


    Volumes: 2
    Autor(a): Hazuki Aya
    Gêneros: Romance, Tragédia
    Comentários: Outra obra premiada que chamou bastante atenção, é um romance bastante dramático dentro de uma estrutura narrativa interessante. Recomendável tanto para fãs de romance quanto para fãs de drama.


    17. Reijou Kanteishi to Garou no Akuma


    Nome em inglês: Miss Appraiser and the Gallery Demon
    Volumes: 2
    Autor(a): Tamaki Itomori
    Gêneros: Mistério, Romance, Sobrenatural
    Comentários: Quem gosta de mangás shoujo de certo vai reconhecer a base dessa novel, em especial por se tratar de contratos com demônios. Mas, uma vez que demografias não se aplicam a novels, eu recomendo para todos que estiverem interessados. Não só a arte é um aspecto relevante na história, como há uma construção de mundo interessante e outros aspectos bem trabalhados que fazem valer seu tempo.


    18. Dokusha (boku) to Shujinkou (kanojo) to Futari no Korekara


    Nome em inglês: The Reader (Me), The Protagonist (Her) And Their After.
    Volumes: 1
    Autor(a): Saginomiya Misaki
    Gêneros: Drama, Romance, Vida Escolar
    Comentários: Essa aqui definitivamente cai mais em um estilo padrão de obras de romance, e justamente por isso está na lista. A premissa é bem interessante, mas não esperem algo extraordinário daí. Se gosta do gênero, provavelmente vai curtir a leitura.

    19. The Daybreak


    Volumes: 2
    Autor(a): Momoka Inujima
    Gêneros: Drama, Fantasia, Romance
    Comentários: Essa lista não estaria completa se não tivesse um isekai, certo?! Um pouco fora das bases mais conhecidas do subgênero, The Daybreak trás uma narrativa um pouco mais focada nas emoções dos personagens, sobretudo da protagonista, com um romance que se desenvolve lentamente.


    20. Hoshizora no Shita, Kimi no Koe dake wo Dakishimeru


    Nome em inglês: I Hold Your Voice Alone, Under The Starry Sky
    Volumes: 1
    Autor(a): Takahashi Bisui
    Gêneros: Drama, Romance, Vida Escolar
    Comentários: É uma história curta envolvendo viagem no tempo, mas bem simples e leve, além de um pouco previsível. Ainda assim, é bem bacana e rende uma leitura relaxante, ideal para quem realmente tem dificuldade para ler livros.


    21. Mori no Majyuu ni Hanataba wo


    Nome em inglês: Flowers for the Forest Beasts
    Volumes: 1
    Autor(a): Kimito Kogi
    Gêneros: Fantasia, Romance
    Comentários: Essa novel é uma doçura, não tenho dúvidas que será o tipo de obra que tenderá a agradar mais os fãs de slice of life e, talvez, romance, do que quem realmente quer ver uma história mais trabalhada. É bonitinha, mas bem simples.


    22. Kimi wa Tsukiyo ni Hikari Kagayaku


    Nome em inglês: You Shine in the Moonlit Night
    Volumes: 2
    Autor(a): Tetsuya Sano
    Gêneros: Drama, Romance, Vida Escolar, Tragédia
    Comentários: Mais uma novel premiada nessa lista, e mais cuja própria premissa já te deixa pronto para o que está por vir. É o tipo drama que seria recomendado para quem gostou de obras como "Clannad" ou "Shigatsu wa Kimi no Uso", embora seja mais similar a "Narcissu" (Visual Novel). Listado como 2 volumes por ter uma continuação extra com histórias curtas, mas a cerne da obra em si é um volume só.


    23. Himote na Ore ga 5-kakan de Heroine to Deau made


    Nome em inglês: Unpopular As I Am, I Have To Meet a Heroine Within Five Days
    Volumes: 1
    Autor(a): Akime Jin
    Gêneros: Comédia, Harém, Romance, Vida Escolar
    Comentários: Novel bem básica e despretensiosa, que certamente é uma leitura mais por diversão do que qualquer outra coisa. Se busca uma comédia ou um harém, essa é a opção que tenho a oferecer (Foi difícil achar algo assim dentro das regras do post!).


    24. Tada, Sore Dake de Yokattan desu


    Nome em inglês: That Alone Would Have Been Good Enough
    Volumes: 1
    Autor(a): Matsumura Ryouya
    Gêneros: Drama, Mistério, Psicológico, Vida Escolar, Tragédia
    Comentários: A última obra premiada da lista. É intrigante, mas também aborda à fundo temas como bullying e suicídio. É uma obra com texto bem carregado, mas bem escrita e que provavelmente deixará uma impressão forte no leitor.


    25. Shitayomi Danshi to Toukou Joshi


    Nome em inglês: Manuscript Screening Boy and Manuscript Submitting Girl
    Volumes: 1
    Autor(a): Mizuki Nomura
    Gêneros: Drama, Romance, Vida Escolar, Slice of Life
    Comentários: Meio em uma vibe "Bakuman", é uma novel que fala muito sobre a criação de uma Light Novel, a escrita, os pensamentos do autor e coisas do tipo, ao mesmo tempo que desenvolve o romance e os personagens. Uma obra bem legal que certamente é a melhor escolha para fechar esse post de recomendações de Light Novels.


    Concluindo, lembrem-se que esse é mais um post com obras curtas do que um post das "melhores obras de 1-2 volumes", claro que fiz uma filtragem para trazer só boas opções, mas bom pode ir de "legal" à "fantástico", afinal. Outra coisa, tentei trazer o máximo de variação possível, mas certos tipos de obras são mais difíceis de encontrar dentro das limitações que criei para esse post, obras de fantasia e aventura, por exemplo, tendem a ter muitos volumes. No mais, espero que alguma dessas novels tenha te chamado a atenção. Saraba Da! 

  • Top #04 - Jogos de Touhou Feito Por Fãs (Parte 1)

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    Estava pensando sobre uma boa forma de trazer o quadro de Tops de volta, e que forma melhor há do que falar sobre uma das suas franquias favoritas, certo?
    Hoje finalmente falaremos sobre Touhou Project. Talvez o ideal fosse eu ter escrito um Sou Nan Da sobre Touhou primeiro, mas como escrevi recentemente um sobre light novels, deixarei a oportunidade para o futuro. O que você precisa saber sobre Touhou é: Touhou Project é uma série de jogos estilo Bullet Hell (Um gênero de jogo para pessoas insanas), que é feita por uma única pessoa, conhecido como ZUN. No entanto, a natureza indie (Ou melhor, doujin) da franquia e a forma como esse universo funciona, permite que existam absolutamente todo tipo de obra, seja feita por fãs ou não. Muitos já, ao menos, ouviram falar de Touhou e tem interesse, mas não começam a investir na franquia pela dificuldade dos Bullet Hell. Então, hoje (E em mais alguns dias posteriormente) resolvi montar uma lista com 5 bons jogos de Touhou para todo tipo de gosto.
    Esse será um top diferente, especial, então não precisam se ater a ranks, nem nada do tipo. Apesar das preferências, estarei basicamente listando os bons jogos que tem por aí.


    Koumajou Densetsu 2 (E o 1, por extensão)

    O primeiro jogo que gostaria de recomendar é um bem popular, conhecido como "Koumajou Densetsu". Para quem já jogou ou conhece Castlevania, esse seria a "versão Touhou" do jogo. Puxando não só o mesmo estilo de gameplay, mas também uma arte mais gótica e sombria, é um ótimo jogo para quem quer jogar algo de Touhou (Mas não necessariamente para quem quer entender mais de Touhou). Os 2 jogos são bons, mas o segundo jogo pôde usufruir da popularidade da série, se tornando um jogo muito mais "profissional" que o primeiro. Isso inclui não só melhoras gráficas e de gameplay, mas também a inclusão de dublagem profissional e até mesmo opening (Com algumas cenas animadas!). Um jogo memorável o bastante para render até mesmo figures com o design do jogo (Lindas, por sinal).


    Você pode começar pelo primeiro jogo, ou pelo segundo, pode escolher. Não é um jogo fácil, e dificilmente um jogo de Touhou será, mas se eu consegui zerar, você também consegue!
    Apesar do estilo gótico e uma atmosfera mais sombria, o jogo ainda busca respeitar as personagens de Touhou da sua maneira, sem fugir muito do que se esperaria delas. Isso é uma característica compartilhada por boa parte dos jogos fanmades, que buscam sempre manter alguma fidelidade ao original, mesmo que tenham que tomar algumas liberdades.


    No primeiro jogo, você joga com a (Uma das) protagonista da franquia Reimu, enquanto a mesma busca resolver um incidente (Basicamente, o ponta pé inicial de quase todo jogo oficial). Já no segundo jogo, você joga com Sakuya, a empregada da Mansão Escarlate (Palco do sexto jogo oficial), que busca encontrar sua mestra, Remilia, que desapareceu misteriosamente.


    Se o estilo de jogo te agrada, dificilmente sairá desapontado! E lembre-se, o jogo é perfeitamente aproveitável para qualquer um, mas se vier a sentir quaisquer curiosidades sobre as personagens, pode sempre confiar nas wikias para pesquisar mais à fundo. Normalmente fãs de Touhou jogam os jogos feitos por fãs (Dãã), mas começar pelos jogos feito por fãs também é uma ótima forma de criar interesse pelas personagens e pelo universo de Touhou, não se acanhem!


    RAIN Project

    RAIN Project tem a exata cara que um jogo indie teria. Um jogo simples, mas muito bonitinho, e isso inclui os gráficos 8-bits que, junto da atmosfera do jogo, o tornam muito agradável de se jogar e passar o tempo. Ele é aquele tipo de jogo que não perde muito tempo em diálogos e narrações, mas te mostra as coisas pelos eventos em si, você consegue ter uma boa noção da história através do básico que está sendo mostrado/dito.


    No jogo, você joga com a Sanae, uma personagem popular que foi primeiro introduzida no décimo jogo oficial da franquia. Em partes, é possível dizer que o jogo é uma versão própria dos criadores da história do Touhou 10, mas novamente, tomando certas liberdades. Não dá para levar muito do que se vê como "representando o canônico", mas dá para aproveitar a premissa de Touhou 10 em si, que conta a história do santuário Moriya, que se transferiu para Gensokyo (Mundo onde Touhou se passa, na maior parte do tempo) por estar perdendo a fé dos humanos na Terra. E você basicamente explora um pouco de Gensokyo com a Sanae.


    Não vai ser nenhuma experiência magnífica, mas se o estilo de jogo te agradar, com certeza vai ter um ótimo passa-tempo em mãos. É um jogo muito bacana.


    Touhou Luna Nights

    Touhou Luna Nights é um jogo do gênero nomeado pelas pessoas de "Metroidvania" (Mistura de Metroid com Castlevania), não necessariamente similar ao Koumajou Densetsu antes mencionado. Luna Nights é extremamente mais dinâmico, viciante e criativo, um jogo muito bem feito onde a animação do movimento da personagem e dos inimigos é incrivelmente fluída e divertida de observar (Principalmente enquanto joga, óbvio).


    No jogo, você novamente controlará Sakuya, que acaba tendo que participar de um jogo criado pela sua mestra, Remilia, onde ela terá que derrotar um bando de monstros e inimigos tendo o seu poder limitado.
    O jogo consiste em um total de 5 fases, além de uma fase extra, que devem te render várias horas da mais pura diversão, além de ser deveras desafiador também, principalmente da fase 3 em diante.


    Se aproveitando de ter a Sakuya, que tem o poder de manipular o tempo, como protagonista, o jogo explora o máximo essa habilidade. O nível de criatividade foi realmente surpreendente, onde você pode usar uma única habilidade para diversos meios diferentes. Passar de caminhos parando ou retardando o tempo, enfrentar os inimigos e principalmente bosses de maneiras diferenciadas, podendo até mesmo usar o tempo parado para buscar meios de escapar de algum ataque surpresa.


    O jogo vai além, e cria também inimigos e objetos com mecânicas reativas ao poder de parar o tempo, fora os bosses serem bem diversificados e com diferentes padrões. É um ótimo jogo para quem gosta desse estilo, que, pelas fases serem diretamente conectadas uma a outra, vai querer te impedir de parar de jogar.


    Touhou Puppet Dance Performance

    Touhou Puppet Dance Performance (TPDP, para os íntimos), é uma das versão Touhou de Pokémon, para mim, de longe, a melhor delas. Um jogo "à la Pokémon" que, diferente dos outros, não é só um jogo de Pokémon com as personagens de Touhou, mas sim um jogo completamente próprio e único que usufrui do mesmo estilo. O design estilo chibi é muito agradável de se ver, muito bem feito e dá um tom de pura alegria e diversão ao jogo.


    A comparação com Pokémon é mais do que óbvia, sim, mas você vai ver tudo de novo em TPDP: Os mapas explorando com o amor de um fã quase todo o universo de Gensokyo, e até alguns outros locais existentes em Touhou, toda uma história que conduz a narrativa do jogo e torna o progredir do mesmo mais interessante do que seria "enfrentar 8 líderes e a elite dos 4", e claro, a presença das personagens de Touhou que faz toda a diferença.


    No jogo, tal como Pokémon, você cria seu próprio personagem (menino ou menina). Em uma visita a um santuário velho na Terra, enquanto explora o local, você acaba sendo transferido(a) para Gensokyo, onde um incidente está em progresso. Basicamente, existem pequenas bonecas com vida que possuem a aparência das personagens de Touhou, que seriam os Pokémons. Enquanto na Terra, um NPC vai te perguntar quem é sua personagem favorita de Touhou, e quem você escolher será seu "Pokémon inicial".


    TPDP é um jogo longo, o que é esperado, onde é possível capturar as bonecas de praticamente todas as personagens de Touhou desde os primeiros, até o Touhou 15. Para um fã da franquia, é sensacional o trabalho que se deram. Mas para quem não conhece a obra, não ficará de mãos atadas, pois não só poderá dar uma breve olhada em quase tudo quanto é personagem, mas também conhecer um pouco mais de Gensokyo, visitando os locais, descobrindo o nome dos mesmos e quem reside lá. E claro, na base, é um jogo de Pokémon, então qualquer fã de Pokémon irá se divertir jogando.


    Labyrinth of Touhou 2 (E o 1, por extensão) 

    Labyrinth of Touhou é um jogo no estilo Dungeon Crawling. Para quem não sabe o que é, o nome já entrega: Você explora vastos calabouços, avançando, subindo ou descendo andares até chegar no fim do mesmo. Os dois Labyrinth of Touhou são desconexos, você pode jogar o que você quiser, mas eu pessoalmente recomendo muito o 2, que é um dos meus jogos favoritos (De todos, não só de Touhou), por isso focarei só nele.
    Labyrinth of Touhou 2 tem uma boa arte, uma ótima trilha sonora e uma história bem no estilo de Touhou mesmo. É um jogo com alto nível de dificuldade, muito divertido e que vai te ocupar por um longo, longo tempo. Meu save, que ainda está aqui, tem mais de 60 horas de jogo, e apesar de ter zerado, ainda havia coisas para explorar quando parei de jogar.


    No jogo, você controla, a princípio, Reimu, em mais um incidente onde ela decide investigar uma árvore de tamanho colossal que surgiu do dia para noite. A árvore virou, obviamente, notícia em toda Gensokyo, reunindo grande parte do cast de personagens por lá. E o interior da árvore é um grande labirinto, com diferentes cenários.
    Como é de costume nos Dungeon Crawlings, você joga com um grupo de personagens enquanto explora a árvore, no progredir da história, você recruta mais gente, até poder começar a escolher quem você vai usar no grupo. O jogo explora as particularidades das personagens, cada uma em um estilo e com técnicas diferentes, o que será necessário se atentar caso queira chegar ao topo da árvore, visto que estratégia é algo essencial em muitas batalhas.


    Você vai ter um sistema de distribuição de pontos e até mesmo uma longa lista de conquistas para desbloquear cumprindo certos requisitos, que lhe darão boas ou ótimas premiações. Tem incontáveis personagens jogáveis, e mesmo após chegar ao fim e zerar o jogo, existe uma espécie de New Game+ (Recomeçar o jogo, só que com várias novidades) que te oferecerá rejogar o jogo desde o início, só que muito mais difícil. Realmente achei o jogo incrível, as músicas de certas áreas do calabouço são memoráveis e deixam a exploração muito mais imersiva. Poder variar seu grupo permite que o jogo seja renovável e que você tenha experiencias diferentes constantemente, montar novas estratégias, novas combinações, é fantástico.


    O maior empecilho de Labyrinth of Touhou, provavelmente será a dificuldade do mesmo. É um jogo que pode te frustrar em certos bosses, que podem parecer simplesmente impossíveis de vencer, mas que precisam da estratégia certa para serem derrotados. Eu passei bastante sufoco jogando, mas consegui terminar, então com alguma determinação e boas estratégias, você consegue também.
    Tem várias personagens que só é possível recrutar fazendo coisas específicas, então, caso dê uma chance para este excelente jogo, terá muito o que fazer ao longo de quase 100 horas de jogo (Caso queira completar 100%). Mas vale a pena, viu? Não sou dos maiores fãs de Dungeon Crawling, mas isso não me impediu de adorar Labyrinth of Touhou (Ok, ser muito fã de Touhou certamente ajudou bastante).


    Considerações Finais
    Bem, essa primeira parte foi boa de escrever, mas as próximas certamente serão muito mais diversificadas (Guardei umas obras para depois, propositalmente). Realço que, embora os jogos de Touhou feitos por fãs busquem ao menos trazer uma boa representação da obra, através das personagens ou do mundo em si, a maioria deles toma suas próprias liberdades. Não é aconselhável levar tudo o que vê como algo oficial, mas não é totalmente "fanfic" também. Podemos dizer que o "espírito Touhou" é mantido intacto.

    Nenhuma dessas obras vai te pegar na mão e ensinar tudo sobre o universo de Touhou, e nem é esse o objetivo desses tops, mas garanto que serão bons meios de criar o interesse no universo da franquia, além de te ensinar sim algumas coisas. No mínimo, você sai sabendo quem é quem, e mais ou menos como a personagem age, além de várias outras informações bem úteis para quem quer passar a conhecer Touhou.

    E se nada nessa lista te interessou, as próximas certamente o farão. Mas espero que peguem alguma recomendação aqui, e comentem o que estiverem achando. Mais fãs de Touhou no mundo, ou melhor, no Brasil, seria ótimo. Saraba Da!
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