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  • Top #06 - Protagonistas mulheres em obras de ação/aventura

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    Eu não sei vocês, mas eu particularmente gosto bastante de obras de ação e/ou aventura protagonizados por uma mulher. Na verdade, na maioria dos gêneros isso acaba sendo um diferencial para mim. E ás vezes é curioso que, mesmo que seja uma obra sem nada de novo para oferecer e com uma personagem principal insossa, ainda assim soa um pouco diferente das demais obras, na minha opinião. Mas é justamente isso, há uma diferença, que é a figura central de uma mulher na história. 

    A velha noção de que obras de ação são para garotos e obras de romance são para garotas já se perdeu a muito tempo, a maior prova disso é que temos tido inúmeras obras de romance protagonizadas por personagens homens nos últimos 10 anos. Mangás shounens de romance têm se tornado uma certa tendência e light novels com uma pegada similar já vêm sido lançadas aos montes desde meados dos anos 2000. No entanto, quando olhamos para o outro lado, as obras de ação/aventura/outros gêneros protagonizadas por mulheres tem sofrido para se tornar algo comum. 



    Mas como eu dei a entender na primeira frase desse texto, não é como se não existisse. Recentemente, em live, eu joguei alguns jogos protagonizados por personagens femininas como Child Of Light, Hellblade: Senua's Sacrifice, A Plague Tale: Innocence ou NieR:Automata. Uma das minhas franquias favoritas é a de Metroid, que foi um dos primeiros jogos na história a colocar uma protagonista mulher, ainda que com algumas ressalvas, lá nos anos 80. A própria franquia de Tomb Raider alavancou a Lara Croft como uma das personagens femininas mais memoráveis dos jogos... Ainda que não tivesse muita concorrência na época. Até quando entramos em um tópico mais controverso, como isekai, vemos que uma das obras que conseguiu esse apreço maior, mesmo em meio a tanta desconfiança, foi justamente o que era protagonizado por uma garota, que no caso foi Honzuki no Gekokujou, ou Ascendance of a Bookworm. A obra conseguiu o feito de ser licenciada aqui no Brasil, pela NewPop, sendo ambos o mangá e a light novel. 



    Mas, no fim das contas, são bem poucas obras que podemos encontrar. Se alguém for assistir um anime se baseando no top 100 do MyAnimeList, que infelizmente é uma das referências mais populares para quem curte a mídia, a pessoa vai achar, no máximo, 5 obras protagonizadas por mulheres dentre essas 100. E não é nem totalmente por uma questão de gostarem ou não de obras assim, mas sim que essa é mais ou menos a proporção dos lançamentos de obras protagonizadas por homens ou mulheres. Como alguém que tem uma facilidade maior de se identificar com personagens femininas e que não é muito fã de romance, eu busco aproveitar ao máximo cada uma das poucas oportunidades de consumir obras assim. Mas é como jogar Visual Novels, existem dezenas de milhares de VNs por aí, mas se você só sabe português, suas opções ficam limitadíssimas. 



    Algo que eu prezo bastante e que ajuda a quebrar um pouco dessa limitação das obras são os jogos que permitem você criar seu personagem, ou ao menos escolher entre homem ou mulher. A trilogia de Dragon Age é, talvez, o exemplo perfeito do que eu gostaria de dizer nesse post. O primeiro jogo, Dragon Age Origins é um dark fantasy, uma fantasia sombria, no melhor estilo Berserk de ser (Ou não, nunca li Berserk, mas o que já vi e ouvi falar da obra me diz que a comparação é bem válida) e podemos criar uma personagem mulher para ser a protagonista. A história toda se molda ao redor da personagem que você criou, então você realmente consegue experienciar essa jornada da forma que você gostaria. Não à toa das quatro vezes que eu joguei, três foram com personagens femininas (Já nas duas continuações, joguei 4 vezes com 4 personagens femininas). Dragon Age II opta por uma fantasia urbana, se passando a maior parte do tempo em uma cidade e com tramas mais pessoais, seguindo a mesma linha do primeiro na hora de criar seu personagem. Por fim, Dragon Age Inquisition assume a narrativa da fantasia épica, da odisseia, no estilo Senhor dos Anéis. 



    Querer uma obra de qualquer um desses 3 tipos com uma mulher nos holofotes é uma tarefa complicada, mas graças a jogos como Dragon Age, isso é muito possível. E nisso podemos encontrar diversos jogos que te dão essa opção, como a franquia de Monster Hunter ou o recém-lançado Elden Ring. Tem também os jogos que são mais limitados, te deixando escolher apenas o gênero, ou um personagem fixo, mas que ainda sim te dá a opção e isso já é um bom começo. Eu gostei bastante de 7th Dragon 2020 por conta disso, pois pude escolher uma personagem dentre algumas opções que o jogo te dá e ter essa experiência na minha jogatina. Em Fate/Extra aconteceu o mesmo, exceto que o jogo só te dá a versão masculina ou feminina do mesmo personagem. E aqui mora a grande problemática que me faz ter que escrever um texto desses: Em uma adaptação em anime de Fate/Extra, onde tem que escolher entre os dois, eles obviamente optam pelo protagonista masculino, algo que é o procedimento padrão na maioria dos casos, porque suspostamente é o "certo". É só tomar Genshin Impact como exemplo, onde te dão a opção de escolher entre o Aether (Protagonista masculino) ou a Lumine (Protagonista feminina), mas tudo quanto é material promocional é usado apenas o Aether, ao ponto de fazer quem joga com a Lumine se sentir excluído ou até mesmo "errado" por ter optado por uma personagem principal mulher. 



    Quando falamos de outros tipos de mídia, poder escolher o protagonista ou criar seu próprio personagem deixa de ser uma opção. No entanto, ao menos no caso da cultura pop japonesa, a gente tem alguns meios de escapar um pouco desse buraco. A exemplo, posso citar o subgênero mahou shoujo, ou garotas mágicas como preferir, que é basicamente centrado em ter uma protagonista mulher, alguns outros conceitos um tanto abstratos e com espaço para apresentar qualquer tipo de história imaginável. Então dá para se ter uma fantasia épica em obras como Magic Knight Rayearth. Dá para se ter fantasias urbanas em obras como Chikyuu Shoujo Arjuna. Dá para se ter fantasias sombrias em obras como Puella Magi Madoka Magica. A franquia de Precure é uma excelente opção para quem quer algo mais leve, mas com ação em todo episódio e uma boa dose de temas relevantes sendo abordados e boas mensagens sendo passadas. São mais de 15 anos dando o protagonismo para as garotas, as colocando com o papel do herói nas histórias, algo até abordado em uma de suas temporadas mais recentes: Hugtto Precure (2018), onde a protagonista nos entrega a frase "Garotas também podem ser heróis!". Pois sim, podem e devem, a variedade é um elemento importante, afinal. 

    Em Mahou Shoujo Lyrical  Nanoha a ação é tão intensa quanto em qualquer battle shounen da vida que vemos sempre por aí, em Shoujo Kakumei Utena a narrativa metafórica e psicológica é tão profunda quanto qualquer seinen desse tipo pode ser, até Kamikaze Kaitou Jeanne que é bem mangá shoujo te entrega uma protagonista memorável e com momentos de glória e de queda, tendo o romance só como uma (grande) parte da narrativa. E claro, não dá para passar por um trecho falando de mahou shoujo sem citar Sailor Moon, uma série que reforçou muito toda a ideia que eu venho comentando aqui nesse post. 



    O fato é: Ainda precisamos evoluir muito nesse quesito. Obras de esportes femininos é algo que é muito escasso, por exemplo. Mas existem opções, sim, e acho que vale a pena prezá-las. Seja um filme como Kill Bill ou um livro como Alice no País das Maravilhas, seja um jogo como Final Fantasy XIII ou um mangá como Hime-chan no Ribbon, seja um anime como Black Rock Shooter ou uma light novel como Kusuriya no Hitorigoto, o primeiro passo a ser dado por nós consumidores é... Bem, consumir. Não estamos tão bem de representatividade, é evidente, mas ao menos ainda temos algumas opções disponíveis. 

    Pois bem, para fechar o assunto, vou trazer meu top 5 protagonistas mulheres e convido a todos a fazerem o mesmo. O critério é simples: Ser protagonista de uma obra que não tenha o foco em romance. Não precisa ter ordem específica. Pode ser de qualquer mídia! Então, vamos lá.


    Lightning Farron (Final Fantasy XIII)


    Apesar de eu sempre ter tido muita vontade de jogar o Final Fantasy XIII, quando eu finalmente pude, tive uma grande surpresa ao entender o quão memorável a Lightning era como personagem. Você cria uma certa expectativa de que ela seja uma personagem badass e intocável, mas descobre que ela é falha como qualquer ser humano, que tem seus conflitos e que não só os resolve, como cresce como pessoa ao longo do primeiro jogo. Chegar ao final da jornada dela é até tocante, de certa forma, pois mostra uma personagem com um desenvolvimento e construção fantásticos. 


    Reimu Hakurei (Touhou Project)


    O pilar central do universo de Touhou, do mundo de Gensokyo, a Reimu é uma personagem de carisma rivalizado apenas pela co-protagonista da obra, Marisa Kirisame, e mesmo após mais de 25 anos de franquia, parece simplesmente impossível cansar de ter a Reimu como a principal figura de Touhou. A sacerdotisa é única em personalidade e postura dentro da obra, criando essa persona de alguém que não parece levar as coisas muito a sério, mas está sempre lá para eliminar os youkais com êxito sempre que causam problemas.


    Wakaba Nogi (Nogi Wakaba wa Yuusha de Aru)


    Uma coisa que eu gosto bastante de acompanhar é uma personagem que precisa superar seus próprios defeitos para alcançar um objetivo que muitas vezes ela nem sabe que precisa buscar ainda. A Wakaba vai ainda além, passando por uma ascensão de alguém até que egoísta por um desejo cego por vingança até chegar na figura de uma heroína, enfim assumindo a responsabilidade social que ela precisa ter com as pessoas ao redor dela, uma vez que ela é uma das únicas com o poder de trazer conforto para os necessitados.


    Utena Tenjou (Shoujo Kakumei Utena)



    A Utena é uma personagem que eu adorei mais do que eu previa. Complexa, ela é uma personagem fisicamente muito privilegiada, ao ponto de conseguir combater os duelistas mesmo sem ter a experiência necessária. Porém, psicologicamente ela é inocente e vulnerável, o que é natural para alguém da idade dela, mas que a torna um alvo fácil para gente mal-intencionada. O crescimento dela é espontâneo, ao ponto em que você chega no final do anime com uma sensação de satisfação evidente, vendo o desfecho da jornada de uma baita personagem. 


    Vivio Takamachi (Mahou Shoujo Lyrical Nanoha ViVid)


    Nanoha é minha franquia favorita de todas as mídias, mas apesar da protagonista que dá nome a obra ser uma personagem incrível, é a protagonista de um spin-off que realmente mais me apeteceu. A Vivio é uma menina que passa por um desenvolvimento longevo, que começa em Mahou Shoujo Lyrical Nanoha StrikerS e termina no final do mangá Mahou Shoujo Lyrical Nanoha ViVid, podendo até ser considerada suas participações em ViVid Strike!. Entretanto, é no mangá que ela assume o papel de protagonista e brilha muito nele. É uma garota que tem quedas e quedas, mas está sempre se superando e buscando ir além, obtendo um amadurecimento respeitável e satisfatório.


    E bem, acho que é isso. Quis aproveitar a data para levantar essa questão e também trazer diversos títulos que quebram um pouco esse problema social que temos. Mas mais do que isso é que passar de meia-noite não significa parar de falar sobre o tema, por isso o post aqui estará dentro do quadro de tops, para sempre ser encontrado quando entrarem na tag. Espero que se torne cada vez mais comum o protagonismo das mulheres nas obras que não necessariamente são focadas em romance, pois querendo ou não fazer algo de diferente, mesmo que a história ou outros elementos não sejam novidade, já é uma escolha elogiável. Eu, ao menos, considero como um critério positivo a mais quando uma obra tem essa irreverência. Enfim, não deixem de citar aí seus tops pois podem acabar servindo de recomendação pra mim também, independente da mídia. Saraba Da!

  • Delicious Party♡Precure #04 - Cure Spicy tempera a história!

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    Se sentir socialmente excluso já é algo bem desagradável por si só, adicione aí o fato das pessoas ficarem falando de você pelas costas (Mesmo que não seja nada necessariamente maldoso) e nunca realmente fazendo qualquer esforço para falar com você, pronto, temos uma receita muito efetiva para uma pessoa desenvolver vários problemas sociais e/ou psicológicos. Esse era o caminho que a Kokone Fuwa estava seguindo até chegarmos a segunda metade desse episódio 4. 



    A construção da personagem ao longo do episódio foi bem satisfatória, pois a Kokone passa por todo o processo de crescer em um ambiente familiar com pouco contato humano, inevitavelmente ganha uma certa fama por conta do seu nome e família, vê que a maioria das pessoas ou falam sobre ela pelas costas ou tem segundas intenções para falar com ela e acaba desenvolvendo essa preferência por simplesmente ficar sozinha. A questão é, bem ou mal o ser humano é uma raça social, em uma utopia onde todo mundo é uma Yui, todos iriam querer ter seus grupos de amigos, estar com familiares ou em relacionamentos. 



    O problema é que as coisas não são assim, muito pelo contrário, daí é melhor ficar quieto na sua do que se envolver e se machucar ainda mais. Enquanto isso, do outro lado, a Yui já começa a tentar se aproximar da Kokone, pois afinal, nesse anime existe, de fato, uma Yui. Eu gostei que o anime mostrou essa dificuldade de conexão entre a realidade da Yui e a realidade da Kokone, era apenas natural que a Yui não fosse conseguir se aproximar tão facilmente da Kokone devido ao contexto social em que elas estavam inseridas. A Yui é benquista, popular, mas também a princípio não estava "tentando" o bastante, caindo no sono durante a aula ou se distraindo com outras coisas. Mas como aquilo estava atingindo ela, na primeira grande oportunidade que surgiu a Yui a agarrou com veemência. Em circunstâncias como essa uma oportunidade das duas poderem estar na mesma sintonia é raro, algo como fazer alguma atividade juntas seria uma dessas raras oportunidades.



    A Kokone queria ajudar um coelhinho que fugiu do seu cerco a voltar para lá, mostrando mais uma vez a sua ligação com os animais, já que eles não os mesmos comportamentos desagradáveis dos seres humanos. Já que temos essa necessidade de ter ali um contato ou afeto, ainda que prefiramos ficar sozinhos, ter um bichinho por perto pode suprir essa necessidade. Mas ali a Kokone sentiu melhor o que era fazer uma atividade com outra pessoa, ainda mais alguém de intenções puras como a Yui. Ainda assim, ela é uma pessoa mais fechada, então só com a pressão da fofura da Pam-Pam a Kokone enfim decidiu se juntar a Yui. E não tem jeito, as pequenas ações são muitas vezes o fator determinante para você sentir as intenções da outra pessoa com você. Seja no diálogo ou em coisas como dividir a comida que ela tanto preza para que as duas pudessem ter essa mesma experiência, as ações da Yui acabam quebrando esse gelo da Kokone, pois como eu sempre venho dizendo, ela tem uma inteligência emocional para lidar com os outros. 



    Quando chegamos na parte da ação do episódio, com a Kokone invadindo o espaço do Mary graças a ajuda de Pam-Pam, eu tive outra grata surpresa. A Kokone descobre que a Yui é a Cure Precious e, ao invés de imediatamente querer ajudá-la ou algo do tipo, ela questiona primeiro porque ela está lutando. Entender a situação primeiro para só aí definir certo ou errado e escolher seu lado deu uma profundidade a mais para a construção da personagem, que provavelmente passa aí por um amadurecimento precoce, devido a um possível afastamento dos pais e uma possível infância bem curta. 

    Ao menos, é a sensação que fica até que confirmem a história de vida da Kokone. Em todo caso, entendendo pelo que cada lado está lutando ali, a Kokone enfim decide que quer fazer parte dessa trama e se transforma da Cure Spicy. Um detalhe interessante que eu chuto que não irá se manter ao longo do anime é a de fazer os monstros da semana ficarem mais fortes conforme capturam mais recipeppis, o que justificaria a Cure Precious estar tendo problemas na luta justo no episódio em que uma nova Cure aparece. 



    Agora com uma nova integrante no grupo, só ficará faltando mais uma para fechar. Que inclusive esteve participante em um momento do episódio, o que é uma construção narrativa que me agrada mais do que introduzir a personagem no mesmo episódio em que ela se transforma. Pela prévia do próximo episódio, a Kokone não vai simplesmente passar a ser amiga de todo mundo e felizes para sempre, mas sim ainda terá de superar essa barreira social que a cerca antes de realmente virar amiga da Yui e do Mary. O que seria outro grande acerto. A narrativa estar sendo conduzida com calma e precisão está sendo algo muito elogiável e torço para que mantenham essa pegada até o fim do anime. Por fim, a transformação e ataque estavam belíssimos, para variar. Ainda que a direção do anime não tenha entregado muita coisa, a animação tem sido bem agradável de acompanhar, tendo algumas sequências muito bem animadas aqui e ali, até fora das transformações. Belo episódio, hein? Agora é assistir ao 5 e ver o que me aguarda. Saraba Da!




  • Delicious Party♡Precure #02 e #03 - Preparando o banquete!

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    Se existe algo que faça a franquia Precure conseguir se manter não só viva, mas com muito sucesso, mesmo após mais de 15 anos, essa coisa seria a inovação dentro da fórmula. Toda nova temporada de Precure é diferente da anterior em vários aspectos, ainda que funcionem dentro de padrões bem similares. Em Delicious Party Precure isso não seria diferente! Em outras temporadas seria normal esperar que os episódios 2 e 3 fossem os episódios de apresentação das novas Cures do grupo, embora tenha algumas temporadas onde isso aconteça de outra forma, só que Delicious Party decidiu usar seus primeiros episódios para solidificar o trio Yui, Mary e Kome-Kome, tendo um episódio para cada. Como o episódio 3 foi menos carregado de informação, vamos dizer assim, do que o episódio 2, decidi dedicar um texto só para ambos.



    O episódio 2 foi surpreendente! A gente teve mais alguns indícios da inteligência emocional da Yui, percebendo de imediato que sua identidade como Precure deveria ser mantido em segredo, além de chamar a responsabilidade da missão para si para confortar o Mary. O anime nos mostra que ela sempre foi uma menina que gosta de ajudar e isso inevitavelmente a fez se tornar uma pessoa sagaz, atenta aos seus arredores. Estamos vendo isso desde o início do anime, essa consistência junto da forma em que essas várias cenas são executadas sem realmente dizer que ela é assim ou assado, já entrega uma personagem bem escrita e com muito potencial pela frente. Eu poderia listar os vários momentos em que ela demonstra essas características, pois em todos os três episódios que eu assisti houve situações em que ela demonstrou isso. A avó dela a descreve como uma pessoa forte, por ter um coração que clama por ajudar os outros, mas é importante frisar que ela também é alguém que consegue tomar atitudes rápidas em situações difíceis ou inusitadas, a exemplo do final do episódio 3, onde ela rapidamente decide carregar a Kokone para sua casa. A Yui é uma protagonista não só divertida de acompanhar, mas também muito legal de se analisar, ao menos até aqui. Mas claro, ela não é perfeita, tanto que temos esse episódio 2 para mostrar isso.



    E nossa, que acerto gigante do anime. Descobrimos que o artefato especial do Mary, que o dava a maior parte das suas habilidades, havia quebrado. Isso estava deixando-o preocupado e desolado, mas era por ele ter perdido suas capacidades de combate? Ou porque o artefato era importante para ele? Não, era porque ele entendia que ele teria que jogar a responsabilidade da missão nas costas de uma criança e isso o transtornava. Por isso decidiu ir embora e se arriscar resolvendo a situação sozinho, embora não contasse com a astúcia do relógio mágico da Yui revelando a localização do conflito. É raro ver um anime do tipo se preocupando em abordar a questão da responsabilidade de carregar uma missão que envolva lutas ou outros conflitos caindo no colo de uma criança, então isso fez o personagem do Mary crescer ainda mais. A gente sabe que, no fim das contas, em obras assim o jovem ou a jovem que carregar uma grande responsabilidade vai o fazer de qualquer forma, fazendo esse tópico ser um pouco redundante, porém, isso torna o personagem em questão muito mais humano e mostra que a obra está atenta a detalhes desse tipo, o que, por sua vez, enriquece a narrativa da mesma.



    Após a dupla se consolidar de vez, chegamos no episódio 3 com a adição de um novo mascote, Pam-Pam. É interessante que Pam-Pam tenha encontrado o Mary e a Yui primeiro, ao invés da Kokone, como normalmente aconteceria. Episódios focados em mascotes geralmente não costumam ser lá tão marcantes ou interessantes na franquia, mas diria que esse aqui foi uma grata surpresa também. O rumo da narrativa é bem esperto, pois não é só sobre a jornada da Kome-Kome indo comprar cenoura para ganhar elogio da Yui, mas sim uma forma de conectar a Kokone com o grupo principal de forma mais natural. Primeiro que ela já havia visto a Yui antes, mas aqui nem era realmente necessário, pois esse episódio dá contexto o suficiente para uma eventual transformação da Kokone em Precure. A trama com a Kome-Kome é fofinha, nada que chegue a incomodar, como aconteceu em alguns outros episódios focados em mascote na franquia, mas acaba não dando muito pano para manga para comentar. O ponto chave acaba sendo a Kokone, afinal. Nós ganhamos a grande perspectiva da personagem no último momento do anime, que de forma bem inteligente mostra a refeição feliz do grupo principal e faz um corte abrupto para a sala de jantar solitária da casa da Kokone, onde ela come sozinha.



    Sendo uma jovem rica que é levada para a escola pelo seu motorista e conhecendo a franquia, dá para deduzir facilmente que os pais dela são bem ausentes por conta dos seus trabalhos. Vendo sua posição social e o que provavelmente foi a sua criação, também dá para deduzir que ela não tem muitos amigos na escola, caso tenha algum. Ou seja, ela ser atraída pelos mascotes é uma reação natural de alguém introvertido que não tem proximidade com muitos humanos e vê nos animais uma possibilidade de relação afetiva que não seria abafada pelas suas circunstâncias pessoais. Claro, no fim das contas isso acaba nos levando de volta a Yui e sua naturalidade em ajudar os outros, de eventualmente mostrar ações e palavras que deem conforto e segurança aos outros. A história está muito bem organizada a ponto de você conseguir enxergar essa conexão entre as duas acontecendo, pois elas se encaixam muito bem. Aguardemos o episódio 4. 

    Eu realmente estou curtindo o ritmo e a execução de ideias do anime até aqui, acho que Delicious Party tem tudo para ser uma ótima temporada e espero que continue assim. Saraba Da!



    OBS:
    Fui só eu que notei a ironia de um anime sobre comida ter um mascote de nome Kome-Kome (Come-Come) e outro de nome Pam-Pam (Pão-Pão)?!!

  • Delicious Party♡Precure #01 - Saco vazio não para em pé!

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     Mais uma temporada se vai, mais uma temporada se vem e Delicious Party*coraçãozinho*Precure faz a sua estreia na semana padrão da franquia após duas temporadas que foram forçadas a serem mais curtas devido a pandemia. Dessa vez o novo anime vem com a premissa de falar sobre comida. Não sobre culinária, mas sobre comida. Os primeiros minutos já apresentam com eficácia a nossa protagonista, Yui Nagomi, e conseguimos traçar um perfil relativamente diferente do padrão "protagonista de precure", mas que não necessariamente cai no mesmo grupo das exceções, que são as reservadas Tsubomi de Heartcatch Precure! e a Nodoka de Healin' Good Precure. Yui é serena e gentil, mas bem proativa e fisicamente privilegiada. Boa jogadora de futebol e sagaz o bastante para entender rapidamente o que acontece ao seu redor (Lembro aqui do carrinho de bebê e de perceber o Mary vendo um Recipeppis), ela se mostrou uma protagonista bem interessante e com bastante potencial. Claro, seu traço de personalidade mais marcante é o amor que ela tem pela comida, ao ponto de se refletir em uma filosofia de vida sua, herdada pela sua vó, de que "a comida trás o sorriso". Filosofia essa que é, também, a possível principal temática dessa temporada. 

    A dupla aí tem tudo para emplacar um montão de diversão para nós!


    A nível de roteiro, esse primeiro episódio foi bem movimentado. Há muitas coisas para absorver, mas possivelmente os episódios seguintes irão reforçar o que foi apresentado aqui, que passa pelas fadinhas de comida, Recipeppis, os Recippebons, que são os livros de culinária que guardam um grande poder, o reino de Cookingdom, o grupo de vilões da Gangue Bundoru ou o próprio Rosemary. Tematicamente falando, o anime é um vasto leque de possibilidades, a comida quando vista como filosofia pode ir por tantos caminhos que talvez seja até injusto esperar que um anime infantil vá tão à fundo no tópico, ainda que outras temporadas tenham feito um trabalho similar com outros tópicos. Mas, nesse ponto, até clichês bem básicos como um personagem morto de fome que cai desmaiado na rua (Mary, no caso) acaba sendo significativo quando está dentro do tema da obra. Inclusive, achei digno o Mary mesmo com fome se recusar a aceitar comida do restaurante de graça e querer dar algo em troca para a mãe da Yui. Afinal, uma mão lava a outra e as duas lavam a louça! É uma simples demonstração de caráter que já dá para as personagens (e nós) a segurança de que ele é um personagem confiável. A sua dinâmica com a Yui é bem divertida e os dois deixam aí a possibilidade de um cast bem agradável de personagens para essa temporada.

    Craque de bola, salva bebês, ajuda os necessitados e enfrenta monstros sem ter poderes. Quem é MacGyver na fila do pão??

    Os vilões, a gangue Bundoru, também segue um padrão comum da franquia, tanto que já há as especulações de coisas que só devem vir a acontecer na metade do anime, devido aos padrões apresentados. Mas achei bem interessante o uso do nome "Bundoru" (分捕る(ぶんどる)), que supostamente seria apenas a palavra "capturar" ou "saquear", se referindo ao ato deles capturarem o Recippebon e os Recipeppis. Da mesma forma que o monstro da semana Ubauzo usa do verbo "Ubau" (奪う), que significa roubar. Porém, há uma certa ironia, coincidência ou não, no fato da palavra soar praticamente idêntica ao termo "Bundle" (バンドル) que é uma estratégia de marketing que envolve vender múltiplos itens em um compilado só, que por um acaso é uma estratégia super comum na indústria de fast food. É evidente que esse pote de sorvete pode só ter feijão dentro, mas acho a ideia ainda mais interessante pensando que a gangue Bundoru está selando vários Recipeppis dentro do Recippebon, essencialmente fazendo um "compilado", que o Mary especificadamente elogiou a comida da mãe da Yui ter sido feita com o coração e que o roubo de um Recipeppis (Que só pode ser visto por crianças ou quem tem amor pela comida) resultou nas comidas ficarem com um gosto estranho ("Estranho" sendo a palavra chave, já que nenhum cliente do restaurante ali descreveu o gosto como ruim e isso talvez tenha sido proposital). Meu ponto é: Ainda que possa ser só "fonte: vozes da minha cabeça", em um anime que coloca a comida como um tópico tanto filosófico quanto emocional, é possível que toda a questão do fast food apareça em algum momento do anime. Mas por hora, não sabemos nem qual é o objetivo dos vilões, então guardem esse parágrafo só como uma curiosidade aleatória mesmo!

    Gentlu já é uma personagem que aponta para algumas possibilidades óbvias de desenvolvimento.

    A temática de comida pode passar por vários pontos importantes, um deles exemplificado acima, a relação que cada um tem com a comida pode ser bem diferente e pode ser explorado com folgas. O cardápio do dia pode facilmente ditar como vai ser seu humor até o momento em que você irá dormir, é comum o dia que você come algo especial ser consequentemente um dia especial e não é necessariamente uma coincidência. O mesmo vale para a sua energia no dia a dia, já tive dias de trabalho cansativos que levei mais de boa quando estava bem alimentado, assim como o oposto também. Para muitos, ter o que comer já significa ter um dia feliz. A saúde passa muito pela alimentação e a nossa disposição também depende disso. De exercícios físicos a coisas mais simples, como escrever esse post, comer bem pode fazer toda a diferença. Sabe o personagem que pega um resfriado e dão a ele um mingau de arroz? Não é á toa. Tomar chás com diversas finalidades? Também não. Eu acho essa temática realmente tão vasta que pode até abranger vários outros temas que acabam sendo atrelados nisso. É um grande potencial, mas não necessariamente um que o anime prometeu nos entregar, por isso guardo minhas expectativas na gaveta imaginária, por enquanto. Mas acho que essa temporada tem tudo para ser bem legal. 

    Precure sempre foi sobre "Girl Power", mas referências visuais são sempre legais de se ver!

    Visualmente falando o episódio foi modesto, com exceção da transformação da Cure Precious, que, fazendo jus ao seu nome, foi realmente preciosa. Alguns cortes das cenas de ação também foram bem vistosos, mas fora isso achei que a direção poderia ter sido um pouco mais inventiva. Mas é aquilo, é Precure, pode ser que o episódio 5 seja fantástico em termos de direção e animação, e o episódio 11 seja abaixo da média nos mesmos quesitos, mas muito provavelmente todo o anime vai se manter uma boa consistência visual. E é isso, eu gostei da estreia, fiquei animado para continuar assistindo e espero que seja uma jornada memorável, como geralmente Precure é. Lhes digo aqui: Acompanhem Delicious Party♡Precure semanalmente, está até lançando na Crunchyroll como as duas temporadas anteriores, se for o seu tipo de obra, me arrisco dizer que não irá se arrepender. Saraba Da!
  • [Review] Futari wa Precure: Splash Star - A beleza da natureza e o auto-aprendizado.

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    Já pararam para pensar que tudo que existe e virá a existir, um dia irá acabar?
    O fim, ou a morte, é inevitável independente da sua forma. Esses animes que vocês acompanham a todo momento um dia irão acabar, esse blog meu um dia irá acabar, esse post logo logo irá acabar. Tudo que tem um início, sempre terá um fim. É por isso que é importante você preservar o que é especial, e aproveitar a vida enquanto você a tem. Jamais deixe a ideia de que a vida não tem sentido e que o fim vir mais cedo ou mais tarde é só uma questão de estender seu sofrimento te consumir, é possível aproveitar a vida, principalmente se você tiver uma pessoa importante para você por perto.
    Esse é um dos principais temas abordados em Futari wa Precure: Splash Star (Me referirei apenas como “Splash Star” a partir daqui). Não só como uma mensagem que o anime quer passar, mas também como um aspecto importante tanto na narrativa quanto no universo do anime.

    Há muito o que se dizer sobre certos aspectos, temas e mensagens de todas as temporadas de Precure lançadas até então, porém, nenhuma misturou tais conceitos tão profundamente na narrativa da obra quanto Splash Star. Por isso, surpreendentemente, muitas coisas do anime são bastante subjetivas e ambíguas, coisas que não dão a resposta para o telespectador diretamente e faz-se depender da sua capacidade interpretativa e atenção para captar elementos muito bem enraizados no universo da obra. Como tal, no caso de você não conseguir pegar esses aspectos implícitos, tem grandes chances de você achar o anime mais simples do que ele realmente é, ou na pior das hipóteses, acreditar que deixaram alguns furos de roteiro onde na realidade é algo bastante subjetivo que só se explicaria com um pouco de reflexão.
    É claro, falando assim até parece que é um Serial Experiments Lain da vida, mas não é nenhum bicho de sete cabeças, ainda é um “anime para crianças”, afinal. Em todo caso essa review vai facilitar um pouco a sua vida. Espero.

    Splash Star é o terceiro anime da franquia de Precure, lançado em 2006. Também foi o primeiro anime de Precure a não envolver a timeline principal, de Futari wa Precure, e suas personagens. Além disso, a série serviu como protótipo de conceitos e padrões que foram oficializados em Yes! Precure 5 e posteriormente se tornaram uma das bases da franquia. Para minha surpresa Splash Star criou (Dentro da franquia) coisas que eu achei que eram novidades em temporadas recentes como Mahoutsukai Precure, de 2016.
    No entanto, Splash Star não vingou. A série foi bem fraca em audiência comparada com seu predecessor, não vendeu muito em termos de brinquedos e figures e o filme da mesma foi o que menos lucrou. Muito disso provavelmente se deu ao fato de terem tentado não se distanciar muito da primeira série em relação as protagonistas, Saki e Mai. As duas são bastante similares em aparência as protagonistas de Futari wa Precure, Nagisa e Honoka. Além disso, as personalidades delas também são similares, muito superficialmente, ao menos.

    E talvez o maior problema da série seja não ser mais explícita nos seus desenvolvimentos, conceitos, ideias e mensagens. Não que isso em si seja um problema, mas pelo tipo de anime que é, muitos inevitavelmente acabam ficando de guarda baixa e não presta muita atenção nesse tipo de coisa. Embora por outro lado isso seja algo presente na maioria das temporadas, em menor escala, então existe esses dois pontos de vista.
    As duas protagonistas possuem 3 ou 4 características primárias (Que são muito mais explícitas) iguais as das protagonistas de Futari wa Precure, mas, junto com o design, as similaridades acabam aí. As protagonistas de Splash Star, Saki e Mai, possuem um desenvolvimento muito sútil e natural, elas poucas vezes passam por um grande drama onde no fim mostra que elas mudaram e coisas do tipo que animes normalmente fazem. Pelo contrário, as mudanças delas são mais realistas e, de certa forma, profundas. Digo realista por ser algo muito mais ligado ao convívio e as experiências, é muito normal nós mudarmos nossa forma de ver algumas coisas, nossa forma de agir ou mesmo de pensar sem necessariamente passar por um grande conflito, mas sim só por estar convivendo com as “pessoas certas”. Eu mesmo vi isso acontecendo múltiplas vezes com amigos meus, e é uma sensação fascinante você de repente olhar para um amigo e perceber que ele agora age de uma maneira diferente do que era tempos atrás apenas por estar convivendo com você ou outra pessoa por muito tempo. Apesar de ser realmente sútil, foi algo que me marcou na série.

    Muito do que falei sobre o desenvolvimento das protagonistas se dá a um fator essencial em Splash Star: As relações entre os personagens. Splash Star foi um anime que realmente tornou tais relações muito orgânicas e palpáveis, não só entre as protagonistas, mas todos os personagens no geral.
    Existem diversos momentos em que você vê uma real naturalidade no comportamento dos personagens, é tudo bastante crível e isso é algo que admirei bastante na série. A Saki e a Mai são protagonistas bem incomuns na franquia, embora não individualmente, mas sim em tudo que envolve a caracterização e relação das duas. Elas possuem uma relação muito harmônica, e realmente parecem serem amigas de verdade, além de serem bastante carismáticas. O anime mostra muitos exemplos disso ao longo dos quase 50 episódios. Um exemplo super simples, porém eficaz, é que as duas visitam a casa uma da outra com certa frequência e logo, em um certo ponto até as famílias das duas passam a se conhecer. Isso é o tipo de coisa que também é real na relação com os demais personagens, o que os torna secundários na maioria das vezes bem agradáveis.

    Devido ao foco em como cada personagem se relaciona um com o outro, mesmo os vilões acabam sendo bem distintos em termos de personalidade. Alguns deles tem até muitas interações interessantes com as protagonistas. Infelizmente, devido a eles não ficarem normalmente no mesmo local, como normalmente acontece, não se tem muitas interações entre eles.
    Mesmo assim, é possível se tirar bastante da caracterização dos vilões baseado nas suas interações com qualquer outro personagem ao longo do anime, o que os torna mais interessantes e legais. O roteiro chega a dar passos arriscados, mostrando traços fortes da personalidade de alguns vilões através de momentos inusitados ou mesmo cômicos, e embora talvez em alguns casos acabe não dando tão certo, em outros acaba saindo algo realmente surpreendente.
    Porém, curiosamente, o inverso também pode ser considerado. Você consegue extrair certas características das protagonistas pelas suas interações com os vilões. Normalmente são em casos específicos e algumas vezes chega a ser difícil de notar de tão implícito que fica, mas o anime consegue mostrar fortes sinais de pensamento rápido, atenção aos arredores, ou até um pouco de sagacidade ocasionalmente. É o tipo de informação não exposta diretamente para quem está assistindo que adiciona camadas extras na caracterização das personagens.

    Splash Star não é um primor de animação, direção, design e etc. Claro, não há inconsistências graves e os picos de animação e coreografia são fantásticos, o que para um anime semanal de 50 episódios de uma franquia que estava ainda começando a dar seus primeiros passos é um grande feito. Porém, mesmo que limitados e o anime não sendo o sucesso que se esperava, deu para ver todo o cuidado que foi colocado em toda a parte visual do anime.
    O anime conseguiu deixar os aspectos visuais em sincronia tanto com o enredo quanto com a ambientação. Em um nível onde temos, por exemplo, foreshadowings deixados em momentos que não parece ter nada demais para ser visto, mas que depois de revelado quando você volta para ver tais cenas, nota a genialidade da equipe por trás do anime. Nós temos, por exemplo, um anime que fala muito sobre a natureza, pois a mesma é bem relevante para a história, e se passa em uma cidade de beira de praia, conseguimos sentir toda a ambientação do local através de cenários muito bem feitos e pensados com precisão. Nós temos, por exemplo, uma boa exploração do espaço nas lutas, onde algumas vezes as lutas começam em um lugar e terminam em outro.
    Graças a tudo isso combinado, você consegue visualizar mentalmente como a cidade é, o que tem nela e o seu tamanho no geral. Mesmo já tendo terminado de assistir há um tempo, eu ainda consigo lembrar de cabeça de vários locais da cidade, acho realmente muito bem feito nesse aspecto.
    Por ser uma cidade pacata cercada pela natureza, os elementos místicos do universo de Splash Star se misturam muito bem, e apenas um lugar assim representaria bem alguns aspectos importantes da narrativa, por isso digo que toda a equipe por trás do anime deve ter trabalhado em conjunto realmente, para conseguir chegar a este ponto.

    O roteiro de Splash Star é muito bem escrito, se aproveitando de muitos pequenos detalhes para criar algo grandioso, conseguindo fazer uma construção de mundo excelente e respeitando as leis daquele universo afinco até o fim. Há um dito (Do pai da Nagisa) que diz que existe vida em todas as coisas, inclusive objetos. Isso é algo bastante importante no anime, além de passar uma mensagem importante sobre você dar valor as coisas preciosas, cuidar delas sempre e realmente tratar com o respeito que merece as coisas que você preza. Muitos possuem coisas que consideram preciosas e ficariam realmente abalados caso as perdessem, há vida nesses objetos que zelamos simplesmente por eles existirem nas nossas memórias mais valiosas. Por isso a importância de ser uma cidade pacata ao invés de uma cidade grande. E é claro, como estamos falando de preservação, isso também se estende a própria natureza em si. Proteger o meio ambiente também é uma das mensagens por trás de Splash Star, e é quase sempre feito da melhor maneira possível: Não dizendo diretamente a mensagem que quer passar. Tem sim alguns casos onde isso fica mais explícito, mas normalmente o anime para e mostra a beleza da natureza de diversas maneiras diferentes, pois isso está diretamente ligado a vida em si.

    Em Splash Star existem dois mundos que possuem uma conexão, toda essa parte sobre a natureza é muito forte tanto em um quanto no outro. O nosso mundo se é referido como “Terra da Vegetação”, por exemplo. O outro mundo, mundo dos espíritos, é chamado de “Terra das Fontes”. O objetivo das protagonistas é recuperar as fontes sagradas que foram tomadas pelos vilões. A representação das fontes destruídas é basicamente de seca e a morte da vegetação, algo bastante simples, mas para o que a obra estava querendo fazer era funcional. Quando recuperadas, o anime oferece alguns cenários realmente muito bonitos, além de alguns detalhes extras que não posso entrar em detalhes para não dar spoilers.

    Mas sem entregar muita coisa, há algo que você precisa realmente ter conhecimento para entender mais profundamente a beleza de Splash Star. É um provérbio chamado 花鳥風月 (Kachou Fuugetsu).
    Kachou Fuugetsu traduzido literalmente é: Flores, Pássaros, Vento, Lua. Mas seu real significado é: Experimente as belezas da natureza e, ao fazê-lo, aprenda sobre si mesmo.
    Quatro palavras separadas que evocam os sentidos do olfato, audição, tato e visão, respectivamente. Justapostos desta maneira, eles sugerem a beleza do mundo natural como é experimentado diretamente, além da linguagem. As quatro palavras também aludem às quatro estações como aquelas convencionalmente simbolizadas na poesia japonesa.
    (Trecho em negrito tirado e traduzido daqui: http://zeninink.com/works/flowers-birds-wind-moon/)
    É isso, uma informação que fará bastante diferença na sua visão da obra e das personagens principais.

    Não é só sobre a natureza que o anime trata, mas também sobre a vida e a morte. Principalmente fala sobre viver. É um anime voltado para o público infantil, por isso certas coisas muito dificilmente, para não dizer jamais, serão colocadas em prática. Mas isso não impede de ensinar um pouco sobre a vida em si, em precisar cair em tons sombrios ou em melodrama. Como um anime que fala sobre a vida em si, mesmo sendo algo positivista, ele ainda precisa ter o pé no chão e ser realista quando necessário, por isso, algo que acho realmente excelente é que as protagonistas não estão imunes a falhas, a coisas ruins ou a simplesmente terem uma visão limitada sobre a vida em si.
    Em contrapartida, a morte, ou o fim, possui uma forma física dentro do universo de Splash Star. Isso não é algo realmente dito no anime, mas sim uma interpretação minha, porém tenho bastante convicção nessa interpretação. Tal morte é mostrada através do grande vilão da história, Akudaikaan, que é basicamente um gigante todo preto que pouco age no anime.

    É um pouco difícil falar sobre ele sem dar maiores spoilers, mas eu posso dizer que como um personagem, Akudaikaan é bastante simplório e basicamente sem personalidade, ele não é um vilão interessante per si. No entanto, seus defeitos, na minha visão, são propositais. Ele é a representação da morte, e a morte não é charmosa, cheia de personalidade e objetivos, mas sim algo seco que simplesmente vem para dar o fim na existência de algo ou alguém. Pode soar meio conveniente, mas existe um grande twist no final que faz o que eu disse ter total sentido, e vai muito além de ser apenas isso.
    É também muitas vezes levantada a questão de que tudo tem um fim, queira você ou não.
    Nós temos um núcleo de cinco vilões que antagonizam as protagonistas cada um em um arco, e cada um deles é baseado no Wu Xing, que são os cinco elementos chineses.

    Cada um dos vilões tem personalidades bem distintas e por cada um representar um elemento, os “monstros da semana” deles são temáticos baseado no elemento de cada um. Graças a ter um vilão diferente a cada 6 ou 7 episódios, a narrativa se torna mais dinâmica, e o ar de novidade se torna mais presente.
    Nenhum dos 5 vilões que representam os elementos chineses são realmente personagens complexos, mas eles são perfeitamente funcionais dentro da narrativa. 
    Por fim, temos Michiru e Kaoru, que são as personagens com o maior e melhor desenvolvimento do anime, carregam um bom nível de profundidade e a base do conceito visual das personagens trás uma interpretação genial e que pode vir a ser essencial para entender certos eventos supostamente inexplicáveis do anime.

    A segunda metade do anime de fato tem alguns pontos que “não tem” explicação lógica por trás, mas é compreensível se você entender certas coisas como metáforas para algo muito maior.

    Por ter o público alvo que tem, o anime pode frustrar um pouco em alguns casos especiais. Além disso, ele possui alguns episódios que não possuem muita utilidade e pode parecer um pouco filler, embora sejam raros os episódios assim, uma vez que estão sempre tentando aproveitar até os episódios menos relevantes para mostrar algo importante na narrativa.
    A trilha sonora é boa, porém pouco memorável e não muito impactante, salvo pelas versões instrumentais da abertura com violino ou piano, que são realmente muito bonitas.

    O anime constrói seu muito de maneira exemplar, fazendo não só com que as personagens, os poderes e os conceitos possam existir todos em harmonia lá dentro, mas também de maneira que permita que a própria narrativa funcione dentro do mundo em si, ao invés do contrário que seria o normal. Por isso, o anime é bem fechado, sem deixar brechas para coisas inexplicadas ou mal exploradas. Isso é, exceto todas as partes subjetivas que pesam mais para o lado metafórico do que o lado lógico.

    O roteiro ser muito bem escrito ajuda muito também, ainda que muito minucioso e repleto de nuances que algumas vezes necessita de coisas além da sua própria atenção e capacidade interpretativas, é um anime que é possível se aproveitar bastante. No entanto, saindo um pouco da caixa e refletindo sobre a obra em si, seus personagens e acontecimentos, é onde encontrará o quão incrivelmente bem-feita e profunda ela é. Admito que mesmo eu não enxerguei alguns dos foreshadowings muito bem colocados, acabei descobrindo por um acaso enquanto olhava outras reviews, e pessoas diferentes notavam pequenos detalhes extremamente inteligentes diferentes, então é bem provável que reassistir Splash Star vá me trazer uma percepção mais ampla do quão bem trabalhado cada detalhe foi.
    Infelizmente embora tenha dito que ajudaria, eu não poderia simplesmente dar grandes spoilers em uma análise, então muita informação e interpretação eu simplesmente optei por omitir. Mas é sempre bom frisar que nem todo defeito ou furo é realmente um defeito ou furo, vale pensar duas, três, até quatro vezes antes de decidir.

    Splash Star foi um anime brilhante, e sem dúvidas um dos meus favoritos de todos os tempos. Embora tenha alguns problemas bem óbvios e outros bem questionáveis, o carinho que tiveram nessa história para criar algo fascinante e muito bem construído acaba sendo maior que seus defeitos.
    E claro, se você chegou até aqui, vale lembrar que ainda é um anime voltado para o público infantil, mais especificadamente meninas, e como sempre pode ou não ter alguns elementos que incomodem. Não foi o meu caso, Splash Star foi só alegria e definitivamente merecedor de estar no meu top 3 animes. 
    Além dos spoilers omitidos, eu também provavelmente resumi muito ou deixei de falar sobre muita coisa, então talvez não tenha se tornado uma análise tão completa quanto eu gostaria, mas o importante é colocar a alma no que está fazendo, certo? Pois aqui está, espero que tenha sido uma leitura interessante. Saraba Da!
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