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  • Majo no Tabitabi #04 - O interminável ciclo da violência

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    O quarto episódio de Majo no Tabitabi veio com uma premissa curiosa, um país totalmente em ruínas com exceção do castelo no centro, onde vive uma única residente que é a princesa do país. E eu preciso abrir essa análise já comentando sobre a animação, ou melhor dizendo, sobre os cenários, fotografia e a direção de arte que estavam espetaculares. Uma das principais vantagens nessa transição de livro para animação é que, com uma staff livre, competente e criativa, muita coisa pode ser expandida no escopo visual. Mesmo sendo um país destruído, eles conseguiram criar uma ambientação excelente que realçava um local contemplativo e ampliava a sensação de vazio pela grandiosidade do país. Isso é algo admirável sobretudo em uma obra como essa, que busca apresentar os mais diferentes ambientes, pessoas e situações. O anime consegue transformar o lugar em algo exótico e misterioso, um lugar de destruição onde você não sabe se está pisando na neve ou em cinzas, sem absolutamente nenhum sinal de vida ou barulhos. Ficou realmente incrível.



    Dito isso, o episódio não é sobre mostrar cenários incríveis, mas sim contar uma história que une duas das coisas mais tradicionais da literatura e do teatro: amor trágico e vingança. Na minha visão, para uma história que visava uma grande reviravolta no final, um dos seus erros foi justamente o início do episódio, onde a narração sobre uma história de amor já entrega um pouco do que está por vir. Isso acaba sendo prejudicial para a narrativa que, como vem sendo desde o episódio 1, vai sendo construída para ter uma revelação de impacto no final. E não era um elemento necessário, visto que o decorrer do episódio entregou pistas o bastante para as pessoas descobrirem o twist.

    O episódio fluiu muito bem, depois que a Elaina entra no castelo e conhece a Mirarosé, a história vai se desenrolando de maneira adequada. Os quadros da família real ganhando destaque múltiplas vezes era uma forma inteligente de coagir o telespectador a pensar no que aquilo queria dizer e as revelações sobre a carta e o demônio adicionavam camadas nesse mistério. A relação da Mirarosé com a Elaina já de cara foi muito funcional, pois nos permitiu entender melhor não só a Mirarosé, mas também a própria Elaina. Diferente do episódio anterior, onde o anime deixou subentendido as ações da protagonista, aqui a presença da Mirarosé consegue extrair dela diálogos que explicam bem a mentalidade da Elaina sem precisar recorrer a uma exposição forçada. O episódio explora sutilmente o M.O. da Elaina, isso é, ela se recusando a se colocar em risco e ajudar na batalha contra o demônio, mas aceitando ajudar nas preparações pela hospitalidade da Mirarosé. Claro, no fim ela acabou indo para o campo de batalha, mas acabou só provando que os conselhos da sua mãe eram, de fato, certeiros. Pois no fim, a presença dela nem era necessária, uma vez que a Mirarosé era extremamente forte, e a batalha se encerrou com a grande revelação do episódio, sobre o demônio ser, na verdade, o rei do país.



    Toda a história por trás do país em ruínas se deu por conta de um amor trágico, onde a Mirarosé havia se apaixonado por um cozinheiro do castelo e os dois começaram um relacionamento secreto que precisou ser revelado quando ela engravidou. O rei ordena a tortura e execução do cozinheiro, na frente da princesa, e ainda mata a criança que a Mirarosé teve, tudo isso por conta da posição social do cozinheiro. O episódio trabalha em cima desse tema das classes sociais, onde a nobreza se enxerga como seres superiores em relação as pessoas de classes sociais mais baixas e como a engrenagem desse preconceito funciona. No caso, há sempre uma violência aguardando para ser aplicada na primeira oportunidade por quem está no poder, porque a justiça raramente está do lado certo, mas sim do lado mais influente. E isso, em contrapartida, leva para a segunda parte dessa história, que é a vingança. Para uma pessoa que sofreu injustiças e teve o que lhe era mais valioso tirado dela à força, não é incomum culpar o sistema, o mundo até, e buscar justiça com as próprias mãos. A Mirarosé era a vítima até o momento em que decidiu se vingar do pai, transformando-o no demônio que viria a destruir o país e dizimar a população. Todo o episódio constrói esse ciclo que existe desde sempre, até os dias atuais, onde o primeiríssimo fator que põe essa engrenagem para funcionar é a noção de que pessoas X ou Y são inferiores a você. A vingança, ou a violência, jamais será ou trará algo positivo para quem a executa, muitas vezes pessoas inocentes que nada tinham a ver com a situação acabam sofrendo com isso também.



    No final do episódio, a Elaina nos dá uma perspectiva que torna todo o desfecho muito poético. A vingança da Mirarosé finalmente é concluída e, na manhã seguinte, ela está lá cozinhando novamente. Ao se sentar na mesa, vemos ela dialogar sozinha, olhando para duas das cadeiras da mesa, onde presumidamente estariam sentados seu filho e seu marido, o cozinheiro. Na mente já quebrada dela, ela enxergava aquele mundo onde os dois estariam vivos e todos eles poderiam viver felizes para sempre. A perspectiva que a Elaina nos dá é a de que todo o plano da Mirarosé foi concluído com sucesso, plano esse relacionado com o que falei acima sobre as classes sociais. Ao transformar o rei em um demônio, fazendo ele destruir o país e todos que moravam ali, para no fim executá-lo, a Mirarosé conseguiu tanto se vingar quanto quebrar a barreira social que separava ela do seu marido e filho. Sendo ela a princesa do país, ao destruir tudo e todos, sua posição social se tornou irrelevante, pois o sistema agora já não existe mais. Não há mais pobres e ricos, não há mais realeza, não há mais nada, permitindo assim ela viver a vida que sempre quis. E assim, esse ótimo episódio termina. Um detalhe muito bacana que ilustra o estado de espírito da Mirarosé é as cores da sua roupa, enquanto estava no castelo ela vestia um elegante vestido vermelho, mas quando estava lutando contra o demônio, que era seu pai de quem ela queria se vingar, sua roupa se tornou completamente preta. Por fim, quando ela completou sua vingança e "recomeçou" na sua vida imaginária, mas feliz, com sua família, sua roupa se tornou totalmente branca. É a mesma roupa nos três momentos, mas sua coloração foi usada de forma que enriquecesse a narrativa, para entendermos instintivamente a mente da Mirarosé sem precisar dizer nada. Violência gera mais violência não é uma frase antiga muito popular à toa, no fim das contas. Saraba Da!

  • Majo no Tabitabi #03 - O lado sombrio da beleza e da gentileza

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    O episódio 3 de Majo no Tabitabi era um que eu fiquei ansioso para assistir depois de dar uma olhada na prévia dele. Na review do episódio anterior, eu comentei sobre como eu senti que o episódio estava um tanto corrido em algumas partes, mas eu acreditava que seria um caso a parte, já que o capítulo adaptado no episódio 2 era o segundo maior do livro (28 páginas). Eu imaginava que, acrescentando coisas originais para estender a história de cada capítulo o bastante para caber em um episódio inteiro caso necessário, a staff iria adaptar um capítulo por episódio. Quando assisti a prévia desse episódio 3, notei pelo título que iriam adaptar dois capítulos (2 e 6), que isoladamente são até relativamente curtos (11 e 15 páginas), mas que agora, juntos, teria praticamente o mesmo tamanho do capítulo adaptado no episódio 2, sendo que agora seriam 2 histórias em 1 episódio. Bem, o resultado era parcialmente previsível, o episódio ficou corrido em algumas partes. A diferença é que a staff optou por encurtar o capítulo 2, que já era curto, para poder trabalhar o capítulo 6 com mais precisão. Isso é bem facilmente perceptível quando se assiste ao episódio, mas tá aí o contexto por trás dele.



    Na primeira parte do episódio, "Ela Que é Amável Como Uma Flor", a Elaina encontra um gigantesco e belo campo florido, lá cruzando caminho com uma mulher que lhe pede para entregar um buquê de flores para qualquer pessoa no país para onde a viajante se dirigia. No entanto, mal ela esperava que aquilo havia sido basicamente uma armadilha, já que as flores expeliam uma magia que deixavam humanos normais insanos, segundo os guardas que abordaram ela, um deles muito agitado devido a sua irmã desaparecida. A fábula trabalha em cima da ideia de que a beleza nem sempre é algo seguro, não é porque uma rosa é bela que ela deixa de ter espinhos. É inegável que a beleza, por mais subjetiva que seja, é algo que nos faz instintivamente abaixar a guarda, seja com pessoas, animais ou objetos. A natureza é repleta de elementos assim, tais como lindos animais ou insetos de cores chamativas que, no fim das contas, possuem aquela forma justamente para atrair a presa e envenená-la. É um tema interessante que essa primeira parte do episódio trabalha de maneira bem pontual e concisa.

    O outro ponto desse episódio foi colocar a protagonista em uma situação de perigo pela primeira vez e mostrar como ela reagiria, principalmente tendo em vista 2 das 3 promessas que ela fez com a mãe no episódio 1 (Fugir se a situação ficar perigosa e nunca se ver como alguém especial). Quando ela pondera sobre histórias de plantas que ganharam autoconsciência após absorver magia, cria suspeitas e decide ir investigar logo na manhã seguinte, já era tarde demais. O guarda que procurava pela sua irmã conseguiu encontrá-la, mas não só ela havia sido completamente engolida pelas plantas, como ele também já estava além do ponto de ser salvo. A Elaina não demonstra nenhuma expressão facial diante da situação, porém, e aqui eu demonstro minha admiração pelo trabalho que a staff faz, ela demonstra bastante através da linguagem corporal da Elaina, fora a linguagem visual. Em uma cena super curta e praticamente sem diálogos a protagonista acessa a situação, verifica o estado mental do guarda, pondera por um momento e, então, pensa em se arriscar e tentar salvá-lo, mesmo tendo em mente que magia só alimentaria mais ainda as flores, mas percebe que o corpo do guarda já está sob posse das plantas, fazendo ela mudar de ideia e ir embora. Detalhes assim enriquecem a narrativa, e contextualizam as cenas sem precisar recorrer a exposição. Por exemplo, ao chegar no país, os guardas estão mascarados, mostrando que eles já tomavam precauções contra as flores (Tanto que já sabiam sobre ela e seus efeitos), ou então mostrarem que os guardas queimarem as flores fez elas liberarem a sua magia pelo ar, o que explica os segundos finais dessa parte com uma tragédia de larga escala anunciada. Também mostra que provavelmente não havia o que fazer em relação as flores, uma vez que magia seria ineficaz e queimá-las só pioraria a situação. É uma curta história onde realmente não há espaço para final feliz, tal como é o caso da outra história desse mesmo episódio.



    Na segunda parte desse episódio, "Felicidade em um Jarro", a Elaina conhece um garoto que está usando magia para coletar a felicidade alheia dentro de um jarro, para presentear a garota que ele ama e deixá-la mais alegre. Ela descobre que a situação era muito mais complexa do que parecia, ao descobrir que o garoto era filho do chefe de uma vila, e que a garota em questão, Nino, era uma escrava. Novamente, por mais que a escrita dessa história consiga deixar claro as várias nuances em diversos momentos seja pelos diálogos ou pelas situações em si, a equipe de animação potencializou as cenas, inserindo detalhes que tornava o contexto bem mais sombrio do que já era. A Elaina sentiu a atmosfera desagradável, notou a índole do chefe da vila assim que se conheceram, quando o olhar dele foi, logo de cara, no corpo dela e só confirmou o que desconfiava ao dialogar um pouco com ele e o ver ficar agressivo com a Nino.

    Diferente da parte anterior, no campo florido, onde a Elaina conteve suas emoções, aqui vemos claramente o desconforto dela através das suas expressões, além de ser notável que ela cogitou simplesmente atacar o chefe da vila quando ele ficou agressivo, mas acabou se controlando. Sendo racional, ela entendeu que nada que ela fizesse iria reverter a situação para algo positivo e ainda poderia colocar todo mundo em risco, incluindo ela mesma. Aquela era uma história sem alternativas positivas, principalmente por conta do tal jarro de felicidade que o garoto iria dar para a Nino independente de qualquer coisa, pois é onde a moral da história entra: atos de gentileza podem se tornar algo nocivo se você não levar em conta como a outra pessoa realmente se sente. Isso é ainda mais verdade quando se trata de uma pessoa depressiva, pois um ato descuidado, mesmo na melhor das intenções, pode afundar a pessoa ainda mais na própria depressão. Se a pessoa estiver em uma situação muito delicada, é de suma importância pensar muito bem no que você vai fazer por ela, ou se realmente deve fazer algo. É como uma bomba relógio, se for para agir e cortar o fio para desativá-la, que faça isso sabendo qual fio cortar. No fim, a Elaina se lembra de uma história onde um homem trás histórias sobre os incríveis lugares que visitou para sua esposa doente que não podia sair da cama a fim de deixá-la feliz, mas que acabou tendo o efeito reverso e, ao que a linguagem visual do anime indicou, ela cometeu suicídio. Isso era claramente uma alusão a história do garoto e da Nino, onde um take na sombra dos dois mostra que, ironicamente, talvez o jarro de felicidade tenha sido o empurrão final. Porém, a história termina em aberto, uma vez que a Elaina reconhece o quão emocionalmente pesado o desfecho provavelmente será e reflete sobre não querer voltar ali novamente.



    Esse terceiro episódio trouxe duas histórias bem sombrias, com mensagens bem interessantes, além de nos mostrar uma outra face da protagonista, muito mais movida pela razão do que pela emoção ou pelo senso de justiça. Os tons cinzas da moralidade da Elaina fazem jus ao seu título de "Bruxa Cinzenta", mostrando muito bem que ela é afetada pelas situações que passa sem precisar dos monólogos, apenas de reações (Ou quase-reações) sutis, mas que consegue controlar suas emoções o bastante para se fechar e não agir de maneira precipitada ou irresponsável, ainda que isso signifique dar as costas para o sofrimento alheio em alguns casos. Muito bom episódio, apesar dos deslizes na primeira parte. Saraba Da!


  • Majo no Tabitabi #02 - O País Dos Magos

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    Na história da vez em Majo no Tabitabi, Elaina visita o país dos magos, um modesto país que, como o nome já diz, só permite a entrada de pessoas capazes de usar magia. Na novel, o conteúdo adaptado nesse segundo episódio era o capítulo de abertura do livro, era o ponta pé inicial da série. A história que é contada no episódio não tem nada particularmente especial, mas há uma razão narrativa, até meio óbvia quando paramos para pensar, do capítulo "O País dos Magos" ser o primeiro capítulo do primeiro volume da novel.
    Por trás da história que é contada nesse episódio, nós aprendemos bastante sobre como funciona as classes mágicas nesse universo. Há uma hierarquia, que começa com os magos, como a classe mais baixa, passando por bruxas aprendizes e, por fim, bruxas (Que são as únicas que podem tornar bruxas aprendizes em bruxas, como vimos no episódio 1). Os broches, que ficam expostos no peito da pessoa, servem como uma espécie de distintivo, e as bruxas são naturalmente muito respeitadas e até mesmo invejadas. Passamos a entender também como funciona o teste para se tornar uma bruxa aprendiz, com direito a dicas de como conseguir se dar bem no teste com menos dificuldade, para quem quiser se tornar uma.


    O tal país dos magos é realmente pensado para ser um lugar exclusivamente para magos. Já nos primeiros segundos de episódio, quando a Elaina chega no país, vemos que a entrada normal do mesmo está fechada, e a única forma de entrar no país seria por uma entrada que fica há vários metros acima do solo, ou seja, apenas alguém que saiba voar em uma vassoura (Ou um alpinista) conseguiria chegar lá.
    É elogiável a criatividade para pensar em lugares exóticos, mesmo que o destaque fique apenas em detalhes menores. No caso desse episódio, ainda que as casas fossem relativamente normais, o fato de colocarem portas na altura ou nos telhados é um detalhe que faz a diferença no cenário. São coisas que tornam evidente a inconveniência que seria você andar a pé, o que nesse caso seria só por opção, já que todos ali podem voar. Quando a Saya colide com a Elaina no ar e acaba destruindo uma série de telhas, (quase) ninguém dá a mínima. Isso porque, como a própria Elaina disse, reparar umas telhas recém-quebradas é algo que qualquer bruxa conseguiria fazer em instantes.


    Na história desse episódio, a Saya é uma maga que quer se tornar uma bruxa aprendiz, e vê na Elaina a chance de ter alguém para ajudá-la a passar no teste. Para isso, ela recorre a tática suja de esconder o broche da Elaina e ter ela como sua mestra. Mas a verdade é que ela estava solitária desde que sua irmã mais nova passou no teste e saiu do país, com isso se apegando ao curto período que passou junto com a Elaina. A própria Elaina foi, aos poucos, criando suas desconfianças, até conseguir a informação chave com uma senhora que observava todo o momento da colisão das duas.
    Para aquela situação mais delicada, o desenvolvimento que a Elaina passou no episódio 1 foi importante para fazê-la lidar com a situação da melhor forma possível. A rigidez para repreender a Saya, tal como a maturidade para dar conselhos precisos a ela e, claro, ter a empatia para entender as circunstâncias dela. As palavras da Elaina, "quando você está tentando alcançar um objetivo, você estará sempre sozinha", são certeiras. São seus objetivos, são coisas que você precisa conseguir fazer com as próprias pernas, se tornar dependente dos outros só vai te causar prejuízos, sobretudo morais. Tipo pegar e esconder um broche importante de outra pessoa só para tentar mantê-la perto de si. A solidão é algo muito emocionalmente pesado, a própria Elaina admite, e dar o seu "chapéu reserva" foi um ato muito humano da parte dela. Com mais um time-skip, vimos que, após 6 meses, a Saya conseguiu se tornar uma bruxa aprendiz, através do jornal que a Elaina lia. Sem dúvidas deixando a protagonista satisfeita.


    Ademais, alguns detalhes do episódio me deixaram bem satisfeito. A Elaina, por exemplo, estava bem expressiva em termos de animação, sem realmente precisar ficar fazendo caras e bocas. E em termos de dublagem e comportamento, é notável que ela já aparenta ser bem mais madura do que era no primeiro episódio (Houve um time-skip de 3 anos após o treino com a Fran, afinal). É muito bom que seja perceptível o quão diferente a Elaina do episódio 1 e a do episódio 2 são. A staff do anime continua a mostrar que estão fazendo o melhor possível para que a adaptação seja boa. Esse episódio foi levemente corrido em alguns momentos, para a minha surpresa, já que eu não imaginava que o capítulo fosse grande o bastante para ser preciso acelerar algumas partes. Nada que prejudicasse muito, mas também significa que outros capítulos um pouco mais curtos, que estarão no anime, não ficarão arrastados nem nada do tipo. As conexões que fizeram entre esse episódio e o episódio 1, que não existiam no original pela ordem ser diferente, foi bem bacana de se explorar, seja a importância do broche para a Elaina, ou a forma que ela dizia para a Saya algumas coisas que a Fran disse para ela no passado. Enfim, um bom segundo episódio que também revelou oficialmente a abertura e encerramento do anime, ambos com músicas muito belas. Saraba Da!



  • Majo no Tabitabi - Durante a Jornada: O Conto de Dois Homens Que Disputavam Por uma Mulher (Volume 1: Capítulo 8)

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     Capítulo 8 - O Conto de Dois Homens Que Disputavam Por uma Mulher



    Parte 1

    O cair da chuva conduziu a fragrância das flores a flutuar através da floresta. A grama e as árvores brilhavam na luz solar filtrada através da marquise. Uma amável garota voava por ali, em cima de uma vassoura atravessando o único caminho para o seu destino.

    Na altura do seu peito estava um broche com formato de estrela. Do seu chapéu pontudo, que ela mantinha no lugar diligentemente com uma mão enquanto voava, até o seu manto negro que cobria seu corpo, ela sem dúvidas era a imagem de uma bruxa. Mas afinal, quem poderia ser ela?

    Exato. Ela sou eu.

    Eu estava voando na minha vassoura, me dirigindo para o país mais próximo do que eu sai há alguns dias--aquele dividido entre culturas Orientais e Ocidentais. Segundo o que eu ouvi, o país adiante era bem, bem comum. Apenas um lugar normal cheio de pessoas que eram levemente mais musculares que a média. Exatamente o que é normal sobre isso é outra questão.

    Bem, se eles forem minimamente parecidos com um certo indivíduo que eu conheci algum tempo atrás cujo os músculos haviam substituído seu cérebro, eu suponho que eles vivam bem felizes, mas... Eu provavelmente irei ficar apenas um dia lá e então irei embora.

    Tais pensamentos vagaram pela minha mente enquanto eu observava o cenário passando rapidamente.

    Indo direto ao ponto, eu não tinha nada melhor para fazer. Por isso que minha atenção foi chamada quando eu ouvi barulhos distantes na floresta.

    "Certo, vamos revisar as regras mais uma vez. Nós dois iremos dar uma volta através da trilha da floresta, a primeira pessoa a voltar para esse ponto terá o direito de ser o namorado dela. Confirma?"

    "Si-sim. Sem problemas."

    "...Sem trapaças, certo?"

    "O-obviamente. E-Eu jamais faria algo assim."

    "...Tenho minhas dúvidas..."

    Um dos homens tinha uma voz alegre e energética, enquanto o outro tinha uma pesada e abafada. Parece que eles estão apostando corrida. Pode ser interessante. Eu pensei, quando então veio outra voz.

    "Huh? Você quer dizer que eu tenho que esperar aqui sozinha? Isso parece entediaaaante!"

    A voz extra-dócil de uma jovem mulher ecoou claramente através do ar, me pegando de surpresa. Meu foco se desviou dos meus próprios pensamentos para o mundo exterior, e eu fui surpreendida novamente quando me peguei fazendo contato visual com ela.

    "Bem, hoje é meu dia de sorte!" murmurou a garota fofa com cabelos negros.

    ...Ugh.


    Parte 2


    Me parecia errado voar passando por ela após fazer contato visual, então eu reduzi a velocidade. Infelizmente, esse foi meu primeiro erro. No que eu me aproximei da garota de cabelos pretos, ela me agarrou e me puxou para fora da minha vassoura.

    "Kyah! Tão bonita! Oh, esse broche é algo que só bruxas possuem, certo? Uau! Isso significa que você é uma bruxa, certo?"

    "Uhm, sim..."

    "Incrível! Você é tão bonita, mas é uma bruxa também?! Isso é tão legal!"

    "Uh, obrigada..."

    "Então você pode usar magia, certo? Digo, você estava agora mesmo voando em uma vassoura! Uau!"

    "É, óbvio..."

    "A propósito, você tem um momento, tipo, agora?"

    "Não, eu..."

    "Uhuuu! Agora eu tenho alguém para me fazer companhia!"

    "Err..." Só um segundo! Escute o que eu estou dizendo!

    A garota praticamente me arrastou até onde os dois caras estavam, isso enquanto me chamava de "fofa" e dizia "uau" repetidamente. Os dois caras olharam para mim de cima a baixo.

    "Você irá esperar com uma bruxa, huh? Bom, nesse caso acho que não precisamos nos preocupar com você ser atacada por um urso ou algo do tipo. Bom, muito bom," disse o belo homem.

    "É-É. É um alívio. Ufa," o homem gordo disse, com respiração pesada.

    ......

    Eu cochichei para a garota próxima a mim, "O que raios está acontecendo aqui, exatamente?"

    "Como assim?" ela perguntou, confusa. "Desculpa, eu não expliquei ainda, não é? Veja bem, esses dois estão disputando para ficar comigo."

    Não, esse tanto eu já entendi. Eu conseguia ouvir vocês enquanto eu estava voando. Não é isso que eu estou perguntando.

    "Esses dois estão disputando para ficar contigo, é isso mesmo?" Eu falei em um tom de voz bem baixo para que os dois homens nãos me escutassem.

    "Sim...?" Eu pude ouvir o tom de confusão na sua voz: "Isso é estranho?"

    Sentindo uma súbita e muito complicada espiral de emoções, eu tomei um segundo para olhar para os dois homens. O homem que bem falava tinha um grande sorriso tão radiante, que até seus dentes brilhavam. E do lado desse homem imaculado, o homem gordo estava encharcado de suor. Ele parecia feder. Uma real obra de arte.

    Apesar do óbvio, enorme abismo entre a aparência externa dos dois, a garota estava fazendo-os competir um contra o outro. Ela é idiota? Não sei o que ela está pensando. Mas talvez o homem gordo tenha algum tipo de talento escondido. Ou talvez o cara eloquente tenha uma personalidade bem ruim?

    ......

    Inevitavelmente, meu interesse subiu. "Entendo, entendo. Pois bem, eu assumirei a responsabilidade de protegê-la."

    Não importa o que estava acontecendo, eu era parte daquilo agora.


    "Preparar, vão!"

    Quando eu bati palma, os dois começaram a correr ao mesmo tempo.

    "Raaaah! O coração dela é meu!" Senhor Perfeito começou de forma entusiasmada.

    "Nghm fuu...hah, hah." Senhor Porquinho ficou exausto no momento em que começaram a correr.

    Huh? Que estranho. Eu esperava que o Senhor Porquinho fosse liberar seu incrível poder oculto nesse momento.

    Após os dois desaparecerem completamente, eu me virei para questionar a garota. "Por que você está fazendo eles competirem?"

    "Hmm?" ela perguntou em uma voz abafada enquanto tomava um cuidadoso gole de água. Ela apontou para a garrafa d'água. "Quem você pensa que foi buscar essa água para mim?"

    "Não foi você mesma que pegou?"

    Ela balançou a cabeça. "Gordinho pegou isso para mim. Ele não cuida da sua aparência, mas é atento as pequenas coisas, entende?"

    "Gordinho?" Ela certamente se refere ao Senhor Porquinho. Esse é um apelido...bem direto. Não está errada, no entanto.

    "Oh, a propósito, tem uma para você também."

    "...Por que tem uma para mim?" Eu estava confusa. Eu acabei de chegar aqui.

    "Ele me passou ela logo antes da corrida começar. Me parece que ele trouxe uma reserva, então eu estou te dando." Ela empurrou a garrafa nas minhas mãos.

    Eu não estou com muita sede, mas vou aceitar de qualquer forma. A água dentro da garrafa brilhava, refletindo a luz solar. Mas agora eu entendo. Ele certamente é atentivo. Quem poderia imaginar que ele teria uma garrafa d'água para mim também?

    "Então você ficou encantada pelo coração e alma do rapaz gordo, e a aparência e comportamento do cara que fala bem, é isso? Que problema bacana para se ter." Não sinto inveja, entretanto.

    A garota deu uma risada seca. "Eu realmente não gosto do Gordinho de nenhuma forma, apesar disso, sabe?" Ela facilmente desmentiu o que eu havia assumido.

    ...Huh? "Do que você está falando?"

    Eu tinha certeza que ela estava colocando eles um contra o outro porque ela não conseguia decidir.

    "Ahr." A garota terminou de beber toda a água da sua garrafa, e então me respondeu alegremente. "Eu só estava brincando com o Gordinho porque eu não tinha nada melhor para fazer."

    "......"

    "Mas, ele é inútil. Ele realmente acha que uma pequena garrafa d'água seria o bastante? Eu ainda estou com sede." Ela atirou a garrafa vazia na floresta.

    Okay, eu não estive sendo necessariamente gentil com o grande homem nos meus próprios monólogos internos, e eu não estava particularmente orgulhosa disso, mas naquele exato momento, um único desejo preencheu meu coração. Eu enviei minhas preces aos universo.

    Permita essa mulher receber punição divina.


    Parte 3


    E pior que foi exatamente isso que aconteceu.

    Aconteceu vários minutos após a garota ter jogado a garrafa vazia na floresta. Eu percebi ela subitamente bocejando de forma dramática, e então ela foi apenas se inclinando, até ela cair para trás com um *tum*.

    Felizmente o gramado serviu como almofada, então ela não bateu a cabeça com muita força.

    Eu a repreendi internamente, então comecei a me desesperar e me perguntar se ela estava morta por ela ter caído tão de repente. Mas quando eu me aproximei, eu podia identificar o distinto som de um ronco.

    E foi assim que eu comecei a relaxar, com a cabeça dessa garota no meu colo na sombra das árvores.

    "Zzz... Músculos, tantos músculos..."

    A atitude dessa garota é terrível, e a forma que ela dorme também. Que visões do inferno ela deve estar vendo para não ter nada além de músculos?

    Eu gastei vários minutos encarando seu rosto babado e ouvindo as asneiras que ela dizia enquanto dormia. Então uma única silhueta apareceu na distância. Quem poderia ser? Bem, não tem porque me perguntar, o primeiro a retornar obviamente seria...

    ".....Ah." Eu pisquei algumas vezes e olhei para a figura que corria na minha direção. Mas não importava quantas vezes eu checava, a pessoa se aproximando da gente era ele.

    Era o Senhor Porquinho.

    Era o Gordinho.

    ...Como?

    Ofegante e bufando, coberto de suor e oleoso, ele finalmente chegou com um sorriso triunfante. "Heh, hah... Eu consegui, eu ve-venci... heh..."

    Ah, eu fui idiota em sentir simpatia por ele mais cedo. Enquanto ele olhava ao redor e confirmava que o Senhor Perfeito ainda não havia retornado, sua expressão era extremamente revoltante.

    A frase fisicamente impossível veio à minha mente. É, isso é, de fato, fisicamente impossível.

    Mas onde estava o Senhor Perfeito? Meu olhar seguiu os pingos de suor do Senhor Porquinho e me levou a resposta uma vez que eu vi uma figura se aproximando com muita velocidade.

    Era o Senhor Perfeito.

    Quando ele viu o Senhor Porquinho o desdenhando, Senhor Perfeito caiu em lágrimas. Se fosse ele sozinho, ou se tivesse uma bela garota esperando por ele no destino, a visão de um homem de coração mole correndo aos prantos poderia ter rendido uma bela cena, mas já que a pessoa na frente dele era um homem rechonchudo, a cena era só extremamente surreal.

    O homem alcançou a linha de chegada e imediatamente começou seus lamentos.

    "D-Droga... Por que, por quê...?! Por que eu tirei um cochilo no meio da corrida?!"

    Um cochilo? Você é idiota?

    Isso me lembrou o conto de fadas da lebre e a tartaruga. Se bem me lembro, a forma que a história acabou era com a lebre descuidada tirando um cochilo, e a tartaruga que continuou dando o seu melhor acabou vencendo no fim. Era uma excitante história que deixava o leitor frustrado e amaldiçoando a tartaruga.

    Seria isso uma repetição daquela fábula?

    "Você se descuidou?"

    Limpando o brilho do suor e as lágrimas que cobriam seu rosto, Senhor Perfeito respondeu, "Não... Eu fiquei com sono no meio da corrida e desmaiei, e quando eu acordei, eu estava dormindo bem ali." Ele arriou seus ombros.

    ...Hmm. É o que eu estou pensando que é? Eu me perguntei.

    Senhor Perfeito deve estar pensando a mesma coisa. Ele apontou o dedo na direção do Senhor Porquinho e gritou, "Você drogou aquela água para me deixar sonolento, não foi?!"

    Tá aí, bem como imaginei. De fato, havia mais uma pessoa que bebeu a água que ele providenciou, e ela estava dormindo tranquilamente no meu colo.

    Senhor Porquinho deu de ombros para o Senhor Perfeito em uma dramática demonstração de desprezo.

    "Heh, hah... Você tem alguma prova?" Por alguma razão, era incrivelmente irritante para mim que ele tenha decidido virar um tagarela após a corrida ter terminado.

    Mas me parece que ele cavou sua própria cova. Tomando cuidado para não acordá-la, eu lentamente tirei a cabeça da bela adormecida do meu colo e me levantei.

    "Se você quer uma prova, aqui está---" Assim que as palavras saíram da minha boca e eu mostrei a garrafa para ele, eu percebi que já estava vazia. Obviamente, não havia provas ali.

    Eu tinha tido um mal pressentimento sobre aquilo, então eu despejei todo o conteúdo.

    Que erro crasso.

    Enquanto eu estava de pé e sem jeito, o humor do Senhor Porquinho pareceu melhorar ainda mais. "Vê?! Você não tem absolutamente nenhuma prova! Certo, ela é minha! Hee-hee!"

    "...Ugh."

    "...Ugh."

    Infelizmente, não havia nenhuma maneira de provar que ele tinha feito algo de errado---Espere, não. Não havia mais alguma coisa?

    Eu coloquei a garrafa no chão e peguei a garota adormecida. "Espere um momento. Aqui está a prova."

    "Hee.. Seja sensível. Certamente ela só ficou cansada e resolveu tirar um cochilo."

    "Não, ela caiu no sono após beber a água que você deu para ela."

    "Onde estão as provas? Isso é tudo que tem a dizer? Estou esperando."

    "....."

    Ooh, ele me irrita demais...!

    De certo, a garota era uma pessoa terrível por ficar brincando com o Senhor Porquinho, mas ele conseguiu superá-la. Ele era genuinamente ruim. Eu deveria destruí-lo usando magia.

    ...Oh, já até sei o que fazer.

    Eu posso ter perdido a calma, mas o Senhor Porquinho era enlouquecedor, e também, foi ele que começou.

    Eu estava furiosa.

    Eu saquei minha varinha--

    "Espere um momento."

    Havia uma voz vinda de cima---uma que talvez eu possa ou não ter ouvido antes.

    Quando eu olhei para cima, o gigante do outro dia estava de pé ali, imponente. Atrás dele havia dois homens identicos que se diferenciavam apenas pela cor das suas roupas.

    Oh? O que temos aqui?

    Dessa vez (e só dessa vez) eu realmente senti que eles eram meus salvadores.


    Parte 4


    "Olá novamente." Eu me curvei rapidamente para os três que deram as graças para nós, e o grande homem flexionou seus músculos faciais... No caso, ele sorriu.

    "Já faz algum tempo, senhorita bruxa."

    "De certo faz, Homem-Músculo."

    Era o homem incrivelmente musculoso que eu havia encontrado vários dias atrás. Eu não sabia o seu nome real, mas eu não acho que ele se importe. Ele era uma pessoa estranha da qual o coração pulava em excitação no mínimo citar da palavra músculo.

    Ele estufou o peito. "Mm, exatamente. Eu sou um homem musculoso."

    Aparentemente seu crânio ainda está repleto de músculo, também.

    "É bom ver vocês dois novamente também." Eu também me curvei para os dois homens de pé em ambos os lados do Homem-Músculo.

    "Bom te ver."

    "É, olá novamente."

    Parece que ambos ganharam mais massa muscular. Eles tentaram me enganar, mas vendo suas formas musculosas, eu senti um pouco de pena deles.

    "Irmão, sua pele parece um pouco bronzeada."

    "Eu posso dizer o mesmo de você."

    "Ha-ha-ha."

    "Ha-ha-ha."

    Eh, tô fora.

    Eles pareciam estar vivendo uma vida de exercícios. Eu ignorei os dois enquanto começavam a mergulhar em conversas triviais e calmamente expliquei os detalhes da situação para o Homem-Músculo.

    O Homem-Músculo estava enraivecido. "Oh-ho, então esse gordo fedido aí é o culpado, não é? Hein?"

    "Ne-nem pensar! E-Eu não fiz nada! Eu venci de maneira justa!"

    "Não minta." Homem-Músculo agarrou ele pela gola.

    "Reee!" Senhor Porquinho soltou um grunhido que mais parecia um guincho. "E-Eu não estou mentindo!"

    "Bem, suponho que terei que questioná-lo até que eu acredite na sua história, então."

    "Pa-pare com isso! Vocês estão sendo injustos! Vocês acham que um cara feio como eu não pode ter uma namorada, e vocês estão rindo de mim nas suas mentes! Mas eu me esforcei muito, e eu venci! Essa é a verdade! Por que vocês não podem acreditar em mim?!" Gotículas de saliva voaram da sua boca enquanto ele falava.

    Aquilo pareceu irritar o Homem-Músculo ainda mais, e acredite em mim, eu percebi.

    Nesse ritmo, o covarde Senhor Porquinho estava pedindo por uma execução em praça pública.

    Bom, por mim tudo bem.

    "....Mm." Eu estava assistindo distraidamente o Homem-Músculo içar o Senhor Porquinho no ar quando ouvi uma voz atrás de mim. Talvez seja porque o cara repulsivo estava fazendo escândalo, ou talvez era por ela ter finalmente dormido o bastante, mas a garota abriu os olhos no momento perfeito.

    "...Vocês são muito barulhentos." Ajeitando seus cabelos pretos levemente bagunçados, ela preguiçosamente se levantou, observou seus arredores e então perguntou: "Oh, alguém venceu?"

    Houve um pequeno silêncio quando ninguém respondeu. Eventualmente, eu contei para ela sobre os resultados. "Ah sim, Gordinho venceu."

    A resposta da garota foi simples. Após encarar os céus por um momento, ela respondeu com leveza, "Oh, okay. Eu não irei sair com ele, no entanto." Franca, e impiedosa.

    Todos congelaram. Gordinho parou e ficou imóvel como um peixe morto; Senhor Perfeito ficou todo envergonhado; os dois irmãos estavam, como sempre, tendo uma vívida discussão sobre exercícios; e só um dos homens respondeu ela.

    Foi o Homem-Músculo.

    "O que você está fazendo aqui?"

    ...Huh?

    "Oh, irmão. O que te trás aqui?"

    ...Irmão?

    "Você não tinha sido sequestrada por um grupo de homens musculosos?"

    "Ah, aqueles eram meus namorados. Eu estava namorando todos eles ao mesmo tempo."

    O que você quer dizer com namorados? Plural?

    "Entendo. E agora?"

    "Eu estava procurando por um novo namorado."

    "Conseguiu encontrar um?"

    "Sem chance. Todos os homens tem músculos tão fracos," ela disse, olhando para o Senhor Perfeito.

    Eu bati de leve no ombro do Senhor Perfeito. Seu rosto havia perdido toda a cor, e ele ainda estava chorando.

    "Err, essa é a irmã mais nova que você falou sobre?" Eu perguntei, só para ter certeza.

    Homem-Músculo confirmou. "Uhum, essa é ela."

    "....."

    O que diabos?


    Parte 5


    Tendo finalmente achado sua irmã mais nova, Homem-Músculo voltou para sua cidade natal com sua irmã e o novo namorado dela, onde todos viveram felizes para sempre.

    Huh? Quem era o novo namorado dela, você pergunta? Oras, era o Senhor Perfeito.

    "Po-por favor, espere! Eu estive trabalhando duro para ganhar a aprovação do seu irmão, você não pode deixar eu ir com você?" Limpando as lágrimas enquanto dava um passo adiante, sua figura galante era uma visão a se apreciar. Não importa o que ele fazia, era uma imagem perfeita.

    Os irmãos músculo olharam um para o outro.

    "Hmm, então você quer construir seus músculos. Entendo." Homem-Músculo balançou a cabeça ao entender, então bocejou desinteressado e deixou sua irmã tomar a decisão final.

    O que raios ele vê nessa garota? Bem, dizem que o amor é cego, então tenho certeza que ele eventualmente irá abrir os olhos e seu coração irá esfriar. Embora até isso acontecer, ele provavelmente estará completamente amarrado por músculos.

    Eu acenei enquanto os três caminhavam para o horizonte, então ouvi um gemido estranho atrás de mim. Oh, eu esqueci desse outro cara.

    Quando eu me virei, Senhor Porquinho estava rolando de forma esquisita no chão.

    Não sinto a menor vontade de consolá-lo, então só vou deixar ele pra lá.

    "Ei, irmão, o que você acha daquele porco?"

    "Sem músculos o bastante, ei--ah, ei, espere um minuto. Nosso mestre dos músculos não está aqui."

    "Você está certo. Ele não está aqui, está?"

    "Não me diga que ele nos deixou aqui?"

    "O que faremos?"

    "Ahhh!"

    Os dois irmãos mágicos finalmente terminaram sua discussão sobre exercícios. Eles olharam ao redor confusos com o que havia acontecido, e então eu generosamente expliquei para eles. Blá, blá, blá.

    "O que?! Nesse caso, nosso mestre dos músculos já completou sua jornada."

    "O que isso significa para nós? Essa é realmente uma situação grave."

    "Bem, é assim que as coisas são," eu disse. "De forma milagrosa, ele alcançou seu grande objetivo." Estou certa de que aqueles três irão voltar para sua terra natal e viver uma vida cercada de músculos. Mas isso não é da minha conta, não é mesmo?

    "Agora que vocês foram libertados da tutela do Homem-Músculo, vocês dois pretendem voltar aos tours como mágicos?"

    Os dois pareciam confusos com a minha sugestão.

    "Mágicos?"

    "Mágicos?"

    Não me diga que... "Quando eu conheci vocês dois, vocês eram mágicos, não eram? Vocês esqueceram tudo sobre como vocês costumavam enganar as pessoas para pegar o dinheiro delas?"

    "...Ah."

    "...Ah."

    "Realmente... Nós éramos mágicos..."

    "Gah... Eu havia esquecido porque nossas vidas giravam em torno de fazer exercícios há muito tempo..."

    Músculos são uma força a ser reconhecida. Bem, os dois passaram por muita coisa.

    Eles se lembraram quem eles costumavam ser, e o trio seguiu em frente como uma trupe de ilusionistas viajantes. E então todos viveram felizes para sempre.

    ......

    Certo. Como você deve ter imaginado, o terceiro homem era o Senhor Porquinho.

    "Ei você, por que não vem conosco?"

    "É, você está na mesma onda que nós. Você definitivamente irá ser um bom mágico."

    Ambos colocaram uma mão nos ombros arriados do Senhor Porquinho e fizeram a sugestão bem gentilmente. Da sua parte, Senhor Porquinho só grunhiu, coberto de catarro e sem uma ideia sequer sobre o que estava acontecendo. Que desagradável.

    Mas os dois irmãos pareciam entender.

    "Ah, está tudo bem. Não se preocupe. Nós iremos te ensinar tudo que você precisa saber."

    "No momento em que bati o olho em você, eu tive certeza que você tinha um talento natural. Venha conosco."

    Finalmente, Senhor Porquinho balançou a cabeça positivamente.

    E então, o trio de mágicos começou a sua jornada. Chamando a si mesmo de Irmãos e o Barril para evitar o problema de combinar os seus nomes, esses homens em breve construiriam uma guilda de circos que iria circular todo o globo.

    Ou talvez não. Eu nem sei o que aconteceu com eles.

    Afinal, essa história não faz parte da minha.

  • Majo no Tabitabi #01 - O início da jornada!

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    Começou, amigos! E começou bem! Majo no Tabitabi estreia sua adaptação em anime com propriedade e personalidade. Não diria necessariamente que foi uma estreia perfeita, mas foi uma estreia que me deixou muito mais otimista pelo que essa adaptação se tornará nas próximas semanas.

    Antes de mais nada, o primeiro episódio do anime adaptou os capítulos 9 e 13 do volume 1 da novel, que contam o passado da protagonista, Elaina. Dessa forma, ao invés de já de cara conhecer a Elaina do jeito que ela é, optaram por introduzir a personagem mais casualmente, contando suas origens e o que levou ela a começar suas viagens. Narrativamente falando, as duas formas funcionam bem, então embora eu prefira a maneira de contar história que a novel usou, não me desagradou o caminho que o anime tomou. Muito pelo contrário, talvez tenha sido até uma sacada esperta, dependendo dos capítulos que eles irão adaptar. Há uma série de coisas nesse primeiro episódio que serão informações muito úteis para entender a personagem (Tanto que ela já até passa por um processo de desenvolvimento de personagem), certos eventos ou até como o universo da obra funciona. Mas, acima de tudo, e isso eu vou comentar melhor mais para frente, todo o trabalho audiovisual do episódio foi crucial para tornar essa estreia um episódio muito bom. Expressivo, criativo, bem ambientado, enfim, muito bem trabalhado.



    Uma das coisas que mais me encantaram no episódio foram detalhes que provavelmente muitos não perceberão, ou até mesmo não irão se importar muito, mas que talvez seja um sinal de um comprometimento da staff com a obra que fará total diferença no resultado final do anime. Eu me refiro a criatividade de trabalhar em cima das ideias por trás do universo da obra usando as vantagens que só uma animação poderia oferecer. Então são coisas que não necessariamente são descritas nos livros, mas mesmo assim a staff se deu a liberdade de explorar os conceitos básicos de um mundo mágico. 

    Por exemplo, quando a Elaina desce da vassoura, ela a faz desaparecer, com o perdão do trocadilho, num passe de mágica. Ou então a forma com que a culinária é feita em caldeirões, a própria estética das construções, geralmente envolvendo muito a natureza ao redor, a casa da Fran desaparecendo instantaneamente e por aí vai. São detalhes que dão mais vida visual para a magia da obra, que talvez seja um indício que estão tentando dar o máximo de personalidade possível para o universo de Majo no Tabitabi. Isso é algo muito satisfatório de se ver, como um fã das novels, por mais que essa liberdade criativa resulte em uma cena de fanservice questionável. Somado com os lindos cenários que esse episódio apresentou, essas são características que dão valor ao desejo da Elaina de viajar o mundo, para conhecer os mais criativos e exóticos lugares que há por lá.



    E falando em cenários, a produção desse episódio estava muito boa. E isso vai desde os cenários, até a direção de arte, design, fotografia e, em algumas partes do episódio, a própria animação em si. Tudo isso, junto da trilha sonora eficaz, amplificou a ambientação, que por sua vez tornou o episódio mais imersivo e as cenas mais convincentes. Por exemplo, durante o treinamento da Elaina com a Fran, a música que antes era mais relaxante, repentinamente muda para uma mais incômoda e você sente a rápida mudança de humor que a sequência de cenas está propondo, a ambientação te ajuda a sentir a frustração que vai se acumulando na protagonista, muito embora ela tente não demonstrar isso. Mais tardar, recebemos uma surpreendente cena de ação seguida de uma cena mais dramática, ambas muito precisas na sua execução. 

    Quando eu paro para pensar agora, só nesse episódio passamos por momentos cômicos, slice of life, melancólicos, de ação e de drama, sem realmente ser ruim em nenhum deles. Essa precisão vai ser muito importante se quiserem adaptar as mais variadas histórias contadas na novel. Ao menos, a variedade de cenários bonitos que nós temos dá uma boa expectativa de que os diversos lugares que serão visitados nessa temporada estarão todos muito bem trabalhados.



    Por fim, só tenho a dizer que foi uma estreia muito boa e bem adaptada. Não sei quanto tempo faz desde a última vez que vi um episódio que adapta bem uma parte de alguma novel que eu goste...3~4 anos, talvez? Talvez até mais, se eu não estiver esquecendo nada. Mas estava tudo ali, uma boa introdução da Elaina, que já passa por um desenvolvimento envolvendo toda a questão de amadurecer e ser menos arrogante, tal como a origem do seu grande desejo, sua mestra e uma excelente demonstração visual do que a magia, as bruxas, são capazes de alcançar nesse mundo.

    Definitivamente é um começo com o pé direito, agora fico na torcida para que o anime mantenha o nível até o final e que se torne um ótimo anime que consegue se sustentar com as próprias pernas. Estou feliz como fã da novel, mas também feliz por poder dizer que, por enquanto, é um anime que teria meus elogios mesmo que eu desconhecesse a obra original. Saraba Da!




  • Majo no Tabitabi - Como o anime pode vir a ser bom?

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    No momento em que escrevo isto, falta apenas um dia para a estreia do anime de Majo no Tabitabi, adaptação de uma light novel de mesmo nome, que também é uma das minhas favoritas. Já é de praxe da minha parte refletir sobre como hipotéticas adaptações das minhas obras favoritas podem vir a serem boas, como é o caso aqui, e eu achei interessante a ideia de compartilhar minha visão de como fazer uma boa adaptação dos prováveis 3 primeiros livros de Majo no Tabitabi nesses prováveis 12 episódios que o anime terá.


    Quem já me conhece bem sabe que não tenho lá uma opinião muito favorável às adaptações de light novels em anime, acho que quase sempre ou é muito corrido ou muito mal feito. Porém, a narrativa de Majo no Tabitabi oferece uma oportunidade de ouro para fazerem uma adaptação atraente para todo mundo que curte esse tipo de storytelling. Me refiro ao estilo episódico que a novel tem, onde cada capítulo conta uma história, que geralmente não tem ligação umas com as outras, salvo exceções. O modelo episódico facilita muito para a staff, que pode simplesmente adaptar um capítulo por episódio e já terá meio caminho andado para obter sucesso nesse trabalho. A grande questão é que, com a revelação da participação de uma certa personagem no anime, dá-se a entender que, como eu disse antes, eles irão provavelmente ir até o volume 3. O final do volume 3 é ideal para fechar a adaptação em anime, então, de certa forma, é compreensível essa escolha. Acredito que a coisa mais inteligente que a staff poderia fazer é escolher quais histórias adaptar, separar 11 capítulos entre os 3 livros (O último seria o capítulo final do volume 3) e colocá-los no anime. Imagino nessa ideia a melhor forma que o anime pode ter sob essas circunstâncias. Tentar adaptar tudo seria um gigantesco tiro no pé, e tentar alterar a narrativa da obra para fazer algo mais linear seria um tiro no peito. Torço demais para que essas duas alternativas nem existam na mente dos envolvidos no projeto.


    Outra questão que provavelmente será tão pesada quanto a que mencionei acima é como a ideia de Majo no Tabitabi é executada. Para quem desconhece a obra, Majo no Tabitabi é uma coleção de histórias, contos sobre lugares, pessoas e, às vezes, até objetos. Cada capítulo conta uma história diferente, sem realmente seguir uma grande ideia por trás, como geralmente é feito relacionando as tramas ao personagem principal e/ou o leitor em si, casos esses de Violet Evergarden ou Kino no Tabi, por exemplo. Esse modelo já é bem conhecido para qualquer um familiarizado com literatura, mas Majo no Tabitabi o executa de uma maneira peculiar: As histórias não seguem um tom pré-determinado, você pode e vai ir de uma comédia para um drama de um capítulo para o outro. Isso é algo que faz a novel ser especial para mim, pois assim como a vida real, experienciar uma situação cômica e uma situação trágica é muito fácil quando você está viajando. Se você for de uma cidade grande para uma favela, poderá observar dois universos completamente distintos. Chamo atenção para esse ponto pois será necessário um capricho extra na direção, porque vai precisar de alguém eficaz na comédia, mas também vai precisar de alguém eficaz no drama, no sombrio, no relaxante e etc. Isso acaba se tornando uma missão bem complicada, principalmente porque certos capítulos são absolutamente pontuais na sua execução, onde um deslize é o bastante para tirar todo o impacto deles. Espero muito que dê tudo certo, apesar dos pesares.


    Por fim, temos a protagonista, Elaina. A Elaina é uma personagem incrível, sobretudo para um estilo narrativo como o de Majo no Tabitabi. A presença dela faz total diferença no funcionamento das histórias, devido a sua personalidade, suas convicções e seus monólogos, três aspectos que podem ser mal executados na adaptação muito pelo fato dela não ser uma personagem de valores morais inquestionáveis. Tornar ela mais "comum" no anime para agradar um público mais amplo pode ser uma opção para a staff, mas seria um erro terrível. Além do mais, é sabido que não costumam se dar ao trabalho de pensar em uma forma de incluir os monólogos, que costumam ser importantes, dos protagonistas de light novels nas adaptações em anime, quase sempre optam por cortar. Espero que não seja o caso com Majo no Tabitabi. ainda mais por eu acreditar que será mais viável inclui-los em uma obra nesse estilo, em comparação à outras. 


    No mais, até tenho boas expectativas de que o anime dê certo, tanto que estava com toda essa reflexão na cabeça e achei válido transformá-la em um texto para postar aqui no blog, após ficar 2 meses sem PC. Voltei a tempo para me preparar e, independente do que vá acontecer nos prováveis próximos 3 meses, tenho sempre em mente que a novel é a novel e o anime é o anime, então já vou de mente aberta querendo gostar do que virá dessa adaptação, e fica a torcida para que venha um bom anime. Saraba Da!


    OBS: Devido aos imprevistos, não pude finalizar o volume 1 antes do anime estrear, mas caso queira dar uma olhada na primeira metade do primeiro livro, você pode encontrá-la traduzida aqui!


  • Majo no Tabitabi - Antes da Competição Começar (Volume 1: Capítulo 7)

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    Capítulo 7 - Antes da Competição Começar


    Parte 1

    De manhã cedo, eu cheguei em um certo país. Era um país que eu encontrei por um acaso, enquanto voava na vassoura, então eu não tinha a menor ideia sobre que tipo de país era.

    Era desnecessário para uma vila tão pequena que não tinha nem portão, mas normalmente quando você entra em um país que tem posse da terra, quase sempre há uma inspeção feita pelos guardas do portão.

    Dito isso, exceto em casos especiais, eles apenas perguntam questões gerais básicas.

    "Quem é você?"

    "Elaina."

    "País de origem?"

    "É conhecido como o pacífico país de Robetta."

    "Razões para entrar?"

    "Turismo."

    "Duração da estadia?"

    "Provavelmente em torno de três dias."

    Normalmente, as questões acabariam aí, se fosse um país que exigisse pedágio, você pagaria o dinheiro e o guarda do portão saíria do caminho dizendo "Nesse caso, por favor, fique à vontade."

    "Para o café da manhã, você está na facção do pão? Ou na facção do arroz?"

    Parecia que o questionamento ainda estava em progresso. E era uma questão bem vaga.

    "...Oi?" Eu franzi a testa e peguntei novamente.

    O guarda do portão respondeu sem mudar sua expressão nem um pouco, "De novo, para o café da manhã, você está na facção do pão? Ou na facção do arroz? É uma informação necessária quando se entra no país, então por favor, responda honestamente."

    Existem competições de comida acontecendo nesse país?

    Mas, se é uma necessidade, responderei honestamente. Embora eu ache que é uma pergunta um pouco imprópria para os procedimentos formais padrões.

    "Eu não estou em nenhuma das facções. Eu sou uma viajante, logo, eu mudo a facção para estar de acordo com a cultura do país."

    Eu não consigo comer nada além de pão! -- Você não pode falar isso em um país com uma cultura voltada para o arroz, certo? O mesmo vale para o inverso. Então, eu decidi manter uma postura neutra.

    "Entendo... Isso é incomum," O guarda do portão alisou o queixo e disse.

    "Hmm, entendido. Então, vamos colocar em ambas as facções como sua decisão."

    Após isso, o guarda do portão saiu do caminho e disse:

    "Fique à vontade, Bruxa-sama."

    Eu me curvei para o guarda e passei pelo portão.


    Parte 2

    Eu imediatamente entendi a razão daquela pergunta estranha.

    Pelo que parece esse era um país onde duas culturas estavam misturadas.

    Havia um canal gigante perto do portão de entrada. E aos lados desse canal, haviam casas orientais alinhadas no lado esquerdo do canal e ocidentais alinhadas no lado direito.

    Mais ainda, havia duas ruas diante do portão. Na direita, "Distrito Oriental: Pessoas da facção do arroz, por aqui!" e no lado oposto, "Distrito Ocidental: Pessoas da facção do pão, por aqui!" estava escrito.

    Parece que o país está dividido entre as facções do arroz e do pão internamente.

    "...Hmm."

    Eu hesitei. Eu realmente não tenho preferências.

    Mas, pensando sobre isso, não seria essa a primeira vez caminhando em uma paisagem urbana oriental? É sempre no estilo ocidental.

    Então, eu decidi.

    Eu me virei para a direita.

    A rua ali era composta de pedras retangulares bem organizadas. Olhando de perto, havia casas de madeira formais alinhadas em uma fileira. O Palácio Real era visível mais à frente. Parecia estar bem no centro do canal, então eu presumi que era o centro do país dividido.

    A rua levando ao Palácio Real tinha uma ponte construída mais ou menos no meio do caminho. A ponte nova parecia deslocada comparada com a paisagem urbana histórica. Abaixo do arco da ponte, era possível ver o reflexo de um pequeno barco passando por ali.

    "...?"

    Eu acabei ficando confusa graças a estranha aparência da pessoa em cima da ponte.

    Era um garoto comendo café da manhã enquanto sentado no corrimão. Era óbvio que ele era uma pessoa do distrito oriental pelo fato dele estar vestindo um quimono, mas não importa como você olhava para aquilo, o que ele tinha na boca era pão. Uma pessoa da facção do arroz estava comendo pão.

    Próximo a ele, estava a figura de uma mulher que estava esfomeadamente estufando suas bochechas com um onigiri. Parecia que ela era da facção do arroz. Apesar de vestir um vestido.

    Eu fiquei curiosa. De alguma forma, era uma visão bem incomum.

    "Um, com licença."

    Eu chamei os dois.

    Os dois trocaram olhares, então o garoto me respondeu "Tem algo de errado?" Pão nas suas mãos. Mas vestindo um quimono. Como esperado, é estranho.

    Eu perguntei após me apresentar brevemente, "Que tipo de país esse?"

    "Que tipo de país, você pergunta...hmm." após cruzar os braços, ele perguntou para a mulher ao seu lado, "Ei, que tipo de país é esse?"

    "É um país amável, não?"

    "É, realmente. É um país amável. Sim, Viajante-san, é um país amável."

    O que eu quero saber não é isso, mas sim...

    "A paisagem urbana é amável, mas você é amável também."

    "Ah, para, você é ainda mais amável."

    "Ufufu."

    "Ahaha."

    ...

    Parece que eu sou só um incômodo aqui. Melhor eu sair de uma vez.

    Sim, eu senti que não conseguiria nenhuma informação útil deles, não é como se eu quisesse terminar isso rapidamente ou coisa do tipo, sabe? Não, sério.

    De qualquer forma, eu rapidamente os agradeci e saí.

    Eu caminhei pelos distritos leste e oeste, enquanto falava com as pessoas para obter as informações que eu procurava.

    No entanto, quanto mais em caminhava por aí, mais estranha eu me sentia. Eu não percebi mais cedo de manhã já que havia poucas pessoas nas ruas, mas uma vez que o número de pessoas subiu próximo ao meio-dia, começou a ficar difícil diferenciar os dois distritos, já que as pessoas se misturavam livremente entre leste e oeste usando a ponte.

    O que era mais estranho, era que os feirantes cuja as barracas tinham letreiros dizendo "Nós não vendemos para pessoas da facção do arroz", apesar disso, estavam passando as mercadorias para pessoas vestidas em quimonos.

    Não era só as barracas. Parecia ter algum regulamento oficial em rigor, já que todas as lojas, independente se eram lojas de utensílios ou sacolões, tinham tabuletas dizendo que clientes do lado oposto não seriam servidos.

    Mas não havia uma única pessoa se importando com isso. Era como se as tabuletas fossem insignificantes.

    Após eu voltar do lado ocidental para o lado oriental, eu passei debaixo do letreiro da vendedora de bolinhos de massa.

    "Bem-vinda. O que você gostaria de comer?"

    Enquanto sentei na cadeira, a Onee-san vestindo roupas japonesas se inclinou na minha frente. De cara para o letreiro de "Nós não vendemos para as pessoas da facção do pão" que estava lá fora,

    "Eu estou na facção do pão."

    Eu disse.

    "Que tipo de piada é essa?"

    Após cobrir sua boca com uma mão, a Onee-san começou a soltar risadinhas. Era um gesto refinado.

    "O que você quer dizer com piada?"

    Me encarando com olhos afiados, a Onee-san disse, "Não tem ninguém que se importe com esses decorativos, tem?"

    Certamente, se você olhar a situação nas ruas, eu posso dizer com certeza que não há ninguém que ligue para os letreiros. Mas se é esse o caso, então qual é o propósito dos letreiros?

    "Então, o que você vai pedir?"

    "Ah, três mitarashi dango, por favor."

    "É para já!"


    Parte 3

    Ainda me sentindo inquieta, eu cacei uma pousada no lado Ocidental da cidade.

    Existem alojamentos no lado Oriental também, mas eu não posso ficar do lado de lá. Não consigo dormir a não ser que eu esteja em uma cama decente. Ou talvez eu só tenha mais dificuldade em me adaptar a quartos de estilo Oriental. Certamente não sou a maior fã de andar descalça em tapetes de palha.

    Eu andei para lá e para cá pela cidade, então entrei na pousada que parecia mais barata. Ela tinha uma letreiro frontal que dizia 'Nós recusamos hospedar membros da facção do arroz.'

    Bem, vamos apenas ignorar isso.

    "Noite." Quando eu entrei, o estalajadeiro aparentemente indiferente estava descansando seu queixo nas suas mãos acima do balcão.

    "Quarto para uma noite, por favor," eu disse, pegando uma moeda de prata.

    "Agradecido. Vá em frente e preencha o formulário."

    "Claro."

    Já estava acostumada com esses formulários. Eu terminei de preenchê-lo com uma série de rápidos golpes de caneta. Enquanto eu entregava o formulário preenchido para o estalajadeiro, eu o perguntei, "Se não se importar, poderia me contar um pouco sobre esse lugar?"

    "... Nunca te vi por aqui antes, senhorita. Viajante, você?"

    "Sim. E essas terras são tão estranhas que eu mal consigo processar direito o que vejo."

    O estalajadeiro ficou quieto por um momento, então disse, "Quê cê quer saber?"

    Oh, ele sacou. Como o esperado de uma pessoa que constantemente faz negócios com viajantes.

    "Certo, me diga o motivo para a Cidade do Ocidente e a Cidade do Oriente serem tão diferentes uma da outra."

    O estalajadeiro finalmente me deu as informações que eu tanto cravava.

    "Antigamente, essa terra era composta por dois países vizinhos separados pelo canal. O país do lado oriental herdou uma cultura Oriental, enquanto que o país do lado ocidental herdou a Ocidental. Cada país tinha seu próprio rei. Os dois reis se davam bem, e havia uma ótima relação entre os países---Bem, não era tão diferente em comparação aos dias de hoje."

    "Mm-hmm." Bem simples.

    "Um dia, os dois reis começaram a trocar ideia. Eles disseram, "Por que não transformamos os dois países em um só?" Ninguém tinha nada contra isso já que ambos o Ocidente e o Oriente queriam a mesma coisa. Na real, parecia até que essa decisão havia demorado para acontecer."

    "Foi aí que as pontes entre as duas cidades foram construídas?"

    O estalajadeiro balançou a cabeça. "Pois é. Os reis construíram elas para comemorar a junção."

    "Entendo." Deve ser por isso que elas são tão novas e destoantes.

    "Um pouco depois, os dois reis ambos tiveram seus filhos. O rei do lado Ocidental teve uma filha, e o rei do lado Oriental teve um filho. As crianças se davam bem igual seus pais, e eventualmente se casaram. Eles imediatamente construíram um palácio no canal---exatamente no meio do país unido---e começaram a viver lá. Agora os dois se tornaram um símbolo do nosso país. E isso é tudo que eu sei," o estalajadeiro disse, colocando a chave para o meu quarto no balcão.

    Eu a peguei e disse, "Muito obrigada. A propósito, senhor, posso te perguntar mais uma coisa?"

    "O que é?"

    Eu o contei sobre a estranha pergunta que me foi feita quando eu entrei no país, e sobre as tabuletas estranhas no portão e na frente das lojas, também sobre o casal que eu encontrei na ponte. "A princípio, pensei que o país estivesse dividido internamente, mas olhando ao meu redor, me parece que as pessoas não dão a mínima para as tabuletas. Eles cruzam as pontes e se misturam sem problemas. Então qual é o propósito de ter essas tabuletas, no fim das contas?"

    O estalajadeiro ouviu em silêncio enquanto eu falava e balançou a cabeça quando eu terminei. "Mm. As tabuletas são um preparativo para a grande disputa."

    Ele falou com tanta tranquilidade que eu me perguntei se eu havia ouvido errado. "Grande disputa? O que céus isso deveria significar?"

    "Ouvi dizer que querem unificar o país sob ou a cultura Ocidental, ou a Oriental. Bem, é por isso que os guardas do portão estão perguntando coisas estranhas de qualquer forma, tal como é a razão para as tabuletas."

    Talvez após o país ter sido fusionado sob os bons presságios dos reis da geração anterior, há agora um movimento para dividi-los novamente. 

    Mas por quê?

    "Aqueles dois não sabem o significado da palavra acordo," o estalajadeiro disse com uma risada.

    Por sinal, ele me cobrou uma "taxa de informação" após o fato.


    Parte 4

    Após passar vários dias aqui, eu comecei a me preparar para partir novamente. Essa mistura de culturas Ocidentais e Orientais era até bem fascinante, é claro, mas se me permite ser sincera, era a única coisa que tinha de interessante.

    Sentia que já havia visto o suficiente.

    Terminantemente, eu estava indo embora sem entender uma parte essencial desse lugar, mas fazer o quê...né? Não me importava o suficiente para realmente buscar à fundo por respostas. Embora eu estaria disposta a escutar caso alguém se prestasse a explicar o porque das tabuletas estarem postas.

    Bom, não tem problema. Tentando convencer a mim mesma de que eu não ligava, eu atravessei o portão---

    "Ah, espere um minuto por favor, senhorita Bruxa."

    ---E fui parada. O guarda estendia sua lança na sua frente, bloqueando meu caminho.

    "... Um, o que foi?" Tenho certeza de que eu parecia bem confusa.

    "Se for possível, você não nos daria um pouco mais do seu tempo?"

    "...? Por que eu faria isso?"

    Dependendo do tempo, da situação e do motivo, eu não era contra ouvir o que ele tinha a dizer. Se for algo bobo, eu irei dizer não e sair, entretanto.

    "Você foi convocada pelo lorde e pela dama."

    ".......Quê?"

    Pelo visto o motivo não era algo bobo, no fim das contas.


    Nós prosseguimos por todo o caminho até o canal, onde me mostraram o castelo que observava ambas as culturas. Eles me encaminharam através do estonteante interior da fortaleza, uma mistura de estilos Orientais e Ocidentais, e finalmente nós chegamos até um gigantesco salão de recepção.

    O salão parecia como se um quarto de estilo Ocidental e um quarto de estilo Oriental tivessem sido cortados ao meio, e a metade de cada um deles tivesse sido coladas uma na outra.

    Isso não combina nem um pouco...

    Eu ouvi alguém fechando a porta atrás de mim enquanto andava pelo local, e eu podia ver dois tronos um pouco mais adiante. O homem e a mulher sentados lá pareciam estar no meio de uma discussão. Eles não pareciam notar minha presença.

    "Estou lhe dizendo, a disputa tem que ser uma partida de shogi! Não há alternativa melhor!"

    "Só diz isso porque você é melhor no shogi! Quantas vezes eu tenho que dizer que nós temos que jogar xadrez!"

    "E quantas vezes eu tenho que te dizer, você é melhor no xadrez!"

    "Grrr..."

    "Rrrr..."

    A atmosfera volátil dava a sensação de que uma erupção de violência poderia ocorrer a qualquer minuto ao que os dois se encaravam dos seus respectivos tronos.

    Eu limpei a minha garganta para deixá-los saber que eu estava ali. Não era a coisa mais educada a se fazer na presença da realeza, mas isso foi efetivo em fazê-los notarem minha presença.

    "Huh? Você deve ser..."

    "A viajante, não é? Ora, ora..."

    Eu me curvei. "Me foi contado que Vossas Altezas tinham algo a tratar comigo, então eu vim assim que fui chamada. Como posso ser de útil?"

    "Mm. A verdade é---"

    O rei abriu a boca para falar, mas a rainha o interrompeu.

    "Eu vou contar para a bruxa, então você pode parar por aí."

    "Como é---? Eu vou explicar..."

    "Não, eu vou."

    Alguém poderia simplesmente se apressar e me dizer logo o que está acontecendo? Não me importo com quem seja... Olá...?

    Eventualmente, após argumentarem em círculos, o rei tomou as rédeas e me contou tudo.

    "O fato é: Essa terra está nas vésperas de uma guerra. Como pode ver, essa mulher e eu não nos damos bem. Nós concordamos em resolver as coisas com uma competição, mas agora nós não conseguimos decidir o que essa competição deveria ser. Ouvi dizer que você é neutra, não associada com nenhuma das duas facções, então nós queremos que você decida como devemos proceder."

    "... Vocês não conseguem decidir qual será a competição?" Não, antes disso... "Primeiro de tudo, poderia me dizer porque vocês querem fazer essa competição, para começar?"

    O rei levantou sua voz, "Porque ela insultou as pessoas do lado Ocidental! Ela disse, 'Pessoas que não comem arroz no café da manhã não são humanas'!"

    Imediatamente, a rainha interrompeu ele com uma objeção. "Não, foi porque você disse, 'Pessoas que não comem pão no café da manhã são inferiores a cachorros'!"

    "Ok, chega. Fiquem quietos vocês dois por um momento, por favor."

    "....." "....."

    Isso estava ficando exasperante, então eu calei ele e tomei controle da situação eu mesma. Eu retomei o diálogo com o rei.

    "Sua Alteza, quando entrei nesse país, a primeira coisa que eu vi foi uma estranha tabuleta. Era um letreiro desconcertante, cujo propósito era dividir a facção do arroz e a facção do pão, mas conte-me---exatamente para qual propósito isso serve?"

    "Facilita para ver em qual lado há mais pessoas."

    "Nós colocamos eles lá para descobrirmos qual deles era o mais influente."

    Por que a rainha está respondendo também...? Bem, tanto faz. Chamar a atenção dela sobre isso seria trabalhoso demais.

    "E qual foi o resultado?" Eu perguntei.

    O rei respondeu, "Tem mais pessoas do lado Ocidental."

    "Tem mais pessoas de influência no lado Oriental," a rainha adicionou.

    "É por isso que eu disse que nós devíamos decidir baseado no maior número de pessoas."

    "Não. Nós deveríamos decidir o vencedor baseado no poder financeiro. Obviamente."

    "Você não entende nada, nunca entendeu."

    "Posso dizer o mesmo de ti."

    "....."

    "....."

    Enquanto os dois encaravam um ao outro novamente, eu subitamente lembrei de algo. Sobre o que eles estavam gritando assim que eu entrei no salão de recepção? Era xadrez e shogi, não era?

    Se o argumento é sobre decidir através de uma regra de maioria ou através de poder financeiro, então por que eles estavam falando sobre jogos de tabuleiro?

    Sem sequer esperar pela minha resposta, os dois obstinadamente retomaram sua discussão. "Então nós não podemos decidir, afinal. Nesse caso, eu quero escolher o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método para determinar o método de realizar a partida com um jogo de xadrez."

    "Não. Shogi."

    "....."

    "Você não entende. Se nós jogarmos shogi, você terá a vantagem por ser melhor nisso!"

    "Você não entende, você sempre ganha no xadrez!"

    "...."

    Sinto como se eu tivesse acabado de dar uma espiada por trás das cortinas. Só para ter certeza, eu perguntei para o rei e para a rainha, "A propósito, quando essa discussão começou?"

    Ambos se viraram para mim e responderam simultaneamente, "Dois anos atrás."

    "Ah, entendo. Pois bem, acho que vocês deveriam desistir, porque vocês nunca irão resolver isso," eu disse, e deixei o palácio. Os dois continuaram gritando e não fizeram nenhuma tentativa de me impedir.


    Parte 5

    Agora eu entendi o motivo dos moradores de ambas as cidades ignorarem completamente as tabuletas. Já fazem dois anos desde que o rei e a rainha disseram que iriam realizar uma competição e unificar o país sob uma cultura ou a outra. O tempo passou sem nada realmente acontecer, e provavelmente nenhum dos cidadãos se importava sobre um monte de tabuleta colocadas lá em prol de uma desavença.

    Os letreiros já se tornaram nada mais do que meras decorações.

    Olhando por outro ângulo, era um sinal de que a autoridade da coroa havia se tornado obsoleta. Atualmente, ninguém em todo esse país dava a mínima para o que a realeza dizia.

    "Ah, senhorita Bruxa. O que achou do nosso país?"

    O guarda veio me cumprimentar quando eu voltei do palácio para o portão. Eu passei por ele, e só me virei quando havia colocado meus pés no mundo exterior.

    Olhando para a curiosa colisão de culturas, eu disse, "É um bom e pacífico lugar." Embora eu não possa prever o futuro dele.

    Talvez o rei e a rainha irão perceber que eles estiveram perdendo o tempo deles e irão voltar a atenção deles em governar. Talvez eles irão continuar estendendo isso, e todo o lugar irá ficar mais e mais estranho. Ou talvez tudo irá continuar como está.

    Independente do que acabar acontecendo, não é da minha conta.

    "Sim, sim, é um lugar bacana, não é?"

    O guarda do portão concordou com satisfação.
  • Majo no Tabitabi - Felicidade Em Um Jarro (Volume 1: Capítulo 6)

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    Capítulo 6 - Felicidade Em Um Jarro

    Parte 1
    Planícies calmas. O vento soprava ao longo das pastagens que pareciam pintadas em uma fraca cor verde. As flores brilhavam ao receber os raios solares, e balançavam com o vento tal como a superfície da água.

    Olhando para cima, uma nuvem tão pequena que parecia que poderia ser tocada com a mão estava casualmente nadando através dos céus.

    Junto com tal cenário de prender a respiração, uma Bruxa voava em cima de uma vassoura.

    Sua idade era próxima a duas dezenas. Ela estava vestida em um manto preto e um chapéu de três pontas preto, em seu peito havia um broche em formato de estrela. Não há necessidade de dizer quem era ela, certo? ---Isso mesmo, sou eu.

    Enquanto eu estava aproveitando o cenário agradável com uma visão que parecia limpar meu coração, eu vi a figura de uma pessoa de pé, sozinha no meio das pastagens. Quando aquela pessoa me viu, ela começou a acenar com a mão.

    Não havia sinais de hostilidade. Eu também acenei de volta. Com a maior elegância.

    "Eei! Eeeei!"

    A pessoa estava saltando e balançando as mãos para fazer sua existência ser notada... Venha, é isso que ela quer dizer?

    Eu levemente virei minha vassoura e me dirigi à sua direção.

    "Ohhh! Você veio!"

    A pessoa de pé ali era um simples garoto. Ele estava segurando um jarro em uma das mãos.

    "Olá."

    Eu desci da minha vassoura e o cumprimentei.

    "Olá. Moça, então você é uma Bruxa. Isso é incrível."

    O garoto olhou para o broche no meu peito e deu um grande sorriso.

    "O que você está fazendo aqui?"

    "Eu estou procurando por felicidade."

    "O que isso deveria significar?"

    "Procurar por felicidade é exatamente isso que parece ser," disse o garoto. "A propósito, moça, você tem algum tempo livre?"

    Ele está me chamando para um encontro? Nãonão, sem chance que é isso.

    "Se você está perguntando se eu tenho tempo livre, eu até tenho, mas se você perguntar se eu estou ocupada, eu estou."

    "Ah, então você tem tempo livre!"

    ...

    "Por sinal, não tem nenhuma vila ou cidade por aqui?" Se não tiver nenhum lugar onde eu possa ficar, eu terei que dormir nas pastagens.

    Não posso dizer se essa opção iria melhorar meu humor.

    "Se estiver procurando por uma vila, é logo ali."

    No lugar para onde ele estava apontando... Certamente parecia haver algo como uma vila ali.

    "Houhou"

    "Inclusive, aquela é a minha vila."

    "Então você é o líder da vila? Prazer em conhecê-lo. Eu me chamo Elaina. Uma viajante."

    "Ah, prazer te conhecer, eu sou Emil---Não é isso! Quero dizer, aquela é a vila onde eu vivo," Emil-san disse com as bochechas inchadas.

    "Eu sei. Estava brincando."

    Eu sorri.

    O mal-humorado Emil-san segurou o jarro com ambas as mãos e ficou em silêncio.

    Ao descer minha linha de visão para o jarro, eu vi algo se mover dentro dele. Focando meus olhos para olhar mais de perto, era uma neblina branca. Neblina branca parecia estar flutuando dentro do jarro como um ser vivo.

    "O que é isso?" Eu apontei para o jarro.

    Talvez ele quisesse que eu perguntasse isso. Emil-san respondeu com orgulho.

    "Esse é um jarro que coleta felicidade! Quando pessoas ou animais experienciam felicidade, ela se transforma em poder mágico e se reúne dentro do jarro."

    "Oh?..."

    Com magia, uma pessoa pode mover coisas, criar fogo ou gelo... E manipulá-la para todo tipo de coisa, então é possível reproduzir a coisa na minha frente. Usá-la para voar com a vassoura, mudar o vento, ou mudar sua aparência para de um rato é chamado de Magia.

    Coletar felicidade quando ela é experienciada, o que isso significa é que emoções são convertidas em poder mágico, huh?

    Parece ser um pouco interessante.

    "Posso abrir e dar uma olhada?"

    "Ó-Óbvio que você não pode!"

    Ao estender minha mão, Emil-san segurou firmemente o jarro com ambas as mãos e se afastou.

    Ele declarou com olhos claramente hostis.

    "Isso é algo feito para a pessoa que eu amo, então você não pode tocar nisso, moça!"

    "Houhou."

    "Vo-você está com raiva?"

    "Não, só fiquei impressionada."

    Eu lembrei de um livro que eu li há muito tempo.

    Era um conto sobre um marido, que pelo bem da esposa que não podia sair de casa por conta de uma doença, vagou mundo a fora, e voltou para casa para mostrar sua esposa os belos cenários que ele viu, recriando eles com Magia. Como aquela história acabou mesmo? É uma história de muito tempo atrás, pelo visto eu esqueci.

    "Quem é a garota que você gosta?"

    "Hm? É uma serva chamada Nino, que trabalha na minha casa. Seu rosto sempre parece melancólico, então eu quero trazer felicidade para ela."

    "É por isso que estou coletando felicidade em um jarro." -- Dizendo isso, ele levantou o jarro e o mostrou.

    Sua expressão olhando para o jarro como um amante era a própria felicidade encarnada. Em um nível que se suas emoções fossem reproduzidas com magia, seria capaz de facilmente encher o jarro de felicidade.

    Após isso, nós subimos na vassoura e nos dirigimos para a vila. Eu falei sobre como poder mágico funcionava agora há pouco, então nunca pude perguntar, mas ele era um Mago.

    Isso me lembra.

    O que exatamente Emil-san estava fazendo no meio das pastagens?

    "Eu estava testando se eu poderia extrair felicidade das plantas também."

    "E como foi?" Eu perguntei ao Emil-san que voava atrás de mim.

    "É complicado. Eu consegui reproduzir algo como as emoções das plantas, mas por alguma razão, sua coloração ficou impura, então eu deixei para lá."

    "Que pena."

    Bem, elas eram plantas afinal, huh. Se você perguntasse se plantas tinham emoções distintas, eu só iria inclinar minha cabeça, me perguntando. Se por um acaso eu descobrisse que elas tinham emoções, haveria uma chance de que eu não iria comer salada daquele momento em diante, então eu prefiro evitar me certificar disso o máximo possível.

    "Ah, é ali."

    Ele apontou para a vila que apareceu na nossa frente.

    Era uma vila minúscula. Tanto que se você caminhasse ao redor das cercas cheias de defeitos que estavam alinhadas ali ao invés de muros, você retornaria ao mesmo lugar em menos de uma hora.

    A quantidade de casas era mais ou menos várias dúzias. Casas de aparência similar estavam espalhadas, e como se para fechar as brechas, pequenos campos e poços estavam colocados entre elas.

    Bem, é assim que é.

    "É uma vila tranquila."

    "Não é?"

    Descendo da vassoura, nós passamos através de duas árvores que estavam ali, ao invés de um portão, e entramos da na vila.

    No fim da rua reta, havia uma bela mansão que era claramente maior se comparada com as outras casas. Eu disse maior, mas era no máximo do tamanho dos hotéis dos outros países.

    "Aquela é a casa do líder da vila?"

    Quando eu apontei para a mansão, ele assentiu.

    "Exato. E também é a minha casa."

    "Oh?"

    Então dizer que essa vila era do Emil-san não estava necessariamente errado.

    "...A reação foi bem fraca, moça."

    "Seria melhor se eu estivesse surpresa? Uau, incrível! Você é tão rico!"

    "É... tanto faz, deixa quieto..." Emil-san ficou para baixo, como se tivesse recebido um balde de água fria.

    "A propósito, Emil-san, quando você dará o jarro para ela?"

    Instantaneamente, seu rosto recuperou a animação. Ele é um menino interessante com saltos extremos de emoções.

    "Agora! Eu vou dar ele para ela após a refeição de hoje ao meio-dia. Ah, certo, moça, você também deveria vir comer. A comida feita pela Nino-chan é absolutamente deliciosa!"

    "Fico agradecida, mas eu já comi faz pouco tempo."

    "Então, ao menos experimente um pouco da comida da Nino-chan! Ah, você tem alguma comida que você não gosta? Vou pedi-la para evitar, caso tenha."

    Pelo visto terei de comer de qualquer jeito.

    No entanto, não tenho motivos para recusar, certo?

    "Não tem nada que eu desgoste, mas eu realmente comi agora há pouco, então só um pouco, ok?"

    "Deixa comigo! Eu vou te dar uma comida que é absolutamente deliciosa!"

    Não, quem vai fazer a comida não é você, mas a Nino-chan, certo?

    Parte 2
    E assim, eu acabei visitando a casa do líder da vila.

    Comparado a sua aparência externa que era bem grande, a parte interna era bem comum.

    Na sala de jantar para onde o Emil-san me guiou, havia móveis antigos alinhados. Assim como a situação modesta da vila, o líder da vila não parecia viver em prosperidade. Ou melhor dizendo, a impressão é que eles não conseguiam dar conta de um lugar tão grande.

    "Pois bem, vamos nos sentar."

    Emil-san puxou uma cadeira e insistiu que eu sentasse, então eu sentei.

    "Obrigada--A propósito, onde está a serva?"

    "Vai saber? Ela provavelmente virá logo."

    "E o líder da vila?"

    "Virá logo, eu acho?"

    "Qual é a da expressão despreocupada?"

    Era em um momento em que Emil-san e eu trocávamos tais palavras.

    Eu senti uma presença atrás de mim--Não, para ser precisa, eu só ouvi os sons vindo de trás.

    Em todo caso, eu me virei.

    "...Ah."

    Havia uma garota de pé ali. Assim que nossos olhos se encontraram, seus ombros saltaram, então eu a dei um pequeno aceno com a cabeça, como se ela estivesse com medo de alguma coisa. Era uma atitude bem inocente.

    A julgar pelas vestimentas, ela era uma serva. Ela vestia um vestido de avental um pouco grande demais (Roupa de empregada, em outras palavras) para sua estrutura física pequena.

    "Olá--Você por um acaso é uma pessoa com origens orientais?"

    Ela tinha um charmoso, listo cabelo negro e olhos marrom-escuros. Ela tinha uma aparência similar a aquela Aprendiz de Bruxa-san de origem oriental que eu conheci em algum país uma vez. O cabelo daquela Aprendiz de Bruxa-san era um pouco mais curto, no entanto.

    "Ehh? E-Err..."

    Perguntar sobre as origens de alguém era falta de educação, no fim das contas, huh---Como se estivesse pedindo por socorro, seu olhar se direcionou para o Emil-san.

    "Exatamente. Meu pai pegou a Nino-chan de um país oriental."

    "E então a fez trabalhar nessa casa como uma serva."

    A garota chamada Nino-chan acenou levemente com a cabeça. "Si-sim... Eu recebi uma grande quantidade de gentileza do líder da vila-sama."

    A resposta era tão mecânica que parecia que ela estava lendo um roteiro já preparado.

    "Onde está esse líder da vila-sama agora?"

    "Ah, erm... Agora, ele está no escritório, trabalhando..." Ela disse enquanto agarrava as bordas do seu vestido. "Uhm, você gostaria de pedir alguma coisa?"

    "Nada em especial" eu balancei minha cabeça.

    Em todo caso, parecia que eu iria encontrá-lo no jantar, e não havia necessidade de me apressar para encontrá-lo, também.

    Após ela terminar de falar comigo, ela olhou para baixo como se tentasse evitar me olhar nos olhos. Pelo visto falar com outras pessoas não é um dos seus pontos fortes.

    Entretanto, o garoto apaixonado não estava nem um pouco preocupado com isso. Caminhando como se estivesse saltitante, Emil-san correu para o lado dela e entrou na sua linha de visão.

    "Ei, ei, Nino-chan, o que temos para o almoço hoje?"

    Suas costas estavam viradas para mim, então eu não podia ver sua expressão, mas provavelmente não era nada tão diferente de um grande sorriso.

    "Ah, ho-hoje... Nós temos peixe grelhado como foi exigido do líder da vila-sama."

    "Ohh! Ei, se estiver tudo bem, você poderia preparar uma porção para ela também?"

    Emil-san apontou para mim, e Nino-san rapidamente olhou na minha direção e acenou de leve com a cabeça.

    "Que tal, moça?"

    "Sem problemas. Muito obrigada. Mas, eu não estou realmente com fome, então só um pouco será o suficiente."

    "...Si-sim."

    Tal como Emil-san disse, a expressão da Nino-san era realmente melancólica. A julgar pela sua expressão, era como se nós estivéssemos debochando dela.

    "Ah, verdade. Nino-chan, eu tenho um presente para você após essa refeição."

    "Eh, pa-para mim...?"

    "Sim. Pode esperar ansiosamente."

    "Nã-não... Não precisa. Se você der um presente para uma serva como eu... o líder da vila-sama ficará com raiva..."

    Sua expressão mudou a um nível que foi além de humildade.

    "Relaxaaa, eu vou explicar direitinho para meu pai."

    "Mas..."

    Se cansando da indecisão da Nino-chan, Emil-san tomou uma ação forçada. "Então, essa é uma ordem minha. Que tal?"

    "..."

    Seus sentimentos honestos devem ter alcançado ela, sem dúvidas. Nino-chan lentamente acenou com a cabeça dizendo, "Se for uma ordem..." e sorriu levemente.

    Olhando para ela, eu senti que ele também sorriu.

    Após isso, eu fiquei muito entediada.

    Emil-san foi dar uma mãozinha para a Nino-san e me deixou, a convidada, sozinha na sala de jantar. Eu também me dirigi para a cozinha para ajudar, mas ele recusou com um rosto sorridente dizendo "Moça, só espere sentada! Nós dois vamos fazer a comida!"

    Não havia ninguém para conversar, nem nada para fazer, só o tempo que passava e passava. Ou seja, foi extremamente improdutivo. Eu não consegui melhorar meu humor. Eu queria ao menos ler um livro. Mas eu não estava carregando nenhum, então nem isso pude fazer.

    No fim, eu só fiquei sentada na cadeira e passei o tempo na ociosidade.

    Eu esperei vários minutos.

    "É incomum termos visitas."

    Dizendo isso, um homem gordo sentou do lado oposto de mim. Não dava para chamá-lo de velho, mas também não era novo, e sua idade parecia estar entre os 35 e 40 e poucos. Provavelmente. Talvez.

    "Olá. Você por um acaso seria o líder da vila?" Eu perguntei enquanto carregava a certeza de que sim.

    "Sou eu mesmo."

    Como eu pensei.

    "Eu sou amiga do seu filho, Elaina. Uma viajante. Prazer em conhecê-lo."

    "Você é bem educada. Eu sou pai do Emil."

    Eu sei.

    No entanto, ele apareceu em um ótimo momento. Eu tenho tempo livre demais, afinal.

    "Há quanto tempo você tem atuado como líder dessa vila?"

    "Eu sou líder da vila desde que essa vila foi construída."

    "É mesmo?"

    "Sim."

    "É uma vila amável."

    "Sim."

    "A propósito, existe alguma coisa de especial nessa vila?"

    "Não, nada."

    "Nadinha?"

    "Nada."

    "...É mesmo?"

    Eu acho que continuei o papo inútil com o líder da vila após isso, mas, honestamente, eu não lembro de nada do que nós falamos.

    Em suma, foi mais ou menos uma conversa legal.

    Então, após pouco tempo, Nino-san e Emil-san voltaram carregando a refeição.

    Enquanto os dois estavam colocando a mesa, junto com um leve senso de fome, eu me senti inquieta por aquilo que não podia ser visto.

    "..."

    Eu acho que eu pedi por uma pequena porção de comida, mas...

    Parte 3
    "Eh? Você mediu direito minha porção pequena?" Para a minha questão, Emil-san respondeu confuso. "Veja, é um pequeno peixe, e a salada é pouca também."

    Bem, agora que ele falou, realmente parece ser pouco. Mas eu já ficaria satisfeita se fosse metade disso.

    "Uhm... Po-por um acaso eu coloquei demais...? Se você não puder comer tudo, está tudo bem deixar sobras..."

    "..."

    Eu fui silenciada. Próximo da Nino-san, Emil-san estava com os olhos cerrados como se tentando dizer "não deixe sobrar nada!"

    Então, no fim.

    Eu comi. Comi tudo sem deixar nenhuma sobra.

    Certamente foi uma comida deliciosa, mas eu só aproveitei no começo. E acabei empurrando todo resto no meu estomago. Tinha demais.

    "Obrigado pela comida! Estava uma delícia, Nino-chan."

    "Mu-muito...obrigada," Nino-san se curvou envergonhada. "Eu vou lavar a louça..."

    Então ela se levantou e coletou os pratos e copos. Emil-san também ajudou como se fosse o normal a se fazer.

    Nesse caso, eu também vou ajudar---Pensando nisso, eu me levantei, mas fui novamente parada por ele, com um sorriso, dizendo,"Moça, está tudo bem."

    Enquanto os dois foram para a cozinha, eu perguntei para o líder da vila "Onde você encontrou a Nino-san?"

    Após entornar o resto do copo de água na boca, o líder da vila, "No oriente, eu comprei ela," disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.

    Comprou ela. Ou seja, isso significa: "Ela é uma escrava?"

    "Sim. Foi uma questão de alguns anos atrás. Era uma época que minha esposa havia saído de casa, e eu estava com problemas com as tarefas domésticas."

    "..."

    Havia coisas que eu gostaria de dizer, mas me segurei. Ficando em silêncio, eu o induzi a continuar.

    "Naquela época, eu estava a negócios em um país oriental e a encontrei lá. Ela foi um pouco cara, mas ela sabia fazer mais ou menos as tarefas domésticas, e mais ainda, ela tinha um rosto que demonstrava potencial para se tornar uma beldade no futuro. Por isso eu a comprei sem hesitar. Tal como antecipei, ela se tornou uma boa serva."

    O líder da vila riu indecentemente.

    "Emil-san tem noção disso?"

    "Eu deveria ter contado a ele, mas ele não parece que vai se importar muito com ela ser uma escrava."

    Emil-san disse que o líder da vila a encontrou, então há a probabilidade de que ele não tem noção dela ser uma escrava.

    Mesmo que a Nino-san tenha sido uma garota comprada como uma escrava, eu sinto que se for ele que não é duas caras, ele não iria mudar mesmo com isso.

    Nino-san, que voltou da cozinha silenciosamente enquanto nossa conversa estava parada, confirmou que nossos copos estavam vazios e coletou eles um por um. O fato de que ela estava constantemente olhando para baixo enquanto fazia isso significava que ela havia ouvido nossa conversa.

    "Nino-chan, onde nós deveríamos colocar o prato grande mesmo?"

    "Hii...!"

    Ela fez um som ensurdecedor.

    Emil-san, que subitamente saiu da cozinha, e Nino-san, colidiram diretamente um com o outro, e os copos que ela segurava caíram.

    Fragmentos de vários tamanhos se espalharam debaixo dos seus pés.

    "O que você está fazendo?!"

    Uma voz raivosa veio do meu lado oposto. O líder da vila rapidamente se levantou e agarrou a gola da Nino-san, ainda perplexa.

    "Limpe isso de uma vez! Você não consegue nem isso?! Quando você vai conseguir terminar algum trabalho com perfeição?!"

    "E-Eu sinto muito, sinto muito, sinto muito, sinto muito, sinto muito..."

    "Pare com isso, pai! Foi minha culpa, não?! Pare de culpar só a Nino-chan!"

    "Você fique quieto!"

    Recuando seus ombros, Emil-san abaixou a cabeça.

    Talvez ele estivesse cansado de gritar, ele soltou ela e apontou o seu queixo enquanto dizia, "Limpe isso!". Com lágrimas nos olhos, Nino-chan acenou com a cabeça repetidas vezes e se curvou para eles e para mim de novo e de novo, "Sinto muito, sinto muito, sinto muito..." enquanto repetia isso como um encantamento.

    Para ser honesta, eu não conseguia assistir.

    Era extremamente desagradável. Era revoltante.

    Eu puxei minha cadeira, me abaixei próxima aos pedaços de vidro, e peguei o meu cajado.

    "Se eu consertar os pedaços, não será necessário limpar."

    Magia de reversão temporal é conveniente para coisas como curar ferimentos ou reparar coisas. Algo branco como uma névoa tocou nos fragmentos gentilmente e retrocedeu o tempo deles para sua forma original.

    Eu dei o copo que havia se tornado o que era antes para a Nino-san. "Tome cuidado para não derrubá-lo daqui em diante, ok?"

    A garota em questão tinha uma expressão que dizia que ela não havia entendido o que havia acabado de acontecer.

    "Não, minha culpa. Eu acabei te mostrando algo vergonhoso e você até consertou o copo," se metendo na conversa, o líder da vila disse em um tom de voz calmo.

    "Ei, você agradeça ela apropriadamente também."

    Não, agradecer não é algo para se fazer forçadamente.

    "...Desculpa."

    Além disso, Nino-san, que havia sido interrompida, silenciosamente disse algo completamente diferente. Não está certo.

    "Não é 'Desculpa', é "Obrigado', Nino-san," Eu disse a ela.

    Então, Nino-san levantou seu rosto que parecia prestes a se debulhar em lágrimas em qualquer momento e forçou a voz para fora, "Muito, obrigada."

    Parte 4
    "Eu também consigo usar esse nível de Magia."

    Após o líder da vila ir para a sala de leitura, e Nino-san voltar a lavar a louça, o rosto de Emil-san ficou sombrio.

    Mesmo que estivesse tudo bem se ele parasse de fingir dureza forçadamente.

    "Ah, céus. Desculpa. Fiz algo desnecessário?"

    "Não, eu não fui capaz de fazer nada, afinal. Obrigado, moça."

    "Disponha."

    "Mas, mesmo eu conseguiria fazer isso."

    "..."

    Era provavelmente humilhante mostrar uma visão tão vergonhoso para a garota que ele ama.

    "Você não deveria se preocupar com isso," eu atingi os ombros dele com ambas as mãos. "Por sinal, Nino-san está para baixo agora, certo? Não é o melhor momento para dar a ela o presente?"

    "! Moça, seria você genial...?"

    "Fufufu. Você pode me elogiar mais um pouco."

    Emil-san, que encontrou esperança, teve seu humor facilmente elevado. Que criança simples. É bom ser assim.

    Emil-san, segurando o jarro por trás das costas, estava esperando a Nino-san terminar seu trabalho.

    "..."

    Nino-san, que saiu da cozinha com um rosto sombrio, se assustou com a súbita aparição do Emil-san. Foi uma reação parecida com a de um animal pequeno. Ela sem dúvidas se lembrou do momento que eles colidiram.

    Emil-san parou a um passo de distância.

    "Nino-chan. Eu disse que eu tinha um presente para você após a refeição, certo?"

    "...Si-sim."

    Nino-san respondeu hesitantemente.

    "Aqui. Esse é o presente."

    Emil-san pegou o jarro que ele escondia e o carregou para diante dos olhos dela. Não tendo ideia do que era aquilo, Nino-san encarou a neblina branca se movendo dentro dele com confusão no rosto.

    "Esse jarro está preenchido com felicidade."

    Emil-san tocou a tampa do jarro.

    "Dentro, está lotado de felicidade de várias pessoas que eu encontrei em vários lugares."

    "...Felicidade, das pessoas?"

    Nino-san inclinou sua cabeça e Emil-san sorriu.

    "Você não vai conseguir ver só com um olhar, então olhe atentamente."

    Com um som agradável, a tampa saiu.

    Do jarro que havia perdido a tampa, neblina branca saltou para fora e alcançou o teto. Então, ao cobrir o teto em branco como uma nuvem, começou a lentamente chover pequenas gotas.

    As gotas que pareciam vidro refletiam a luz solar e brilhavam, criando uma ilusão. Esses eram fragmentos da felicidade das pessoas. Os grãos de luz refletiam a felicidade que ele reuniu.

    A felicidade de dar a luz. A felicidade de ver uma linda cena. A felicidade de namorados caminhando juntos. A leve felicidade de descobrir flores bonitas. A felicidade que lembra o prazer sentido ao superar as dificuldades. A gentil felicidade sentida quando caindo no sono enquanto lia um livro no dia de folga, enquanto se banhava na luz solar.

    "Veja, o mundo lá fora é cheio de tais felicidades,"

    Emil-san disse enquanto segurava a mão da Nino-san.

    "Por isso, tire esse rosto melancólico. Porque eu vou te fazer feliz."

    Nino-san...

    Olhando para os grãos de luz com pura admiração, e logo em seguida começando a chorar em silêncio. Ela derramou lágrimas enquanto cobria a boca com a mão para que sua voz não escapasse.

    Emil-san, que ria como se não soubesse o que fazer, silenciosamente abraçou ela.

    As lágrimas fluindo...

    Saltaram e brilharam tal como os fragmentos de felicidade.

    Parte 5
    "Não teria problema se você quisesse ficar mais algum tempo."

    Um par de árvores alinhadas, ao invés de um portão. Emil-san, que apressadamente me escoltou para a saída da vila, se sentiu desolado como um cachorrinho abandonado.

    Próximo a ele estava a serva, Nino-san. Já que sua expressão não era boa desde o início, eu não conseguia ver se ela estava triste ou não em ter que se despedir de mim.

    Eu balancei minha cabeça.

    "Desculpa. Mas, eu não posso ficar muito tempo."

    Dizendo isso, eu peguei a vassoura.

    "...Venha e fique novamente, ok? Da próxima vez, Nino-chan e eu iremos servir refeições ainda mais deliciosas. Certo?"

    "Si-sim... Nós estaremos esperando."

    Nino-san se curvou.

    "Certo. Eu voltarei--Eu certamente irei, algum dia."

    Talvez quando eu terminar a jornada.

    Eles balançaram suas mãos enquanto eu me afastava. Emil-san balançava suas mãos em alto astral. Nino-san silenciosamente balançava só a parte acima do cotovelo.

    "...?"

    Subitamente, meus olhos se encontraram com os da Nino-san.

    Eles eram olhos de escuridão profunda. No entanto, não era só a cor escura, mas o tipo de escuro que parecia que essencialmente carregava a escuridão.

    Como se estivesse lotado com algum tipo de desespero. Tal como uma pessoa morta.

    Eles pareciam diferentes da primeira vez que eu os vi na residência do líder da vila.

    ...Como era mesmo?

    Enquanto me lembrava daquilo, a próxima vila se tornava visível.

    Era o fim do livro que eu li tempos trás.

    O conto do marido que pelo bem da esposa, que não podia sair de casa devido a uma doença, viajou mundo a fora, e voltou para casa para mostrá-la os belos cenários que ele viu, os reproduzindo com Magia.

    Mesmo tendo deixado um memórias ruins após a leitura, por que eu havia esquecido até então?

    A esposa, que desejava profundamente os cenários tão sonhados, irresponsavelmente moveu seu corpo que originalmente não poderia ser movido, e morreu muito mais cedo do que ela ainda tinha de tempo de vida---Esse foi o desfecho daquele conto. No fim, "Acreditar que você está fazendo algo por alguém, nem sempre significa que estará fazendo o certo," - Era uma história que tinha uma mensagem do tipo nas entrelinhas.

    Quando Nino-san viu o conteúdo do jarro, me pergunto o que ela sentiu.

    O que ela decidiu?

    Talvez...

    "..."

    Não, não pode ser. Não tem como, certo?

    Me virando, o vento soprava ao longo das pastagens que pareciam pintadas em uma fraca cor verde. As flores brilhavam ao receber os raios solares, e balançavam com o vento tal como a superfície da água.

    Era realmente um belo cenário.

    Mas eu nunca mais irei visitá-lo.

    Afinal, eu iria provavelmente só terminar sentindo nada além de tristeza, mesmo se eu voltar.
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