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Top #06 - Protagonistas mulheres em obras de ação/aventura
Eu não sei vocês, mas eu particularmente gosto bastante de obras de ação e/ou aventura protagonizados por uma mulher. Na verdade, na maioria dos gêneros isso acaba sendo um diferencial para mim. E ás vezes é curioso que, mesmo que seja uma obra sem nada de novo para oferecer e com uma personagem principal insossa, ainda assim soa um pouco diferente das demais obras, na minha opinião. Mas é justamente isso, há uma diferença, que é a figura central de uma mulher na história.
A velha noção de que obras de ação são para garotos e obras de romance são para garotas já se perdeu a muito tempo, a maior prova disso é que temos tido inúmeras obras de romance protagonizadas por personagens homens nos últimos 10 anos. Mangás shounens de romance têm se tornado uma certa tendência e light novels com uma pegada similar já vêm sido lançadas aos montes desde meados dos anos 2000. No entanto, quando olhamos para o outro lado, as obras de ação/aventura/outros gêneros protagonizadas por mulheres tem sofrido para se tornar algo comum.
Mas como eu dei a entender na primeira frase desse texto, não é como se não existisse. Recentemente, em live, eu joguei alguns jogos protagonizados por personagens femininas como Child Of Light, Hellblade: Senua's Sacrifice, A Plague Tale: Innocence ou NieR:Automata. Uma das minhas franquias favoritas é a de Metroid, que foi um dos primeiros jogos na história a colocar uma protagonista mulher, ainda que com algumas ressalvas, lá nos anos 80. A própria franquia de Tomb Raider alavancou a Lara Croft como uma das personagens femininas mais memoráveis dos jogos... Ainda que não tivesse muita concorrência na época. Até quando entramos em um tópico mais controverso, como isekai, vemos que uma das obras que conseguiu esse apreço maior, mesmo em meio a tanta desconfiança, foi justamente o que era protagonizado por uma garota, que no caso foi Honzuki no Gekokujou, ou Ascendance of a Bookworm. A obra conseguiu o feito de ser licenciada aqui no Brasil, pela NewPop, sendo ambos o mangá e a light novel.
Algo que eu prezo bastante e que ajuda a quebrar um pouco dessa limitação das obras são os jogos que permitem você criar seu personagem, ou ao menos escolher entre homem ou mulher. A trilogia de Dragon Age é, talvez, o exemplo perfeito do que eu gostaria de dizer nesse post. O primeiro jogo, Dragon Age Origins é um dark fantasy, uma fantasia sombria, no melhor estilo Berserk de ser (Ou não, nunca li Berserk, mas o que já vi e ouvi falar da obra me diz que a comparação é bem válida) e podemos criar uma personagem mulher para ser a protagonista. A história toda se molda ao redor da personagem que você criou, então você realmente consegue experienciar essa jornada da forma que você gostaria. Não à toa das quatro vezes que eu joguei, três foram com personagens femininas (Já nas duas continuações, joguei 4 vezes com 4 personagens femininas). Dragon Age II opta por uma fantasia urbana, se passando a maior parte do tempo em uma cidade e com tramas mais pessoais, seguindo a mesma linha do primeiro na hora de criar seu personagem. Por fim, Dragon Age Inquisition assume a narrativa da fantasia épica, da odisseia, no estilo Senhor dos Anéis.
Querer uma obra de qualquer um desses 3 tipos com uma mulher nos holofotes é uma tarefa complicada, mas graças a jogos como Dragon Age, isso é muito possível. E nisso podemos encontrar diversos jogos que te dão essa opção, como a franquia de Monster Hunter ou o recém-lançado Elden Ring. Tem também os jogos que são mais limitados, te deixando escolher apenas o gênero, ou um personagem fixo, mas que ainda sim te dá a opção e isso já é um bom começo. Eu gostei bastante de 7th Dragon 2020 por conta disso, pois pude escolher uma personagem dentre algumas opções que o jogo te dá e ter essa experiência na minha jogatina. Em Fate/Extra aconteceu o mesmo, exceto que o jogo só te dá a versão masculina ou feminina do mesmo personagem. E aqui mora a grande problemática que me faz ter que escrever um texto desses: Em uma adaptação em anime de Fate/Extra, onde tem que escolher entre os dois, eles obviamente optam pelo protagonista masculino, algo que é o procedimento padrão na maioria dos casos, porque suspostamente é o "certo". É só tomar Genshin Impact como exemplo, onde te dão a opção de escolher entre o Aether (Protagonista masculino) ou a Lumine (Protagonista feminina), mas tudo quanto é material promocional é usado apenas o Aether, ao ponto de fazer quem joga com a Lumine se sentir excluído ou até mesmo "errado" por ter optado por uma personagem principal mulher.
Quando falamos de outros tipos de mídia, poder escolher o protagonista ou criar seu próprio personagem deixa de ser uma opção. No entanto, ao menos no caso da cultura pop japonesa, a gente tem alguns meios de escapar um pouco desse buraco. A exemplo, posso citar o subgênero mahou shoujo, ou garotas mágicas como preferir, que é basicamente centrado em ter uma protagonista mulher, alguns outros conceitos um tanto abstratos e com espaço para apresentar qualquer tipo de história imaginável. Então dá para se ter uma fantasia épica em obras como Magic Knight Rayearth. Dá para se ter fantasias urbanas em obras como Chikyuu Shoujo Arjuna. Dá para se ter fantasias sombrias em obras como Puella Magi Madoka Magica. A franquia de Precure é uma excelente opção para quem quer algo mais leve, mas com ação em todo episódio e uma boa dose de temas relevantes sendo abordados e boas mensagens sendo passadas. São mais de 15 anos dando o protagonismo para as garotas, as colocando com o papel do herói nas histórias, algo até abordado em uma de suas temporadas mais recentes: Hugtto Precure (2018), onde a protagonista nos entrega a frase "Garotas também podem ser heróis!". Pois sim, podem e devem, a variedade é um elemento importante, afinal.
Em Mahou Shoujo Lyrical Nanoha a ação é tão intensa quanto em qualquer battle shounen da vida que vemos sempre por aí, em Shoujo Kakumei Utena a narrativa metafórica e psicológica é tão profunda quanto qualquer seinen desse tipo pode ser, até Kamikaze Kaitou Jeanne que é bem mangá shoujo te entrega uma protagonista memorável e com momentos de glória e de queda, tendo o romance só como uma (grande) parte da narrativa. E claro, não dá para passar por um trecho falando de mahou shoujo sem citar Sailor Moon, uma série que reforçou muito toda a ideia que eu venho comentando aqui nesse post.
O fato é: Ainda precisamos evoluir muito nesse quesito. Obras de esportes femininos é algo que é muito escasso, por exemplo. Mas existem opções, sim, e acho que vale a pena prezá-las. Seja um filme como Kill Bill ou um livro como Alice no País das Maravilhas, seja um jogo como Final Fantasy XIII ou um mangá como Hime-chan no Ribbon, seja um anime como Black Rock Shooter ou uma light novel como Kusuriya no Hitorigoto, o primeiro passo a ser dado por nós consumidores é... Bem, consumir. Não estamos tão bem de representatividade, é evidente, mas ao menos ainda temos algumas opções disponíveis.
Pois bem, para fechar o assunto, vou trazer meu top 5 protagonistas mulheres e convido a todos a fazerem o mesmo. O critério é simples: Ser protagonista de uma obra que não tenha o foco em romance. Não precisa ter ordem específica. Pode ser de qualquer mídia! Então, vamos lá.
Lightning Farron (Final Fantasy XIII)
Apesar de eu sempre ter tido muita vontade de jogar o Final Fantasy XIII, quando eu finalmente pude, tive uma grande surpresa ao entender o quão memorável a Lightning era como personagem. Você cria uma certa expectativa de que ela seja uma personagem badass e intocável, mas descobre que ela é falha como qualquer ser humano, que tem seus conflitos e que não só os resolve, como cresce como pessoa ao longo do primeiro jogo. Chegar ao final da jornada dela é até tocante, de certa forma, pois mostra uma personagem com um desenvolvimento e construção fantásticos.
Reimu Hakurei (Touhou Project)
O pilar central do universo de Touhou, do mundo de Gensokyo, a Reimu é uma personagem de carisma rivalizado apenas pela co-protagonista da obra, Marisa Kirisame, e mesmo após mais de 25 anos de franquia, parece simplesmente impossível cansar de ter a Reimu como a principal figura de Touhou. A sacerdotisa é única em personalidade e postura dentro da obra, criando essa persona de alguém que não parece levar as coisas muito a sério, mas está sempre lá para eliminar os youkais com êxito sempre que causam problemas.
Wakaba Nogi (Nogi Wakaba wa Yuusha de Aru)
Uma coisa que eu gosto bastante de acompanhar é uma personagem que precisa superar seus próprios defeitos para alcançar um objetivo que muitas vezes ela nem sabe que precisa buscar ainda. A Wakaba vai ainda além, passando por uma ascensão de alguém até que egoísta por um desejo cego por vingança até chegar na figura de uma heroína, enfim assumindo a responsabilidade social que ela precisa ter com as pessoas ao redor dela, uma vez que ela é uma das únicas com o poder de trazer conforto para os necessitados.
Utena Tenjou (Shoujo Kakumei Utena)
A Utena é uma personagem que eu adorei mais do que eu previa. Complexa, ela é uma personagem fisicamente muito privilegiada, ao ponto de conseguir combater os duelistas mesmo sem ter a experiência necessária. Porém, psicologicamente ela é inocente e vulnerável, o que é natural para alguém da idade dela, mas que a torna um alvo fácil para gente mal-intencionada. O crescimento dela é espontâneo, ao ponto em que você chega no final do anime com uma sensação de satisfação evidente, vendo o desfecho da jornada de uma baita personagem.
Vivio Takamachi (Mahou Shoujo Lyrical Nanoha ViVid)
Nanoha é minha franquia favorita de todas as mídias, mas apesar da protagonista que dá nome a obra ser uma personagem incrível, é a protagonista de um spin-off que realmente mais me apeteceu. A Vivio é uma menina que passa por um desenvolvimento longevo, que começa em Mahou Shoujo Lyrical Nanoha StrikerS e termina no final do mangá Mahou Shoujo Lyrical Nanoha ViVid, podendo até ser considerada suas participações em ViVid Strike!. Entretanto, é no mangá que ela assume o papel de protagonista e brilha muito nele. É uma garota que tem quedas e quedas, mas está sempre se superando e buscando ir além, obtendo um amadurecimento respeitável e satisfatório.
E bem, acho que é isso. Quis aproveitar a data para levantar essa questão e também trazer diversos títulos que quebram um pouco esse problema social que temos. Mas mais do que isso é que passar de meia-noite não significa parar de falar sobre o tema, por isso o post aqui estará dentro do quadro de tops, para sempre ser encontrado quando entrarem na tag. Espero que se torne cada vez mais comum o protagonismo das mulheres nas obras que não necessariamente são focadas em romance, pois querendo ou não fazer algo de diferente, mesmo que a história ou outros elementos não sejam novidade, já é uma escolha elogiável. Eu, ao menos, considero como um critério positivo a mais quando uma obra tem essa irreverência. Enfim, não deixem de citar aí seus tops pois podem acabar servindo de recomendação pra mim também, independente da mídia. Saraba Da!
Delicious Party♡Precure #04 - Cure Spicy tempera a história!
Se sentir socialmente excluso já é algo bem desagradável por si só, adicione aí o fato das pessoas ficarem falando de você pelas costas (Mesmo que não seja nada necessariamente maldoso) e nunca realmente fazendo qualquer esforço para falar com você, pronto, temos uma receita muito efetiva para uma pessoa desenvolver vários problemas sociais e/ou psicológicos. Esse era o caminho que a Kokone Fuwa estava seguindo até chegarmos a segunda metade desse episódio 4.
A construção da personagem ao longo do episódio foi bem satisfatória, pois a Kokone passa por todo o processo de crescer em um ambiente familiar com pouco contato humano, inevitavelmente ganha uma certa fama por conta do seu nome e família, vê que a maioria das pessoas ou falam sobre ela pelas costas ou tem segundas intenções para falar com ela e acaba desenvolvendo essa preferência por simplesmente ficar sozinha. A questão é, bem ou mal o ser humano é uma raça social, em uma utopia onde todo mundo é uma Yui, todos iriam querer ter seus grupos de amigos, estar com familiares ou em relacionamentos.
O problema é que as coisas não são assim, muito pelo contrário, daí é melhor ficar quieto na sua do que se envolver e se machucar ainda mais. Enquanto isso, do outro lado, a Yui já começa a tentar se aproximar da Kokone, pois afinal, nesse anime existe, de fato, uma Yui. Eu gostei que o anime mostrou essa dificuldade de conexão entre a realidade da Yui e a realidade da Kokone, era apenas natural que a Yui não fosse conseguir se aproximar tão facilmente da Kokone devido ao contexto social em que elas estavam inseridas. A Yui é benquista, popular, mas também a princípio não estava "tentando" o bastante, caindo no sono durante a aula ou se distraindo com outras coisas. Mas como aquilo estava atingindo ela, na primeira grande oportunidade que surgiu a Yui a agarrou com veemência. Em circunstâncias como essa uma oportunidade das duas poderem estar na mesma sintonia é raro, algo como fazer alguma atividade juntas seria uma dessas raras oportunidades.
A Kokone queria ajudar um coelhinho que fugiu do seu cerco a voltar para lá, mostrando mais uma vez a sua ligação com os animais, já que eles não os mesmos comportamentos desagradáveis dos seres humanos. Já que temos essa necessidade de ter ali um contato ou afeto, ainda que prefiramos ficar sozinhos, ter um bichinho por perto pode suprir essa necessidade. Mas ali a Kokone sentiu melhor o que era fazer uma atividade com outra pessoa, ainda mais alguém de intenções puras como a Yui. Ainda assim, ela é uma pessoa mais fechada, então só com a pressão da fofura da Pam-Pam a Kokone enfim decidiu se juntar a Yui. E não tem jeito, as pequenas ações são muitas vezes o fator determinante para você sentir as intenções da outra pessoa com você. Seja no diálogo ou em coisas como dividir a comida que ela tanto preza para que as duas pudessem ter essa mesma experiência, as ações da Yui acabam quebrando esse gelo da Kokone, pois como eu sempre venho dizendo, ela tem uma inteligência emocional para lidar com os outros.
Quando chegamos na parte da ação do episódio, com a Kokone invadindo o espaço do Mary graças a ajuda de Pam-Pam, eu tive outra grata surpresa. A Kokone descobre que a Yui é a Cure Precious e, ao invés de imediatamente querer ajudá-la ou algo do tipo, ela questiona primeiro porque ela está lutando. Entender a situação primeiro para só aí definir certo ou errado e escolher seu lado deu uma profundidade a mais para a construção da personagem, que provavelmente passa aí por um amadurecimento precoce, devido a um possível afastamento dos pais e uma possível infância bem curta.
Ao menos, é a sensação que fica até que confirmem a história de vida da Kokone. Em todo caso, entendendo pelo que cada lado está lutando ali, a Kokone enfim decide que quer fazer parte dessa trama e se transforma da Cure Spicy. Um detalhe interessante que eu chuto que não irá se manter ao longo do anime é a de fazer os monstros da semana ficarem mais fortes conforme capturam mais recipeppis, o que justificaria a Cure Precious estar tendo problemas na luta justo no episódio em que uma nova Cure aparece.
Agora com uma nova integrante no grupo, só ficará faltando mais uma para fechar. Que inclusive esteve participante em um momento do episódio, o que é uma construção narrativa que me agrada mais do que introduzir a personagem no mesmo episódio em que ela se transforma. Pela prévia do próximo episódio, a Kokone não vai simplesmente passar a ser amiga de todo mundo e felizes para sempre, mas sim ainda terá de superar essa barreira social que a cerca antes de realmente virar amiga da Yui e do Mary. O que seria outro grande acerto. A narrativa estar sendo conduzida com calma e precisão está sendo algo muito elogiável e torço para que mantenham essa pegada até o fim do anime. Por fim, a transformação e ataque estavam belíssimos, para variar. Ainda que a direção do anime não tenha entregado muita coisa, a animação tem sido bem agradável de acompanhar, tendo algumas sequências muito bem animadas aqui e ali, até fora das transformações. Belo episódio, hein? Agora é assistir ao 5 e ver o que me aguarda. Saraba Da!
Delicious Party♡Precure #02 e #03 - Preparando o banquete!
Se existe algo que faça a franquia Precure conseguir se manter não só viva, mas com muito sucesso, mesmo após mais de 15 anos, essa coisa seria a inovação dentro da fórmula. Toda nova temporada de Precure é diferente da anterior em vários aspectos, ainda que funcionem dentro de padrões bem similares. Em Delicious Party Precure isso não seria diferente! Em outras temporadas seria normal esperar que os episódios 2 e 3 fossem os episódios de apresentação das novas Cures do grupo, embora tenha algumas temporadas onde isso aconteça de outra forma, só que Delicious Party decidiu usar seus primeiros episódios para solidificar o trio Yui, Mary e Kome-Kome, tendo um episódio para cada. Como o episódio 3 foi menos carregado de informação, vamos dizer assim, do que o episódio 2, decidi dedicar um texto só para ambos.
O episódio 2 foi surpreendente! A gente teve mais alguns indícios da inteligência emocional da Yui, percebendo de imediato que sua identidade como Precure deveria ser mantido em segredo, além de chamar a responsabilidade da missão para si para confortar o Mary. O anime nos mostra que ela sempre foi uma menina que gosta de ajudar e isso inevitavelmente a fez se tornar uma pessoa sagaz, atenta aos seus arredores. Estamos vendo isso desde o início do anime, essa consistência junto da forma em que essas várias cenas são executadas sem realmente dizer que ela é assim ou assado, já entrega uma personagem bem escrita e com muito potencial pela frente. Eu poderia listar os vários momentos em que ela demonstra essas características, pois em todos os três episódios que eu assisti houve situações em que ela demonstrou isso. A avó dela a descreve como uma pessoa forte, por ter um coração que clama por ajudar os outros, mas é importante frisar que ela também é alguém que consegue tomar atitudes rápidas em situações difíceis ou inusitadas, a exemplo do final do episódio 3, onde ela rapidamente decide carregar a Kokone para sua casa. A Yui é uma protagonista não só divertida de acompanhar, mas também muito legal de se analisar, ao menos até aqui. Mas claro, ela não é perfeita, tanto que temos esse episódio 2 para mostrar isso.
E nossa, que acerto gigante do anime. Descobrimos que o artefato especial do Mary, que o dava a maior parte das suas habilidades, havia quebrado. Isso estava deixando-o preocupado e desolado, mas era por ele ter perdido suas capacidades de combate? Ou porque o artefato era importante para ele? Não, era porque ele entendia que ele teria que jogar a responsabilidade da missão nas costas de uma criança e isso o transtornava. Por isso decidiu ir embora e se arriscar resolvendo a situação sozinho, embora não contasse com a astúcia do relógio mágico da Yui revelando a localização do conflito. É raro ver um anime do tipo se preocupando em abordar a questão da responsabilidade de carregar uma missão que envolva lutas ou outros conflitos caindo no colo de uma criança, então isso fez o personagem do Mary crescer ainda mais. A gente sabe que, no fim das contas, em obras assim o jovem ou a jovem que carregar uma grande responsabilidade vai o fazer de qualquer forma, fazendo esse tópico ser um pouco redundante, porém, isso torna o personagem em questão muito mais humano e mostra que a obra está atenta a detalhes desse tipo, o que, por sua vez, enriquece a narrativa da mesma.
Após a dupla se consolidar de vez, chegamos no episódio 3 com a adição de um novo mascote, Pam-Pam. É interessante que Pam-Pam tenha encontrado o Mary e a Yui primeiro, ao invés da Kokone, como normalmente aconteceria. Episódios focados em mascotes geralmente não costumam ser lá tão marcantes ou interessantes na franquia, mas diria que esse aqui foi uma grata surpresa também. O rumo da narrativa é bem esperto, pois não é só sobre a jornada da Kome-Kome indo comprar cenoura para ganhar elogio da Yui, mas sim uma forma de conectar a Kokone com o grupo principal de forma mais natural. Primeiro que ela já havia visto a Yui antes, mas aqui nem era realmente necessário, pois esse episódio dá contexto o suficiente para uma eventual transformação da Kokone em Precure. A trama com a Kome-Kome é fofinha, nada que chegue a incomodar, como aconteceu em alguns outros episódios focados em mascote na franquia, mas acaba não dando muito pano para manga para comentar. O ponto chave acaba sendo a Kokone, afinal. Nós ganhamos a grande perspectiva da personagem no último momento do anime, que de forma bem inteligente mostra a refeição feliz do grupo principal e faz um corte abrupto para a sala de jantar solitária da casa da Kokone, onde ela come sozinha.
Sendo uma jovem rica que é levada para a escola pelo seu motorista e conhecendo a franquia, dá para deduzir facilmente que os pais dela são bem ausentes por conta dos seus trabalhos. Vendo sua posição social e o que provavelmente foi a sua criação, também dá para deduzir que ela não tem muitos amigos na escola, caso tenha algum. Ou seja, ela ser atraída pelos mascotes é uma reação natural de alguém introvertido que não tem proximidade com muitos humanos e vê nos animais uma possibilidade de relação afetiva que não seria abafada pelas suas circunstâncias pessoais. Claro, no fim das contas isso acaba nos levando de volta a Yui e sua naturalidade em ajudar os outros, de eventualmente mostrar ações e palavras que deem conforto e segurança aos outros. A história está muito bem organizada a ponto de você conseguir enxergar essa conexão entre as duas acontecendo, pois elas se encaixam muito bem. Aguardemos o episódio 4.
Eu realmente estou curtindo o ritmo e a execução de ideias do anime até aqui, acho que Delicious Party tem tudo para ser uma ótima temporada e espero que continue assim. Saraba Da!
Delicious Party♡Precure #01 - Saco vazio não para em pé!
| A dupla aí tem tudo para emplacar um montão de diversão para nós! |
| Craque de bola, salva bebês, ajuda os necessitados e enfrenta monstros sem ter poderes. Quem é MacGyver na fila do pão?? |
| Gentlu já é uma personagem que aponta para algumas possibilidades óbvias de desenvolvimento. |
| Precure sempre foi sobre "Girl Power", mas referências visuais são sempre legais de se ver! |
[Review] Futari wa Precure: Splash Star - A beleza da natureza e o auto-aprendizado.
E
talvez o maior problema da série seja não ser mais explícita nos seus
desenvolvimentos, conceitos, ideias e mensagens. Não que isso em si seja um
problema, mas pelo tipo de anime que é, muitos inevitavelmente acabam ficando
de guarda baixa e não presta muita atenção nesse tipo de coisa. Embora por
outro lado isso seja algo presente na maioria das temporadas, em menor escala,
então existe esses dois pontos de vista.



