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  • fortissimo EXS//Akkord:nächsten Phase completa 10 anos!

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    Há 10 anos, no dia 29 de Junho de 2012, era lançado uma das obras que mais me marcaram... Ou ao menos a versão definitiva dela. fortissimo EXS//Akkord:nächsten Phase é uma Visual Novel com um histórico de produção complicado. Seu primeiro lançamento foi em 2010, sendo lançada em uma versão literalmente incompleta, no sentido de que nem um final realmente tinha. Em 2011, Fortissimo EXA//Akkord:Bsusvier foi lançado, agora tendo um final e uma dublagem completa (Incluindo os protagonistas). Mas só em 2012 a versão EXS saiu, essa, enfim, sendo a versão ideal segundo as palavras do próprio escritor, podendo até ser considerado uma versão alternativa do EXA. Com rotas e conteúdos extras e um epílogo, o EXS abriu caminho para que uma continuação fosse lançada. Em uma parceria de peso com a 5pb., a continuação Kadenz fermata//Akkord:fortissimo foi lançada em 2014 para o PSVita, mas só em 2016 foi lançado para PC. Em meio a esse caos de lançamentos, nada mais justo que um fã como eu deixar a data de aniversário de 10 anos da obra passar sem publicar esse texto aqui. Mas tudo bem, afinal, ainda tenho a pretensão de escrever um outro post e não iria publicar eles no mesmo dia.

    A capa da versão EXA é a mais bonita de todas. Se fosse um livro, amaria tê-lo na minha estante!

    Essa minha primeira homenagem é de curiosidades, ou seja: Você provavelmente não se importará. Porém, que jeito melhor de eternizar uma homenagem do que publicando ela na internet, certo? Em todo caso, vou tentar tornar esse texto o mais interessante possível para todo mundo.
    Fortissimo é uma obra nascida da mais pura inspiração artística. O escritor dela, Kamiya Suguru, a princípio foi contratado pela desenvolvedora Circus para escrever outra Visual Novel, mas durante o processo ele teve uma onda de inspiração e quis transformar aquela obra em outra coisa. Com o aval da própria Circus, que gostou da ideia, essa coisa, claro, se tornaria Fortissimo. A obra que ele havia sido contratado para escrever foi passada para outra pessoa e lançada em 2012 com o título Da Capo III (Que é muito boa, por sinal). Fortissimo então possui diversas referências a série de Da Capo pois o plano originalmente era para que Fortissimo fosse D.C.III. Se a ideia do Kamiya fosse abraçada pela Circus, provavelmente seria uma das Visual Novels mais ambiciosas da década passada. Ao invés disso, a Circus jogou Fortissimo para uma subsidiária, a La'Cryma, e continuou focada no lançamento de D.C.III. Afinal, Fortissimo seria uma obra de ação com um teor mais sério, algo que não interessava muito o publico alvo da desenvolvedora. Abandonar um nome tão pesado na indústria de Visual Novel como Da Capo para investir em um projeto pessoal foi bastante ousado, viu? Enfim, só queria deixar registrado um pouco da história do surgimento da obra como referência.
     
    A árvore de cerejeira é um dos elementos principais de Da Capo. Em Fortissimo, obviamente, também é.

    No provável caso de você nunca ter ouvido falar de Fortissimo ou só ter visto eu comentando sobre a obra por aí, a obra é uma grande mistura de ação/super poderes com slice of life/romance. É uma Visual Novel fortemente inspirada na mitologia nórdica, não necessariamente usando a mitologia na trama, mas possuindo referências o suficiente na narrativa para que você consiga extrair uma compreensão mais profunda quando se tem conhecimento sobre o tema. Há também uma forte referência a música... Digo, a obra não se chama "Fortissimo" à toa. A habilidade principal do protagonista é chamada de "Da Capo" não só em referência ao que a obra seria originalmente, mas também por ser o intuito ter essa base musical. Inclusive, ambos o teatro musical e a opera também fazem parte da base de Fortissimo, incluindo terminologias como Curtain Call ou referências a Der Ring des Nibelungen. Mas, novamente, no improvável caso de você ler a obra, a falta do conhecimento sobre esses tópicos não será um empecilho para o entendimento da novel. Acho que uma boa obra é a que se mostra coesa para qualquer um, mas que tem esses detalhes que tornam ela mais especial para quem quiser se aprofundar nos elementos que a compõe.

    A ilha onde a obra se passa se chama Tsukuyomi-jima (Tsukuyomi = Deus da Lua na mitologia japonesa) e tem o formato de uma magatama, um objeto muito simbólico no Japão.

    Estamos em Julho de 2022 e, infelizmente, a Visual Novel ainda não foi traduzida. Ao menos não de forma decente. Em 2018, uma empresa chinesa decidiu licenciar a obra e traduzi-la para o chinês, mas aproveitaram para lançar também em inglês visando lucrar mais em cima do título. O resultado foi uma tradução terrível, feita por gente que nem falava em inglês direito. Então desde que eu li a obra pela primeira vez, em 2015, nunca pude realmente recomendá-la para os outros por estar bem inacessível. Já cheguei a tentar traduzi-la por conta própria, mas a parte de programação tornou isso uma missão impossível. Até por isso um post como esse acaba sendo muito mais algo feito só para mim do que para quem estiver o lendo agora, infelizmente. Mas torço para que essa situação mude eventualmente, afinal, a esperança é a última que morre, certo? E aí, quem sabe, esse texto aqui se torne algo mais útil.

    O jogo tem esse menu com os personagens e suas descrições. Repare no ff ali no canto, é o símbolo que significa "Fortissimo". Se fosse fff a obra se chamaria fortississimo. 😂

    Fortissimo chegou a ter um mangá e uma novel, ambos com histórias extras curtíssimas que só serviriam para quem jogou a Visual Novel. Diferente de Light Novels, adaptações em mangá de VNs nunca foi algo popular e adaptações em anime se tornaram uma raridade desde a década passada. Acredito que em outros tempos Fortissimo até ganharia uma adaptação em anime, sobretudo porque houve um investimento em marketing bem alto para o lançamento da continuação, Kadenz Fermata, ao ponto de que apareceram propagandas da VN até mesmo em um anime popular como Saenai Heroine no Sodatekata e até na própria Visual Novel da obra, o que poderia ser chamado de VNinception. O problema é que não só era uma continuação, como foi lançada a princípio só para o PSVita, sendo que o público de Visual Novel é majoritariamente usuário de PC apenas. É até curioso pois a 5pb. realmente só lançava Visual Novel para PSVita, mas em Kadenz Fermata eles acabaram resolvendo lançar a obra no PC, o que me permitiu jogá-la.

    Uma das imagens promocionais de Kadenz Fermata no anime de Saekano ali no canto superior direito, estrelando a protagonista da obra: Freya.

    Uma das capas de Kadenz Fermata em uma CG da Visual Novel de Saekano.

    Enfim, algumas curiosidades eu vou guardar para um outro texto, que pode ou não ser mais interessante para alguém além de eu mesmo. Não espero que mais do que meia dúzia de gatos pingados bem curiosos vá ler isso aqui, sendo assim considere isso uma página de um diário meio que caiu na internet. São 10 anos de Fortissimo EXS, 12 anos desde a primeira versão da obra e 6 anos desde que tivemos as últimas novidades sobre a série. Kadenz Fermata não foi o final dessa que poderia ser uma trilogia ou até uma franquia, mas o tempo mostra que não dá para se animar muito para um possível novo título na série, ainda mais com a indústria de Visual Novel perdendo força nos últimos anos e a grande chance da La'Cryma nem sequer ter os recursos para produzir uma obra nova. O que é uma pena, realmente. Talvez ter deixado a data de aniversário da obra passar e ainda fechar uma homenagem com um comentário triste seja estranho, mas até que combina com uma obra que começou atrapalhada e nem conseguiu terminar (ainda) haha. Se leu esse monte de blábláblá até aqui, fico agradecido pela consideração. É um texto "inútil" que acaba sendo mais especial que muito do que eu costumo postar nesse blog. Bom, por enquanto é isso. Ainda pretendo fazer mais duas publicações dedicadas a Fortissimo durante esse mês e que serão mais interessantes, garanto. Saraba Da!
  • [Review] SeaBed - Uma obra-prima desconhecida

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    Tem certas obras que dificultam muito a vida de quem gosta de escrever análises condizentes com a obra que consumiram. Geralmente, isso acontece sobretudo com as boas obras, até porque falar mal das coisas é a prática mais fácil que existe. A Visual Novel nomeada de SeaBed é um desses casos. Essa é minha segunda Visual Novel favorita, uma obra que até hoje eu posso dizer ser uma das experiências mais únicas que já tive com a ficção. Por causa disso, eu até hoje nunca escrevi sobre a obra. Mas, agora esse passo será dado.

    SeaBed é uma Visual Novel que tem uma duração média de cerca de umas 20 horas. Não há escolhas, nem finais diferentes, tampouco conteúdo 18+ (Embora tenha uma ou outra cena mais íntima, mas nada explícito). Na verdade, a obra está muito mais para uma VN indie do que algo de grande produção. E esse provavelmente foi um ponto chave para que o conjunto da obra se tornasse algo tão único e especial. Ela tem tradução para o inglês, mas infelizmente não tem para o português. Ao menos não até o momento da publicação desse texto. Esse pode ser um fator determinante para desanimar muita gente, visto que a escrita da obra não é tão fácil de digerir, sobretudo se você não for familiarizado com o idioma em si. Dito isso, vamos a análise.



    Nome da Visual Novel: SeaBed / Sea Bed, シーベッド

    Duração: Média (Cerca de 20 horas)

    Desenvolvedora: paleontology

    Lançamento: 25/01/2016

    Idioma Original: Japonês

    Tradução: Inglês, Russo, Chinês, Coreano, Espanhol

    Plataformas: PC (+ Steam) e Nintendo Switch


    SeaBed é uma obra de mistério e slice of life. Por conta disso, vou evitar todo tipo de spoiler possível. Essa não é uma experiência que você vai querer prejudicar. Dito isso, a citação dos gêneros da obra também foi um meio de situar vocês de como ela funciona conceitualmente. SeaBed, em essência, é um slice of life. Mas há mistérios na trama que movimentam ela, só que de forma velada. Confuso? Provável, mas o que eu quero dizer é que em quase nenhum momento vai ter aquele clima de obras de mistério que você esperaria, inclusive as revelações são genialmente feitas de forma casual, porque a narrativa é tão bem construída que você liga os pontos enquanto lê e é incentivado a pôr a cabeça para funcionar de tempos em tempos. Uma das experiências mais surreais que tive foi solucionar um mistério durante uma cena aleatória porque alguma frase da Visual Novel instigou a minha mente a chegar naquela conclusão. Gostaria de ter vídeos gravados da minha expressão de surpresa e choque durante um diálogo absolutamente comum e que deixaria qualquer um confuso com o que estava acontecendo. É um negócio mágico.



    A história é simples, acompanhamos o dia a dia do trio de protagonistas Sachiko, Takako e Hibiki. A Sachiko e a Takako principalmente, visto que elas não só são amigas de infância, mas também são namoradas e trabalham na mesma empresa. A relação das duas, de amizade e amorosa, é um núcleo fundamental da trama, que se constrói muito em cima disso. A obra tem uma narrativa não-linear, então estamos constantemente indo e voltando em diferentes períodos da vida das duas, onde esses vários flashbacks não só ajudam a tornar essas personagens em figuras memoráveis, como também auxiliam no desenvolvimento dos mistérios da obra. A relação das duas é uma coisa maravilhosamente orgânica, há uma naturalidade tão bem encaixada que é impossível não se apegar àquele dia-a-dia que elas vivem. A Hibiki é uma amiga do casal e psicóloga que entra na trama após a Sachiko acabar se consultando com ela. No meio desse slice of life terão alguns momentos estranhos, quiçá até meio sobrenaturais, que vão montando o palco para os mistérios da obra. E então, a narrativa segue um modelo de mudança de perspectiva onde acompanhamos o ponto de vista de cada uma das três em revezamento.



    Chega a ser uma tarefa difícil apontar os erros que eu acredito que SeaBed possa ter, visto que a única coisa que realmente me incomodou foi o ritmo da trama ficar lento demais em alguns momentos. Geralmente a obra consegue manter um bom ritmo entre as cenas, mas em alguns pontos acaba se esticando demais e ficando um pouco cansativo. Há alguns personagens secundários que são pouco trabalhados, mas acaba não sendo relevante ao ponto de afetar a trama. Por fim, a escrita da obra é bem densa, o que não é um problema e pode até ser um acerto, dependendo da pessoa, mas pode dificultar o ânimo da leitura caso não esteja acostumado. Não é uma linguagem complexa, tipo muito da literatura clássica, mas é uma escrita muito descritiva, com parágrafos longos e ideias extensas que se conectam uma com a outra, sem dar muito espaço para aquela pausa de descanso, a não ser nos finais de capítulo. Além disso, não há um indicador de quem está falando o quê, algo que pode deixar o leitor um pouco confuso, às vezes. 



    Mas é como eu disse lá em cima, a obra é escrita com maestria e tudo que a obra se propõe a fazer, ela entrega de forma certeira. É uma Visual Novel que consegue puxar as emoções de dentro de você sem realmente parecer estar se esforçando para isso. Pode ser que aconteça contigo o que aconteceu comigo, de ser impactado emocionalmente só pelo contexto que a narrativa criou, onde cada linha de texto consegue te cutucar até que o entendimento de uma cena ao chegar no fim dela seja uma pancada com força total. Toda a narrativa é feita de forma complexa e difícil de entender, mas a escrita facilita muito isso. Com a exceção, talvez, de alguns pontos que acabam pendendo mais para o lado metafórico e exijam uma leitura mais profunda e menos literal do que está acontecendo. 



    As três protagonistas são o centro da trama. Há vários outros personagens, mas tirando um ou outro, eles não são parte do que move a história. Ainda assim, tem muitas interações ou divertidas ou interessantes entre esses personagens e as três protagonistas, todos os personagens do elenco tem seus traços de personalidade bem definido, talvez até características pessoais, qualidades e defeitos. Então, ainda que tenham pouco desenvolvimento ou uma construção pouco elaborada, não são personagens jogados ou mal feitos. Vejo como uma decisão do(a) escritor(a) não gastar muito tempo de tela com eles, por realmente não ser necessário. Tempo esse que foi inteiramente dedicado às três peças centrais da obra, que também ajudou a torná-las tão memoráveis. A Sachiko e a Takako são bem diferentes uma da outra, mas se completam de uma forma até mágica. O fato delas serem amigas e posteriormente um casal, não é um ponto muito tocado na obra, mas sim a vida que elas tinham durante essas duas fases do relacionamento delas. E isso foi um grande acerto, visto que é notável como uma ajuda a outra a crescer como personagem, ainda mais potencializado pela narrativa não-linear, pois vemos com alguma frequência vários "antes e depois". A Hibiki já é uma figura mais completa e impactante, parecido com o papel do mentor em outras obras, aquela personagem que te marca pelo que ela já é e não pelo que ela se torna, principalmente porque ela tem uma presença e carisma muito forte. Realmente não tenho o que reclamar delas. Banalizaram a perfeição porque tem três no mesmo jogo!



    Lembra quando falei que a VN parecia indie? Isso é muito explícito na parte técnica da mesma. Você logo nota isso ao ver o uso constante de cenários que são fotos reais borradas, ao invés de serem realmente cenários desenhados. O uso do formato NVL (Grandes caixas de texto no meio da tela) ajuda a tirar o foco do cenário, mas como eu disse antes, pode dificultar o entendimento de quem está falando o quê em alguns momentos. Isso porque a Visual Novel também não conta com dublagem alguma, é realmente apenas texto. A trilha sonora, no entanto, apesar de simples, é extremamente eficaz e consegue refletir muito bem cada ambiente ou situação. Te leva do conforto ao desconforto com facilidade, consegue te deixar tenso ou melancólico quando precisa. Ela está muito bem inserida dentro da narrativa. Muito porém, em termos de CGs a Visual Novel não deixa a desejar. A obra capricha na quantidade de diferentes cenas ilustradas, o que enriquece muito os momentos que a obra te proporciona. As cenas mais marcantes estão todas lá, ilustradas, claro, mas isso vale muito também para as cenas divertidas do dia-a-dia. Isso porque são imagens que dão aquela velha sensação de uma boa foto com uma história por trás. Então mesmo dentro das limitações geradas pela ausência de um forte investimento financeiro no projeto, a obra consegue ser visualmente muito rica. E muito bela também, pois a arte é muito bonita e o design das personagens é bem atrativo.



    No mais, todas essas limitações são usadas em favor da narrativa da obra, que se aproveita até da sua essência como uma Visual Novel para construir e desenvolver os mistérios apresentados. Eu poderia sonhar aqui com uma adaptação perfeita em anime da obra para que mais pessoas pudessem experienciar essa obra-prima, mas ela não funcionaria se não fosse uma Visual Novel. Isso torna a obra mais especial dentro do nicho, já que usa a mídia que pertence de forma extremamente inteligente para fazer uma trama ainda melhor trabalhada. Assim como animes deveriam aproveitar melhor suas características audiovisuais, mas muitas vezes falham ou hesitam em buscar esse nível de criatividade. Algo que, claro, também é comum em Visual Novels, e é por isso que como SeaBed faz é tão especial quanto o que a obra faz. Ela é daquelas obras que você talvez só tenha dimensão do que está consumindo quando está terminando, mas se parar para rejogar vai ser uma coisa totalmente diferente da primeira vez. No meu caso, uma segunda olhada na obra só me fez querer aplaudir o quão bem estruturada toda a narrativa é. 



    Não existe obra perfeita. Porém, se me pedissem para apontar qual é a que chegou mais próximo disso, eu diria que é SeaBed. Ainda que não seja uma obra para todo mundo, seja pelo tipo de escrita, seja pelo excesso de slice of life ou até o formato da mídia. Mas de um ponto de vista do que a obra buscou fazer, eu realmente acho que SeaBed tem qualidades de mais para defeitos de menos. É uma obra que me marcou muito. Digo, olha o tamanho desse texto que eu escrevi sem dar praticamente nenhum spoiler. É uma obra que acredito ser tão especial que vale a pena demais dar uma chance. Mas é aquilo que eu já falei acima, a escrita é densa, ela tem umas 20 horas de duração, mas possivelmente vai demorar muito mais para você terminar caso não tenha o costume de ler livros assim. Talvez você ache muito cansativo, ou não tenha a paciência para ver os mistérios desabrocharem, talvez a obra simplesmente não case com o tipo de conteúdo que você gosta. Mesmo assim, SeaBed é o tipo de obra única que toda mídia tem e que pode ser algo memorável para qualquer um, de dentro ou de fora do nicho (Ainda mais por não ter as complicações costumeiras de sistema de escolhas ou conteúdo 18+). É uma obra que me apresentou uma nova perspectiva de romance, um gênero que eu admitidamente não sou muito fã, fazendo ser admirável e amável a relação da Sachiko e da Takako sem realmente precisar construir a trama em cima desse romance. SeaBed é fantástico, espero que esse texto tenha sido minimamente decente o bastante para apresentar a obra e, com isso, finalizamos aqui. Saraba Da!

  • [Video] Sou Nan Da! #01: Visual Novel

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    Quando eu decidi começar a produzir vídeos para o YouTube, uma das coisas que eu mais desejava fazer era adaptar os posts do Sou Nan Da! que já haviam no blog e criar novos para o canal, pois esse quadro é um dos que eu mais gosto de produzir. Então, o meu primeiro Sou Nan Da!, lançado há quase 5 anos, agora tem sua própria versão em vídeo, que vocês podem assistir aqui:



    Apesar de ter demorado mais do que eu gostaria para lançar esse vídeo, ver o resultado final me fez perceber uma coisa... Bom, na verdade duas. A primeira é que a produção de conteúdo audiovisual, sobretudo quando estamos falando de uma mídia audiovisual, é muito mais eficaz em passar a informação do que só o texto poderia ser. Isso porque enquanto eu falo, também posso mostrar visualmente o que eu quiser sobre a informação que estou passando. O que quero dizer é: Embora o conteúdo do vídeo seja similar ao do texto de 2017, graças a parte audiovisual a apresentação da informação é muito diferente. Por isso achei bem legal o resultado final e até penso em como pode ficar bacana os próximos Sou Nan Da! que eu for adaptar para o canal no YouTube. 

    A segunda coisa é que, apesar disso, o diálogo que você pode apresentar em texto é muito mais fácil de elaborar e de ser detalhista. Isso é, o conteúdo em vídeo acaba exigindo mais uma abordagem "direto ao ponto" do que o texto, que pode se estender muito. Claro, dá para fazer um vídeo de 1 hora se você tiver coragem, mas geralmente isso só é mais viável para outros tipos específicos de conteúdo. Ou pode ser que não tenha nada a ver isso, já que hoje em dia as pessoas não gostam tanto de ler, o que poderia sempre estar colocando a versão em texto em desvantagem.

    Enfim, não é necessariamente o segundo vídeo do meu canal, mas é o segundo em que eu precisei realmente elaborar e trabalhar na edição. Ainda há muito o que melhorar, mas achei que houve um progresso em comparação ao outro. Novamente, convido todos à assistirem e comentarem sobre o vídeo, até porque ele fala sobre um dos meus tópicos favoritos. Saraba Da!

  • Fortissimo EXS//Akkord:Nachsten Phase - Conflito e Convivência

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    Dia 26 de maio de 2015, segundo o Visual Novel Database, foi a data em que eu finalizei (i.e. quando dei nota) minha Visual Novel favorita, Fortissimo EXS//Akkord:Nachsten Phase. Exatos quatro anos depois, esse texto está sendo publicado como uma comemoração a essa data.
    Para quem desconhece, e não é necessário conhecer para apreciar esse texto, Fortissimo é uma Visual Novel de 2010~2012 que conta a história de um núcleo de personagens que acabam envolvidos em um Battle Royale e precisam lutar para sobreviverem, ou seja, o básico do sub-gênero. Uma definição bem pobre do que a VN representa, realmente, mas mais fácil mudar essa impressão ao longo do texto do que colocar uma sinopse aqui.

    Esse ano eu decidi que escreveria finalmente uma review para minha Visual Novel favorita---outrora eu já havia escrito uma em 2015, mas desta pouco se dava para tirar, então resolvi esquecê-la---para isso, cheguei a rejogá-la por completo e refleti ainda mais sobre a mesma. Eis que surge-me a ideia de realizar um questionário, usando a temática da obra como base, a fim de estudar e explanar aprofundadamente o psicológico dos personagens. Tal questionário não teve um grande número de respostas, claro, mas digo que foi um resultado muito acima do que eu jamais esperaria. Tão bom foi o resultado que acabei mudando meus planos de última hora, e decidi que este texto não seria uma review sobre a obra (Esta que ainda será feita, sim, mas provavelmente postado na Völuspá VNs), mas sim uma análise. Uma análise do funcionamento do psicológico dos personagens e como toda essa temática é abordada dentro da obra.


    Conflito e vida cotidiana---Essas duas coisas revezam entre si dentro da narrativa de Fortissimo, e pode-se dizer que tirando os grandes exageros do sobrenatural da obra, ela reflete quase perfeitamente como se dá a vida das pessoas, entre o dia-a-dia e os conflitos, internos ou não. O ser humano inevitavelmente cria muitas faces para as diferentes situações da vida, em especial situações mais extremas em relação a situações mundanas em que já estejam acostumados. Todos nós somos compostos de "clichês" e características únicas, como tal, sermos superficiais ou profundos muito também depende da situação que vivenciamos e como estamos nos sentindo no momento. Quem nos vê de fora pode nos definir de diversas maneiras de acordo com o que mostramos a elas, sendo nossa aparência e personalidade as coisas superficiais, nossa história, ideais e visão de mundo as coisas profundas, para citar exemplos.
    Fortissimo é uma obra que te convida a conhecer tanto o lado superficial quanto o lado profundo de cada um dos seus personagens (Salvo um ou outro, que deixam a desejar), olhar as coisas pelos olhos deles, para assim você ter uma visão mais ampla do que ele é, e do que ele representa.

    Acima de tudo, Fortissimo te convida a discutir o certo e o errado, o bom e o mau, o justificável e o injustificável. As armadilhas da mente humana são postas em prova, sejam em situações extremas ou não, o quanto o seu psicológico aguentaria se estivesse nos sapatos de cada um dos personagens. O incrível poder da contradição, a subversão de expectativas e como ver as coisas de outro ângulo muda completamente como você pensaria e agiria. Não existe uma perspectiva só, a visão certa das coisas, o que possibilita que o leitor tire suas próprias conclusões.


    Ao longo da história, o psicológico dos personagens está sempre como um elemento inserido na narrativa. Como tal, tanto a ação quanto o slice of life está sempre aprofundando mais e mais na mente de cada um, ainda mais graças as constantes mudanças de perspectivas que a VN dá. As lutas acabam quase sempre como um conflito de ideais, ou começam por esse motivo. Os ideais de cada personagem são peças chaves para o desenvolvimento da história, mas mais importante, são a base em que cada personagem se mantém de pé. Acima de tudo, Fortissimo mostra que a pessoa em quem você deve mais depender é de você mesmo, pois o valor da sua existência é o que vai te manter firme quando não houver mais onde se segurar.

    Em Fortissimo, há uma variedade de personalidades, do mais altruísta ao mais egoísta. Mas ao mesmo tempo, o mais altruísta ainda é egoísta, tal como o mais egoísta ainda é altruísta. As múltiplas faces, de vezes até contraditórias, também revelam as múltiplas camadas de cada personagem, que são trabalhadas de diversas formas dentro da narrativa, podendo começar de um traço de personalidade mais presente e terminar na representação simbólica e metafórica das armas dos personagens---Essas em especial, uma vez que na história a destruição da arma significa também o fim da existência da pessoa, então pode-se dizer que as armas podem ser a última camada da existência do personagem.
    Como tudo de certa forma remete ao psicológico, ideais e história dos personagens, a narrativa em si não poderia ser diferente. Então, como eu disse, mesmo o slice of life faz parte disso.
    No início da obra, ela é bastante normal, em todos os sentidos da palavra. Até mesmo alguns clichês chegam a me incomodar, por não achá-los necessários. Realmente começa como uma obra escolar comum, como era de se esperar. Quando o Battle Royale começa, como se houvesse o virar de uma chave, começamos a ver as coisas de maneira relativamente diferente. Os personagens mudam um pouco o comportamento, ainda assim, escolhem proteger suas vidas cotidianas enquanto buscam encontrar uma forma de saírem daquela situação.
    Conforme o avançar da história, o slice of life da obra vai sofrendo uma sútil metamorfose, onde sentimos diretamente o impacto que o Battle Royale causa nos personagens ao que eles vão chegando a conclusão de que aquilo é inevitável. Existe um amadurecimento invisível onde a realização de que aqueles momentos podem ser os últimos os fazem ficarem tanto mais contemplativos quanto tensos, onde tudo que eles podem fazer é aproveitar o agora e olhar para o antigamente com um ar de nostalgia. Mas no fim isso é menos uma mudança no cotidiano, e mais uma mudança na maneira com que ele é observado.


    A narrativa seguir esse caminho é possível porque, apesar de existir alguém para, em partes, servir esse papel, não existem vilões na história. Em histórias de Battle Royale, normalmente os vilões servem o papel de unificar os heróis, combater o mal em comum. Quando se remove isso, terminamos apenas com vítimas, basicamente. Vítimas culpas. Pessoas que tem que carregar o peso das suas próprias ações, onde o que é certo ou errado pode acabar ficando confuso na sua própria cabeça. Os personagens erram, ações sobre pressão, em situações de desespero ou simplesmente tentando proteger a todo custo a sua base. Eles não seguem um roteiro, falando de maneira figurada, pois como seres humanos estão sucintos a influências externas e internas que podem os induzir ao caminho mais imprevisível. Isso pode ser frustrante para muitos, pois naturalmente esperamos que sigam o caminho que achamos mais interessante, não o que seria mais natural.

    E eu nem digo que isso é necessariamente errado. A obra quer que você questione algumas ações, e admire outras. Da mesma forma que os ideais dos personagens entram em conflito, a obra também quer que os seus ideais entrem em conflito com os ideais dos personagens. A sensação mais incrível não é a de encontrar um excelente personagem com o qual você se identifica, mas sim um excelente personagem que você discorde completamente, mas entenda o porquê dele pensar e agir daquela forma. Ou mais, mostrar rejeição a uma forma de pensar/agir, mas chegar a conclusão que você não tem o direito de julgar o personagem, pois o quão realista e justificável é essa maneira de pensar/agir. É somente quando você entende o quão enraizado muitos dos personagens estão na nossa realidade, tanto na psicologia, quanto até mesmo na filosofia. O maior realismo é aquele que consegue reproduzir as mais diversas realidades, tanto as dos favorecidos, quanto as dos prejudicados, tudo de maneira crível e imparcial. A mente humana é um mistério, uma casa de mil quartos diferentes que levam a outras casas de mil quartos diferentes. E com isso, entra o questionário em cena.


    A fim de estudar mais a fundo o comportamento das pessoas, eu criei o questionário com 30 perguntas inspiradas na obra. Infelizmente por não ser ninguém muito popular, o número de respostas que obtive não foi alto, mas por outro lado, foi um resultado tão positivo que me motivou a tornar esse texto puramente sobre o tópico em questão. De fato, enquanto lia as respostas, eu fiquei fascinado em quão próximo da realidade Fortissimo chegou na execução dos seus personagens em relação ao psicológico e aos ideais. Posso dizer com tranquilidade que eu poderia pegar aleatoriamente 12 das pessoas que responderam ao questionário e jogá-las no lugar dos personagens de Fortissimo, que a história ainda seguiria uma narrativa similar, isso é, "Como esse grupo de pessoas normais reagiria a esse Battle Royale?". Quiça ao ponto de até ter alguma figura antagonística, dependendo da sua moral.

    Felizmente a maioria das respostas foram bem sérias e trabalhadas, o que me deu uma boa perspectiva da visão das pessoas. Interessante que, o questionário sendo anônimo, permitiria que certas situações do próprio questionário fossem reais, por exemplo, há pessoas da qual eu discordo dos pontos de vistas, e uma dessas poderia muito bem ser um amigo meu, o que colocaria nossa relação em uma situação de tensão. Por outro lado, foi interessante ver que personagens que eu vejo as pessoas gostando menos que os outros são justamente uns do que elas mais concordam.
    Contradição, algo realmente interessante de se analisar de perto. O quão fácil é você se contradizer em um espaço de 30 perguntas? Muito curiosamente eu notei que muitos se contradisseram ao responder o questionário, e eu tenho quase certeza que quase ninguém percebeu isso. Exemplo mais óbvio sendo as pessoas que afirmaram que prefeririam não se relacionar com ninguém envolvido no mesmo Battle Royale, mas responder que conseguiriam se relacionar romanticamente ou que conseguiriam confiar em alguém do Battle Royale e vice-versa. Isso provavelmente foi um conflito entre emoção e razão, o que não só é esperado, como é bem abordado na própria Visual Novel.
    O escopo das respostas foi bem variado, embora algumas tenham sido mais unilaterais (Algumas ficando 70% a 30% entre uma resposta e outra), não houve nenhuma que todos tivessem um consenso. Mesmo quando era para escolher entre as pessoas que você mais ama e todo o resto do mundo.
    A pergunta número 15, que deixava você realizar um desejo, variava de pedir a paz e unificação do mundo até pedir por poder ou total conhecimento.


    Pensar que os ideais da personagem mais popular da obra é a que tem o maior percentual de discordância, enquanto os "menos" populares são os que tem os ideais com maior percentual de concordância, é deveras curioso. E acredite, não acho que essa popularidade ficaria diferente mesmo dentre as pessoas que responderam esse questionário ou no caso de se tornar uma (boa) adaptação em anime. É difícil identificar a razão por trás disso, e talvez varie de pessoa para pessoa, mas é um dado interessante de se saber.
    Quando decidi montar o questionário, já sabia que ele seria falho---Sim, falho pois é impossível saber como realmente reagiríamos a certas situações a não ser que já tenhamos passado por elas, e mesmo assim talvez ainda não reagiríamos da maneira que esperaríamos na segunda ou terceira vez. Levei as respostas de forma que fosse uma reflexão de como a pessoa gostaria ou acha que reagiria, mas a mente é imprevisível, e o corpo só obedece a ela, e está tudo bem assim. A utilidade do questionário, acima de tudo, era mostrar que cada ser humano é o seu próprio universo, e isso me foi provado com maestria. Os personagens de Fortissimo em sua maioria respeitam a eles mesmos como seres humanos antes de respeitarem os leitores como peças de entretenimento, o que não quer dizer que não são personagens legais de se acompanhar de um ponto de vista de puro entretenimento, a ação e o slice of life estão aí para cumprir esse papel. Mas é importante ressaltar que seus movimentos são legítimos, quer esses movimentos te agradem ou não, quer sejam eles previsíveis ou não.

    Além disso, tanto o questionário quanto a própria Visual Novel são um lembrete de que não existe só você no mundo. Vivemos em sociedade, e isso só é possível se reconhecermos as diferentes visões de mundo e os possíveis caminhos que levaram as pessoas a terem esses pontos de vista, a única forma de você consolidar sua visão como única é se isolar completamente do mundo e permanecer dentro da sua própria bolha. Caso queira viver, prepare-se, sua visão de mundo e ideais serão confrontados cedo ou tarde, suas atitudes e personalidade não vão agradar a todos, e talvez seja preciso machucar os outros simplesmente por necessidade de sobreviver. As pessoas que responderam o meu questionário não só discordam umas das outras em diferentes pontos, elas podem muito bem discordar do próprio criador do questionário, no caso eu, por alguma questão ali escrita. Ao reconhecer cada diferente realidade existente em cada pessoa e saber conviver com isso, conseguiremos aprender e evoluir, ir mais longe do que antes e ainda mais longe do que depois. Mas lembrem-se, tanto o conflito quanto a convivência são igualmente essenciais. Se fechar em uma bolha é tão errado quanto aceitar o inaceitável para evitar conflitos.


    Fortissimo, como o nome já sugere, muito usa a música como um fator metafórico. Cada personagem toca sua própria melodia, alguns pianíssimo, outros fortíssimo, mas definitivamente diferentes sons que podem ser agradáveis de se ouvir ou não, podem ser empolgantes de se ouvir ou não, podem ser emocionantes de se ouvir ou não, cada um deles no seu próprio canto do palco nesse grande concerto enquanto você, a plateia, os acompanha.
    É catártico e inspirador ver e ouvir os personagens darem voz aos seus próprios espaços da maneira mais humana possível, na situação mais surreal possível, dando peso para sua própria existência sem diminuir ninguém, em pé de igualdade, por mais adversa que a situação pareça. O ser humano tem um potencial ilimitado, e talvez seja exatamente isso que faltam as pessoas reconhecer para dar um passo adiante. Se libertar das amarras que impedem nosso crescimento, e finalmente olhar para o futuro. Enquanto só soubermos conviver ou só soubermos conflitar, ficaremos em um eterno impasse.

    É difícil explicar o quão importante esses personagens foram para mim como pessoa, mas mensagens como dar mais valor a sua família e amigos, dar mais valor a si mesmo, reconhecer que você está tanto certo quanto errado, ter empatia pelos outros, ser mais pacífico e evitar conflitos desnecessários, foram certamente passadas adiante. E a grande beleza disso é que não é a mensagem da obra, Fortissimo, mas sim ensinamentos que você aprende vivenciando a obra junto com cada um desses personagens. Cada uma dessas coisas representa os ideais de cada um deles, e você só sente realmente isso ao se colocar no lugar deles e ver o mundo pelos olhos deles. Eu não preciso concordar com uma visão de mundo para aprender com ela, mas parece que nos dias de hoje não concordar com a visão de mundo de alguém já torna aquela pessoa descartável para você, o que é realmente triste.
    Ao chegar até aqui, eu realmente sinto que eu não falei realmente dos personagens em si, mas sim do que eles representam. E acho que não tem problema terminar assim.
    Nesses 4 anos a única coisa que mudou foi que meu apreço por Fortissimo apenas cresceu mais e mais, principalmente agora após rejogar a obra. Longe de ser perfeita, isso não existe, mas certamente é uma peça musical que eu vou querer ouvir até o fim da vida. Estarei gritando ao mundo minha verdade pessoal, e te convido a gritar a sua também, sempre. Concorde, discorde, mas fale, não invalidarei o seu espaço, e você não invalidará o meu. Enquanto continuarmos assim, certamente chegaremos em algum lugar.

    Queria deixar meus agradecimentos a todos que tiraram um tempo para responder ao questionário, de verdade. Toda a reflexão que levou a este texto só foi possível graças a vocês. E é claro, para todos que estiverem lendo isso agora, meus sinceros agradecimentos também. Saraba Da!

  • Koiken Otome - A beleza e limitações do esforço sob as expectativas injustas

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    Koiken Otome é uma grande quebra de expectativas---expectativas positivas, nesse caso---o que normalmente é o motivo para a maioria das críticas negativas que eu vejo em relação a obra. Porém, tudo isso nada mais são que críticas infundadas na minha visão. Estamos falando de pessoas que ignoram o que a obra quer e a taxam de ruim por não ser do jeito que queriam que ela fosse. Agora, por outro lado, ela consegue acertar naquilo que ela se propõe a fazer? Eu diria que, majoritariamente, sim. Hoje irei falar um pouco sobre Koiken Otome.

    Nome da Visual Novel: Koiken Otome / 恋剣乙女
    Duração: Média (Cerca de 25 horas)
    Desenvolvedora: Eufonie
    Lançamento: 21/12/2012
    Idioma Original: Japonês
    Tradução: Inglês e Chinês

    Aviso: Essa review conterá spoilers mínimos, como tal, a não ser que queira ir jogar totalmente às cegas, pode ler a review sem preocupações.


    Koiken Otome é uma Visual Novel de romance com ação. É importante frisar que ela é uma VN de "romance com ação" e não de "ação com romance", pode não parecer mas faz uma enorme diferença na hora de criar expectativas. Dependendo do ponto de vista com que você olha a obra, você pode até pensar que "tem algo errado nesse roteiro", mas eu particularmente achei que passaram muito bem o que queriam passar.
    Você provavelmente já viu alguma história que se passa em uma "escola de magia" onde o protagonista é taxado de fraco por todos, quando secretamente na verdade é forte, certo? Em Koiken Otome nós temos o completo oposto, o protagonista, Seiichi, nem sequer sabe o que é o seu poder, mas todos acreditam que ele é forte por terem medido seu poder e descoberto que ele era do maior nível possível. Da mesma forma, a heroína principal, Akane, é descendente de uma famosa família cuja fama vem de um grande herói do passado, e por isso acreditavam que ela seria de alto nível, quando na verdade seu nível de poder é minimamente aceitável para a turma dela.
    Os temas tratados na obra giram em torno dessa ideia, e ela consegue ser bem realista nesse aspecto. Se você não tiver esquecido do pequeno prólogo que escrevi no início desse post, saiba que ele foi premeditado, pois o que disse no começo reflete bem um dos principais temas da VN, que é o que eu chamo de "expectativas egoístas". Graças a algo que está fora do controle dos protagonistas, as pessoas ao redor deles decidem como eles deveriam ser, e não podendo cumprir realmente o que esperam deles, acabam sofrendo sendo excluídos e ignorados pela maioria. Mas isso ainda é feito de uma forma mais natural, sem exageros, as pessoas tem esse comportamento errado, mas sem realmente terem más intenções.
    Com a Akane tendo o grande objetivo de vencer um importante torneio (Que necessita de equipes de 3, já que as lutas são de 3 contra 3), os problemas acima acabam sendo muito mais visíveis, e fica ainda mais importante quando Seiichi tenta estender a mão para ela, mesmo sabendo que ele seria um "peso morto".

    A história tenta seguir essa perspectiva, com os personagens começando a fazer treinamentos intensivos, o que leva ao outro grande tema da novel: Os limites de uma pessoa sem talento. A busca incessante do protagonista para conseguir superar esse estigma de "sem talento" é mostrada em detalhes na obra. Não seria exagero dizer que você passa mais tempo lendo sobre os treinamentos dos protagonistas do que lendo as lutas em si, o que para muitos pode ser um fator negativo, e é por isso que eu falei sobre a VN ser de "romance com ação". Ação não é nem de perto o foco, os personagens que são, e através deles vemos ideias bem mais interessantes que "muitas lutas no torneio da escola de magia", na minha opinião.
    Os personagens são muito bem construídos ao longo da obra, o que é uma necessidade não só para uma obra com temas como esses já citados, mas para uma obra de romance no geral. Com exceção da amiga de infância, Yuzu, cujo ambos personagem e rota são bem desinteressantes e superficiais, e o protagonista que é muito "acerto ou erro".
    Uma coisa que eu apreciei bastante na Visual Novel é que vemos de perto todo o esforço e dedicação dos personagens e mesmo assim nunca acaba sendo o bastante para cobrir suas próprias fraquezas. A obra mostra que é possível sim melhorar, mas por outro lado é impossível conseguir milagres. E é aí que entra a importância da amizade, pois no fim das contas o que te falta pode ser preenchido por outras pessoas. A VN trabalha bem esse fator, tão bem que no fim todos os personagens preenchem as lacunas uns dos outros, e vemos um grupo de personagens muito bem fechado, onde a ausência de qualquer um deles faria toda a diferença.
    Essa característica dá um peso a mais na relação deles, não só como amigos, mas eventualmente como casais. Isso para não citar algumas relações mais ambíguas, como a presença da Touko no grupo e as motivações por trás das suas ações, ou a relação da Yves com a Akane, o que tornam as coisas mais interessantes.

    O humor da obra é bem padrão, do tipo que as piadas normalmente acabam sendo as que você já viu várias outras vezes. Durante a maior parte do tempo é até funcional devido o carisma dos personagens em si, mas tem algumas ocasiões que pode incomodar ou ser simplesmente desnecessário, felizmente é realmente raras ocasiões ao longo das 25-30 horas de duração. Eu pessoalmente a colocaria mais na caixa do "divertida" do que do "engraçada", mas nem vale muito a pena gastar muito tempo nesse aspecto, já que varia muito de pessoa para pessoa. Vale citar o humor já que, apesar do que escrevi até então nessa review, a obra é bem "pra cima" durante a maior parte, vamos dizer assim. Os dramas da obra são normalmente bem encaixados, sem parecerem forçados ou exagerados, embora tenha alguns deslizes aqui e ali.
    Existe uma certa oscilação quando se trata de drama pois por um lado eu posso dizer que a novel tem algumas cenas dramáticas bem impactantes ou até mesmo surpreendentes, do tipo que se fosse algo mais frequente na obra eu certamente daria uma nota maior do que a que eu dei. Por outro lado, como se estivesse ali para pesar na balança, a VN também tem algumas cenas de drama bem bobas ou até mesmo irritantes. Apesar disso, posso dizer que tem mais acertos do que erros nesse quesito.
    E claro, o humor e o drama da obra servem de auxílio para o elemento mais importante, que seria o romance. Como uma obra de romance, Koiken Otome de fato entrega ótimos resultados, isso provavelmente pela química e construção dos personagens, o que já deixa meio caminho andado. 

    Claro, se formos considerar uma personagem como a Yuzu, talvez mesmo com uma boa química ainda seja chato acompanhar um romance com ela. Os personagens se encaixam muito bem sim (No bom sentido... Se bem que nesse caso, é válido em ambos), mas no fim das contas se a escrita não acompanhar, o resultado final acaba não sendo tão positivo assim.
    Falando das rotas em si, a rota da Akane é a mais simples de todas se eu tivesse que escolher. Ela é bem executada, mas dificilmente vai te surpreender. Pelo que eu me lembro, ao menos, a rota da Akane não deixou nenhuma impressão muito forte, mas por outro lado também não deixou nenhuma impressão negativa. Se gostou da personagem, sem duvidas não ficará decepcionado com a rota da mesma, até por ser um "arco de personagem" legal para ela mesma e ter um final realmente completo. O romance dela com o Seiichi é bem o que se esperaria, mas é agradável já que é uma relação que vem sendo construída desde os primeiros momentos da novel. 
    A Akane é uma boa personagem, ela é uma personagem amigável, porém ambiciosa, sensível, porém séria, esses contrastes da sua personalidade auxiliam na sua rota, já que também acaba existindo um contraste entre o romance e seus objetivos, fazendo a sua rota ser bem interessante apesar de simples.
    A rota da Touko (A.k.a. melhor personagem) é previsivelmente a melhor rota! Brincadeiras à parte--apesar de realmente pensar assim--a rota da Touko é a mais consistente das quatro, mantendo um alto nível do início ao fim. Além disso, o romance é muito mais gratificante considerando os eventos da rota em si, tal como o drama é também muito bom. Olhando de uma maneira geral, ela é a personagem mais profunda da obra, a que mais tem coisas para entregar devido a sua personalidade e os segredos que ela guarda. A rota dela surpreende bastante e o romance realmente tem um significado maior aqui (Por isso mais gratificante), o desenvolvimento da Touko somado a história da rota em si faz com que tenham acertos em todos os âmbitos. Eu me arriscaria a dizer que mesmo que as outras 3 rotas fossem péssimas, se essa rota continuasse como é, ainda valeria a pena.

    A rota da Yuzu é como eu falei antes: Superficial. A personagem não tem nada demais para oferecer, logo a rota em si deveria ser bem vazia, um romance básico para agradar quem gostar da personagem. A Yuzu é a amiga de infância, cabeça de vento, atrapalhada, emocional e gentil. Ela não tem muito para onde ir e seu maior conflito é resolvido ainda na Rota Comum. No entanto, talvez o escritor tenha percebido isso, pois existem certos elementos extras na rota da Yuzu, coisas que vão além da própria personagem e que envolvem alguns personagens secundários. Nesse caso, dá para dizer que a rota dela tem algum valor, já que desenvolve personagens que aparecem pouco na obra.

    Por fim, a rota da Yves é um caso interessante. Por não ser uma personagem do núcleo de protagonistas e ter uma personalidade arrogante, confiante e egoísta, curiosamente ela é uma personagem que sofre de pré-julgamentos. No entanto, a rota dela foi a segunda melhor para mim, além da mais surpreendente, e mostra que se você não conhecesse a pessoa, julgá-la pelo pouco que viu é uma enorme bobagem. Ela não é a típica personagem que de longe parece de um jeito, mas quando a conhece melhor descobre que não é bem assim, muito pelo contrário, ela é realmente do jeito que parece, só que por ser bem trabalhada tanto em profundidade quanto em personalidade, ela se torna muito mais interessante justamente por isso. Um jeito de mostrar isso foi logo no início da rota dela, embora tenham usado o protagonista para isso e feito um drama bem irritante em cima da situação. Mas como um mal necessário, dá para compreender melhor a personagem, e ver que toda essa confiança e até arrogância não só tem um motivo para existirem, como é uma motivação válida e que adiciona muito a personagem que ela é.
    Vale mencionar também a produção da Visual Novel, a arte é realmente muito bonita, o que torna um pouco frustrante o fato de ter tão poucas CGs, mesmo para uma novel de duração média. Acharia muito bem vindo umas 4 ou 5 CGs na Rota Comum, e outras 2 ou 3 por rota. Tem algumas inconsistências no design dos personagens em algumas CGs e até pequenos erros aqui e ali, porém nada realmente muito agravante. Os cenários são bem feitos e os menus são bem únicos, modernos e agradáveis mesmo nos dias atuais.
    A trilha sonora é muito boa, principalmente as de drama e ação, embora algumas de slice of life também se destaquem. Elas complementam muito bem as boas cenas da obra, ajudando na atmosfera, na tensão ou nos momentos dramáticos. Algumas talvez você até queira ouvir novamente após terminar. A dublagem é decente o suficiente, nenhuma atuação estelar, mas não há o que reclamar.

    No fim, sinto que querer falar de história em Koiken Otome seria tão justo quanto querer cobrar história de uma obra de romance. Não ajuda muito o fato de existir uma certa construção de mundo na VN, a obra se dá ao trabalho de dar um contexto para os poderes dos personagens e a existência da escola, mas muitos assumem que isso é feito para ter uma grande história depois. Por isso eu pouco me importei com a simplicidade da história, já que não era nem de perto o foco da novel. Se o que você busca é uma história profunda e/ou épica, recomendo fortemente que ignore esse título. Caso o que você busque seja uma boa obra de romance, então sim, essa seria uma boa escolha. A VN dá alguns deslizes na comédia e no drama sem duvidas, mas vale a pena pelos temas e personagens.

    Ordem Recomendada de Rotas: Touko>As outras (Na ordem que quiser). Recomendo a rota da Touko primeiro por ter elementos da rota revelados ou mencionados em outras rotas, é a única rota que entregam spoilers em outras rotas, então é preferível que faça a dela primeiro e depois escolha a ordem que quiser.

  • Por que adaptações de Visual Novel costumam dar tão errado?

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    Se você já leu o meu post que explica porque Visual Novel é a minha mídia favorita e acompanha as temporadas de anime de perto, deve conseguir ter uma ideia de como eu me sinto vendo o estado que nos encontramos atualmente em relação a adaptações em anime de VNs.
    Caso não esteja entendendo o que quero dizer, nesse post tudo será esclarecido.

    Há uma ou duas décadas atrás costumávamos ver mais adaptações de VNs, se pararmos para procurar hoje em dia tem muitas adaptações escondidas no meio da multidão de obras esquecidas pelo tempo. A maioria dessas adaptações, independente de boas ou ruins, foram muito inexpressivas, seja em popularidade, seja em vendas. Um dos possíveis motivos para isso acontecer foram provavelmente as VNs que foram adaptadas, sendo normalmente romances, dramas e comédias, a maioria das adaptações eram obras não muito chamativas para início de conversa. Mesmo as poucas que se destacaram não receberam tanta atenção assim.
    Existia um motivo para isso, e esse motivo pode ser indiretamente visto em animes como Clannad e Da Capo. Visual Novel é uma mídia longa por natureza, uma história contada ao longo de 4-5 horas de texto é considerada curta, sendo que é exatamente esse o tempo que gastamos com um anime de 12 episódios.
    Quando você tenta trazer uma obra com uma trama mais complexa para o formato de anime, a transição se torna muito mais delicada. Fazer de qualquer jeito acaba rendendo animes problemáticos como o primeiro Fate/Stay Night, Tsukihime ou 11Eyes. Todas essas eram Visual Novels longas com histórias complexas e simplesmente não vingaram ao serem adaptadas como anime (No quesito qualidade, ao menos, já que Fate e Tsukihime foram, na verdade, dois sucessos de vendas).

    Quando adaptações em anime de VNs estavam em alta, isso é, há cerca de 10 anos atrás, eles jogavam seguro e tinham mais interesse em investir em animes do tipo. No entanto, com o passar do tempo a "febre" morreu e cada vez menos Visual Novels ganhavam adaptação para anime. Entrando em uma era muito mais comercial, começamos a ver um grande aumento de animes diferentes por temporada, e uma grande redução de animes com mais de 12 episódios ou continuações, esse foi um fator crucial para a "quase-morte" das adaptações de Visual Novels.
    O sistema de adaptações para anime começou a se focar mais em fazer propaganda para o material original, tentando alavancar as vendas com adaptações em anime (Ou mangá, em casos de LNs e VNs), ou seja, a adaptação em si já era considerado como uma escada ao invés de tentar contar uma boa história em uma mídia diferente.
    Mas isso nos leva a outro problema grave: Visual Novels quase sempre são lançadas já como uma história completa, não é o tipo de mídia que a mesma história continua sendo publicada ao longo dos anos. O que isso significa? Significa que VNs não estão aptas ao sistema de propaganda que as adaptações adotaram, fazer adaptações de VNs para o mercado de anime seria a mesma coisa ou pior ainda que adaptar algum mangá ou LN antigo, já finalizado há muitos anos.

    Tendo isso em mente, o número de VNs que ganham adaptação em anime por ano desceu a ponto de dar para contar nos dedos, e todas as adaptações acabavam falhando miseravelmente. Isso porque dificilmente a VN ganharia um anime de 24 episódios ou mais, e por ser uma obra já finalizada, eles acabam preferindo adaptar todo o conteúdo da novel nos míseros 12 episódios que provavelmente a adaptação teria. E quando eu digo "todo o conteúdo", é realmente todo o conteúdo, no caso de uma história com múltiplas rotas, as chances da adaptação tentar enfiar todas as rotas em um único anime são altas. Nesse caso você acaba tendo dezenas de horas de conteúdo comprimidos em 12 episódios, em um anime provavelmente não tão bem produzido, o que resulta no desgosto do público, vendas minúsculas e mais uma obra indo para a vala.
    A bola de neve ainda pode crescer um pouco mais... Como poucas VNs por ano ganham adaptação, eles escolhem com muito mais cuidado o que adaptar hoje em dia, o que significa que ou uma VN recém-lançada que chamou bastante atenção vai ganhar adaptação para tentar enquadrar ela no sistema de propaganda, ou uma VN antiga bastante popular ou de uma empresa grande (Exemplos: Key ou Type-Moon) ganha essa adaptação. Essas VNs costumam não só serem longas, mas também bem mais difíceis de adaptar, o que só garante ainda mais a provável falha que vai ser a adaptação.
    O que não faltam são boas Visual Novels curtas que se encaixariam perfeitamente em um anime de 12 episódios ou menos, mas por outro lado, raramente elas ganham destaque o bastante para isso.

    Resumindo essa bola de neve:

    • A única coisa que importa são os lucros
    • A maioria das VNs com o suposto potencial para lucrar são longas
    • Decidem adaptar VNs longas, mas não querem investir nelas e querem adaptar 100% da obra, o que resulta em um anime muito mal-sucedido e um grande prejuízo
    • Veem que adaptações de VNs supostamente não rendem (Pois nem investem, nem adaptam as obras certas) e começam a adaptar menos e menos

    A fim de curiosidade, das poucas exceções ao que eu disse aqui nesse post, quase todas venderam muito bem e ficaram super populares (Exemplos: Steins;Gate, Clannad, Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works).
    Infelizmente a realidade é uma só, adaptações de Visual Novels dificilmente são boas, possíveis contra-medidas para isso seriam ter mais episódios, simplesmente adaptar apenas uma parte da obra com os episódios que vai ter ou escolher uma VN de duração curta. Mas enquanto não mudarem essa mentalidade de querer fazer dos animes (E mangás) meras propagandas para o original e lançar 50 animes de 12 episódios por temporada, dificilmente isso acontecerá.
    Acho que fazer esse post era uma necessidade já que a essa altura muitas pessoas já criaram uma visão muito errada de uma mídia que não conhecem nada baseado em adaptações que não a representam. Steins;Gate e Clannad podem ser exceções nas adaptações em anime de VNs, porém estão longe de ser "grandes exceções" de qualidade na mídia em si, e pensar que a grande maioria das pessoas jamais conhecerão outras obras tão boas ou até melhores que essas é um pouco triste. Porém, ainda é melhor do que ter um anime horrível e criar uma visão errada, imagino. Saraba Da!

  • Guia de Visual Novels para iniciantes

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    Antes de mais nada, caso não saiba o que é uma Visual Novel, você pode ler minha explicação simples sobre a mídia clicando aqui.
    Se quiser uma explicação bem aprofundada do porque eu acredito que deveria investir em VNs, recomendo muito este post que escrevi.
    Visual Novel não é uma mídia amigável para todos, principalmente pela sua longa duração e seu muito presente conteúdo 18+ que incomoda muitas pessoas. Se você é alguém desacostumado com a leitura, saber que mesmo as VNs (Visual Novels) mais curtas possuem horas de pura leitura pode te desanimar, mais ainda se você for uma pessoa muito ocupada. Mas não se preocupe! Mesmo sem muito tempo livre ainda é possível apreciar a mídia, e apreciar a mídia é algo que eu garanto que valerá a pena.
    Infelizmente a maior parte das VNs não possuem tradução, e as que possuem, normalmente é em inglês, então é necessário saber inglês para explorar melhor esse universo. Mas colocarei algumas VNs legais que possuem tradução em português e são curtas para vocês que não sabem inglês também!
    Assim como anime/mangás/light novels, VNs também possuem sites de database bem carregados de informação, você pode usar o VNDB para informações mais detalhadas das obras. <Link do Site>
    Neste post todas as VNs citadas serão de duração curta (Menos de 10 horas de duração), já que precisa ser algo acessível até para quem é ocupado. Almejarei uma boa variação de conteúdo para facilitar para todo tipo de gosto. Além disso, adicionarei informações e conselhos extras também.

    Visual Novels em Inglês

    Dra†KoI
    Link do VNDB
    Dra†Koi é uma VN bem exótica que mistura uma narrativa estilo conto de fadas com uma estilo paródia. Com boas doses de comédia e romance que rendem alguns bons momentos, é uma obra bem curtinha que vale a pena conferir.
    Se não me engano, ela tem um total de quatro finais diferentes, sendo um deles o final verdadeiro. Mas apenas uma heroína e algumas cenas de sexo.
    Tendo apenas finais diferentes, a história é quase totalmente linear, mudando só alguns detalhes fora o final da história.

    Para quem quer uma história curta e simples, mas bem feita, divertida e não se importa com o conteúdo 18+, é um bom título para começar. Para quem quer algo mais complexo e mais sério, ou não quer h-scenes (Cenas de sexo) na obra, é melhor evitá-lo.
    Nível de recomendação: ★★★☆☆


    Neko Para
    Neko Para é uma obra que ficou super popular ambos no Japão e no ocidente no geral graças ao poder da internet. No entanto, essa é provavelmente a obra mais simples que vai estar nesse post.

    Neko Para é um slice of life puro, que vem com alguns elementos de romance e drama presentes na obra, mas não com peso o bastante para ser um atrativo para qualquer fã desses dois gêneros. A VN tem 4 obras lançadas, todas de duração bem curta, e por serem uma continuação da outra, evidentemente a história é 100% linear, não há finais diferentes, rotas, nem escolhas. Ela é divertida de se ler, mas como quase todo slice of life desse tipo, não há exatamente muito além disso.

    Para quem quer algo fácil de ler, é uma boa VN para começar. Para quem prefere algo com uma história mais carregada por trás, melhor evitá-la. Em relação ao 18+, fica a sua escolha. Joguei a primeira VN com as h-scenes e a segunda na versão Steam, dá na mesma, jogue a versão 18+ apenas se quiser mesmo.
    Nível de recomendação: ★★☆☆☆


    Hanachirasu
    Link do VNDB
    Se você é do tipo que precisa de uma obra mais séria para ter sua atenção ganha, Hanachirasu talvez seja uma boa opção.
    A história em si não é nada de especial, uma típica história de vingança. O que muda, no entanto, é o fato do protagonista ser o vilão, ser o alvo da vingança em si ao invés de quem quer se vingar como de costume.

    Hanachirasu é muito mais densa que o normal devido a sua escrita super carregada. De forma alguma é algo fácil de ler, apesar de ser curta como as outras. Mas pode ser um atrativo para quem quer algo bem escrito.
    O que pode não ser um grande atrativo, no entanto, é a violência e outras cenas pesadas. Ela é uma Visual Novel sombria que pode ser um incomodo para você.

    Caso não seja, pode aproveitar pois ela tem boas cenas de ação com espadas, não só muito bem descritas, mas também muito bem estudadas. Tão estudadas que talvez até incomode um pouco caso não seja um assunto do seu interesse (Nesse caso, artes marciais com espadas), já que possui muita informação sobre o assunto.
    Em todo casos, é uma Visual Novel curta muito interessante para se começar para quem quer algo mais sério.
    Nível de recomendação: ★★★☆☆


    Kikokugai

    Uma das Visual Novels escritas pelo famoso romancista Gen Urobuchi. Kikokugai é exatamente o tipo de história que você esperaria do Urobuchi, uma obra sem escrúpulos, que busca alguns dos lados mais feios dos seres humanos, mas sem realmente perder a linha no exagero.

    Essa é outra obra sobre vingança, dessa vez mais tradicional, algo muito mais similar ao excelente filme Kill Bill (Ou melhor, Kill Bill é similar a Kikokugai, já que a VN saiu primeiro).
    Como uma distopia cyberpunk com foco em artes marciais, o universo em si da obra é bastante original e interessante, ela tem muitos elementos que você raramente vê por aí, principalmente se levar em conta que ela originalmente foi lançada em 2002.
    Assim como Hanachirasu (E boa parte do que a Nitro+ produz), é uma obra bem pesada e que pode ter algumas cenas que deixe a experiência desconfortável.

    A obra tem duas versões, a original de 2002 e o remake de 2011. Eu pessoalmente recomendo muito o remake, pois a arte é melhor e a VN está dublada (A de 2002 não tem vozes). Porém, o remake é "censurado". Coloco em aspas pois o que é necessário na narrativa ali é mantido, você só não vai ver cenas muito explícitas.
    Apesar de não ter caído muito no meu gosto por diversos motivos, pode valer a pena uma conferida.
    Nível de recomendação: ★★☆☆☆


    Mhakna Gramura to Fairy Bell
    Link do VNDB
    Essa é um que eu pessoalmente recomendo bastante.
    Mhakna Gramura to Fairy Bell é uma obra cuja melhor descrição seria "é um conto de fadas". E de fato, é essa pegada mesmo que a VN busca, uma história bonita, reflexiva, às vezes interpretativa e muito legal de acompanhar.

    Ela é única na forma que se apresenta, como um livro ilustrado mesmo. Vemos as imagens passando com um excelente dinamismo que dá vida a obra, junto com uma trilha sonora que se encaixa muito bem na narrativa. Por ter apenas umas 2 horas de duração e nenhum conteúdo questionável, é muito mais acessível para qualquer um que queira experimentar uma Visual Novel de maneira rápida e confortável.
    Nível de recomendação: ★★★★


    Highway Blossoms
    Link do VNDB
    Viagem pelas estradas do deserto, caça ao tesouro, yuri. Uma combinação que não se vê todos os dias.
    Highway Blossoms é uma obra bem interessante por apostar em um cenário mais diferenciado para sua história. Apesar do resto da obra ser relativamente simples, ela consegue se sair bem na maior parte do tempo, e pode ser uma boa escolha para quem gosta de yuri ou mesmo para quem não gosta tanto, já que existem muitos motivos para gostar da VN.

    Ela tem versão para todas as idades e versão 18+, não faz muita diferença na hora de escolher, então vá no que estiver mais interessado. Recentemente a obra ganhou uma versão remasterizada com dublagem (Em inglês), mudanças na trilha sonora, nas CGs e muitas outras melhorias. Vale a pena ir atrás dessa.
    Não é nenhum primor, mas é uma obra curta e diferente que pode te animar a investir na mídia.
    Nível de recomendação: ★★★☆☆


    Fault Milestone One
    Link do VNDB
    Para fechar as VNs em inglês, eu realmente recomendo essa que, para mim, é a melhor VN que estará nessa lista.
    Fault Milestone é uma obra diferente, sem romance, sem rotas/finais variados, sem conteúdo 18+ e outros elementos comuns em Visual Novels. A obra de fantasia que busca construir um universo incrível e entregar uma ótima odisseia que consegue muito te surpreender não só nos caminhos que escolhe seguir, mas também e principalmente na maneira que as coisas são executadas.

    Apesar de estar nessa lista e ser realmente uma obra relativamente curta, é também meio que uma trapaça, já que a história não termina na primeira VN. Existe uma segunda já lançada (E ainda melhor), uma prequel da primeira que está para sair e uma sequel da segunda que ainda sairá futuramente.
    É uma história longa dividida em várias partes (Ou arcos, se preferirem). Em todo caso, ainda são todas Visual Novels curtas e bastante acessíveis para todo mundo.

    É uma obra excelente que vai valer a pena gastar algumas horas jogando, e provavelmente apenas a obra por si só te convencerá a buscar a sequel e eventualmente os outros títulos que lançarem.
    Nível de recomendação: ★★★★



    Visual Novels em Português

    Todas as Visual Novels a seguir possuem tradução completa para o português e são bastante curtas, através dos links para o VNDB vocês podem adquirir mais informações sobre o grupo que as traduziu e seus sites.

    Saya no Uta
    Link do VNDB
    Falando em obras do Gen Urobuchi e da Nitro+, Saya no Uta é a obra que fez o nome do escritor. Considerada uma obra-prima por muitos, ganhou tradução até para o polonês.
    Apesar de todos os elogios e toda a fama que ela conseguiu dentro da mídia e até mesmo fora dela, ela definitivamente não é uma obra que você irá querer jogar despreparado.
    Lembra o que eu disse sobre as obras da Nitro+ serem normalmente pesadas? Aqui estamos falando de uma das mais fortes nesse quesito, muito acima das outras citadas nesse mesmo post. A não ser que você seja bem tranquilo quanto a isso, não será uma obra fácil de digerir.
    Mas se não for e ainda assim tiver a coragem para tal, pode valer muito a experiência mesmo com esses aspectos macabros por trás da obra. Pois é uma Visual Novel muito bem escrita que usa todos esses elementos a seu favor.
    Nível de recomendação: ★★★★


    Planetarian
    Link do VNDB
    A Key é uma desenvolvedora famosa por se especializada em dramas, Planetarian foi uma das primeiras Visual Novels que eles produziram.
    Uma obra bastante curta (Cerca de 3 ou 4 horas de duração), ela é uma das obras mais amigáveis em termos de "por onde começar". É uma história muito bem feita, simples e muito acessível para qualquer um.
    Vale a experiência mesmo para quem não gosta muito de drama.
    Nível de recomendação: ★★★★








    Narcissu
    Link do VNDB
    Falando em drama, Narcissu tem uma pegada dramática mais forte comparado a obra anterior, afinal, se trata de dois personagens principais com doenças terminais que se recusam a morrer em um hospital ou em casa.
    É uma obra muito interessante para se dar uma chance, uma vez que apresenta uma perspectiva de personagens em uma situação muito complexa, algumas vezes até filosóficas.
    Essa é uma experiência que vale a pena ter.
    Nível de recomendação: ★★★☆☆









    Tokyo Alice
    Link do VNDB
    Nossa lista não estaria completa se não tivesse um Isekai, certo?
    Obviamente baseada na mundialmente famosa novel de Lewis Carroll, Toyko Alice é uma Visual Novel de drama (Muitos dramas nessas VNs traduzidas para pt-br!) que pode valer uma tentativa.
    É uma obra bem simples em quase todos os âmbitos, mas que ainda pode te surpreender aqui e ali.
    Nível de recomendação: ★★☆☆☆


    Doki Doki Literature Club
    Link do VNDB
    Se a essa altura do campeonato você já não pegou infinitos spoilers da VN, jogue-a. Ela é muito mais funcional quando não se sabe nada sobre, mas garanto que terá grandes surpresas eventualmente.
    No entanto, se já tiver tomado todo tipo de spoiler... Você ainda pode jogá-la mesmo assim. Pode não parecer, mas tem muitos elementos menores interessantes que a obra te oferece como lição ou mesmo reflexão. Boa parte da obra vai ter perdido a graça, é verdade, mas ao menos dá pra ganhar experiência com a mídia e pegar algumas mensagens bacanas.
    Nível de recomendação: ★★★☆☆






    Sono Hanabira ni Kuchizuke o - Deatta Koro no Omoide ni
    Link do VNDB
    Por fim, um shoujo-ai (Romance entre personagens femininas) para fechar a lista.
    Sono Hanabira é uma simples e agradável obra de romance, como qualquer outra. Por isso é um bom primeiro passo para quem gosta do gênero e quer investir em VNs. Ela não tem cenas 18+ (Não a versão traduzida, ao menos) e é totalmente linear.
    Se quiser algo a mais provavelmente vai se decepcionar, mas caso apenas queira um romance legal, pode valer a pena algumas horinhas para completá-la.
    Nível de recomendação: ★★☆☆☆





    Conclusão
    Eu separei alguns títulos curtos e interessantes para recomendar aqui nesse post, deu um grande trabalho no fim das contas escrevê-lo por completo, e no fim ainda sinto que foram poucas VNs recomendadas. Existem diversas outras curtas já traduzidas (Para o inglês principalmente) que não estão aí, então talvez eu atualize esse post com o tempo, embora admito que as chances sejam baixas.
    Muita gente sai recomendando as mais populares ou simplesmente as que consideram as melhores para quem está começando, e muitas vezes elas são VNs longas demais para alguém pouco acostumado. Quis oferecer nesse post opções mais rápidas e variadas que sejam mais amigáveis não só para quem não tem costume, mas também para quem não tem tempo. Sério, tem VNs aí que tirando 30~60 minutos por dia para jogar você consegue terminar rapidinho.

    Talvez vocês tenham achado muito pouco informativo algumas VNs, e digo que foi proposital. Não só isso faria esse guia perder o sentido e me daria um trabalho infinitamente maior, como também eu realmente quis não tentar influenciar muito suas escolhas (OK, talvez em Fault Milestone...). É importante vocês tentarem jogar algo que parece interessante para vocês que estão começando, sem procurar muito sobre opiniões alheias, pois o interesse na mídia tem que partir inicialmente de vocês mesmos, depois sim comecem a se preocupar com recomendações e reviews.

    Eu espero de verdade que ao menos uma única obra dessas tenha te chamado atenção, pois o único que pode dar o primeiro passo é você mesmo, eu posso no máximo te mostrar o caminho. E torço que, caso escolha alguma para dar uma chance, acaba ao menos gostando o bastante para ir para uma possível próxima obra. Saraba Da!
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